quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

CONSUMIDOR MAIS CONFIANTE EM 2018
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), inicia 2018 indicando elevação na confiança do consumidor. O indicador registra 102,9 pontos em jan/18, representando crescimento de 2,4% na passagem de dez/17 para janeiro deste ano. Embora tenha apresentado incremento, o INEC de jan/18 registra declínio de 0,9% quando comparado a igual período de 2017 e 4,7% inferior a média histórica de 108 pontos.

A maioria dos componentes do INEC apresenta elevação em jan/18 frente ao mês anterior, exceção feita ao índice de compras de bens de maior valor. Na comparação anual, apenas dois indicadores registraram variações positivas, expectativas de desemprego e de compras de bens de maior valor.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta crescimento de 4% em jan/18 (108,5 pontos) ante o mês anterior, e registra queda de 2% na comparação anual, quando atinge 110,7 pontos em jan/17. Segundo o relatório da CNI, “os consumidores estão mais otimistas com relação ao desemprego, renda e também com a evolução dos preços”;

(b) Expectativa de desemprego: o índice registra aumento de 6% em jan/18 (119 pontos) ante dez/17 e alta de 3,4% na comparação anual. Esse componente do INEC é o único a apresentar variação positiva nas duas bases de comparação, o que mostra os consumidores mais otimistas com relação ao desemprego, segundo o relatório da CNI;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC aponta variação positiva de 5,3% em jan/18 (93,7 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 5% na comparação anual, quando registra 98,6  pontos em jan/17. O indicador registra o segundo maior crescimento em jan/18 ante o mês anterior, entre os componentes do INEC, enquanto apresenta o maior declínio na comparação anual;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o índice indica decréscimo de 0,7% em jan/18 (112 pontos) ante dez/17 e registra elevação de 3,3% frente a jan/17. É o único indicador do INEC a apresentar variação negativa mensal;

(e) Endividamento: o índice apresenta elevação de 1,2% em jan/18 (95,8 pontos) na comparação mensal, e declínio de 4% frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho positivo do indicador em jan/18 mostra um maior número de pessoas esperando redução do endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente aponta incremento de 1,9% em jan/18 (91 pontos) ante dez/17, e queda de 3% com relação a igual período de 2017. O desempenho positivo do indicador no primeiro mês deste ano mostra que um maior número de pessoas espera uma melhor situação financeira.

Portanto, o comportamento da maioria dos componentes do INEC registra elevação mensal, o que mostra os consumidores mais otimistas com relação ao desemprego, renda e também com a desempenho da inflação. Por outro lado, o declínio do indicador de endividamento das famílias reflete o crescimento das dívidas, na comparação anual.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 28 de janeiro de 2018

MEDO DO DESEMPREGO CAI ENTRE OS BRASILEIROS
Régis Varão/¹

O Índice de Medo do Desemprego-IMD e o Índice de Satisfação com a Vida-ICV fazem parte da pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV, publicada pela Confederação Nacional da Indústria-CNI, com base em uma amostra de 2000 entrevistas realizadas em 127 municípios.

- O IMD atingiu 65,7 pontos em dez/17 e apresentou declínio de 2 pontos ante set/17 e cresceu 0,9 ponto na comparação anual, “indicando persistência da insegurança em relação à recuperação do mercado de trabalho, apesar dos sinais de recuperação da economia”, segundo relatório da CNI.

De acordo com Maria Carolina Marques, da CNI, "O emprego reage à recuperação da economia de forma defasada. As empresas contratam somente quando têm alguma segurança de que o crescimento será sustentado, pois elas arcam com custos de contratação e treinamento de novos trabalhadores, e com custos de demissão se a recuperação da economia não se sustenta".

Ainda segundo Maria Carolina, "A população percebe a demora na reação do mercado de trabalho e ainda mantém alguma ansiedade em relação à estabilidade do emprego. À medida que o crescimento econômico se mostrar sustentado, o resultado no emprego deve aparecer com maior intensidade e o medo do desemprego deve ceder".

