MEDO DO
DESEMPREGO CAI ENTRE OS BRASILEIROS
Régis
Varão/¹
O Índice de Medo
do Desemprego-IMD e o Índice de Satisfação com a Vida-ICV fazem parte da pesquisa
Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV,
publicada pela Confederação Nacional da Indústria-CNI, com
base em uma amostra de 2000 entrevistas realizadas em 127 municípios.
- O IMD atingiu
65,7 pontos em dez/17 e apresentou declínio de 2 pontos ante set/17 e cresceu
0,9 ponto na comparação anual, “indicando persistência da insegurança em
relação à recuperação do mercado de trabalho, apesar dos sinais de recuperação
da economia”, segundo relatório da CNI.
De acordo
com Maria Carolina Marques, da CNI, "O emprego
reage à recuperação da economia de forma defasada. As empresas contratam
somente quando têm alguma segurança de que o crescimento será sustentado, pois
elas arcam com custos de contratação e treinamento de novos trabalhadores, e
com custos de demissão se a recuperação da economia não se sustenta".
Ainda
segundo Maria Carolina, "A população percebe a demora na reação do mercado
de trabalho e ainda mantém alguma ansiedade em relação à estabilidade do
emprego. À medida que o crescimento econômico se mostrar sustentado, o
resultado no emprego deve aparecer com maior intensidade e o medo do desemprego
deve ceder".
Apesar da
retração, o IMD continua 16,9 pontos acima da média histórica de 48,8 pontos, e
muito distante do mínimo observado em meados de 2013 quando chegou a 25 pontos.
Embora tenha apresentado pequeno recuo em dez/17, o valor se encontra entre os
maiores da série.
Pessoas do sexo
masculino registraram um IMD de 60,6 pontos em dez/17, representando queda de
2,1 pontos ante set/17 e aumento de 2,2 pontos na comparação anual. As do sexo
feminino chegaram a 70,7 pontos em dez/17, com queda de 1,8 ponto ante set/17 e
crescimento de 0,2 ponto ante dez/16. O sexo feminino registrou comportamento estável,
na comparação anual, enquanto o sexo masculino apresentou elevação.
Por faixa de
idade, o IMD apresentou o seguinte comportamento, na comparação anual: entre 45
a 54 anos (68,8 pontos), subiu 2,9 pontos, seguido pela faixa entre 25 a 34
anos (67,5 pontos) com alta de 2,6 pontos, de 35 a 44 anos (68,8 pontos) e
incremento de 2 pontos. Observo que entre as cinco faixas de idade pesquisadas,
apenas as três anteriores apresentaram variação positiva, enquanto nas faixa de
55 ou mais anos (59,2 pontos) e 16 a 24 anos (64,9 pontos) foram observados
declínios de 1,8 ponto e 0,4 ponto, respectivamente.
Já com
relação ao IMD por região, o Nordeste (73,6 pontos) apresentou o melhor
desempenho em dez/17 com elevação de 3,6 pontos, seguido pelo Sudeste (66,9
pontos) com alta de 2 pontos, na comparação anual. As demais regiões registraram
desempenho negativo com Norte/Centro-Oeste (60,6 pontos) e o Sul (54,6 pontos),
com declínio de 1,4 ponto e 3,2 pontos, respectivamente, na mesma base de
comparação.
Quanto ao IMD
por renda familiar, em salários mínimos (SM), o melhor desempenho ficou com os
de renda entre 1 a 2 SM (69,7 pontos) em dez/17, quando apresentou crescimento
de 2,9 pontos na comparação anual, seguido por até 1 SM ao chegar em 74,2
pontos em dez/17 com elevação de 1,8 ponto ante dez/16. Os piores desempenhos
ficaram com os de renda entre 2 a 5 SM ao atingir 60,8 pontos em dez/17 e
declinar 2,8 pontos frente a dez/16. Os com renda acima de 5 SM caíram 2,4
pontos em dez/17 (52 pontos) na comparação anual.
- O Índice
de Satisfação com a Vida-ISV chegou a 65,6 pontos em dez/17 e apresentou
declínio de 0,4 ponto frente a set/17 e variação negativa de 1,2 ponto na
comparação anual. Enquanto IMD registrou decréscimo apenas na comparação trimestral,
o ISV apresentou retração em ambas as comparações. Segundo o relatório da CNI, ”O índice
permanece entre os valores mais baixos registrados na série histórica iniciada
em 1996”, de acordo com a pesquisa Medo
do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV.
O ISV de
dez/17 (65,6 pontos) está 4,3 pontos abaixo da média histórica de 69,9 pontos, e
muito próximo do valor mínimo observado em meados de 2016 (64 pontos). O ISV apresentou
queda de 1,2 na comparação anual e se encontra entre os menores valores da
série.
Já por faixa
de idade, o ISV apresentou variação positiva apenas na faixa entre 35 a 44 anos
(65,9 pontos) com elevação de 0,2 ponto em dez/17, na comparação anual,
enquanto os demais registraram declínios em dez/17: na faixa de 55 ou mais anos
(63,4 pontos), queda de 2,4 pontos, de 25 a 34 anos (65,8 pontos) com redução
de 2,1 pontos, de 16 a 24 anos (69,2 pontos) com decréscimo de 0,7 ponto e na
faixa de 45 a 54 anos (64,4 pontos) declínio de 0,6 ponto.
Pessoas do sexo
masculino registraram um ISV de 66,2 pontos em dez/17, representando queda de 0,6
ponto ante set/17 e redução de 1,7 ponto na comparação com dez/16. As do sexo
feminino chegaram a 64,9 pontos em dez/17, com queda de 0,2 ponto ante set/17 e
declínio de 1,2 ponto na comparação anual.
Já com
relação ao ISV por região, todas apresentaram declínio na comparação anual. A
região Sudeste (64,8 pontos) está na liderança com -1,6 ponto em dez/17,
seguido pelo Sul (67,8 pontos) com -1,3 ponto, Nordeste (65,7 pontos) com -1,2
ponto e Norte/Centro-Oeste (65,5 pontos) com -0,9 ponto.
Quanto ao ISV
por renda familiar, em salários mínimos (SM), todas as faixas de renda
apresentaram declínio. O maior decréscimo foi observado na faixa de renda de
mais de 5 SM que atingiu 68,5 pontos e caiu 1,3 ponto na comparação anual. O
segundo lugar ficou na faixa de renda de 2 a 5 SM que chegou a 66,9 pontos e
caiu 1,1 ponto ante dez/16. A faixa de renda de até 1 SM (61,7 pontos) decresceu
0,7 ponto e a última colocada entre 1 a 2 SM (66,6 pontos) caiu 0,5 ponto, na mesma
base de comparação.
Portanto,
embora tenha havido melhora de alguns indicadores econômicos, continua presente
a insegurança em relação ao mercado de emprego, enquanto o grau de satisfação
com a vida observado em dezembro último permanece entre os valores mais baixos
em toda a série histórica.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência
financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e
doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo
do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e
três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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