segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MERCADO CONTINUA DESESPERANÇADO
Régis Varão/¹

O Focus - Relatório de Mercado do Banco Central (BCB) divulgado hoje apresenta correções em poucas projeções do mercado para este ano e 2016. O Focus é uma publicação semanal disponibilizada às segundas-feiras no site do BCB. É realizada com cerca de 100 instituições bancárias e consultorias nacionais, abordando 15 variáveis. No entanto, a análise a seguir contempla 8 variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 23.10.15 corrigiu para 9,85% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,75% observada na semana anterior, e 9,46% apresentada há quatro semanas. Já a pesquisa de 24.10.14 manteve estável em 6,30% nas quatro últimas semanas a projeção do índice para 2015, ante 6,30% registrada há trinta dias. Para 2016, o Focus de 23.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,22%, valor observado nas últimas doze semanas, ante 6,12% apresentado na semana anterior, e 5,87% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 23.10.15 elevou a projeção do índice para 10,11% em 2015, ante 9,46% verificado no boletim anterior, e 8,26% há trinta dias. O Focus de 24.10.14 manteve em 5,52% a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% registrada há quatro semanas. Para 2016, o boletim divulgado hoje elevou a expectativa do índice para 6%, ante 5,89% da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 23.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, valor observado nas últimas três semanas, de R$/U$3,95 divulgado há quatro semanas. O Focus de 24.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para este ano, de R$/U$2,45 observada há um mês. Para 2016, o boletim desta semana elevou para R$/U$4,20 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,13 da semana anterior, e R$/U$4 da pesquisa divulgada há trinta dias. O valor da moeda norte-americana continua pressionando os índices de preços, dificultando a atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 23.10.15 manteve em 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, valor registrado nas últimas treze semanas. O boletim de 24.10.14 reduziu a projeção da taxa Selic para 11,50% a.a., de 11,88% a.a. divulgado na semana anterior, e de 11,38% a.a. observado há trinta dias. Já para 2016, o Focus divulgado hoje elevou a estimativa dos juros para 13% a.a., ante 12,75% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,50% a.a. há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 23.10.15 corrigiu para baixo, -3,02%, o declínio do PIB para 2015, décima quinta semana de correção negativa do indicador, ante -3% apresentado no Focus anterior, e -2,80% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 24.10.14 manteve a projeção de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,43%, ante -1,22% divulgado na semana anterior, e -1% estimado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à variação negativa de 6,55% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 24.10.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,42% naquele ano, ante +1,46% na pesquisa anterior, e +1,50% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 23.10.15 corrigiu para baixo o declínio da indústria (-1,50%), de -1% divulgado há sete dias, e -0,60% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 23.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$14 bilhões em 2015, ante U$13,20 bi registrados na semana anterior, e U$11 bi divulgados há trinta dias. Já o Focus de 24.10.14 diminuiu o superávit para U$7,21 bilhões para 2015, de U$7,65 bi observados na pesquisa anterior, e U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje elevou a estimativa do superávit da balança comercial para U$26,30 bilhões, ante U$25 bi observados há uma semana, e U$23,50 bilhões divulgados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 23.10.15 manteve a projeção de crescimento do IED em U$62,50 bilhões para 2015, enquanto o relatório de 24.10.14 manteve mesmo valor da pesquisa anterior, U$60 bilhões. A pesquisa Focus divulgada hoje manteve a estimativa do IED em U$60 bi para 2016, de U$63,30 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista quanto ao comportamento da economia brasileira para os próximos quinze meses. Elevação generalizada dos preços, aumento do endividamento das famílias, elevação do desemprego e redução do poder aquisitivo da população, tem ajudado a elevar o nível de insatisfação das famílias e dos empresários com o governo e com a classe política.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MERCADO DESESPERANÇADO
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana alterou a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção da taxa de câmbio, dos juros e da produção industrial neste ano, e da produção industrial, balança comercial e investimentos estrangeiros diretos para o próximo ano:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 16.10.15 corrigiu para 9,75% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,70% observada na semana anterior, e 9,34% apresentada há quatro semanas. A pesquisa de 17.10.14 manteve estável em 6,30% nas três últimas semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,28% registrada há trinta dias. Para 2016, o boletim de 16.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,12%, ante 6,05% apresentado na semana anterior, e 5,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 16.10.15 elevou a projeção do índice para 9,46% em 2015, ante 9,15% verificado no boletim anterior, e 8,25% há trinta dias. Já o Focus de 17.10.14 elevou para 5,52% a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% divulgado há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,89%, ante 5,86% da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 16.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, de R$/U$3,86 divulgado na pesquisa há quatro semanas. O boletim de 17.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana reduziu para R$/U$4,13 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,15 da semana anterior, e R$/U$4 do Focus divulgado há trinta dias. A moeda norte-americana continua pressionando os preços, o que pode dificultar a atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 16.10.