Apesar da retração, o IMD continua 16,9 pontos acima da média histórica de 48,8 pontos, e muito distante do mínimo observado em meados de 2013 quando chegou a 25 pontos. Embora tenha apresentado pequeno recuo em dez/17, o valor se encontra entre os maiores da série.

Pessoas do sexo masculino registraram um IMD de 60,6 pontos em dez/17, representando queda de 2,1 pontos ante set/17 e aumento de 2,2 pontos na comparação anual. As do sexo feminino chegaram a 70,7 pontos em dez/17, com queda de 1,8 ponto ante set/17 e crescimento de 0,2 ponto ante dez/16. O sexo feminino registrou comportamento estável, na comparação anual, enquanto o sexo masculino apresentou elevação.

Por faixa de idade, o IMD apresentou o seguinte comportamento, na comparação anual: entre 45 a 54 anos (68,8 pontos), subiu 2,9 pontos, seguido pela faixa entre 25 a 34 anos (67,5 pontos) com alta de 2,6 pontos, de 35 a 44 anos (68,8 pontos) e incremento de 2 pontos. Observo que entre as cinco faixas de idade pesquisadas, apenas as três anteriores apresentaram variação positiva, enquanto nas faixa de 55 ou mais anos (59,2 pontos) e 16 a 24 anos (64,9 pontos) foram observados declínios de 1,8 ponto e 0,4 ponto, respectivamente.

Já com relação ao IMD por região, o Nordeste (73,6 pontos) apresentou o melhor desempenho em dez/17 com elevação de 3,6 pontos, seguido pelo Sudeste (66,9 pontos) com alta de 2 pontos, na comparação anual. As demais regiões registraram desempenho negativo com Norte/Centro-Oeste (60,6 pontos) e o Sul (54,6 pontos), com declínio de 1,4 ponto e 3,2 pontos, respectivamente, na mesma base de comparação.

Quanto ao IMD por renda familiar, em salários mínimos (SM), o melhor desempenho ficou com os de renda entre 1 a 2 SM (69,7 pontos) em dez/17, quando apresentou crescimento de 2,9 pontos na comparação anual, seguido por até 1 SM ao chegar em 74,2 pontos em dez/17 com elevação de 1,8 ponto ante dez/16. Os piores desempenhos ficaram com os de renda entre 2 a 5 SM ao atingir 60,8 pontos em dez/17 e declinar 2,8 pontos frente a dez/16. Os com renda acima de 5 SM caíram 2,4 pontos em dez/17 (52 pontos) na comparação anual.

- O Índice de Satisfação com a Vida-ISV chegou a 65,6 pontos em dez/17 e apresentou declínio de 0,4 ponto frente a set/17 e variação negativa de 1,2 ponto na comparação anual. Enquanto IMD registrou decréscimo apenas na comparação trimestral, o ISV apresentou retração em ambas as comparações. Segundo o relatório da CNI, ”O índice permanece entre os valores mais baixos registrados na série histórica iniciada em 1996”, de acordo com a  pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV.

O ISV de dez/17 (65,6 pontos) está 4,3 pontos abaixo da média histórica de 69,9 pontos, e muito próximo do valor mínimo observado em meados de 2016 (64 pontos). O ISV apresentou queda de 1,2 na comparação anual e se encontra entre os menores valores da série.

Já por faixa de idade, o ISV apresentou variação positiva apenas na faixa entre 35 a 44 anos (65,9 pontos) com elevação de 0,2 ponto em dez/17, na comparação anual, enquanto os demais registraram declínios em dez/17: na faixa de 55 ou mais anos (63,4 pontos), queda de 2,4 pontos, de 25 a 34 anos (65,8 pontos) com redução de 2,1 pontos, de 16 a 24 anos (69,2 pontos) com decréscimo de 0,7 ponto e na faixa de 45 a 54 anos (64,4 pontos) declínio de 0,6 ponto.

Pessoas do sexo masculino registraram um ISV de 66,2 pontos em dez/17, representando queda de 0,6 ponto ante set/17 e redução de 1,7 ponto na comparação com dez/16. As do sexo feminino chegaram a 64,9 pontos em dez/17, com queda de 0,2 ponto ante set/17 e declínio de 1,2 ponto na comparação anual.

