sábado, 3 de novembro de 2018

SUCESSO FINANCEIRO É ESCOLHA PESSOAL
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias se mantém elevado desde 2010, atingindo no período 2010-17, a média anual de 60,8%, segundo a pesquisa o perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017-PEFB. Em 2018, a média mensal do período jan-set/18 ficou em 60,3% (abaixo 0,50 p.p. da média anual), e chegou a 60,7% em set/18, logo, manteve o mesmo patamar observado nos últimos oito anos.

A lenta recuperação da atividade econômica, com desemprego elevado, alto nível de inadimplência e juros proibitivos para o tomador final, embora a taxa Selic (6,5% a.a.) esteja em nível histórico muito baixa. Todos esses fatores têm contribuído de algum modo para que as pessoas tenham mais cautela na hora de comprar, segundo descreve artigo publicado em 29/10/18 (regisvarao.blogspot.com).

Cabe lembrar que não podemos colocar toda a culpa somente na crise econômica, no desemprego, na inadimplência e nas taxas de juros etc, mas deve ser considerado a falta de conhecimento de educação financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento das famílias nos atuais patamares, segundo mostra a pesquisa PEIC de set/18, da CNC.

Como decorrência do endividamento, as pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência que as demais pessoas, sofrem e causam mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos com assiduidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, são mais estressados, reduzem a produtividade, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de ficarem desempregados.

A seguir, apresentamos sete sugestões que podem contribuir para que as pessoas tenham uma boa saúde financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, passar o cartão de crédito ou utilizar o talão de cheques é importante avaliar se tem dinheiro suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito, pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do imóvel etc. Uma peça fundamental no planejamento financeiro é o orçamento, que exige um acompanhamento constante.

Para se ter um bom orçamento, relacione todas as receitas e despesas, inclusive os pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após o almoço etc. Liste as despesas com moradia, educação, saúde, transporte, higiene pessoal, lazer etc. Com um orçamento detalhado, você conhecerá a estrutura de despesas e como está gastando no dia a dia, na semana, no mês etc. Você descobrirá como o seu dinheiro desaparece sem deixar vestígios.

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Prospera aquele que economiza no dia a dia, e que gasta menos do que ganha. Feito o orçamento, está na hora de guardar a diferença entre a(s) receita(s) (R) e as despesas (D), observando e mantendo a relação superavitária (R>D). O superávit, quando poupado, contribui para formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo que serve para cobrir despesas imprevistas, e a de longo prazo, destinada à compra da casa própria, à educação dos filhos, e para a aposentadoria.

Ao elaborar o orçamento, todos têm que se comprometer com o planejamento financeiro, pois deve ser levado a sério se pretende ter boa qualidade de vida na aposentadoria. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da dificuldade em mantê-lo, e no futuro serão adultos financeiramente responsáveis, pois bons hábitos financeiros começam na infância.

3. EVITE FAZER DÍVIDAS:

Um dos grandes motivos de endividamento é o péssimo hábito de pagar juros. Esse hábito impede a pessoa ou família de atingir a prosperidade financeira refletindo negativamente em outras áreas da vida. O grande beneficiário no processo de tomar empréstimo, muitas vezes pagando-se juros estratosféricos, em geral, é o setor financeiro. Evite pagar juros, e não compre nada parcelado.

Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Se uma resposta for negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja do cartão de crédito, cheque especial e dos carnês de lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenos valores quando somados, se transformam em grandes valores. Se tiver dinheiro disponível em conta e o bem ou serviço está listado como prioridade em seu orçamento tente desconto e pague a vista.

4. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia dos namorados em junho, dia dos pais em agosto, dia das crianças em outubro, e agora já se aproximando o Black Friday em novembro, sem esquecer do Natal no mês seguinte. Muitos outros feriados e promoções constam em peças de publicidade cujo alvo (isto mesmo) é o incauto consumidor. O consumidor é o alvo!

O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no País em 2010. Tem feito muito sucesso e endividado muita gente, afinal de contas, vender é o que interessa. O 13º logo estará na conta corrente, fique atento com a publicidade que faz sua parte com competência e elevado nível de resultado. As campanhas promocionais ardilosas, algumas fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a elevar as estatísticas do endividamento e da inadimplência. Fuja das inúmeras e escorregadias armadilhas das promoções que ocorrem no Black Friday e do apego sentimental do Natal.

5. SEJA COMEDIDO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Em 3/4/17 novas regras para o pagamento do rotativo entraram em vigor, limitando o parcelamento do débito e obrigando as instituições a renegociarem as dívidas. Em 1/6/18 mais mudanças como o fim da regra para pagamento mínimo, os 15% do valor total, assim, cada banco/empresa que emite cartão poderá definir o percentual de pagamento mínimo para o cliente.

É preocupante o endividamento com cartão de crédito que atingiu 76,7% em set/18 e registra igual valor como média mensal dos nove primeiros meses de 2018, segundo a PEIC da CNC. É o juro mais alto cobrado pelos bancos e tem contribuído para elevar o endividamento. Troque a dívida cara do rotativo ou do cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver. Os programas de milhagens para obtenção de passagens aéreas e outros benefícios alivia o bolso. O cartão de crédito é um grande aliado quando utilizado com parcimônia e para atender as emergências.

6. SOLICITE DESCONTOS:

Se você tem reserva financeira e não gosta de comprar a prestação, está na hora de pagar suas compras com dinheiro vivo. Tendo dinheiro em espécie você pode brigar por descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de compra que nesse caso sempre encontrará bons descontos ao pagar a vista.

7. EVITE OS SUPÉRFLUOS:

Se você deseja economizar, fazer reserva financeira, ter uma aposentadoria com boa qualidade de vida, evite comprar artigos supérfluos, pois eles poderão levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas necessidades, as prioridades e veja se aquele produto específico, normalmente não necessário, vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre o supérfluo.

Portanto, as pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada produtividade, mantém o foco, são normalmente disciplinados, fazem poupança no dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na economia, consequentemente alcançam a prosperidade financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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