ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM OUTUBRO
Régis
Varão/¹
O
endividamento das famílias fica estável em out/18 ante o mês anterior, após três
altas consecutivas. Com relação a out/17, apresentou queda, e o percentual com
contas/dívidas em atraso decresceu nas duas bases de comparação. No período set-out/18
o percentual de famílias sem condições de pagarem suas contas ficou estável, e caiu
na comparação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.
O endividamento
com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja,
empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em out/18, o
mesmo percentual observado no período ago-set/18, enquanto na comparação anual caiu
1,1 p.p. O percentual de out/18 ficou próximo da média mensal observada nos
últimos 12 meses (60,6%). Ver gráficos.
O percentual
de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou redução de 0,3 p.p. entre
set/18 e o mês seguinte, e caiu 2,5 p.p. frente a out/17. Houve redução na inadimplência
das famílias em relação a out/17 (26%). As famílias sem condições de pagar suas
contas em atraso, e continuam inadimplentes, ficou estável em 9,9% em out/18, e
decresce ante out/17 (10,1%).
O endividamento
apresentou tendências distintas nas duas faixas de renda, até 10 salários
mínimos (<10 SM) e acima (>10 SM), nas duas bases de comparação. Na
comparação mensal, houve crescimento apenas na faixa de renda >10 SM,
enquanto na comparação anual ouve declínio apenas entre as famílias com renda <10
SM. As que ganham <10 SM, o percentual com dívidas alcançou 61,7% em out/18,
o mesmo valor de set/18, abaixo dos 63,2% de out/17. Nas com renda >10 SM, o
endividamento passou de 56,1% em set/18 para 56,3% no mês seguinte, enquanto em
out/17, as famílias endividadas nessa faixa de renda era 54,6%.
A proporção com
contas em atraso apresentou comportamento similar nos dois grupos de renda, nas
duas bases de comparação. As com renda <10 SM, o percentual de contas em
atraso passou de 26,5% em set/18 para 26,4% em out/18. Já em out/17, 29,3% nessa
faixa de renda estavam com contas atrasadas. A inadimplência atingiu 10,8% em
out/18, na faixa de renda >10 SM, ante 11,5% de set/18 e 11,5% observado em
out/17.
O percentual
de famílias muito endividadas decresceu entre set/18 e o mês seguinte, de 13,3%
para 12,9%. Na comparação anual, houve queda de 1,7 p.p. Ainda na comparação anual,
a parcela mais ou menos endividada subiu de 22,7% para 23,5%, enquanto a pouco
endividada passou de 24,5% para 24,4% do total de famílias.
Entre as
famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 65,3 dias em out/18,
acima dos 63,8 dias de out/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas
entre as famílias endividadas foi de sete meses, sendo que 25% delas estão
comprometidas com dívidas até três meses e 32,1%, por mais de um ano.
O cartão de
crédito continua apontado como o preferido das famílias endividadas em out/18, com
77,4%; seguido por carnês de loja (14,5%); financiamento de carro com 10,1%;
financiamento de casa (9,6%); crédito pessoal com 8,5%; cheque especial (5,8%);
crédito consignado com 5,6%; outras dívidas (2,9%); e cheque pré-datado com 1,1%.
Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito é o preferido por 78,3%, seguido
por carnês de loja (15,8%) e financiamento de carro com 8,4%. Já para as famílias
com renda >10 SM, os principais tipos de dívida foram: cartão de crédito com
73,9%, financiamento de casa (19,9%) e financiamento de carro com 18,8%. Ver gráficos.
Portanto, embora
o endividamento continue elevado, o indicador apresenta estabilidade nos
últimos três meses. O alto nível de desemprego e o ritmo lento de recuperação da
atividade econômica podem estar contribuindo para manter o indicador nesse
patamar. O percentual de famílias com contas em atraso caiu tanto na comparação
mensal quanto na anual, seguindo um menor nível de endividamento das famílias e
a queda do comprometimento de renda destinada ao pagamento de dívidas.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.