Já com relação ao ISV por região, todas apresentaram declínio na comparação anual. A região Sudeste (64,8 pontos) está na liderança com -1,6 ponto em dez/17, seguido pelo Sul (67,8 pontos) com -1,3 ponto, Nordeste (65,7 pontos) com -1,2 ponto e Norte/Centro-Oeste (65,5 pontos) com -0,9 ponto.

Quanto ao ISV por renda familiar, em salários mínimos (SM), todas as faixas de renda apresentaram declínio. O maior decréscimo foi observado na faixa de renda de mais de 5 SM que atingiu 68,5 pontos e caiu 1,3 ponto na comparação anual. O segundo lugar ficou na faixa de renda de 2 a 5 SM que chegou a 66,9 pontos e caiu 1,1 ponto ante dez/16. A faixa de renda de até 1 SM (61,7 pontos) decresceu 0,7 ponto e a última colocada entre 1 a 2 SM (66,6 pontos) caiu 0,5 ponto, na mesma base de comparação.

Portanto, embora tenha havido melhora de alguns indicadores econômicos, continua presente a insegurança em relação ao mercado de emprego, enquanto o grau de satisfação com a vida observado em dezembro último permanece entre os valores mais baixos em toda a série histórica.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

MELHORA A INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS EM JAN/18
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens-CNC, apresentou crescimento de 2,3% em jan/18, na comparação com o mês anterior, e subiu 9,7% na comparação anual, atingindo 83,6. Apesar do resultado, o índice se mantém em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que reflete uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 2,4% na comparação mensal. Famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM) registraram elevação de 1,5%. O índice das famílias mais ricas se situa em 96,8 pontos e o das demais, em 81 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos. Na comparação regional, a região Sudeste registrou a maior variação positiva com 3,2%.

O relatório da CNC afirma que “De acordo com dados da última Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, referentes a novembro, as vendas do comércio subiram 0,7%, estimuladas pela Black Friday. Poderia ser apenas um resultado pontual, mas é mais que isso. Se comparado ao ano anterior, o setor varejista cresceu 5,9%, a maior alta para novembro desde 2013”. Ainda de acordo com a CNC, dados do IBGE afirmam que o poder de consumo apresentou crescimento ante os três anos anteriores, foi registrado redução do desemprego, incremento da renda e declínio da inflação. “No acumulado do ano de 2017, até novembro, o varejo acusou alta de 3,7% no volume de vendas, registrando recuperação em 23 dos 27 Estados”.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “Os consumidores seguem melhorando suas avaliações sobre a economia, mas o nível de endividamento das famílias, principalmente o daquelas com menor poder aquisitivo, leva à cautela nos gastos, atuando como um fator restritivo ao consumo.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 0,3% em jan/18 (109,8 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3,9% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em jan/18 é de 33,4%, ante 33,1% observado em dez/17.

As regiões Centro-Oeste (140,1 pontos), Norte (130,4 pontos) e Sul (103,7 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,6%, +1,1% e +0,7%. Já as regiões Nordeste (103,4 pontos) e Sudeste (102 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O Emprego Atual é o único componente acima da zona de indiferença (100 pontos), seguido de perto por Perspectiva Profissional logo atrás com 99,8 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou incremento de 4,2% em jan/18 (59,9 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 14,1% na comparação anual. De acordo com a CNC, “A maior parte das famílias, 56,5%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 59,9 pontos”. O indicador registra o menor nível entre os componentes do ICF em jan/18, portanto, distante da zona de indiferença.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,9% em jan/18 (76,3 pontos) ante o mês anterior, e subiu 14,2% em relação ao mesmo período de 2016. Entre os integrantes do ICF, essa modalidade registrou a terceira maior variação positiva na comparação anual.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 5,4% em jan/18 (62,2 pontos), ante o mês anterior, e subiu 18,5% na comparação anual. O indicador apresentou a maior variação mensal positiva em jan/18 entre os componentes do ICF, e o segundo maior crescimento na comparação anual.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 6,4% em jan/18, na comparação mensal, no quesito Momento para Duráveis, e as com renda >10 SM apresentaram crescimento de 1,1%. Segundo a CNC, “Regionalmente, esse indicador variou de 86,1 pontos (Sul) a 47,1 pontos (Norte)”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 2,2% em jan/18 (95,2 pontos) ante o mês anterior, e subiu 6,4% na comparação anual. Esse componente está cerca de 6% acima do valor observado em jan/17 quando chegou a 89,5 pontos, o menor valor registrado naquele ano. Por outro lado, o valor de jan/18 foi o mais alto observado nos últimos 22 meses.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 2,1% em jan/18 (81,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 23% na comparação anual. O indicador apresentou a maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. As famílias com renda <10 SM apresentaram crescimento de 2,4% em jan/18 na comparação mensal, enquanto as famílias com renda >10 SM registraram elevação de 1,5%.

