sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

MELHORA A INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS EM JAN/18
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens-CNC, apresentou crescimento de 2,3% em jan/18, na comparação com o mês anterior, e subiu 9,7% na comparação anual, atingindo 83,6. Apesar do resultado, o índice se mantém em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que reflete uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 2,4% na comparação mensal. Famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM) registraram elevação de 1,5%. O índice das famílias mais ricas se situa em 96,8 pontos e o das demais, em 81 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos. Na comparação regional, a região Sudeste registrou a maior variação positiva com 3,2%.

O relatório da CNC afirma que “De acordo com dados da última Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, referentes a novembro, as vendas do comércio subiram 0,7%, estimuladas pela Black Friday. Poderia ser apenas um resultado pontual, mas é mais que isso. Se comparado ao ano anterior, o setor varejista cresceu 5,9%, a maior alta para novembro desde 2013”. Ainda de acordo com a CNC, dados do IBGE afirmam que o poder de consumo apresentou crescimento ante os três anos anteriores, foi registrado redução do desemprego, incremento da renda e declínio da inflação. “No acumulado do ano de 2017, até novembro, o varejo acusou alta de 3,7% no volume de vendas, registrando recuperação em 23 dos 27 Estados”.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “Os consumidores seguem melhorando suas avaliações sobre a economia, mas o nível de endividamento das famílias, principalmente o daquelas com menor poder aquisitivo, leva à cautela nos gastos, atuando como um fator restritivo ao consumo.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 0,3% em jan/18 (109,8 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3,9% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em jan/18 é de 33,4%, ante 33,1% observado em dez/17.

As regiões Centro-Oeste (140,1 pontos), Norte (130,4 pontos) e Sul (103,7 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,6%, +1,1% e +0,7%. Já as regiões Nordeste (103,4 pontos) e Sudeste (102 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O Emprego Atual é o único componente acima da zona de indiferença (100 pontos), seguido de perto por Perspectiva Profissional logo atrás com 99,8 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou incremento de 4,2% em jan/18 (59,9 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 14,1% na comparação anual. De acordo com a CNC, “A maior parte das famílias, 56,5%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 59,9 pontos”. O indicador registra o menor nível entre os componentes do ICF em jan/18, portanto, distante da zona de indiferença.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,9% em jan/18 (76,3 pontos) ante o mês anterior, e subiu 14,2% em relação ao mesmo período de 2016. Entre os integrantes do ICF, essa modalidade registrou a terceira maior variação positiva na comparação anual.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 5,4% em jan/18 (62,2 pontos), ante o mês anterior, e subiu 18,5% na comparação anual. O indicador apresentou a maior variação mensal positiva em jan/18 entre os componentes do ICF, e o segundo maior crescimento na comparação anual.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 6,4% em jan/18, na comparação mensal, no quesito Momento para Duráveis, e as com renda >10 SM apresentaram crescimento de 1,1%. Segundo a CNC, “Regionalmente, esse indicador variou de 86,1 pontos (Sul) a 47,1 pontos (Norte)”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 2,2% em jan/18 (95,2 pontos) ante o mês anterior, e subiu 6,4% na comparação anual. Esse componente está cerca de 6% acima do valor observado em jan/17 quando chegou a 89,5 pontos, o menor valor registrado naquele ano. Por outro lado, o valor de jan/18 foi o mais alto observado nos últimos 22 meses.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 2,1% em jan/18 (81,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 23% na comparação anual. O indicador apresentou a maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. As famílias com renda <10 SM apresentaram crescimento de 2,4% em jan/18 na comparação mensal, enquanto as famílias com renda >10 SM registraram elevação de 1,5%.

7. Perspectiva Profissional:

As famílias registraram alta de 2,2% em jan/18 (99,8 pontos) em relação ao mercado de trabalho, na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-0,1%) na variação anual. O valor do componente em jan/18, foi o maior dos últimos nove meses, mas ainda distante do observado em mar/17 quando atingiu 103 pontos. A melhora do cenário macroeconômico atual tem contribuído para melhorar o desempenho positivo do indicador nos últimos três meses.

Portanto, o desempenho positivo observado na grande maioria dos componentes do ICF, deve-se a melhora das condições econômicas atuais, ajudadas pela elevação das vendas do comércio, queda da inflação, redução dos juros básicos da economia e do declínio do desemprego.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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