MERCADO DESESPERANÇADO
Régis
Varão/¹
O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta
semana alterou a maioria das projeções do mercado em
relação à semana anterior, com exceção da taxa de câmbio, dos juros e da produção industrial neste
ano, e da produção industrial, balança comercial e investimentos estrangeiros
diretos para o próximo ano:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 16.10.15 corrigiu para 9,75% a estimativa do IPCA
para 2015, ante 9,70% observada na semana anterior, e 9,34% apresentada há quatro
semanas. A pesquisa de 17.10.14 manteve estável em 6,30% nas três últimas
semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,28% registrada há trinta
dias. Para 2016, o boletim de 16.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,12%, ante
6,05% apresentado na semana anterior, e 5,70% há um mês;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 16.10.15 elevou a projeção do índice para 9,46% em 2015, ante 9,15% verificado no
boletim anterior, e 8,25% há trinta dias. Já o Focus de 17.10.14 elevou para 5,52%
a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% divulgado há quatro semanas. Para
2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,89%, ante 5,86%
da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há um mês;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
16.10.15 manteve a
taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, de R$/U$3,86 divulgado na
pesquisa há quatro semanas. O boletim de 17.10.14 manteve em R$/U$2,50
a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado há um mês. Para 2016, o
boletim desta semana reduziu para R$/U$4,13 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,15
da semana anterior, e R$/U$4 do Focus divulgado há trinta dias. A moeda
norte-americana continua pressionando os preços, o que pode dificultar a
atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório
Focus de 16.10.15 manteve em 14,25%
a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas onze
semanas. O boletim de 17.10.14 manteve a projeção
da taxa Selic em 11,88% a.a., de 11,25% a.a. divulgado há trinta dias. Para o
próximo ano, o Focus desta semana elevou a estimativa do indicador para 12,75%
a.a., ante 12,63% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,25% a.a. verificado
há quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 16.10.15 corrigiu para
baixo, -3%, o decréscimo do PIB para 2015, primeira pesquisa Focus a registrar
esse nível de queda, ante -2,97% apresentado no Focus anterior, e -2,70% divulgado
há um mês, enquanto o boletim de 17.10.14 manteve a projeção
de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com
relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,22%, ante -1,20% divulgado
na semana anterior, e -0,80% estimado há trinta dias;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à
variação negativa de 6,45% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 17.10.14 elevou o
crescimento da indústria para +1,46% naquele ano, ante +1,30% na pesquisa
anterior, e +1,60% projetado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 16.10.15 manteve o decréscimo
da indústria em -1%, de -0,20% divulgado há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
16.10.15 aumentou a
estimativa do superávit da balança comercial para U$13,20 bilhões em 2015, ante
U$12,99 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgados há trinta dias.
Já o boletim de 17.10.14 elevou o superávit
para U$7,65 bilhões para 2015, de U$7,27 bi observados na pesquisa anterior, e
U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve
a projeção do superávit em U$25 bi, ante U$21,30 bilhões observados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.10.15 elevou a expectativa
de crescimento do IED para U$62,50 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 17.10.14
elevou para U$60 bilhões. A pesquisa desta semana manteve a estimativa do IED em
U$60 bi para 2016, de U$63 bilhões observados há quatro semanas.
Portanto, o País continua paralisado a espera de
uma solução a respeito da queda de braço entre executivo e legislativo. O mercado
está mais pessimista, e o declínio da atividade econômica, o real depreciado
frente ao dólar e os juros mantidos no atual patamar tem levado intranquilidade
aos agentes econômicos. A elevação dos preços dos alimentos, dos combustíveis, das
tarifas públicas, do endividamento e da perda do poder aquisitivo das famílias,
tem contribuído fortemente para levar intranquilidade à população.
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