7. Perspectiva Profissional:

As famílias registraram alta de 2,2% em jan/18 (99,8 pontos) em relação ao mercado de trabalho, na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-0,1%) na variação anual. O valor do componente em jan/18, foi o maior dos últimos nove meses, mas ainda distante do observado em mar/17 quando atingiu 103 pontos. A melhora do cenário macroeconômico atual tem contribuído para melhorar o desempenho positivo do indicador nos últimos três meses.

Portanto, o desempenho positivo observado na grande maioria dos componentes do ICF, deve-se a melhora das condições econômicas atuais, ajudadas pela elevação das vendas do comércio, queda da inflação, redução dos juros básicos da economia e do declínio do desemprego.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

SUBIU O PERCENTUAL MÉDIO DO ENDIVIDAMENTO EM 2017
Régis Varão/¹

O estudo “O perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017” apresenta o perfil do endividamento no período 2010-17. Foi elaborado com base na Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, publicada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC. Os dados são coletados mensalmente desde jan/10 em todas as capitais brasileiras mais o Distrito Federal.

A pesquisa mostra que, após o declínio no percentual médio de famílias endividadas observado no período 2014-16, em 2017 foi observado alta de 0,6 p.p. ante o ano anterior. Assim, o percentual médio de famílias endividadas com cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro e financiamento de casa, entre outras, em relação ao total, apresentou o seguinte comportamento: 2010 (59,1%), 2011 (62,2%), 2012 (58,3%), 2013 (62,5%), 2014 (61,9%), 2015 (61,1%), 2016 (60,2%) e 2017 (60,8%).

Em 2017, segundo o relatório da CNC, “Foi a primeira alta do indicador em três anos, considerando as médias anuais. Após uma queda no segundo trimestre do ano, o percentual de famílias com dívidas permaneceu acima do patamar observado em 2016 e ao longo de todo o segundo semestre de 2017, terminando o ano em 62,2%”. Os meses de novembro e dez/17 permaneceram estáveis em 62,2%, o patamar mais elevado observado no ano. Já o percentual médio de famílias endividadas aumentou 1,7 p.p. entre 2010 e 2017.

Os indicadores de inadimplência da pesquisa também apresentaram elevação no período 2010-17. O percentual médio de famílias com contas ou dívidas em atraso chegou a 24,9% em 2010 na média anual, atingindo 25,4% em 2017, este, o maior percentual observado na série histórica, enquanto a menor parcela foi verificada em 2014 (19,4%). Em dez/17, o percentual de famílias com dívidas em atraso atingiu 25,7%, apresentando elevação de 1,7 p.p. ante dez/16, mas registrando declínio de 0,1 p.p. ante nov/17. Após alcançar o maior patamar do ano em set/17 com 26,5%, a parcela de famílias com dívidas em atraso apresentou tendência de queda no último trimestre, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC de dez/17.

