domingo, 28 de janeiro de 2018

MEDO DO DESEMPREGO CAI ENTRE OS BRASILEIROS
Régis Varão/¹

O Índice de Medo do Desemprego-IMD e o Índice de Satisfação com a Vida-ICV fazem parte da pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV, publicada pela Confederação Nacional da Indústria-CNI, com base em uma amostra de 2000 entrevistas realizadas em 127 municípios.

- O IMD atingiu 65,7 pontos em dez/17 e apresentou declínio de 2 pontos ante set/17 e cresceu 0,9 ponto na comparação anual, “indicando persistência da insegurança em relação à recuperação do mercado de trabalho, apesar dos sinais de recuperação da economia”, segundo relatório da CNI.

De acordo com Maria Carolina Marques, da CNI, "O emprego reage à recuperação da economia de forma defasada. As empresas contratam somente quando têm alguma segurança de que o crescimento será sustentado, pois elas arcam com custos de contratação e treinamento de novos trabalhadores, e com custos de demissão se a recuperação da economia não se sustenta".

Ainda segundo Maria Carolina, "A população percebe a demora na reação do mercado de trabalho e ainda mantém alguma ansiedade em relação à estabilidade do emprego. À medida que o crescimento econômico se mostrar sustentado, o resultado no emprego deve aparecer com maior intensidade e o medo do desemprego deve ceder".

Apesar da retração, o IMD continua 16,9 pontos acima da média histórica de 48,8 pontos, e muito distante do mínimo observado em meados de 2013 quando chegou a 25 pontos. Embora tenha apresentado pequeno recuo em dez/17, o valor se encontra entre os maiores da série.

Pessoas do sexo masculino registraram um IMD de 60,6 pontos em dez/17, representando queda de 2,1 pontos ante set/17 e aumento de 2,2 pontos na comparação anual. As do sexo feminino chegaram a 70,7 pontos em dez/17, com queda de 1,8 ponto ante set/17 e crescimento de 0,2 ponto ante dez/16. O sexo feminino registrou comportamento estável, na comparação anual, enquanto o sexo masculino apresentou elevação.

Por faixa de idade, o IMD apresentou o seguinte comportamento, na comparação anual: entre 45 a 54 anos (68,8 pontos), subiu 2,9 pontos, seguido pela faixa entre 25 a 34 anos (67,5 pontos) com alta de 2,6 pontos, de 35 a 44 anos (68,8 pontos) e incremento de 2 pontos. Observo que entre as cinco faixas de idade pesquisadas, apenas as três anteriores apresentaram variação positiva, enquanto nas faixa de 55 ou mais anos (59,2 pontos) e 16 a 24 anos (64,9 pontos) foram observados declínios de 1,8 ponto e 0,4 ponto, respectivamente.

Já com relação ao IMD por região, o Nordeste (73,6 pontos) apresentou o melhor desempenho em dez/17 com elevação de 3,6 pontos, seguido pelo Sudeste (66,9 pontos) com alta de 2 pontos, na comparação anual. As demais regiões registraram desempenho negativo com Norte/Centro-Oeste (60,6 pontos) e o Sul (54,6 pontos), com declínio de 1,4 ponto e 3,2 pontos, respectivamente, na mesma base de comparação.

Quanto ao IMD por renda familiar, em salários mínimos (SM), o melhor desempenho ficou com os de renda entre 1 a 2 SM (69,7 pontos) em dez/17, quando apresentou crescimento de 2,9 pontos na comparação anual, seguido por até 1 SM ao chegar em 74,2 pontos em dez/17 com elevação de 1,8 ponto ante dez/16. Os piores desempenhos ficaram com os de renda entre 2 a 5 SM ao atingir 60,8 pontos em dez/17 e declinar 2,8 pontos frente a dez/16. Os com renda acima de 5 SM caíram 2,4 pontos em dez/17 (52 pontos) na comparação anual.

- O Índice de Satisfação com a Vida-ISV chegou a 65,6 pontos em dez/17 e apresentou declínio de 0,4 ponto frente a set/17 e variação negativa de 1,2 ponto na comparação anual. Enquanto IMD registrou decréscimo apenas na comparação trimestral, o ISV apresentou retração em ambas as comparações. Segundo o relatório da CNI, ”O índice permanece entre os valores mais baixos registrados na série histórica iniciada em 1996”, de acordo com a  pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida-MDSV.

O ISV de dez/17 (65,6 pontos) está 4,3 pontos abaixo da média histórica de 69,9 pontos, e muito próximo do valor mínimo observado em meados de 2016 (64 pontos). O ISV apresentou queda de 1,2 na comparação anual e se encontra entre os menores valores da série.

Já por faixa de idade, o ISV apresentou variação positiva apenas na faixa entre 35 a 44 anos (65,9 pontos) com elevação de 0,2 ponto em dez/17, na comparação anual, enquanto os demais registraram declínios em dez/17: na faixa de 55 ou mais anos (63,4 pontos), queda de 2,4 pontos, de 25 a 34 anos (65,8 pontos) com redução de 2,1 pontos, de 16 a 24 anos (69,2 pontos) com decréscimo de 0,7 ponto e na faixa de 45 a 54 anos (64,4 pontos) declínio de 0,6 ponto.

Pessoas do sexo masculino registraram um ISV de 66,2 pontos em dez/17, representando queda de 0,6 ponto ante set/17 e redução de 1,7 ponto na comparação com dez/16. As do sexo feminino chegaram a 64,9 pontos em dez/17, com queda de 0,2 ponto ante set/17 e declínio de 1,2 ponto na comparação anual.

Já com relação ao ISV por região, todas apresentaram declínio na comparação anual. A região Sudeste (64,8 pontos) está na liderança com -1,6 ponto em dez/17, seguido pelo Sul (67,8 pontos) com -1,3 ponto, Nordeste (65,7 pontos) com -1,2 ponto e Norte/Centro-Oeste (65,5 pontos) com -0,9 ponto.

Quanto ao ISV por renda familiar, em salários mínimos (SM), todas as faixas de renda apresentaram declínio. O maior decréscimo foi observado na faixa de renda de mais de 5 SM que atingiu 68,5 pontos e caiu 1,3 ponto na comparação anual. O segundo lugar ficou na faixa de renda de 2 a 5 SM que chegou a 66,9 pontos e caiu 1,1 ponto ante dez/16. A faixa de renda de até 1 SM (61,7 pontos) decresceu 0,7 ponto e a última colocada entre 1 a 2 SM (66,6 pontos) caiu 0,5 ponto, na mesma base de comparação.

Portanto, embora tenha havido melhora de alguns indicadores econômicos, continua presente a insegurança em relação ao mercado de emprego, enquanto o grau de satisfação com a vida observado em dezembro último permanece entre os valores mais baixos em toda a série histórica.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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