quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

SUAS ESCOLHAS DETERMINAM SEU SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias continua elevado, atingindo 65,1% em nov/19 segundo a PEIC de nov/19. A média mensal do endividamento no período jan-nov/19 ficou em 63,45%. A lenta recuperação da atividade econômica, o alto desemprego, a elevada inadimplência, juros proibitivos, embora a Selic esteja em 4,5% a.a., tudo isso tem contribuído para manter esse quadro desfavorável, o que leva as pessoas a terem cautela na hora de abrir a carteira (ver artigo).

Embora seja mais fácil colocarmos a culpa em fatores como crise econômica, elevado desemprego e altas taxas de juros, devemos considerar o fator preponderante que é a ausência de educação financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descontrole com as finanças pessoais contribuem para manter o endividamento elevado, segundo a PEIC.

Pesquisas mostram que pessoas endividadas vão a hospitais com mais frequência, sofrem mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos reiteradamente, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com frequência com familiares, perdem a concentração com facilidade, são mais suscetíveis a desenvolverem depressão, têm maior nível de estresse, a produtividade no trabalho cai, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de serem demitidos.

Sugestões que contribuem para uma boa saúde financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, e utilizar o cartão de crédito ou o talão de cheques avalie se tem dinheiro suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou para pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do imóvel etc. Elabore um orçamento, relacione receitas e despesas, inclusive as de pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após as refeições etc. Liste todas as despesas com moradia, educação, saúde etc, e acompanhe o orçamento;

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Prospera quem economiza no dia a dia, quem gasta menos do que ganha. Está na hora de guardar a diferença entre a receita (R) e a despesa (D), mantendo a relação Receita>Despesa. Com o superávit você pode formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo (imprevistos), e uma de longo prazo (aquisição da casa própria e aposentadoria). Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da dificuldade em gerenciá-lo. Bons hábitos financeiros começam na infância;

3. EVITE DÍVIDAS:

Um dos motivos do endividamento é o péssimo hábito de comprar tudo a prazo. Esse hábito impede a pessoa de atingir a prosperidade financeira. O grande beneficiário desse processo de tomada de crédito (os parcelamentos), é o setor financeiro. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Se houver uma resposta negativa não compre. Para ter boa saúde financeira fuja do cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e compre à vista;

4. ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa, dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, dia das crianças, Black Friday, Natal etc, com promoções e publicidade cujo alvo é o incauto consumidor. Uma maratona de gastos muitas vezes desnecessários. As campanhas promocionais - shoppings e comércio - ajudam a elevar o endividamento e a inadimplência. Evite essas armadilhas promocionais e mais atenção ao apego sentimental de datas como o Natal;

5. CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Ao longo dos últimos anos, foram estabelecidas novas regras para o pagamento do rotativo e o fim do pagamento de valor mínimo, delegando aos bancos a definição do percentual de pagamento mínimo para cada cliente. Os juros do cartão ultrapassam 300% a.a., enquanto a Selic se encontra em 4,5% a.a. A PEIC mostra que as famílias têm demonstrado preferência pelo endividamento com o cartão de crédito, o que demonstra falta de educação financeira. O cartão de crédito, no entanto, pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia;

6. NEGOCIE SEMPRE:

Tendo dinheiro em espécie você pode negociar descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de barganha do consumidor que nesse caso sempre encontrará bons descontos;

7. EVITE OS SUPÉRFLUOS:

Se você deseja ter uma reserva financeira e uma boa aposentadoria, evite os supérfluos, eles podem levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas necessidades, tenha prioridades e veja se aquele produto específico vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre, mas sempre negocie preço.

Portanto, as pessoas que têm educação financeira sofrem menos estresse, têm alta produtividade, têm foco, são mais disciplinadas, poupam no dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, usam o crédito com parcimônia e estão mais atentas ao comportamento dos indicadores macroeconômicos. Esse tipo de pessoa, normalmente têm boa saúde financeira e alcança a prosperidade em menos tempo que as demais.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


INTENÇÃO DE CONSUMO FAMILIAR MELHORA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias-ICF apresentou variação positiva de 1,3% em nov/19 ante o mês anterior, na série dessazonalizada. É o quarto desempenho positivo consecutivo do indicador, e reforça a ideia de que a economia está melhorando e os consumidores estão mais confiantes. Por outro lado, desde abr/19, o indicador continua abaixo de 100 pontos e atinge 95,2 pontos em nov/19, próximo ao observado em mai/19 com 95,9 pontos.

O desempenho positivo do ICF em nov/19 deve-se basicamente às variações positivas dos componentes Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo, Renda Atual, Perspectiva Profissional e Emprego Atual. Quanto ao desempenho dos componentes, o destaque nas duas bases de comparação ficou para Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo e Compra a Prazo.

Análise dos componentes:

1. Emprego Atual:

O sentimento quanto a segurança no emprego registrou evolução mensal de 1% e anual de 4,2%. Entre os demais subíndices, foi quem  apresentou o maior valor ao atingir 117,8 pontos, ficando acima de 100 pontos. Em nov/19, o índice sofreu pressão positiva das famílias do Sudeste que registrou alta de 2,7%. O desempenho do mercado de trabalho explica, em parte, a pequena variação positiva do indicador na comparação mensal;

2. Nível de Consumo Atual:

Esse subíndice registrou crescimento de 0,1% em nov/19 ao chegar a 74,1 pontos, sugerindo que as famílias não apresentaram melhora no padrão de compras em relação ao mês anterior, ficando praticamente estável no período out-nov/19. Na comparação anual, esse componente apresentou elevação de 6,7% em nov/19, registrando um dos mais baixos desempenhos entre os sete indicadores, ficando acima apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, ambos com 4,2% na variação anual;

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O subíndice Compra a Prazo apresentou estabilidade em nov/19 (0%) em relação ao mês anterior, embora tenha registrado incremento significativo de 12,1% na comparação anual. O indicador atingiu 89,7 pontos em nov/19. Embora a taxa de juros Selic esteja no patamar mais baixo da série histórica (4,5% a.a.), os juros cobrados pelos bancos para o tomador final, continuam altos, o que contribui para aumentar a cautela das pessoas quanto à tomada de crédito;

4. Momento para Duráveis:

Esse componente apresentou as maiores variações positivas nas duas bases de comparação, subindo 4,5% em nov/19 na comparação mensal, mantendo a sequência dos últimos meses, e subindo 18% na anual. As famílias continuam pretendendo comprar eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Parte dessa intenção de consumo pode ser atribuída às ofertas do Black Friday, ao ingresso dos recursos do FGTS e às condições de parcelamento oferecidas pelo comércio. Embora o indicador tenha subido na comparação mensal e anual, Momento para Duráveis registra o menor valor entre os componentes do ICF, chegando a 69 pontos em nov/19, patamar em que as famílias apresentam maior nível de insatisfação;

5. Renda Atual:

O crescimento de 1,4% em nov/19, ante o mês anterior, e elevação de 8,5% na comparação anual, desse indicador, foi influenciado em grande parte pela elevação apresentada pelas famílias moradoras do Sudeste (+3,4%). Com relação ao indicador, a maior fatia das famílias (37,3%) considera que os ganhos estão melhores em nov/19, ante 31,6% observado em nov/18, enquanto 25,5% entendem que a remuneração familiar caiu em nov/19, ante 28,8% verificado em nov/18. Já para 36,7%, a percepção foi de estabilidade para o nível de renda em nov/19, ante 39,1% registrado em nov/18;

6. Perspectiva de Consumo:

Esse subíndice registrou decréscimo de 2,3% em nov/19 (97,8 pontos) e subiu 12,4% na comparação anual, o que pode refletir um pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual período do ano anterior. Entre os quatro componentes abaixo de 100 pontos, Perspectiva de Consumo é o que está mais próximo dos 100 pontos, isto é, mais próximo de atingir a linha da satisfação. Segundo o relatório da CNC, “O presságio das intenções de compras torna-se melhor na medida em que 35,8% das famílias entendem que a perspectiva de aumentar o consumo é maior do que em novembro de 2018, ao passo que 38% das famílias reconhecem que esta perspectiva diminuiu”;

7. Perspectiva Profissional:

Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,5% em nov/19 na comparação mensal e subiu 4,2% na anual, chegando a 106,2 pontos no penúltimo mês deste ano. O comportamento desse indicador pode estar relacionado a melhora das condições econômicas, tendo em vista que, excetuando Compras a Prazo (0%), todos os demais componentes apresentaram crescimento.

