SUCESSO FINANCEIRO É ESCOLHA PESSOAL
Régis Varão/¹
O endividamento das famílias se mantém elevado desde
2010, atingindo no período 2010-17, a média anual de 60,8%, segundo a pesquisa o
perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017-PEFB.
Em 2018, a média mensal do período jan-set/18 ficou em 60,3% (abaixo 0,50 p.p.
da média anual), e chegou a 60,7% em set/18, logo, manteve o mesmo patamar
observado nos últimos oito anos.
A lenta recuperação da atividade econômica, com
desemprego elevado, alto nível de inadimplência e juros proibitivos para o
tomador final, embora a taxa Selic (6,5% a.a.) esteja em nível histórico muito
baixa. Todos esses fatores têm contribuído de algum modo para que as pessoas
tenham mais cautela na hora de comprar, segundo descreve artigo publicado em
29/10/18 (regisvarao.blogspot.com).
Cabe lembrar que não podemos colocar toda a culpa
somente na crise econômica, no desemprego, na inadimplência e nas taxas de
juros etc, mas deve ser considerado a falta de conhecimento de educação
financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das
finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento das famílias nos atuais
patamares, segundo mostra a pesquisa PEIC
de set/18, da CNC.
Como decorrência do endividamento, as pesquisas mostram
que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais
frequência que as demais pessoas, sofrem e causam mais acidentes de trabalho, usam
atestados médicos com assiduidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais
com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração,
são mais estressados, reduzem a produtividade, se separam mais que os
financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de ficarem desempregados.
A seguir, apresentamos sete sugestões que podem
contribuir para que as pessoas tenham uma boa saúde financeira:
1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
Antes de abrir a carteira, passar o cartão de
crédito ou utilizar o talão de cheques é importante avaliar se tem dinheiro
suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de
crédito, pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o
financiamento do imóvel etc. Uma peça fundamental no planejamento financeiro é
o orçamento, que exige um acompanhamento constante.
Para se ter um bom orçamento, relacione todas as
receitas e despesas, inclusive os pequenos valores, como o lanche da tarde, a
sobremesa após o almoço etc. Liste as despesas com moradia, educação, saúde, transporte,
higiene pessoal, lazer etc. Com um orçamento detalhado, você conhecerá a
estrutura de despesas e como está gastando no dia a dia, na semana, no mês etc.
Você descobrirá como o seu dinheiro desaparece sem deixar vestígios.
2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:
Prospera aquele que economiza no dia a dia, e que
gasta menos do que ganha. Feito o orçamento, está na hora de guardar a
diferença entre a(s) receita(s) (R) e as despesas (D), observando e mantendo a
relação superavitária (R>D). O superávit, quando poupado, contribui para
formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo que serve para cobrir
despesas imprevistas, e a de longo prazo, destinada à compra da casa própria, à
educação dos filhos, e para a aposentadoria.
Ao elaborar o orçamento, todos têm que se comprometer
com o planejamento financeiro, pois deve ser levado a sério se pretende ter boa
qualidade de vida na aposentadoria. É a oportunidade para que os filhos
entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito
trabalho. Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da
dificuldade em mantê-lo, e no futuro serão adultos financeiramente responsáveis,
pois bons hábitos financeiros começam na infância.
3. EVITE FAZER DÍVIDAS:
Um dos grandes motivos de endividamento é o péssimo
hábito de pagar juros. Esse hábito impede a pessoa ou família de atingir a
prosperidade financeira refletindo negativamente em outras áreas da vida. O
grande beneficiário no processo de tomar empréstimo, muitas vezes pagando-se
juros estratosféricos, em geral, é o setor financeiro. Evite pagar juros, e não
compre nada parcelado.
Antes de abrir a carteira
pergunte-se: Eu preciso? Tenho
dinheiro? Tem que ser agora? Se uma resposta for negativa não
compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas negocie um desconto.
Não faça dívidas, fuja do cartão de crédito, cheque especial e dos carnês de
lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenos valores quando somados, se
transformam em grandes valores. Se tiver dinheiro
disponível em conta e o bem ou serviço está listado como prioridade em seu
orçamento tente desconto e pague a vista.
4. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:
As promoções e a publicidade são tentadoras durante
todo o ano. Temos a páscoa em abril,
dia das mães em maio, dia
dos namorados em junho, dia
dos pais em agosto, dia das
crianças em outubro,
e agora já se aproximando o Black Friday
em novembro,
sem esquecer do Natal no mês
seguinte. Muitos outros feriados e promoções constam em peças de publicidade
cujo alvo (isto mesmo) é o incauto consumidor. O consumidor é o alvo!
O Black
Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no País em 2010. Tem feito muito
sucesso e endividado muita gente, afinal de contas, vender é o que interessa. O
13º logo estará na conta corrente, fique atento com a publicidade que faz sua
parte com competência e elevado nível de resultado. As campanhas promocionais ardilosas,
algumas fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a elevar as
estatísticas do endividamento e da inadimplência. Fuja das inúmeras e
escorregadias armadilhas das promoções que ocorrem no Black Friday e do apego
sentimental do Natal.
5. SEJA COMEDIDO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:
Um dos fatores do endividamento decorre da má
utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Em
3/4/17 novas regras para o pagamento do rotativo
entraram em vigor, limitando o parcelamento do débito e obrigando as
instituições a renegociarem as dívidas. Em 1/6/18 mais mudanças como o fim da
regra para pagamento mínimo, os 15% do valor total, assim, cada banco/empresa
que emite cartão poderá definir o percentual de pagamento mínimo para o
cliente.
É preocupante o endividamento com cartão de crédito
que atingiu 76,7% em set/18 e registra igual valor como média mensal dos nove
primeiros meses de 2018, segundo a PEIC
da CNC. É o juro mais alto cobrado pelos
bancos e tem contribuído para elevar o endividamento. Troque a dívida cara do rotativo
ou do cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver. Os
programas de milhagens para obtenção de passagens aéreas e outros benefícios
alivia o bolso. O cartão de crédito é um grande aliado quando utilizado com parcimônia
e para atender as emergências.
6. SOLICITE DESCONTOS:
Se você tem reserva
financeira e não gosta de comprar a prestação, está na hora de pagar suas
compras com dinheiro vivo. Tendo dinheiro em espécie você pode brigar por
descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual
conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de compra
que nesse caso sempre encontrará bons descontos ao pagar a vista.
7.
EVITE OS SUPÉRFLUOS:
Se você deseja economizar, fazer reserva financeira,
ter uma aposentadoria com boa qualidade de vida, evite comprar artigos
supérfluos, pois eles poderão levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas
necessidades, as prioridades e veja se aquele produto específico, normalmente
não necessário, vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você
tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre
o supérfluo.
Portanto, as pessoas que
desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada
produtividade, mantém o foco, são normalmente disciplinados, fazem poupança no
dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos,
trabalham com metas realizáveis, têm atitudes responsáveis na utilização do
dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na economia,
consequentemente alcançam a prosperidade financeira.
¹/ Mentor e Coach Financeiro,
especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de
pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de
temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência
financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista
com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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