quarta-feira, 13 de setembro de 2017

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA
Régis Varão/¹

A educação financeira é fundamental na formação de uma sociedade saudável sob todos os aspectos. Quando iniciada na infância a prática constante da educação financeira ajuda a formar adultos financeiramente responsáveis. Pessoas se endividam devido basicamente à inadequada gestão de seus recursos financeiros e por desconhecerem completamente os rudimentos de educação financeira.

As pessoas endividadas não praticam planejamento financeiro, gastam mais do que ganham, logo, vivem no vermelho. Normalmente o endividado paga o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, se endivida no cheque especial, compra sempre a prestação, prefere produtos de marca, não sabe quanto gasta com prestações, financiamentos, supérfluos, restaurantes, supermercados e lazer. Essas são algumas das razões que contribuem para que o endividado tenha uma saúde financeira precária.

A má gestão dos recursos financeiros decorre, em grande parte, de hábitos inadequados e repetitivos na administração das receitas vindas de salário, pró-labore, bônus, premiações, comissões e extras, e interfere negativamente no sucesso de nossa vida financeira e na busca da tão sonhada prosperidade.

Maus hábitos no trato com o dinheiro podem levar ao endividamento, com danos à saúde física e mental. Indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com regularidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem com frequência com colegas de trabalho, amigos e familiares, se separam ou divorciam mais, estão sujeitos a perderem o emprego, perdem a concentração com facilidade e sofrem mais acidentes de trabalho em relação aqueles que não têm problemas financeiros. As consequências são inúmeras e refletem diretamente na produtividade do trabalho e no lucro das empresas.

Segundo Robert Kiyosaki  em O segredo dos ricos: as 8 novas regras para lidar melhor com o dinheiro, as pessoas “que adquirem sólida educação financeira possuem uma injusta vantagem sobre aqueles que não possuem”, pois quem tem forte conhecimento na área pode usar os impostos, as dívidas, a inflação e a aposentadoria para se tornar mais rico e não mais pobre. Por outro lado, essas forças dominam aqueles que não possuem educação financeira.

Ainda segundo Kiyosaki, “A educação financeira é essencial para a inteligência financeira, que não trata apenas de como você faz dinheiro, mas de quanto dinheiro você consegue acumular, quão arduamente seu dinheiro trabalha para você e para quantas gerações você passa seu dinheiro. Na era da Informação, a educação financeira é essencial para a segurança financeira”.

Investir em educação financeira é de fundamental importância para o desenvolvimento do País, para tirar grande parte das famílias brasileiras do analfabetismo econômico, afirma Bodo Schäfer autor de O caminho para a liberdade financeira.

Um dos princípios que regem o impulso do consumidor brasileiro ao adquirir bens e serviços a prazo e com juros exorbitantes, é se as parcelas cabem no orçamento pessoal ou familiar.

Pesquisa citada por Eric Tyson (Personal Finance for Dummies), afirma que os norte-americanos também desconhecem princípios básicos de matemática e finanças pessoais. No Brasil, a situação é mais grave, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de ago/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

Segundo a PEIC, o endividamento das famílias atinge 58%, o que indica o desconhecimento de educação financeira por parte dos brasileiros. Conforme demonstram os índices encontrados na pesquisa, o cartão de crédito tem a preferência de 76,4% das famílias endividadas; seguido pelos carnês de loja com 15,8%; crédito pessoal com 10,6%,  financiamento de carro (9,8%), financiamento de casa com 8,1%, enquanto o crédito consignado, o menor juro do setor bancário, tem a preferência de apenas 5,8% das famílias.

É de fundamental importância compreender os fundamentos da educação financeira não só para evitar problemas de endividamento, mas principalmente para conseguir trilhar os caminhos da prosperidade financeira.

Portanto, a maioria das famílias brasileiras não tem a percepção da relevância do planejamento financeiro pessoal e familiar (ver a PEIC). Fazer este controle periódico é uma das alternativas para o sucesso financeiro, pois permite ao indivíduo ou à família ter clareza para buscar alternativas de novas fontes de receita, ao mesmo tempo que estabelece práticas de controles de gastos.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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