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas onze semanas. O boletim de 17.10.14 manteve a projeção da taxa Selic em 11,88% a.a., de 11,25% a.a. divulgado há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta semana elevou a estimativa do indicador para 12,75% a.a., ante 12,63% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,25% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 16.10.15 corrigiu para baixo, -3%, o decréscimo do PIB para 2015, primeira pesquisa Focus a registrar esse nível de queda, ante -2,97% apresentado no Focus anterior, e -2,70% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 17.10.14 manteve a projeção de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,22%, ante -1,20% divulgado na semana anterior, e -0,80% estimado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à variação negativa de 6,45% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 17.10.14 elevou o crescimento da indústria para +1,46% naquele ano, ante +1,30% na pesquisa anterior, e +1,60% projetado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 16.10.15 manteve o decréscimo da indústria em -1%, de -0,20% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 16.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$13,20 bilhões em 2015, ante U$12,99 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgados há trinta dias. Já o boletim de 17.10.14 elevou o superávit para U$7,65 bilhões para 2015, de U$7,27 bi observados na pesquisa anterior, e U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve a projeção do superávit em U$25 bi, ante U$21,30 bilhões observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.10.15 elevou a expectativa de crescimento do IED para U$62,50 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 17.10.14 elevou para U$60 bilhões. A pesquisa desta semana manteve a estimativa do IED em U$60 bi para 2016, de U$63 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, o País continua paralisado a espera de uma solução a respeito da queda de braço entre executivo e legislativo. O mercado está mais pessimista, e o declínio da atividade econômica, o real depreciado frente ao dólar e os juros mantidos no atual patamar tem levado intranquilidade aos agentes econômicos. A elevação dos preços dos alimentos, dos combustíveis, das tarifas públicas, do endividamento e da perda do poder aquisitivo das famílias, tem contribuído fortemente para levar intranquilidade à população.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana corrigiu a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção de juros e câmbio para 2015 e IPC-Fipe para 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, trabalha quinze variáveis macroeconômicas e não reflete posição do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 9.10.15 corrigiu para 9,70% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,53% observada na semana anterior, e 9,28% divulgada há trinta dias. A pesquisa de 10.10.14 manteve estável em 6,30% nas duas últimas semanas, a projeção do índice para 2015, ante 6,29% há um mês. Já para 2016, o boletim divulgado ontem elevou a estimativa do IPCA para 6,05%, ante 5,94% apresentado na semana anterior, e 5,64% há quatro semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 9.10.15 elevou a projeção do índice para 9,15% em 2015, ante 8,42% verificado no boletim anterior, e 7,77% há quatro semanas. O Focus de 10.10.14 elevou a expectativa do IGP-DI para 5,52% em 2015, de 5,50% da pesquisa anterior, e 5,52% há trinta dias. Já para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,86%, ante 5,82% do boletim anterior, e 5,57% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 9.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, nas duas últimas semanas, de R$/U$3,70 divulgado há quatro semanas. O boletim de 10.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para o final deste ano, de R$/U$2,45 há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem elevou para R$/U$4,15 a estimativa da taxa de câmbio, de R$/U$4 da pesquisa anterior, e R$/U$3,80 há trinta dias;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 9.10.15 manteve em 14,25% a.a., pela décima primeira semana, a projeção dos juros para o final deste ano. O boletim de 10.10.14 manteve em 11,88% a.a. a projeção da taxa Selic em 2015, de 11,50% a.a. divulgado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana elevou a estimativa dos juros para 12,63% a.a., de 12,50% a.a. observado na semana anterior, e 12% a.a. divulgada há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 9.10.15 corrigiu para -2,97%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,85% apresentado no Focus anterior, e -2,55% há um mês, enquanto o boletim de 10.10.14 manteve a expectativa de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,04% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a variação negativa do PIB para -1,20%, de -1% da semana anterior, e -0,60 há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): a pesquisa divulgada nesta semana estima desempenho negativo de 7% para a atividade industrial em 2015, frente à variação negativa de 6,50% da semana anterior, e -6,20% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 10.10.14 reduziu a expectativa de crescimento da indústria para +1,30% naquele ano, ante +1,40% da pesquisa anterior e +1,50% há trinta dias. Para 2016, a pesquisa de 9.10.15 reduziu o crescimento da indústria para -1%, de -0,29% divulgado na semana anterior, e +0,50% há um mês;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 9.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$12,99 bilhões em 2015, de U$12 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgado há trinta dias. Já o boletim de 10.10.14 elevou o superávit para U$7,27 bilhões em 2015, de U$7,24 bi divulgados na pesquisa anterior, e U$9 bi há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana elevou a projeção do superávit para U$25 bi, de U$24 bilhões observados no boletim anterior, e U$20 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 9.10.15 reduziu a expectativa de crescimento do IED para U$61,50 bilhões em 2015, de U$64 bi da semana anterior e U$65 há quatro semanas, enquanto o relatório de 10.10.14 elevou para U$59,20 bilhões, ante U$57,70 bi observados nas três semanas anteriores. A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do IED para U$60 bi em 2016, de U$61 bilhões observados na semana anterior, e U$64,90 bi há quatro semanas.

