INDÚSTRIA NACIONAL ATINGE
OCIOSIDADE RECORDE
Régis
Varão/¹
Os Indicadores Industriais (II) divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referentes a agosto deste ano, apresentam um
cenário recessivo na atividade industrial na maioria dos indicadores mensurados.
O faturamento real da indústria (FI) embora tenha
apresentado incremento de 0,7% no período jul-ago/15, consegui reverter pequena
parte do desempenho negativo observado nos últimos meses. Mesmo com o
desempenho positivo de agosto, o indicador ainda situa-se inferior 7,2% quando
comparado a ago/14. Ao comparar o período jan-ago/15 com igual período de 2014,
houve uma retração de 6,6% no FI.
Com relação às horas trabalhadas na indústria (HT),
houve queda pelo sétimo mês consecutivo entre julho e ago/15. As HT declinaram
0,3% no período jul-ago/15, na série sem ajuste sazonal. Com a retração, o
indicador encontra-se em nível 10,2% abaixo que o valor registrado em ago/14. Ao
comparar o período jan-ago/15 com igual período do ano anterior, as horas
trabalhadas na indústria apresentaram declínio de 9,2%.
Quanto à utilização da capacidade instalada (UCI), a
indústria trabalhou em média com 77,9% da capacidade instalada em ago/15, na
série dessazonalizada, ante 78,7% observado no mês anterior, e 81,2% verificado
em agosto de 2014. Essa variação negativa de 0,8 p.p., no período jul-ago/15, pode
ser considerada um indicativo de aparente estabilidade, embora a UCI continue caindo
nos últimos meses, o que sugere ociosidade das instalações industriais.
Já com relação ao emprego na indústria, o setor
continua reduzindo postos de trabalho, tendo em vista o cenário de contração da
atividade econômica, conforme já observado nas pesquisas também divulgadas pelo
IBGE.
Ainda com relação aos dados divulgados pela CNI, o indicador dessazonalizado de
emprego apresentou declínio de 1,1% em agosto deste ano frente ao mês anterior,
registrando o sétimo mês de queda consecutiva. Com a variação negativa do emprego
em ago/15, o indicador atual está 7,1% inferior ao verificado em agosto de
2014. Na comparar do período jan-ago/15 com mesmo período de 2014, nota-se
retração de 5,2% no emprego na indústria.
Embora tenha sido verificado corte de postos de
trabalho, houve elevação da massa salarial real (+0,3%) e do rendimento médio
real (+1,1%), na mesma base de comparação. Segundo o relatório da CNI, “Embora
positivos, esses dois últimos resultados não sugerem melhora no mercado de
trabalho industrial e devem estar associados ao crescimento dos gastos com as
demissões (recisões contratuais).” Já na comparação anual, a massa salarial
está 7,2% menor que o verificado em ago/14, enquanto decresceu 5% no período
jan-ago/15 quando comparado a igual período de 2014. Com relação ao rendimento
médio real, o resultado de ago/15, deve estar associado ao crescimento dos
gastos realizados pelas empresas nas rescisões contratuais de trabalho. Embora
tenha subido em agosto deste ano, o indicador está 0,2% abaixo do apurado em
ago/14.
Portanto, o quadro recessivo por que passa a
economia brasileira tem refletido negativamente nos indicadores da atividade industrial,
conforme divulgado pela CNI. Esse cenário desanimador (Relatório
Focus), com atividade econômica em declínio, tem impactado negativamente
o faturamento real do setor, a utilização da capacidade instalada, a manutenção
dos postos de trabalho e as horas trabalhadas na indústria, não havendo, no
curto prazo, possibilidade de reversão desse quadro nos próximos meses.
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