Portanto, o ICF ficou comprometido pelo medíocre desempenho da economia no primeiro semestre deste ano, e as intenções de compras apresentaram oscilações com as famílias mais cautelosas e reticentes na hora de colocar a mão no bolso. Por outro lado, nos últimos meses, a economia tem emitido sinais de recuperação, contribuindo favoravelmente para as projeções de crescimento econômico em 2019.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019


SAIA DA ZONA DE CONFORTO E SOBREVIVA ÀS MUDANÇAS
Régis Varão/¹

A zona de conforto é um local em que as pessoas se sentem seguras, realizam sempre determinado tipo de comportamento ou tarefa. No entanto, nos dá uma falsa sensação de segurança, uma vez que ao ocorrer mudanças quem está confortável leva um susto maior, e terá menos condições de sobrevivência do que os demais. A zona de conforto guarda uma relação com a Lei da Inércia do físico Isaac Newton, e pode ser entendida como: um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não é forçado a mudar. Existe uma relação da inércia com a badalada Zona de Conforto, discutida na atualidade em diversas áreas do conhecimento como gestão e desenvolvimento de pessoas, coaching etc.

Aspectos que podem contribuir para modificar ou sair da zona de conforto:

1. Defina objetivos: se você não sabe para onde ir, qualquer caminho que tomar serve, pois quem não sabe onde quer chegar acaba indo para qualquer lugar. Em finanças pessoais, uma pessoa que busca liberdade financeira necessita de definir objetivos, metas, prazos etc. É praticamente impossível atingir a independência ou liberdade financeira se não tiver clareza do que se pretende em termos de definição de objetivos, isto é, valores, prazos etc;

2. Faça planejamento: elabore de forma consciente e ordenada ações para atingir o objetivo definido. Um exemplo clássico: eu quero ter R$ 1 milhão em um fundo de investimentos, no Banco RAV, no dia 30 de julho de 2020. Quais os passos você precisa dar para chegar lá, para ter esse volume de R$ em conta? Quanto terá que economizar mensalmente? Vai precisar da ajuda de um Mentor ou Coach financeiro? Vai ter que postergar coisas que o afastam da meta definida? Terá que ser assertivo para atingir o objetivo desejado, ter R$ 1 milhão depositado no Banco RAV;

3. Tenha disciplina: o foco deve estar presente 24 horas por dia, se ocorrer algum problema fora de seu controle - externo a sua vontade - e que possa modificar o planejado, reavalie o quanto antes o objetivo. A estratégia pode mudar conforme sua reavaliação, mas a disciplina deve estar sempre presente. Assim como os técnicos utilizam treinamentos diferentes para obter o máximo desempenho do atleta, você deve dominar as melhores estratégias para atingir o objetivo desejado. Grande parte do sucesso não está apenas no planejamento bem elaborado, mas na maneira como você cumprirá as etapas;

4. Determine a mudança: você tem o poder de determinar os rumos de sua vida pessoal, profissional, financeira, social etc. Você é o principal agente de mudança, a motivação está dentro de você, ninguém pode tirá-la sem sua autorização. Segundo Tony Robbins, “as nossas crenças são como ordens não questionadas, dizendo-nos como as coisas são, o que é possível e impossível, o que podemos e o que não podemos fazer, assim, dão forma as nossas ações, pensamentos e sentimentos. Alterar nosso sistema de crenças é fundamental para qualquer mudança real e duradoura em nossa vida”. Segundo Charles Duhigg, “você não pode eliminar um velho hábito, só pode mudá-lo”.

Portanto, para atingir a liberdade financeira, estabeleça objetivos claros, bem definidos e realizáveis, faça planejamento (orçamento financeiro), tenha disciplina, nunca desista e mude os velhos hábitos.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS SOBE EM NOVEMBRO DE 2019
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias atingiu 65,1% em nov/19, aumentando em ambas as bases de comparação, mensal e anual, quando chegou a 64,7% em out/19 e 60,3% em nov/18. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou retração no período out-nov/ 19, chegando a 24,7% no fim do período. Já o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também subiu nas duas bases de comparação, atingindo 10,2% em nov/19, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, “O endividamento não é necessariamente negativo, se não for acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência. A dívida com responsabilidade e compatível com a renda possibilita a aquisição de bens importantes para as famílias, sejam eles bens duráveis ou até mesmo imóveis”.