Enquanto isso, o comércio vende menos, as vendas de veículos despencam, os preços dos combustíveis sobem, o dólar encarece, o desemprego continua em alta, o endividamento das famílias cresce e a população perde poder de compra.

Portanto, a situação da economia piora a cada dia, enquanto a política está sendo tratada para atender os interesses de políticos e do próprio governo, aumentando o pessimismo do mercado e a desconfiança da população quanto a uma solução no curto prazo.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

MERCADO CADA VEZ MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana alterou a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção dos juros para este ano, e câmbio, juros, Produto Interno Bruto (PIB) entre outros, para o próximo ano:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 2.10.15 corrigiu para 9,53% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,46% observada na semana anterior, e 9,29% divulgada há quatro semanas. A pesquisa de 3.10.14 manteve estável em 6,30% nas duas últimas semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,29% registrada há trinta dias. Para 2016, o boletim divulgado ontem elevou a estimativa do IPCA para 5,94%, ante 5,87% apresentado na semana anterior, e 5,58% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 2.10.15 elevou a projeção do índice para 8,42% em 2015, ante 8,26% verificado no boletim anterior, e 7,75% há trinta dias. Já o Focus de 3.10.14 manteve estável em 5,50% a expectativa para este ano, ante 5,52% divulgado há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do IGP-DI para 5,82%, ante 5,75% da pesquisa anterior, e 5,50% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 2.10.15 eleva a taxa de câmbio para R$/U$4 no final de 2015, pela primeira vez atinge esse patamar, de R$/U$3,95 divulgado no Focus anterior, e R$/U$3,60 há quatro semanas. O boletim de 3.10.14 corrige para R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado no Focus anterior, e R$/U$2,49 há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem manteve em R$/U$4,00 a estimativa do câmbio, nas duas últimas semanas, ante R$/U$3,70 da pesquisa divulgada há trinta dias. A moeda norte-americana continua pressionada, e nada indica uma reversão de expectativas para os próximos meses, enquanto perdurar o quadro de incertezas da economia brasileira;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 2.10.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas dez semanas. O boletim de 3.10.14 aumentou a projeção da taxa Selic para 11,88% a.a., de 11,38% a.a. divulgado na pesquisa anterior, e 11,63% a.a. verificada há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve a estimativa do mercado em 12,50% a.a., ante 12% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 2.10.15 corrigiu novamente para baixo, -2,85%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,85% apresentado no Focus anterior, e -2,44% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 3.10.14 reduziu a expectativa de crescimento do PIB para +1% em 2015, de +1,01% da semana anterior, e de +1,10% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana manteve a variação negativa do PIB em -1%, valor observado nas duas últimas semanas, ante -0,50% divulgado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima desempenho negativo de 6,50% para a atividade industrial em 2015, frente à variação negativa de 6,65% da semana anterior e -6% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 3.10.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,40% naquele ano, ante +1,50% na pesquisa anterior e igual valor há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 2.10.15 reduziu o crescimento da indústria para -0,29%, de -0,60% divulgado na semana anterior, e +0,72% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 2.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$12 bilhões em 2015, ante U$11 bi registrados na semana anterior, e frente a U$8,90 bi divulgado há trinta dias. Já o boletim de 3.10.14 reduziu o superávit para U$7,24 bilhões em 2015, de U$9 bi divulgados na pesquisa anterior, e U$8,50 bi há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus divulgado desta semana elevou a projeção do superávit para U$24 bi, ante U$23,50 bilhões observados no boletim anterior, e U$20 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 2.10.15 reduziu a expectativa de crescimento do IED para U$64 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 3.10.14 elevou para U$ 57,70 bilhões. A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do IED para U$61 bi em 2016, de U$62,30 bilhões observados na semana anterior, e U$63,95 bi há quatro semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista enquanto não forem aprovadas as medidas de ajustes fiscais no Congresso Nacional. Enquanto isso, a população se depara com aumentos de: combustíveis, taxa de câmbio, tarifas de energia elétrica, preços de bens e serviços, desemprego e endividamento das famílias.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 3 de outubro de 2015

