domingo, 7 de janeiro de 2018

ENDIVIDAMENTO ESTÁVEL DAS FAMÍLIAS EM DEZ/17
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas apresentou estabilidade em dezembro de 2017 quando comparado ao mês anterior, e subiu em relação a dez/16. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso diminuiu entre novembro e dez/17, bem como o percentual que afirmou não ter condições de pagar suas contas. Já na comparação anual, houve elevação em ambos os indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 62,2% em dez/17 (mesmo valor de novembro), o que representa estabilidade no período. Na comparação anual houve elevação de 3,2 p.p. Os meses de novembro e dez/17 apresentaram os maiores percentuais no ano e na série histórica foi o maior valor desde dez/13 (62,2%) para um mês de dezembro.

Apesar do crescimento do endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em dez/17 para 25,7% (menor valor dos últimos cinco meses) ante 25,8% observado no mês anterior e 24% registrado em dez/16. Por outro lado, houve incremento do percentual de inadimplentes ante dez/16, que havia registrado 24% do total. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e permanecem inadimplentes, passou de 10,1% em nov/17 para 9,7% no mês seguinte, o menor valor do ano. Na comparação anual registrou elevação frente aos 9,1% observados em dez/16.

O número de famílias endividadas, na comparação mensal, ficou estável na faixa de renda com até dez salários mínimos (<10 SM). Na comparação anual, ambas as faixas de renda registraram elevação. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 63,7% em dez/17, mesmo nível verificado no mês anterior, e superior aos 61% de dez/16.

Para as famílias com renda >10 SM, o endividamento manteve-se praticamente estável com 54,5% em nov/17 e 54,6% em dez/17, enquanto em dez/16, o percentual de famílias com dívidas era 5,6 p.p. inferior.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os grupos de renda pesquisados. Na comparação mensal, houve redução do indicador na faixa de renda >10 SM, enquanto na comparação anual, houve aumento em ambas as faixas de renda.

Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso ficou estável em 29,1% em dez/17. Em dez/16, 27,3% das famílias com renda <10 SM haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes chegou a 11,3% em dez/17, ante 11,7% observado em nov/17 e 9,8% em dez/16.

Por faixa de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso apresentou comportamento distinto, na comparação mensal, entre os grupos pesquisados. Para as famílias com renda >10 SM, o indicador atingiu 3,2% em dez/17, ante 3,2% nov/17 e 3% em dez/16. Para as com renda <10 SM, o percentual declinou de 12% em nov/17, para 11,6% em dez/17, enquanto na comparação anual cresceu 0,9 p.p.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas caiu no período nov-dez/17, de 14,6% para 14,1% do total de famílias. Já na comparação anual, apresentou estabilidade. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 21% em dez/16 para 23% em dez/17 (mesmo valor de nov/17), e a parcela pouco endividada subiu de 23,9% para 25,1%.

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,3 dias em dez/17, ante 63,8 dias de dez/16. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 24,8% estão comprometidas com dívidas de até 90 dias, e 32,9% por mais de 12 meses.

O cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida, tendo a preferência de 76,7% das famílias endividadas em dez/17 (a média mensal, em 2017, ficou em 76,7%), seguido por carnês de loja com 17,5%, financiamento de carro (10,9%), crédito pessoal com 10,6%, financiamento de casa (8,7%), cheque especial com 5,8%, crédito consignado (5,4%) e cheque pré-datado com 1,4%.

As dívidas com cartão de crédito têm a preferência das famílias endividadas, nas duas faixas de renda pesquisadas. As famílias com renda <10 SM, o percentual atinge 77,6%, enquanto na faixa de renda >10 SM, cai para 72,9%. Para faixa de renda <10 SM, o carnê de loja está na segunda posição com 18,9%, seguido por crédito pessoal (10,7%) e financiamento de carro com 8,9%. Para famílias com renda >10 SM o segundo lugar fica com financiamento de carro com 20,2%, seguido por financiamento de casa (18,4%) e carnês de loja com 10,6%.

Portanto, a queda da inflação e a redução dos juros, aliados a lenta recuperação da renda do trabalhador, tem contribuído para a recuperação gradual de algumas modalidades de crédito, embora o endividamento e a inadimplência das famílias continuem elevados. Cabe registrar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra o desconhecimento dos fundamentos de educação financeira por parte da população. Hábitos financeiramente saudáveis deveriam ser adotados para reduzir e até mesmo eliminar o endividamento das famílias brasileiras.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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