O percentual de famílias com dívidas entre cartão de crédito, carnê de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado e cheque pré-datado alcançou 65,1% em nov/19, o que representa incremento em relação aos 64,7% de out/19 e aos 60,3% de nov/18.

De acordo com Marianne Hansen, da CNC, “A redução das taxas de juros do crédito, associada à melhora no emprego formal, proporciona condições para a continuidade da tendência de aumento do crédito e do endividamento das famílias.

O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu em nov/19, ante out/19, passando de 24,9% para 24,7% do total. No entanto, houve crescimento do percentual de famílias inadimplentes em relação a nov/18, quando registrou 22,9%. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que permaneceriam inadimplentes aumentou na comparação mensal para 10,2% em nov/19, ante 10,1% em outubro, enquanto o indicador alcançou 9,5% em nov/18.

O número de famílias endividadas apresentou mesma tendência entre as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas alcançou 65,9% em nov/19, superior aos 65,6% registrados em out/19, e superior aos 61,5% de nov/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu, no período out-nov/19, de 61,1% para 61,6%. Em nov/18, o percentual de famílias com dívidas nessa faixa de renda era 55,4%.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou igual tendência entre os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso caiu de 27,8% em out/19 para 27,7% em nov/19. Em nov/18, 25,9% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11,6% em nov/19, abaixo dos 12% de out/19, e acima dos 10,1% de nov/18.

Ainda segundo Marianne Hansen, “O recuo do percentual das famílias com contas em atraso reflete, além da redução do custo do crédito, a sazonalidade favorável do período em relação ao emprego e à renda. Já o aumento dos indicadores de inadimplência na comparação com o ano anterior reflete o maior comprometimento de renda das famílias com as dívidas e a piora da percepção em relação ao endividamento”.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,6% em nov/19, ante 3,7% em out/19 e 3,6% em nov/18. Para o grupo de renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,8% em out/19 para 12,1% no mês seguinte. Ante nov/18, houve alta de 1,1 p.p.

O percentual de famílias muito endividadas cresceu entre out/19 e nov/19, de 14% para 14,4%. Na comparação anual, houve elevação de 1,6 p.p. Na comparação entre nov/18 e nov/19, o percentual de famílias que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 23,2% para 22,9%, e as famílias pouco endividadas subiu de 24,3% para 27,8% do total de famílias.

Com relação as famílias com dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,4 dias em nov/19, abaixo dos 64,6 dias observados em nov/18. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as endividadas foi de 7 meses, sendo que 24,9% delas estão comprometidas com dívidas até 3 meses; e 31,7%, acima de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu, na comparação anual, de 29,4%, em nov/18, para 29,9%, em nov/19, e 21% delas afirmaram que mais da metade da renda mensal está comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida das famílias, com 78,8%, seguido por carnê de loja (15,7%), financiamento de carro (9,2%), financiamento de casa (8,5%), crédito pessoal (8,3%), cheque especial (6,7%), crédito consignado (5,6%), cheque pré-datado (1,2%) e outras dívidas (2,4%). Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8% de endividamento, seguido por carnê de loja (16,5%), crédito pessoal (8,1%) e financiamento de carro (7,4%). Já nas famílias com renda >10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8%, seguido por financiamento de carro (17,7%), financiamento de casa (16,8%) e carnê de loja com 11,5%.

Portanto, o endividamento subiu em nov/19, demonstrando que o indicador continua pressionado. O percentual de famílias com dívidas em atraso declinou na comparação mensal, mas subiu na comparação anual. Já o total de famílias sem condições de pagar as contas em atraso cresceu em ambas as bases de comparação. A preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito continua elevado, indicando a falta de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

ATENÇÃO COM OS PEQUENOS GASTOS
Régis Varão/¹

No final dos anos noventa, David Bach, um especialista em finanças pessoais desenvolveu a teoria denominada Fator Café, publicada no livro O Milionário Automático. A teoria mostra que a chave para a prosperidade financeira pessoal é ficar atento aos pequenos valores gastos no dia a dia.