SITUAÇÃO FINANCEIRA DO CONSUMIDOR PIORA EM SET/15
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 96,3 pontos em set/15, o segundo menor índice do ano, ante 98,9 observados no mês anterior e 109,2 em dez/14.

O INEC recuou 2,6% em setembro deste ano, revertendo o incremento verificado no período jul-ago/15. O valor apontado em set/15, 96,3 pontos, retorna ao patamar de jun/15 quando atingiu 96,2 pontos, por sua vez o menor índice desde jun/ 01. O índice de setembro deste ano é 12,2% menor que o registrado em set/14, e inferior 11,8% ao verificado em dezembro de 2014.

Todos os componentes do INEC - expectativa de inflação, expectativa de desemprego, expectativa de renda pessoal, situação financeira, endividamento e compras de bens de maior valor -, apresentaram declínio em set/15, tanto na comparação com o mês anterior, quanto com igual período de 2014.

Vamos destacar os índices relacionados diretamente às finanças dos entrevistados: expectativa de renda, endividamento e situação financeira.  

O índice de expectativa de renda pessoal apresenta a maior queda  set/15 (86,6 pontos), na comparação mensal (-6,4%), recuando para o menor valor da série histórica, enquanto na comparação com igual período de 2014 o indicador decresceu 21,4%. Comparando o valor observado em set/15 com dez/14 (109,7 pontos), o indicador registrou decréscimo de 21,1%. Esse cenário revela a preocupação dos entrevistados com a evolução de sua renda pessoal. Assim, quanto menor o índice, maior o percentual que espera que sua renda irá cair ou reduzir muito nos próximos seis meses.

Já o índice de endividamento recuou 1,8% e registra também o menor valor da série histórica. O índice revela aumento do endividamento entre agosto e set/15. Segundo o relatório da INEC-CNI, “quanto menor o índice, maior o percentual de entrevistados que afirmam que suas dívidas aumentaram ou aumentaram muito nos últimos três meses.” Ao comparar o índice de set/15 com o valor registrado em igual mês do ano anterior houve declínio de 12,4%, e frente à dez/14 decresceu 9%.

O índice de situação financeira recuou 3,7% em setembro de 2015 (84,1 pontos), ante o mês anterior, e registrou variação negativa de 23,1% nos últimos 12 meses. Já com relação à dez/14 (110,3 pontos), o valor de set/15 apresentou queda de 23,8%. De acordo com a CNI, “Quanto menor o índice, maior o percentual de entrevistados que afirmam que sua situação financeira piorou ou piorou muito nos últimos três meses.”

