SUBIU O
PERCENTUAL MÉDIO DO ENDIVIDAMENTO EM 2017
Régis
Varão/¹
O estudo “O perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017” apresenta o
perfil do endividamento no período 2010-17. Foi elaborado com base na Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, publicada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC. Os dados são coletados mensalmente desde jan/10 em todas as capitais
brasileiras mais o Distrito Federal.
A pesquisa
mostra que, após o declínio no percentual médio de famílias endividadas
observado no período 2014-16, em 2017 foi observado alta de 0,6 p.p. ante o ano
anterior. Assim, o percentual médio de famílias endividadas com cartão de
crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito
pessoal, carnês, financiamento de carro e financiamento de casa, entre outras,
em relação ao total, apresentou o seguinte comportamento: 2010 (59,1%), 2011 (62,2%),
2012 (58,3%), 2013 (62,5%), 2014 (61,9%), 2015 (61,1%), 2016 (60,2%) e 2017 (60,8%).
Em 2017, segundo
o relatório da CNC, “Foi a primeira alta do indicador em três anos, considerando as médias
anuais. Após uma queda no segundo trimestre do ano, o percentual de famílias
com dívidas permaneceu acima do patamar observado em 2016 e ao longo de todo o
segundo semestre de 2017, terminando o ano em 62,2%”. Os meses de novembro e
dez/17 permaneceram estáveis em 62,2%, o patamar mais elevado observado no ano.
Já o percentual médio de famílias endividadas aumentou 1,7 p.p. entre 2010 e
2017.
Os
indicadores de inadimplência da pesquisa também apresentaram elevação no
período 2010-17. O percentual médio de famílias com contas ou dívidas em atraso
chegou a 24,9% em 2010 na média anual, atingindo 25,4% em 2017, este, o maior
percentual observado na série histórica, enquanto a menor parcela foi
verificada em 2014 (19,4%). Em dez/17, o percentual de famílias com dívidas em
atraso atingiu 25,7%, apresentando elevação de 1,7 p.p. ante dez/16, mas
registrando declínio de 0,1 p.p. ante nov/17. Após alcançar o maior patamar do
ano em set/17 com 26,5%, a parcela de famílias com dívidas em atraso apresentou
tendência de queda no último trimestre, segundo a Pesquisa de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor-PEIC de dez/17.
Ainda com
relação à inadimplência, a parcela de famílias sem condições de pagar suas
contas em atraso, logo, continuam inadimplentes, cresceu 1,3 p.p. entre 2010
(8,9%) e 2017 (10,2%). O menor percentual médio anual foi registrado em 2014
(6,3%), enquanto 2017 ficou com a maior parcela média anual do período em
análise. Em dez/17, o percentual de famílias sem condições de pagar as dívidas
em atraso atingiu 9,7%, +0,6 p.p. ante dez/16 e -0,4 p.p. ante nov/17.
Segundo
Marianne Hanson, da CNC, “Apesar da melhora recente, os indicadores de
inadimplência permanecem em níveis superiores aos do ano passado. A taxa de
desemprego ainda bastante alta ajuda a explicar a dificuldade das famílias em
pagar suas contas em dia e o pessimismo em relação à capacidade de pagamento”.
Ao longo da
série histórica, o cartão de crédito foi o tipo de dívida preferido das
famílias brasileiras, saindo de 70,9% em 2010, na média anual, e chegando a
76,7% em 2017. O maior percentual médio anual foi observado em 2016 quando
atingiu 77,1% (valor recorde da série histórica), caindo 0,4 p.p. no ano
seguinte. Já o menor percentual médio foi observado em 2010 com 70,9% na
preferências das famílias endividadas.
O relatório
da CNC afirma “Contudo, pela primeira vez desde o início da pesquisa, houve
redução do percentual de famílias que aponta essa modalidade como o principal
tipo de dívida. Em segundo lugar, ficou o carnê, por 15,7% das famílias, e, em
terceiro, o crédito pessoal, por 10,3%. Além do cartão de crédito, também foram
menos citadas em 2017 as modalidades: cheque especial, cheque pré-datado e
financiamento de carro. Destaca-se a maior importância do crédito habitacional
e do crédito consignado, em comparação com o ano anterior”.