A maioria das pessoas acredita que o segredo da prosperidade consiste em buscar novas fontes de receita, procurar alternativas de emprego com salários mais elevados, mudar de empresa, trocar de cidade e até mesmo mudar de profissão, como se essas alternativas resolvessem os problemas da gestão financeira pessoal.

O setor financeiro nacional pratica os juros bancários mais elevados do mundo, e duas modalidades são bons exemplos. Os juros do rotativo do cartão de crédito e os cobrados pela utilização do cheque especial estão acima de 300% a.a., respectivamente, enquanto a taxa Selic está em 5% a.a.

As pessoas que mudam de trabalho, de cidade e de profissão, continuam praticando os mesmos erros na gestão de suas finanças. Grande parte dos brasileiros não tem educação financeira, logo, desconhece conceitos de economia, finanças pessoais, matemática financeira, planejamento financeiro e o que é pior, o impacto dos juros compostos nas dívidas.

Na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento da despesas costuma ser proporcionalmente maior que o aumento da receita. Quando perdemos ou temos redução de receita não diminuímos as despesas com rapidez, nem na mesma proporção.

Muitas vezes as pessoas têm aumento de receita e a gastam antes de recebê-la, e para agravar a situação existem profissionais criando campanhas publicitárias de estímulo ao consumo. Um exemplo, após a entrega da declaração de imposto de renda, a rede bancária oferta crédito para antecipar a restituição do imposto, o mesmo ocorrendo com o 13º salário. Os juros cobrados nos dois casos são elevados e muitas vezes por falta de orientação a pessoa se endivida.

Com relação aos feriados nacionais, a publicidade induz o cidadão a consumir cada vez mais. São realizadas campanhas sofisticadas cuja intenção é vender para os consumidores desatentos. Muita gente cai nessas armadilhas, no estímulo visual das decorações dos shoppings, e por falta de planejamento financeiro, se endividam cada vez mais.

Os gastos do dia a dia podem atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade financeira. Muitos consumidores não pensam nesses gastos, e se preocupam apenas com valores elevados, prestação da casa própria, financiamento do carro, aluguel, previdência privada, colégio das crianças etc, sem considerar que pequenas despesas impactam negativamente o orçamento.

Todos têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. Se juntarmos os pequenos gastos do dia a dia com café expresso, sobremesa, lanche da tarde, cerveja, cigarro etc, teremos um valor considerável. Cortando parte dessas despesas (cerca de 25%) daria para formar uma reserva financeira que geraria renda passiva, sem perda de qualidade de vida.

Cada indivíduo desenvolve o seu Fator Café. Estabeleça metas de gastos no dia a dia para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa gosta de um expresso após o almoço, tudo bem, mas evite um segundo ou um terceiro. O fumante ao reduzir o consumo de cigarros melhora a saúde e o bolso. As mulheres podem economizar indo uma vez por mês ao salão ou a cada duas semanas. Controles normalmente são chatos, tomar cuidado com os pequenos valores faz grande diferença ao longo dos anos. Não vamos deixar de fazer o que gostamos, apenas devemos ter cuidado às pequenas despesas que parecem inofensivas.

Portanto, a ideia é reduzir os excessos. Ao escovar os dentes feche a torneira, ao ensaboar-se feche o chuveiro, verifique periodicamente se existem vazamentos em sua residência, estabeleça dia específico para lavar e passar roupa, não abra a geladeira muitas vezes, tudo isso pode ajudar a economizar. Hábitos saudáveis refletem positivamente no meio ambiente e no bolso. Economizar no dia a dia é importante para atingir a prosperidade financeira e ter boa saúde física e mental.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram ravregisvarao.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

PRATIQUE ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS
Régis Varão/¹

Os efeitos da crise econômica, o elevado nível de desemprego, a ausência de educação financeira e maus hábitos financeiros contribuem para elevar a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras, conforme indica a pesquisa PEIC, de out/19. O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado e financiamento de casa, atinge 64,7% em out/19, ante 60,7% observado em out/18. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias com contas em atraso e sem condições de pagá-las, atingiu 24,9% e 10,1% em out/19, respectivamente.

