quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM OUTUBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias fica estável em out/18 ante o mês anterior, após três altas consecutivas. Com relação a out/17, apresentou queda, e o percentual com contas/dívidas em atraso decresceu nas duas bases de comparação. No período set-out/18 o percentual de famílias sem condições de pagarem suas contas ficou estável, e caiu na comparação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.

O endividamento com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em out/18, o mesmo percentual observado no período ago-set/18, enquanto na comparação anual caiu 1,1 p.p. O percentual de out/18 ficou próximo da média mensal observada nos últimos 12 meses (60,6%). Ver gráficos.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou redução de 0,3 p.p. entre set/18 e o mês seguinte, e caiu 2,5 p.p. frente a out/17. Houve redução na inadimplência das famílias em relação a out/17 (26%). As famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, e continuam inadimplentes, ficou estável em 9,9% em out/18, e decresce ante out/17 (10,1%).

O endividamento apresentou tendências distintas nas duas faixas de renda, até 10 salários mínimos (<10 SM) e acima (>10 SM), nas duas bases de comparação. Na comparação mensal, houve crescimento apenas na faixa de renda >10 SM, enquanto na comparação anual ouve declínio apenas entre as famílias com renda <10 SM. As que ganham <10 SM, o percentual com dívidas alcançou 61,7% em out/18, o mesmo valor de set/18, abaixo dos 63,2% de out/17. Nas com renda >10 SM, o endividamento passou de 56,1% em set/18 para 56,3% no mês seguinte, enquanto em out/17, as famílias endividadas nessa faixa de renda era 54,6%.

A proporção com contas em atraso apresentou comportamento similar nos dois grupos de renda, nas duas bases de comparação. As com renda <10 SM, o percentual de contas em atraso passou de 26,5% em set/18 para 26,4% em out/18. Já em out/17, 29,3% nessa faixa de renda estavam com contas atrasadas. A inadimplência atingiu 10,8% em out/18, na faixa de renda >10 SM, ante 11,5% de set/18 e 11,5% observado em out/17.

O percentual de famílias muito endividadas decresceu entre set/18 e o mês seguinte, de 13,3% para 12,9%. Na comparação anual, houve queda de 1,7 p.p. Ainda na comparação anual, a parcela mais ou menos endividada subiu de 22,7% para 23,5%, enquanto a pouco endividada passou de 24,5% para 24,4% do total de famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 65,3 dias em out/18, acima dos 63,8 dias de out/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de sete meses, sendo que 25% delas estão comprometidas com dívidas até três meses e 32,1%, por mais de um ano.

O cartão de crédito continua apontado como o preferido das famílias endividadas em out/18, com 77,4%; seguido por carnês de loja (14,5%); financiamento de carro com 10,1%; financiamento de casa (9,6%); crédito pessoal com 8,5%; cheque especial (5,8%); crédito consignado com 5,6%; outras dívidas (2,9%); e cheque pré-datado com 1,1%. Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito é o preferido por 78,3%, seguido por carnês de loja (15,8%) e financiamento de carro com 8,4%. Já para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida foram: cartão de crédito com 73,9%, financiamento de casa (19,9%) e financiamento de carro com 18,8%. Ver gráficos.

Portanto, embora o endividamento continue elevado, o indicador apresenta estabilidade nos últimos três meses. O alto nível de desemprego e o ritmo lento de recuperação da atividade econômica podem estar contribuindo para manter o indicador nesse patamar. O percentual de famílias com contas em atraso caiu tanto na comparação mensal quanto na anual, seguindo um menor nível de endividamento das famílias e a queda do comprometimento de renda destinada ao pagamento de dívidas.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

SAIA DA ZONA DE CONFORTO
Régis Varão/¹

A zona de conforto tem relação direta com inércia (resistência natural dos corpos a mudanças no estado de equilíbrio), nesse caso nos remete para um dos maiores físicos da humanidade, o eclético inglês Isaac Newton, que publicou trabalhos sobre alquimia, astronomia, física, matemática, mecânica, química e teologia.

Falaremos a respeito de uma das Leis que Newton, a 1ª Lei de Newton também conhecida como Lei da Inércia, que pode ser entendida como: um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não é forçado a mudar. Existe uma relação da inércia com a badalada Zona de Conforto, discutida na atualidade em diversas áreas do desenvolvimento de pessoas.