Ainda com relação à inadimplência, a parcela de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, logo, continuam inadimplentes, cresceu 1,3 p.p. entre 2010 (8,9%) e 2017 (10,2%). O menor percentual médio anual foi registrado em 2014 (6,3%), enquanto 2017 ficou com a maior parcela média anual do período em análise. Em dez/17, o percentual de famílias sem condições de pagar as dívidas em atraso atingiu 9,7%, +0,6 p.p. ante dez/16 e -0,4 p.p. ante nov/17.

Segundo Marianne Hanson, da CNC, “Apesar da melhora recente, os indicadores de inadimplência permanecem em níveis superiores aos do ano passado. A taxa de desemprego ainda bastante alta ajuda a explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia e o pessimismo em relação à capacidade de pagamento”.

Ao longo da série histórica, o cartão de crédito foi o tipo de dívida preferido das famílias brasileiras, saindo de 70,9% em 2010, na média anual, e chegando a 76,7% em 2017. O maior percentual médio anual foi observado em 2016 quando atingiu 77,1% (valor recorde da série histórica), caindo 0,4 p.p. no ano seguinte. Já o menor percentual médio foi observado em 2010 com 70,9% na preferências das famílias endividadas.

O relatório da CNC afirma “Contudo, pela primeira vez desde o início da pesquisa, houve redução do percentual de famílias que aponta essa modalidade como o principal tipo de dívida. Em segundo lugar, ficou o carnê, por 15,7% das famílias, e, em terceiro, o crédito pessoal, por 10,3%. Além do cartão de crédito, também foram menos citadas em 2017 as modalidades: cheque especial, cheque pré-datado e financiamento de carro. Destaca-se a maior importância do crédito habitacional e do crédito consignado, em comparação com o ano anterior”.

Segundo a CNC, “Houve redução do comprometimento de renda como pagamento mensal das dívidas, o que evidencia a diminuição do custo do crédito em relação à renda familiar”. Ainda segundo a CNC, a mudança na composição das dívidas ajuda a explicar esse comportamento em 2017, tendo em vista que a participação dos tipos de dívidas mais caras (cartão de crédito e cheque especial) apresentaram declínio, enquanto as modalidades de custo mais baixo (crédito consignado e financiamento de casa) registraram elevação. A parcela média da renda comprometida com o pagamento de dívidas passou de 29,9% em 2010 para 30,6% em 2016, chegando em 2017 com 30,1%. O menor percentual médio observado foi em 2013 (29,4%) e o maior foi verificado em 2015 e 2016, com 30,6%, respectivamente.

Embora o comprometimento de renda entre as famílias endividadas tenha declinado, houve piora na percepção de uma parcela delas em relação ao seu nível de endividamento, tendo em vista que um número maior de famílias relatou estar muito e mais ou menos endividado. A média anual do percentual das famílias que afirmaram estar muito endividadas aumentou de 14% em 2010 para 14,6% em 2017, e permaneceu praticamente estável ante 2016 (14,5%). O menor percentual foi observado em 2014 (11,6%), enquanto o maior foi em 2011 (15,9%).

Já o percentual das famílias que se declararam mais ou menos endividadas saiu de 21,1% em 2010, média anual, para 22,5% em 2017. O menor valor médio anual foi registrado em 2012 (20,8%) , enquanto o maior atingiu 23,8% em 2014.

O percentual médio anual de famílias pouco endividadas decresceu de 24% em 2010 para 23,8% em 2017, quando registrou o menor valor da série, enquanto o maior  foi 27,2% verificado em 2013.

Nas duas faixas de renda pesquisadas - até dez salários mínimos <10 SM e acima de dez salários mínimos >10 SM -, houve desacordo no comportamento do endividamento familiar. Enquanto na faixa de renda <10 SM houve elevação do percentual médio de famílias endividadas, saindo de 60,9% em 2010 para 62,6% em 2017. O menor percentual foi registrado em 2012 (59,5%), enquanto o maior foi 64% em 2013. Já na faixa de renda >10 SM, saiu de 47,9% em 2010 para 51,7% em 2017. No período 2013-14 foi observado incremento do percentual médio nessa faixa de renda mais elevada, tendo apresentado declínio a partir de 2016 (52,3%).