O endividamento decorre, na maioria das vezes de hábitos financeiros inadequados, pelo consumismo exagerado, pela falta de planejamento financeiro, pela ausência de objetivos claros, pela falta de conhecimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos, contribuem para a má gestão das finanças pessoais.

As pesquisas mostram que endividados faltam mais ao trabalho, usam atestados médicos com frequência, vão a médicos e hospitais periodicamente, se desentendem mais com os colegas de trabalho, discutem costumeiramente com familiares, perdem facilmente a concentração, a produtividade do trabalho declina, se divorciam mais que os sem problemas financeiros, buscam muitas vezes o álcool como consolo e tendem a desenvolver ansiedade, depressão ou ambas.

Atitudes que levam à prosperidade financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de comprar algo não planejado, é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente no banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito no vencimento ou se aquela nova prestação não vai elevar o endividamento. Faça orçamento financeiro, relacione receitas e despesas, inclusive as de pequeno valor. Liste as despesas em tópicos: moradia, educação, saúde, alimentação, transporte, lazer etc. Ao fazer o orçamento você descobrirá para onde está indo seu dinheiro.

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Feito o orçamento pessoal, e obtido superávit (receita > despesa), está na hora de guardar a diferença. O superávit pode ser transformado em reserva financeira, que ajudará nos imprevistos, na educação dos filhos, na qualidade de vida presente e na aposentadoria confortável. Esse compromisso deve envolver todos os membros da família. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Bons hábitos financeiros começam na infância.

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria ou até mesmo igual qualidade de vida quando na ativa. É um período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, exames, remédios etc. Se não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será insuficiente para pagar nossas despesas. Devemos reservar um percentual do salário todos os meses para uma reserva financeira visando a aposentadoria. A aprovação da reforma da previdência pode servir de estímulo para que as pessoas comecem a poupar.

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente parcela compras e faz financiamentos diversos, o que pode ser verificado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas (15,5%), financiamento de carro (9,5%), financiamento de casa (8,7%), crédito pessoal (8,2%), cheque especial (6,5%) e crédito consignado (6%), segundo a PEIC de out/19. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Pequenas parcelas quando somadas se transformam em grandes valores.

5. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa, dia das mães, dia das crianças, Black Friday, Natal e outros feriados em que a publicidade pega muita gente desprevenida. Para esses eventos, o comércio se prepara com antecedência, e as promoções na maioria das vezes são maquiadas para levar os incautos à comprar produtos que não precisam.

6. UTILIZE O CARTÃO DE CRÉDITO COM PARCIMÔNIA:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão e do não pagamento da fatura integral. Em out/19 o endividamento com cartão de crédito chegou a 78,9%. Ao longo dos últimos 3 anos, o Banco Central mudou algumas regras para o pagamento do rotativo. É importante a obrigatoriedade das instituições financeiras negociarem as dívidas com taxas mais baixas. O cartão de crédito pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia e disciplina. Bom exemplo são os programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas e outros benefícios.

7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas mais caras - cartão de crédito e cheque especial - pelas que cobram menores taxas de juros, por um consignado. Financiamento imobiliário ou de automóvel, por exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os valores das prestações e dos financiamentos e até obter redução de prazos. Também pode ser utilizada na telefonia, com planos de saúde etc. Ao renegociar as dívidas cria-se novas e melhores condições de pagamento, mas fique atento para não aumentar o endividamento.

Pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros, em geral, sofrem menos estresse, menos ansiedade e menos depressão. Não compre por impulso, economize no dia a dia, inclusive com pequenas coisas, faça reserva financeira, evite pagar juros, não parcele compras e nunca despreze o poder dos pequenos valores.

Portanto, as pessoas que atingem a prosperidade financeira em geral são disciplinadas, têm objetivos claros, trabalham com metas realizáveis, fazem planejamento, não compram por impulso, usam o crédito com parcimônia, estão atentas as mudanças na economia e acompanham a rentabilidade dos principais ativos financeiros.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram ravregisvarao.