Segundo a
CNC, “Houve redução do comprometimento de renda como pagamento mensal das
dívidas, o que evidencia a diminuição do custo do crédito em relação à renda
familiar”. Ainda segundo a CNC, a mudança na composição das dívidas ajuda a
explicar esse comportamento em 2017, tendo em vista que a participação dos
tipos de dívidas mais caras (cartão de crédito e cheque especial) apresentaram
declínio, enquanto as modalidades de custo mais baixo (crédito consignado e
financiamento de casa) registraram elevação. A parcela média da renda
comprometida com o pagamento de dívidas passou de 29,9% em 2010 para 30,6% em
2016, chegando em 2017 com 30,1%. O menor percentual médio observado foi em
2013 (29,4%) e o maior foi verificado em 2015 e 2016, com 30,6%,
respectivamente.
Embora o
comprometimento de renda entre as famílias endividadas tenha declinado, houve
piora na percepção de uma parcela delas em relação ao seu nível de
endividamento, tendo em vista que um número maior de famílias relatou estar
muito e mais ou menos endividado. A média anual do percentual das famílias que afirmaram
estar muito endividadas aumentou de 14% em 2010 para 14,6% em 2017, e
permaneceu praticamente estável ante 2016 (14,5%). O menor percentual foi observado
em 2014 (11,6%), enquanto o maior foi em 2011 (15,9%).
Já o
percentual das famílias que se declararam mais ou menos endividadas saiu de
21,1% em 2010, média anual, para 22,5% em 2017. O menor valor médio anual foi
registrado em 2012 (20,8%) , enquanto o maior atingiu 23,8% em 2014.
O percentual
médio anual de famílias pouco endividadas decresceu de 24% em 2010 para 23,8%
em 2017, quando registrou o menor valor da série, enquanto o maior foi 27,2% verificado em 2013.
Nas duas
faixas de renda pesquisadas - até dez salários mínimos <10 SM e acima de dez
salários mínimos >10 SM -, houve desacordo no comportamento do endividamento
familiar. Enquanto na faixa de renda <10 SM houve elevação do percentual
médio de famílias endividadas, saindo de 60,9% em 2010 para 62,6% em 2017. O
menor percentual foi registrado em 2012 (59,5%), enquanto o maior foi 64% em
2013. Já na faixa de renda >10 SM, saiu de 47,9% em 2010 para 51,7% em 2017.
No período 2013-14 foi observado incremento do percentual médio nessa faixa de
renda mais elevada, tendo apresentado declínio a partir de 2016 (52,3%).
Na faixa de
renda <10 SM, houve aumento de 1,9 p.p. de famílias com dívidas ou contas em
atraso entre 2010 (26,8%) e 2017 (28,7%). Em 2017 foi verificado o maior
percentual, enquanto o menor foi em 2014 (21,7%). Na faixa de renda mais elevada, o percentual
médio caiu de 13,2% (maior valor da série) em 2010 para 11,4% em 2017. O menor
percentual foi 9,8% em 2014. O percentual de famílias que afirmaram sem
condições de pagar suas contas em atraso e continuariam inadimplentes passou de
9,8% em 2010 para 11,8% em 2017, na faixa de renda <10 SM, enquanto as
famílias na faixa de renda >10 SM saiu de 3,2% em 2010 para 3,9% em 2017.
Portanto, a lenta
recuperação da atividade econômica, a queda da inflação, a redução dos
juros e o pequeno declínio do desemprego não foram suficientes para impactar
positivamente o nível de endividamento das famílias que registrou alta em 2017,
após três anos de declínio, e a inadimplência que mantém-se em patamar muito
elevado. Cabe registrar a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como
forma de endividamento, o que demonstra falta de educação financeira da população.
As famílias brasileiras deveriam adotar hábitos financeiros saudáveis que poderiam conduzi-las a uma vida de prosperidade.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência
financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e
doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo
do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e
três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.