Na faixa de renda <10 SM, houve aumento de 1,9 p.p. de famílias com dívidas ou contas em atraso entre 2010 (26,8%) e 2017 (28,7%). Em 2017 foi verificado o maior percentual, enquanto o menor foi em 2014 (21,7%).  Na faixa de renda mais elevada, o percentual médio caiu de 13,2% (maior valor da série) em 2010 para 11,4% em 2017. O menor percentual foi 9,8% em 2014. O percentual de famílias que afirmaram sem condições de pagar suas contas em atraso e continuariam inadimplentes passou de 9,8% em 2010 para 11,8% em 2017, na faixa de renda <10 SM, enquanto as famílias na faixa de renda >10 SM saiu de 3,2% em 2010 para 3,9% em 2017.

Portanto, a lenta recuperação da atividade econômica, a queda da inflação, a redução dos juros e o pequeno declínio do desemprego não foram suficientes para impactar positivamente o nível de endividamento das famílias que registrou alta em 2017, após três anos de declínio, e a inadimplência que mantém-se em patamar muito elevado. Cabe registrar a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, o que demonstra falta de educação financeira da população. As famílias brasileiras deveriam adotar hábitos financeiros saudáveis que poderiam conduzi-las a uma vida de prosperidade.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS LEVAM A PROSPERIDADE
Régis Varão/¹

Os efeitos negativos da crise econômica, o pouco conhecimento dos instrumentos de finanças pessoais e os maus hábitos financeiros contribuem fortemente para elevar a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras, conforme indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de dez/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, financiamento de casa, entre outros passou de 59% em dez/16 para 62,2% em dez/17. De acordo com O perfil do endividamento das famílias brasileira em 2017-PEFB, o percentual médio de famílias endividadas com esses tipos de dívida, passou de 60,2% em 2016 para 60,8% em 2017.

Os indicadores de inadimplência apresentaram crescimento entre dez/16 e dez/17, de acordo com a PEIC. O percentual de famílias com dívidas em atraso passou de 24% para 25,7%, naquela base de comparação. A média anual do percentual de famílias com dívidas em atraso saiu de 24,2% em 2016 para 25,4% em 2017, segundo a PEFB.  Já o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas dívidas e que permanecem inadimplentes, subiu de 9,1% em dez/16 para 9,7% em dez/17. A média anual nessa modalidade passou de 9,2% em 2016 para 10,2% no ano seguinte.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e hábitos financeiros inadequados dos indivíduos e das famílias, pelo consumismo exagerado, pelo desconhecimento de princípios básicos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia.

As pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e a hospitais com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, se desentendem mais facilmente com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, a produtividade do trabalho é afetada, se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

Atitudes que podem contribuir para a prosperidade financeira:

1. FAZER PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, passar o cartão de crédito ou utilizar o talão de cheques é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente no banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou pagar as prestações ou financiamentos sem ficar devendo. É muito importante fazer orçamento financeiro e acompanhá-lo periodicamente. Relacione as receitas e todas as despesas, inclusive as de pequenos valores, como o café espresso, o lanche etc. Liste as despesas em tópicos como: moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc. Ao elaborar o orçamento, você conhecerá a estrutura de despesas e como está gastando mensalmente. A grande vantagem é que você descobrirá os ralos por onde o dinheiro some e poderá tomar as devidas providências.

2. ECONOMIZAR NO DIA A DIA:

Prospera aquele que economiza no dia a dia. Assim, feito o orçamento pessoal, está na hora de guardar a diferença entre a receita (R) e a despesa (D), observando a relação R>D (superávit). A reserva financeira é importante para ajudar nos imprevistos, para garantir a educação dos filhos, a qualidade de vida presente e aposentadoria confortável.

É um compromisso que deve ser levado a sério e envolve todos os membros da família. Estabeleça objetivos possíveis realizáveis e faça tudo para atingi-los. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Dinheiro é fácil de perder e mais difícil ainda é mantê-lo. Oriente seus filhos desde a infância e serão adultos financeiramente responsáveis. Bons hábitos financeiros começam na infância.