Com relação a sair da zona de conforto podemos discutir rapidamente quatro aspectos: definição de objetivos; elaboração do planejamento; disciplina e acreditar em mudança.

(a) Definição de objetivos: no livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, tem um diálogo que pode ilustrar a necessidade de definir objetivos. Alice pergunta ao Gato de Cheshire, pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?, responde o gato, isso depende muito do lugar para onde você quer ir! Alice diz, eu não sei para onde ir! Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve, afirma o gato. Fazendo um paralelo com esse clássico da literatura, podemos afirmar, quem não sabe onde quer chegar acaba indo para qualquer lugar. Tratando-se de finanças pessoais, caso do endividado, ao perceber o próprio consumo com clareza, fica mais fácil enxergar para onde vai seu dinheiro enquanto você passa o mês trabalhando duro para fugir do endividamento. Crie uma planilha onde possa registrar todas as suas contas - receitas e despesas - pois precisará ter controle de tudo para não desviar do caminho ao longo da jornada para sair da crise financeira. É importante saber onde você deseja chegar e em quanto tempo, assim ficará mais fácil atingir o objetivo, isto é, sair do endividamento. Sem foco, é praticamente impossível fazer uma reserva financeira, por menor que seja;

(b) Elaboração do planejamento: cumprido o primeiro passo, definição de objetivos, comece trabalhar no segundo passo, que consiste em elaborar de forma consciente e ordenada uma série de ações para atingir o objetivo. Quais caminhos você precisa percorrer para chegar lá, vai precisar de ajuda externa, vai ter que postergar coisas que o afastam do caminho, do planejado, enfim, terá que ser assertivo para atingir o alvo desejado, logo, tem que seguir o planejado e tem que utilizar toda determinação possível para atingir a meta;

(c) Disciplina: cumpridas as duas etapas anteriores, temos que observar a terceira etapa, mantendo-se disciplinado em todo o processo. O foco deve estar presente o tempo todo. Se ocorrer problema fora de seu controle e que possa intervir diretamente no planejamento, reavalie seus objetivos. A estratégia pode mudar conforme sua reavaliação, mas a disciplina deve estar sempre presente, ela deve ser constante para perseguir a(s) meta(s). Em um paralelo com corredores de longas distâncias, assim como os técnicos utilizam treinamentos diferentes para obter o máximo desempenho do atleta, você deve dominar as melhores estratégias para atingir o objetivo desejado. A disciplina será vital para que os resultados apareçam da maneira programada. Parte do sucesso financeiro ou não, está não apenas no planejamento mas em cumprir as etapas com elevada margem de acerto;

(d) Acreditar em mudança: você tem o poder de determinar os rumos de sua vida pessoal, financeira, social, profissional etc. Determinando os objetivos com clareza, e sendo possíveis, poderá atingi-los ou eliminar o que dificulta a conquista do objetivo. Você é o agente da mudança, a motivação está dentro de você, ninguém pode tirá-la sem sua autorização. Segundo Tony Robbins, as nossas crenças são como ordens não questionadas, dizendo-nos como as coisas são, o que é possível e impossível, o que podemos e o que não podemos fazer, assim, dão forma as nossas ações, pensamentos e sentimentos. Como resultado, alterar os nossos sistemas de crenças é fundamental para qualquer mudança real e duradoura nas nossas vidas.

Portanto, sair da zona de conforto requer objetivos bem definidos, planejamento elaborado, disciplina na execução do planejado, boa dose de autoconfiança e crença na mudança são determinantes para obter o sucesso em qualquer área de sua vida.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 10 de novembro de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SOBE EM OUTUBRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) atinge 110,6 pontos em out/18, o maior valor observado desde out/14, quando alcançou 112 pontos. Na comparação mensal o índice apresenta incremento de 4,4% em out/18, enquanto sobe 9,3% frente igual período de 2017 ao chegar a 101,2 pontos. O desempenho em out/18 é o quarto consecutivo e acumula incremento de 12,5% no período. O indicador pela primeira vez nos últimos meses ultrapassa a média histórica de 107,7 pontos, indicando que os consumidores estão mais confiantes que o habitual.

