quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MERCADO DESESPERANÇADO
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana alterou a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção da taxa de câmbio, dos juros e da produção industrial neste ano, e da produção industrial, balança comercial e investimentos estrangeiros diretos para o próximo ano:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 16.10.15 corrigiu para 9,75% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,70% observada na semana anterior, e 9,34% apresentada há quatro semanas. A pesquisa de 17.10.14 manteve estável em 6,30% nas três últimas semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,28% registrada há trinta dias. Para 2016, o boletim de 16.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,12%, ante 6,05% apresentado na semana anterior, e 5,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 16.10.15 elevou a projeção do índice para 9,46% em 2015, ante 9,15% verificado no boletim anterior, e 8,25% há trinta dias. Já o Focus de 17.10.14 elevou para 5,52% a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% divulgado há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,89%, ante 5,86% da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 16.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, de R$/U$3,86 divulgado na pesquisa há quatro semanas. O boletim de 17.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana reduziu para R$/U$4,13 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,15 da semana anterior, e R$/U$4 do Focus divulgado há trinta dias. A moeda norte-americana continua pressionando os preços, o que pode dificultar a atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 16.10.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas onze semanas. O boletim de 17.10.14 manteve a projeção da taxa Selic em 11,88% a.a., de 11,25% a.a. divulgado há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta semana elevou a estimativa do indicador para 12,75% a.a., ante 12,63% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,25% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 16.10.15 corrigiu para baixo, -3%, o decréscimo do PIB para 2015, primeira pesquisa Focus a registrar esse nível de queda, ante -2,97% apresentado no Focus anterior, e -2,70% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 17.10.14 manteve a projeção de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,22%, ante -1,20% divulgado na semana anterior, e -0,80% estimado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à variação negativa de 6,45% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 17.10.14 elevou o crescimento da indústria para +1,46% naquele ano, ante +1,30% na pesquisa anterior, e +1,60% projetado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 16.10.15 manteve o decréscimo da indústria em -1%, de -0,20% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 16.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$13,20 bilhões em 2015, ante U$12,99 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgados há trinta dias. Já o boletim de 17.10.14 elevou o superávit para U$7,65 bilhões para 2015, de U$7,27 bi observados na pesquisa anterior, e U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve a projeção do superávit em U$25 bi, ante U$21,30 bilhões observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.10.15 elevou a expectativa de crescimento do IED para U$62,50 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 17.10.14 elevou para U$60 bilhões. A pesquisa desta semana manteve a estimativa do IED em U$60 bi para 2016, de U$63 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, o País continua paralisado a espera de uma solução a respeito da queda de braço entre executivo e legislativo. O mercado está mais pessimista, e o declínio da atividade econômica, o real depreciado frente ao dólar e os juros mantidos no atual patamar tem levado intranquilidade aos agentes econômicos. A elevação dos preços dos alimentos, dos combustíveis, das tarifas públicas, do endividamento e da perda do poder aquisitivo das famílias, tem contribuído fortemente para levar intranquilidade à população.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário