ENDIVIDAMENTO
ESTÁVEL DAS FAMÍLIAS EM DEZ/17
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas apresentou estabilidade em dezembro de 2017
quando comparado ao mês anterior, e subiu em relação a dez/16. O percentual de
famílias com contas ou dívidas em atraso diminuiu entre novembro e dez/17, bem
como o percentual que afirmou não ter condições de pagar suas contas. Já na
comparação anual, houve elevação em ambos os indicadores de inadimplência,
segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual
de famílias que relataram ter dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de
crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro
e seguro atingiu 62,2% em dez/17 (mesmo valor de novembro), o que representa
estabilidade no período. Na comparação anual houve elevação de 3,2 p.p. Os
meses de novembro e dez/17 apresentaram os maiores percentuais no ano e na
série histórica foi o maior valor desde dez/13 (62,2%) para um mês de dezembro.
Apesar do
crescimento do endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas
ou contas em atraso caiu em dez/17 para 25,7% (menor valor dos últimos cinco
meses) ante 25,8% observado no mês anterior e 24% registrado em dez/16. Por
outro lado, houve incremento do percentual de inadimplentes ante dez/16, que
havia registrado 24% do total. O percentual de famílias que declararam não ter
condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e permanecem inadimplentes,
passou de 10,1% em nov/17 para 9,7% no mês seguinte, o menor valor do ano. Na
comparação anual registrou elevação frente aos 9,1% observados em dez/16.
O número de
famílias endividadas, na comparação mensal, ficou estável na faixa de renda com
até dez salários mínimos (<10 SM). Na comparação anual, ambas as faixas de
renda registraram elevação. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual
de famílias com dívidas chegou a 63,7% em dez/17, mesmo nível verificado no mês
anterior, e superior aos 61% de dez/16.
Para as
famílias com renda >10 SM, o endividamento manteve-se praticamente estável com
54,5% em nov/17 e 54,6% em dez/17, enquanto em dez/16, o percentual de famílias
com dívidas era 5,6 p.p. inferior.
O percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências distintas
entre os grupos de renda pesquisados. Na comparação mensal, houve redução do
indicador na faixa de renda >10 SM, enquanto na comparação anual, houve
aumento em ambas as faixas de renda.
Na faixa de
renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso ficou estável
em 29,1% em dez/17. Em dez/16, 27,3% das famílias com renda <10 SM haviam
declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de
inadimplentes chegou a 11,3% em dez/17, ante 11,7% observado em nov/17 e 9,8%
em dez/16.
Por faixa de
renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso
apresentou comportamento distinto, na comparação mensal, entre os grupos
pesquisados. Para as famílias com renda >10 SM, o indicador atingiu 3,2% em
dez/17, ante 3,2% nov/17 e 3% em dez/16. Para as com renda <10 SM, o
percentual declinou de 12% em nov/17, para 11,6% em dez/17, enquanto na
comparação anual cresceu 0,9 p.p.
O percentual
de famílias que se declararam muito endividadas caiu no período nov-dez/17, de
14,6% para 14,1% do total de famílias. Já na comparação anual, apresentou estabilidade.
A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 21% em dez/16 para
23% em dez/17 (mesmo valor de nov/17), e a parcela pouco endividada subiu de
23,9% para 25,1%.
Entre as
famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,3
dias em dez/17, ante 63,8 dias de dez/16. O tempo médio de comprometimento com
dívidas entre as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 24,8% estão
comprometidas com dívidas de até 90 dias, e 32,9% por mais de 12 meses.
O cartão de
crédito continua apontado como o principal tipo de dívida, tendo a preferência
de 76,7% das famílias endividadas em dez/17 (a média mensal, em 2017, ficou em
76,7%), seguido por carnês de loja com 17,5%, financiamento de carro (10,9%), crédito
pessoal com 10,6%, financiamento de casa (8,7%), cheque especial com 5,8%, crédito
consignado (5,4%) e cheque pré-datado com 1,4%.
As dívidas
com cartão de crédito têm a preferência das famílias endividadas, nas duas
faixas de renda pesquisadas. As famílias com renda <10 SM, o percentual
atinge 77,6%, enquanto na faixa de renda >10 SM, cai para 72,9%. Para faixa
de renda <10 SM, o carnê de loja está na segunda posição com 18,9%, seguido por
crédito pessoal (10,7%) e financiamento de carro com 8,9%. Para famílias com
renda >10 SM o segundo lugar fica com financiamento de carro com 20,2%,
seguido por financiamento de casa (18,4%) e carnês de loja com 10,6%.
Portanto, a queda
da inflação e a redução dos
juros, aliados
a lenta recuperação da renda do trabalhador, tem contribuído para a recuperação
gradual de algumas modalidades de crédito, embora o endividamento e a inadimplência
das famílias continuem elevados. Cabe registrar que a preferência das famílias pelo
cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra o desconhecimento dos
fundamentos de educação financeira por parte da população. Hábitos financeiramente
saudáveis
deveriam ser adotados para reduzir e até mesmo eliminar o endividamento das
famílias brasileiras.
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