A maioria dos componentes do INEC mostra avanços significativos entre setembro e out/18. Na comparação mensal e anual o melhor desempenho ficou por conta do indicador de situação financeira, enquanto o pior desempenho continua com a expectativa de compras de bens de maior valor, com declínio nas duas bases de comparação.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta incremento de 5,4% em out/18 (123,3 pontos), ante o mês anterior, e sobe 13,7%% na comparação anual, quando chegou a 108,4 pontos. Em ambas as bases de comparação houve declínio do pessimismo com relação ao comportamento da inflação para os próximos meses. O indicador expectativa de inflação apresenta o terceiro maior incremento na comparação mensal entre os componentes do índice, e registra o segundo maior crescimento na comparação anual. O desempenho positivo do indicador tem levado os consumidores a ficarem mais otimistas com relação a inflação;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra crescimento de 8% em out/18 (132,7 pontos), ante o mês anterior, e sobe 12,6% frente a out/17, que ficou em 117,9 pontos. O índice de out/18 apresenta declínio do pessimismo quanto às expectativas de desemprego para os próximos meses, isto é, maior o percentual de respondentes esperando declínio do desemprego. O indicador apresentou o terceiro melhor desempenho na comparação anual entre os componentes do índice e registra o maior valor desde nov/12 (135,6 pontos);

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente registra variação positiva de 5% em out/18 (102,6 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 11,2% na comparação com out/17 (92,3 pontos). Entre os indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou a terceira maior elevação mensal e anual, respectivamente. O desempenho positivo do índice de expectativas de renda pessoal em out/18, indica que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais nos próximos meses;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa nas duas bases de comparação: mensal (-0,3%) e anual (-0,8%), e chega a 110,5 pontos em out/18. O desempenho negativo do índice nas duas bases de comparação indica elevação do pessimismo quanto às compras de bens de maior valor para os próximos meses;

(e) Endividamento: o índice apresenta variação positiva de 3,4% em out/18 (104,6 pontos) na comparação mensal, e cresce 11% ante out/17. O desempenho positivo do índice nos últimos quatro meses indica que maior quantidade de consumidores espera uma redução no nível de endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta variação positiva de 8,9% em out/18 quando chega a 100,2 pontos, ante o mês anterior, e apresenta o maior crescimento anual entre os componentes do INEC, com +16,9%. O desempenho positivo desse indicador em out/18, quando atinge o maior valor dos últimos 45 meses, indica crescimento da esperança de melhora da situação financeira dos consumidores.

Portanto, a elevação da confiança do consumidor em outubro deve-se basicamente ao desempenho satisfatório das expectativas do desemprego, inflação, renda pessoal, endividamento e situação financeira. As compras de bens de maior valor, embora com desempenho negativo, não é suficiente para ofuscar o crescimento da confiança do consumidor em outubro.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

MEDO DO DESEMPREGO CAI EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

O índice de medo do desemprego-IMD decresce 2,2 pontos entre junho e set/18 e atinge 65,7 pontos, enquanto cai 2 pontos ante set/17. O índice de set/18 permanece 16 pontos acima da média histórica de 49,7 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, o Norte/Centro-Oeste com 60,9 pontos e o Sul com 62,7 pontos em set/18, respectivamente, foram as únicas a registrarem elevação, com +2,3 pontos e +0,8 ponto respectivamente, entre junho e set/18. O Nordeste com 73,1 pontos apresenta declínio de 1 ponto no período jun-set/18, enquanto o Sudeste com 64 pontos registra o maior declínio (-5,8 pontos).

Na análise por sexo, o medo do desemprego apresentou queda de 2,7 pontos em set/18, ante jun/18. O sexo feminino chegou a 68,4 pontos, e caiu 1,6 ponto entre junho e set/18 para o masculino que atingiu 62,9 pontos no último mês. Na comparação anual, o sexo masculino apresentou crescimento de 0,2 ponto entre set/17 e set/18, enquanto o feminino registrou decréscimo de 4,1 pontos no período.

Analisando as famílias com base na renda familiar, as com medo de perder o emprego e recebem mais de 5 salários mínimos (SM) foram as únicas a registrarem variação positiva de 3,2 pontos em set/18 (58,4 pontos), ante jun/18, enquanto as com renda até 1 SM apresentaram o maior declínio (-4,3 pontos) entre junho e set/18. Na sequência de declínio temos famílias com renda mais de 1 a 2 SM (-4,1 pontos), a segunda maior redução, e famílias com mais de 2 a 5 SM com decréscimo de 1,9 pontos.