Cabe observar que entre os índices pesquisados, a expectativa de renda pessoal (-6,4%) e situação financeira (-3,7%) apresentaram as maiores variações negativas em setembro deste ano quando comparadas ao mês anterior, enquanto a situação financeira com decréscimo de 23,1% em set/15 registrou a maior redução quando comparada a igual período de 2014, seguido por expectativa de desemprego (-12,5%) e endividamento com -12,4%.

Portanto, os indicadores relacionados diretamente às finanças dos entrevistados apresentaram desempenho negativo tanto na comparação mensal quando na anual, o que reflete aumento da insatisfação dos entrevistados com a atual conjuntura econômica. Ver o Relatório Focus do Banco Central, de 25.9.15, que apresenta a evolução de importantes variáveis macroeconômicas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

INDÚSTRIA NACIONAL ATINGE OCIOSIDADE RECORDE
Régis Varão/¹

Os Indicadores Industriais (II) divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referentes a agosto deste ano, apresentam um cenário recessivo na atividade industrial na maioria dos indicadores mensurados.

O faturamento real da indústria (FI) embora tenha apresentado incremento de 0,7% no período jul-ago/15, consegui reverter pequena parte do desempenho negativo observado nos últimos meses. Mesmo com o desempenho positivo de agosto, o indicador ainda situa-se inferior 7,2% quando comparado a ago/14. Ao comparar o período jan-ago/15 com igual período de 2014, houve uma retração de 6,6% no FI.

Com relação às horas trabalhadas na indústria (HT), houve queda pelo sétimo mês consecutivo entre julho e ago/15. As HT declinaram 0,3% no período jul-ago/15, na série sem ajuste sazonal. Com a retração, o indicador encontra-se em nível 10,2% abaixo que o valor registrado em ago/14. Ao comparar o período jan-ago/15 com igual período do ano anterior, as horas trabalhadas na indústria apresentaram declínio de 9,2%.

Quanto à utilização da capacidade instalada (UCI), a indústria trabalhou em média com 77,9% da capacidade instalada em ago/15, na série dessazonalizada, ante 78,7% observado no mês anterior, e 81,2% verificado em agosto de 2014. Essa variação negativa de 0,8 p.p., no período jul-ago/15, pode ser considerada um indicativo de aparente estabilidade, embora a UCI continue caindo nos últimos meses, o que sugere ociosidade das instalações industriais.

Já com relação ao emprego na indústria, o setor continua reduzindo postos de trabalho, tendo em vista o cenário de contração da atividade econômica, conforme já observado nas pesquisas também divulgadas pelo IBGE. Ainda com relação aos dados divulgados pela CNI, o indicador dessazonalizado de emprego apresentou declínio de 1,1% em agosto deste ano frente ao mês anterior, registrando o sétimo mês de queda consecutiva. Com a variação negativa do emprego em ago/15, o indicador atual está 7,1% inferior ao verificado em agosto de 2014. Na comparar do período jan-ago/15 com mesmo período de 2014, nota-se retração de 5,2% no emprego na indústria.

Embora tenha sido verificado corte de postos de trabalho, houve elevação da massa salarial real (+0,3%) e do rendimento médio real (+1,1%), na mesma base de comparação. Segundo o relatório da CNI, “Embora positivos, esses dois últimos resultados não sugerem melhora no mercado de trabalho industrial e devem estar associados ao crescimento dos gastos com as demissões (recisões contratuais).” Já na comparação anual, a massa salarial está 7,2% menor que o verificado em ago/14, enquanto decresceu 5% no período jan-ago/15 quando comparado a igual período de 2014. Com relação ao rendimento médio real, o resultado de ago/15, deve estar associado ao crescimento dos gastos realizados pelas empresas nas rescisões contratuais de trabalho. Embora tenha subido em agosto deste ano, o indicador está 0,2% abaixo do apurado em ago/14.

Portanto, o quadro recessivo por que passa a economia brasileira tem refletido negativamente nos indicadores da atividade industrial, conforme divulgado pela CNI. Esse cenário desanimador (Relatório Focus), com atividade econômica em declínio, tem impactado negativamente o faturamento real do setor, a utilização da capacidade instalada, a manutenção dos postos de trabalho e as horas trabalhadas na indústria, não havendo, no curto prazo, possibilidade de reversão desse quadro nos próximos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.