MERCADO CADA VEZ
MAIS PESSIMISTA
Régis
Varão/¹
O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta
semana alterou a maioria das projeções do mercado em
relação à semana anterior, com exceção dos juros para este ano, e câmbio, juros, Produto Interno
Bruto (PIB) entre outros, para o próximo ano:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 2.10.15 corrigiu para 9,53% a estimativa do IPCA
para 2015, ante 9,46% observada na semana anterior, e 9,29% divulgada há quatro
semanas. A pesquisa de 3.10.14 manteve estável em 6,30% nas duas últimas
semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,29% registrada há trinta
dias. Para 2016, o boletim divulgado ontem elevou a estimativa do IPCA para 5,94%,
ante 5,87% apresentado na semana anterior, e 5,58% há um mês;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 2.10.15 elevou a projeção do índice para 8,42% em 2015, ante 8,26% verificado no
boletim anterior, e 7,75% há trinta dias. Já o Focus de 3.10.14 manteve
estável em 5,50% a expectativa para este ano, ante 5,52% divulgado há quatro
semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do IGP-DI para 5,82%,
ante 5,75% da pesquisa anterior, e 5,50% divulgado há um mês;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
2.10.15 eleva a
taxa de câmbio para R$/U$4 no final de 2015, pela primeira vez atinge esse patamar,
de R$/U$3,95 divulgado no Focus anterior, e R$/U$3,60 há quatro semanas. O
boletim de 3.10.14 corrige
para R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado no Focus
anterior, e R$/U$2,49 há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem manteve
em R$/U$4,00 a estimativa do câmbio, nas duas últimas semanas, ante R$/U$3,70 da
pesquisa divulgada há trinta dias. A moeda norte-americana continua
pressionada, e nada indica uma reversão de expectativas para os próximos meses,
enquanto perdurar o quadro de incertezas da economia brasileira;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório
Focus de 2.10.15 manteve em 14,25%
a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas dez
semanas. O boletim de 3.10.14 aumentou a projeção
da taxa Selic para 11,88% a.a., de 11,38% a.a. divulgado na pesquisa anterior,
e 11,63% a.a. verificada há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta
semana manteve a estimativa do mercado em 12,50% a.a., ante 12% a.a. observado há
quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 2.10.15 corrigiu
novamente para baixo, -2,85%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,85% apresentado
no Focus anterior, e -2,44% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 3.10.14 reduziu a expectativa
de crescimento do PIB para +1% em 2015, de +1,01% da semana anterior, e de
+1,10% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana manteve a variação
negativa do PIB em -1%, valor observado nas duas últimas semanas, ante -0,50% divulgado
há trinta dias;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana estima desempenho negativo de 6,50% para a atividade industrial em 2015,
frente à variação negativa de 6,65% da semana anterior e -6% observado há
trinta dias, enquanto a pesquisa de 3.10.14 reduziu o
crescimento da indústria para +1,40% naquele ano, ante +1,50% na pesquisa anterior
e igual valor há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 2.10.15 reduziu o crescimento
da indústria para -0,29%, de -0,60% divulgado na semana anterior, e +0,72% há trinta
dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
2.10.15 aumentou a
estimativa do superávit da balança comercial para U$12 bilhões em 2015, ante U$11
bi registrados na semana anterior, e frente a U$8,90 bi divulgado há trinta
dias. Já o boletim de 3.10.14 reduziu o superávit
para U$7,24 bilhões em 2015, de U$9 bi divulgados na pesquisa anterior, e
U$8,50 bi há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus divulgado desta semana
elevou a projeção do superávit para U$24 bi, ante U$23,50 bilhões observados no
boletim anterior, e U$20 bi há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 2.10.15 reduziu a expectativa
de crescimento do IED para U$64 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 3.10.14
elevou para U$ 57,70 bilhões. A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do
IED para U$61 bi em 2016, de U$62,30 bilhões observados na semana anterior, e
U$63,95 bi há quatro semanas.
Portanto, o mercado continua pessimista enquanto
não forem aprovadas as medidas de ajustes fiscais no Congresso Nacional. Enquanto
isso, a população se depara com aumentos de: combustíveis, taxa de câmbio, tarifas
de energia elétrica, preços de bens e serviços, desemprego e endividamento das
famílias.
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