O índice de satisfação com a vida-ISV subiu 1,1 ponto em set/18 (65,9 pontos), ante jun/18, e caiu 0,1 ponto frente a set/17. O índice registra 3,8 pontos abaixo da média histórica de 69,7 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, todas apresentaram elevação entre junho e set/18 no nível de satisfação com a vida, ficando o destaque para a região Sul (66,2 pontos) que cresceu 2,4 pontos em set/18 ante jun/18, seguido por Norte/Centro-Oeste (67,2 pontos) com elevação de 2,3 pontos na mesma base de comparação, enquanto o Nordeste com 66 pontos e o Sudeste com 65,3 pontos, subiram respectivamente 1 ponto e 0,2 ponto no período jun-set/18. No período em análise, o Sul e o  Norte/Centro-Oeste apresentaram o maior nível de satisfação com a vida entre junho e set/18.

O nível de satisfação com a vida apresentou elevação para ambos os sexos, o feminino com  +1,3 ponto e o masculino com +0,8 ponto entre junho e set/18. Na comparação anual, o sexo masculino apresentou declínio de 0,1 ponto entre set/17 e set/18, enquanto o feminino registrou estabilidade com 65,1 pontos para os dois períodos.

Quanto ao nível de satisfação com a vida, considerando o fator renda familiar, famílias que recebem mais de 5 salários mínimos (SM) foram as que apresentaram a maior elevação (+2,4 pontos) em set/18 (69,8 pontos), seguido por famílias de recebem mais de 2 a 5 SM com +1,4 ponto em set/18 (68,6 pontos) e com mais de 1 a 2 SM que registraram elevação de 0,7 ponto em set/18 frente a jun/18. As famílias com renda até 1 SM foram as únicas a apresentarem redução no nível de satisfação com a vida (-0,9 ponto) na mesma base de comparação.

Portanto, a lenta e gradual recuperação da atividade econômica pode ser sentida na queda do medo do desemprego (-2,2 pontos) entre junho e set/18, enquanto o nível de satisfação com a vida subiu 1,1 ponto no período. As famílias que recebem maior renda apresentaram maior medo em perder o emprego, enquanto as de baixa renda registraram declínio do medo.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 3 de novembro de 2018

SUCESSO FINANCEIRO É ESCOLHA PESSOAL
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias se mantém elevado desde 2010, atingindo no período 2010-17, a média anual de 60,8%, segundo a pesquisa o perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017-PEFB. Em 2018, a média mensal do período jan-set/18 ficou em 60,3% (abaixo 0,50 p.p. da média anual), e chegou a 60,7% em set/18, logo, manteve o mesmo patamar observado nos últimos oito anos.

A lenta recuperação da atividade econômica, com desemprego elevado, alto nível de inadimplência e juros proibitivos para o tomador final, embora a taxa Selic (6,5% a.a.) esteja em nível histórico muito baixa. Todos esses fatores têm contribuído de algum modo para que as pessoas tenham mais cautela na hora de comprar, segundo descreve artigo publicado em 29/10/18 (regisvarao.blogspot.com).

Cabe lembrar que não podemos colocar toda a culpa somente na crise econômica, no desemprego, na inadimplência e nas taxas de juros etc, mas deve ser considerado a falta de conhecimento de educação financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento das famílias nos atuais patamares, segundo mostra a pesquisa PEIC de set/18, da CNC.

Como decorrência do endividamento, as pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência que as demais pessoas, sofrem e causam mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos com assiduidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, são mais estressados, reduzem a produtividade, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de ficarem desempregados.

A seguir, apresentamos sete sugestões que podem contribuir para que as pessoas tenham uma boa saúde financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, passar o cartão de crédito ou utilizar o talão de cheques é importante avaliar se tem dinheiro suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito, pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do imóvel etc. Uma peça fundamental no planejamento financeiro é o orçamento, que exige um acompanhamento constante.

