terça-feira, 6 de outubro de 2015

MERCADO CADA VEZ MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana alterou a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção dos juros para este ano, e câmbio, juros, Produto Interno Bruto (PIB) entre outros, para o próximo ano:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 2.10.15 corrigiu para 9,53% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,46% observada na semana anterior, e 9,29% divulgada há quatro semanas. A pesquisa de 3.10.14 manteve estável em 6,30% nas duas últimas semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,29% registrada há trinta dias. Para 2016, o boletim divulgado ontem elevou a estimativa do IPCA para 5,94%, ante 5,87% apresentado na semana anterior, e 5,58% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 2.10.15 elevou a projeção do índice para 8,42% em 2015, ante 8,26% verificado no boletim anterior, e 7,75% há trinta dias. Já o Focus de 3.10.14 manteve estável em 5,50% a expectativa para este ano, ante 5,52% divulgado há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do IGP-DI para 5,82%, ante 5,75% da pesquisa anterior, e 5,50% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 2.10.15 eleva a taxa de câmbio para R$/U$4 no final de 2015, pela primeira vez atinge esse patamar, de R$/U$3,95 divulgado no Focus anterior, e R$/U$3,60 há quatro semanas. O boletim de 3.10.14 corrige para R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado no Focus anterior, e R$/U$2,49 há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem manteve em R$/U$4,00 a estimativa do câmbio, nas duas últimas semanas, ante R$/U$3,70 da pesquisa divulgada há trinta dias. A moeda norte-americana continua pressionada, e nada indica uma reversão de expectativas para os próximos meses, enquanto perdurar o quadro de incertezas da economia brasileira;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 2.10.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas dez semanas. O boletim de 3.10.14 aumentou a projeção da taxa Selic para 11,88% a.a., de 11,38% a.a. divulgado na pesquisa anterior, e 11,63% a.a. verificada há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve a estimativa do mercado em 12,50% a.a., ante 12% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 2.10.15 corrigiu novamente para baixo, -2,85%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,85% apresentado no Focus anterior, e -2,44% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 3.10.14 reduziu a expectativa de crescimento do PIB para +1% em 2015, de +1,01% da semana anterior, e de +1,10% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana manteve a variação negativa do PIB em -1%, valor observado nas duas últimas semanas, ante -0,50% divulgado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima desempenho negativo de 6,50% para a atividade industrial em 2015, frente à variação negativa de 6,65% da semana anterior e -6% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 3.10.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,40% naquele ano, ante +1,50% na pesquisa anterior e igual valor há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 2.10.15 reduziu o crescimento da indústria para -0,29%, de -0,60% divulgado na semana anterior, e +0,72% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 2.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$12 bilhões em 2015, ante U$11 bi registrados na semana anterior, e frente a U$8,90 bi divulgado há trinta dias. Já o boletim de 3.10.14 reduziu o superávit para U$7,24 bilhões em 2015, de U$9 bi divulgados na pesquisa anterior, e U$8,50 bi há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus divulgado desta semana elevou a projeção do superávit para U$24 bi, ante U$23,50 bilhões observados no boletim anterior, e U$20 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 2.10.15 reduziu a expectativa de crescimento do IED para U$64 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 3.10.14 elevou para U$ 57,70 bilhões. A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do IED para U$61 bi em 2016, de U$62,30 bilhões observados na semana anterior, e U$63,95 bi há quatro semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista enquanto não forem aprovadas as medidas de ajustes fiscais no Congresso Nacional. Enquanto isso, a população se depara com aumentos de: combustíveis, taxa de câmbio, tarifas de energia elétrica, preços de bens e serviços, desemprego e endividamento das famílias.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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