3. PLANEJAR SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, remédios etc. Se não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será insuficiente para pagar as despesas na aposentadoria. Nesse caso devemos ficar atento e reservar um percentual do salário todos os meses para depositar no banco e fazer uma reserva financeira.

Vamos trabalhar um exemplo: inicie retirando 10% da renda líquida e guarde em um banco. Verifique após três meses como está sua qualidade de vida, se não foi alterada mantenha o recolhimento por mais nove meses. A partir daí entra no automático. Esse valor depositado mensalmente não deve ser mexido, ele trará uma renda extra ou renda passiva no futuro, garantindo melhor qualidade de vida na aposentadoria. Chame essa conta de Liberdade Financeira. Após o primeiro ano descontando 10%, inicie outra depositando 5% da renda líquida, obedecendo o mesmo raciocínio, três meses e depois mais nove e assim sucessivamente. Essa conta, dos 5%, é para atender necessidades urgentes em geral. A mudança da aposentadoria que deverá ocorrer em breve pode servir de estímulo para as pessoas começarem a pensar a respeito da conta Liberdade Financeira. Comece o quanto antes.

4. NÃO PARCELAR COMPRAS:

Muita gente parcela compras, o que pode ser demonstrado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas (17,5%), financiamento de carro (10,9%) e financiamento de casa (8,7%), segundo a PEIC de dez/17. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês ou para o próximo semestre.

Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo uma resposta negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas antes negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja dos carnês de lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenas parcelas quando somadas, se transformam em grandes valores. Planeje suas compras, siga seu orçamento, seja um consumidor consciente.

5. FUGIR DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia das crianças em outubro, Black Friday em novembro, Natal em dezembro e muitos outros feriados em que o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no Brasil em 2010. Tem tido muito sucesso e poderá mudar a data em 2018 evitando ficar próxima ao período de Natal. Afinal de contas, vender é o foco principal do comércio.

Em todos esses períodos comemorativos o comércio se prepara antecipadamente para as vendas, e as promoções muitas vezes escondem maquiagem de preços e outros deslizes que podem levar os incautos ao endividamento. As campanhas promocionais fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a elevar as estatísticas da inadimplência. Logo, para fugir das inúmeras e ardilosas armadilhas atenha-se ao planejado.

6. UTILIZAR O CARTÃO DE CRÉDITO EM ÚLTIMO CASO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. O Banco Central divulgou em 26/1/17 as novas regras para o pagamento do rotativo que vigoram a partir de 3/4/17, limitando o parcelamento do débito e obrigando as instituições a renegociarem as dívidas.

Segundo a PEIC de dez/17, cerca de 76,7% das famílias brasileiras se endividam com cartão de crédito - famílias com renda de até 10 salários mínimos o percentual está em 77,6% e as com renda acima de 10 cai para 72,9%. Uma péssima decisão, se considerar que os juros estão em torno de 300% a.a. no crédito rotativo. O cartão de crédito pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios. Use-o com parcimônia e apenas quando necessário, nunca com supérfluos.

7. RENEGOCIAR AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito e cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver inicialmente. Financiamento imobiliário ou de automóvel, por exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os valores das prestações/financiamento e até conseguir redução de prazos. Ao renegociar as dívidas cria-se nova e melhor condição de pagamento mas atenção com o endividamento. Uma dica, fique atento ao Feirão Limpa Nome 2018-SPC SERASA, um evento que pode ajudar os endividados a renegociarem dívidas.

As pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada produtividade, mantém o foco o tempo todo, não descuidam da saúde física e mental e buscam relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis. Não compre por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, evite pagar juros, não faça parcelamentos e nunca despreze o poder dos pequenos valores.

Portanto, as pessoas que alcançam a prosperidade financeira são disciplinadas, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, fazem poupança no dia a dia, controlam despesas, não compram por impulso, buscam liberdade financeira o tempo todo, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na e da economia e à rentabilidade dos principais ativos financeiros.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas e potenciais líderes, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.