Para se ter um bom orçamento, relacione todas as receitas e despesas, inclusive os pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após o almoço etc. Liste as despesas com moradia, educação, saúde, transporte, higiene pessoal, lazer etc. Com um orçamento detalhado, você conhecerá a estrutura de despesas e como está gastando no dia a dia, na semana, no mês etc. Você descobrirá como o seu dinheiro desaparece sem deixar vestígios.

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Prospera aquele que economiza no dia a dia, e que gasta menos do que ganha. Feito o orçamento, está na hora de guardar a diferença entre a(s) receita(s) (R) e as despesas (D), observando e mantendo a relação superavitária (R>D). O superávit, quando poupado, contribui para formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo que serve para cobrir despesas imprevistas, e a de longo prazo, destinada à compra da casa própria, à educação dos filhos, e para a aposentadoria.

Ao elaborar o orçamento, todos têm que se comprometer com o planejamento financeiro, pois deve ser levado a sério se pretende ter boa qualidade de vida na aposentadoria. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da dificuldade em mantê-lo, e no futuro serão adultos financeiramente responsáveis, pois bons hábitos financeiros começam na infância.

3. EVITE FAZER DÍVIDAS:

Um dos grandes motivos de endividamento é o péssimo hábito de pagar juros. Esse hábito impede a pessoa ou família de atingir a prosperidade financeira refletindo negativamente em outras áreas da vida. O grande beneficiário no processo de tomar empréstimo, muitas vezes pagando-se juros estratosféricos, em geral, é o setor financeiro. Evite pagar juros, e não compre nada parcelado.

Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Se uma resposta for negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja do cartão de crédito, cheque especial e dos carnês de lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenos valores quando somados, se transformam em grandes valores. Se tiver dinheiro disponível em conta e o bem ou serviço está listado como prioridade em seu orçamento tente desconto e pague a vista.

4. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia dos namorados em junho, dia dos pais em agosto, dia das crianças em outubro, e agora já se aproximando o Black Friday em novembro, sem esquecer do Natal no mês seguinte. Muitos outros feriados e promoções constam em peças de publicidade cujo alvo (isto mesmo) é o incauto consumidor. O consumidor é o alvo!

O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no País em 2010. Tem feito muito sucesso e endividado muita gente, afinal de contas, vender é o que interessa. O 13º logo estará na conta corrente, fique atento com a publicidade que faz sua parte com competência e elevado nível de resultado. As campanhas promocionais ardilosas, algumas fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a elevar as estatísticas do endividamento e da inadimplência. Fuja das inúmeras e escorregadias armadilhas das promoções que ocorrem no Black Friday e do apego sentimental do Natal.

5. SEJA COMEDIDO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Em 3/4/17 novas regras para o pagamento do rotativo entraram em vigor, limitando o parcelamento do débito e obrigando as instituições a renegociarem as dívidas. Em 1/6/18 mais mudanças como o fim da regra para pagamento mínimo, os 15% do valor total, assim, cada banco/empresa que emite cartão poderá definir o percentual de pagamento mínimo para o cliente.

É preocupante o endividamento com cartão de crédito que atingiu 76,7% em set/18 e registra igual valor como média mensal dos nove primeiros meses de 2018, segundo a PEIC da CNC. É o juro mais alto cobrado pelos bancos e tem contribuído para elevar o endividamento. Troque a dívida cara do rotativo ou do cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver. Os programas de milhagens para obtenção de passagens aéreas e outros benefícios alivia o bolso. O cartão de crédito é um grande aliado quando utilizado com parcimônia e para atender as emergências.

6. SOLICITE DESCONTOS:

Se você tem reserva financeira e não gosta de comprar a prestação, está na hora de pagar suas compras com dinheiro vivo. Tendo dinheiro em espécie você pode brigar por descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de compra que nesse caso sempre encontrará bons descontos ao pagar a vista.

7. EVITE OS SUPÉRFLUOS:

Se você deseja economizar, fazer reserva financeira, ter uma aposentadoria com boa qualidade de vida, evite comprar artigos supérfluos, pois eles poderão levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas necessidades, as prioridades e veja se aquele produto específico, normalmente não necessário, vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre o supérfluo.

Portanto, as pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada produtividade, mantém o foco, são normalmente disciplinados, fazem poupança no dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na economia, consequentemente alcançam a prosperidade financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.