quinta-feira, 1 de outubro de 2015

INDÚSTRIA NACIONAL ATINGE OCIOSIDADE RECORDE
Régis Varão/¹

Os Indicadores Industriais (II) divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referentes a agosto deste ano, apresentam um cenário recessivo na atividade industrial na maioria dos indicadores mensurados.

O faturamento real da indústria (FI) embora tenha apresentado incremento de 0,7% no período jul-ago/15, consegui reverter pequena parte do desempenho negativo observado nos últimos meses. Mesmo com o desempenho positivo de agosto, o indicador ainda situa-se inferior 7,2% quando comparado a ago/14. Ao comparar o período jan-ago/15 com igual período de 2014, houve uma retração de 6,6% no FI.

Com relação às horas trabalhadas na indústria (HT), houve queda pelo sétimo mês consecutivo entre julho e ago/15. As HT declinaram 0,3% no período jul-ago/15, na série sem ajuste sazonal. Com a retração, o indicador encontra-se em nível 10,2% abaixo que o valor registrado em ago/14. Ao comparar o período jan-ago/15 com igual período do ano anterior, as horas trabalhadas na indústria apresentaram declínio de 9,2%.

Quanto à utilização da capacidade instalada (UCI), a indústria trabalhou em média com 77,9% da capacidade instalada em ago/15, na série dessazonalizada, ante 78,7% observado no mês anterior, e 81,2% verificado em agosto de 2014. Essa variação negativa de 0,8 p.p., no período jul-ago/15, pode ser considerada um indicativo de aparente estabilidade, embora a UCI continue caindo nos últimos meses, o que sugere ociosidade das instalações industriais.

Já com relação ao emprego na indústria, o setor continua reduzindo postos de trabalho, tendo em vista o cenário de contração da atividade econômica, conforme já observado nas pesquisas também divulgadas pelo IBGE. Ainda com relação aos dados divulgados pela CNI, o indicador dessazonalizado de emprego apresentou declínio de 1,1% em agosto deste ano frente ao mês anterior, registrando o sétimo mês de queda consecutiva. Com a variação negativa do emprego em ago/15, o indicador atual está 7,1% inferior ao verificado em agosto de 2014. Na comparar do período jan-ago/15 com mesmo período de 2014, nota-se retração de 5,2% no emprego na indústria.

Embora tenha sido verificado corte de postos de trabalho, houve elevação da massa salarial real (+0,3%) e do rendimento médio real (+1,1%), na mesma base de comparação. Segundo o relatório da CNI, “Embora positivos, esses dois últimos resultados não sugerem melhora no mercado de trabalho industrial e devem estar associados ao crescimento dos gastos com as demissões (recisões contratuais).” Já na comparação anual, a massa salarial está 7,2% menor que o verificado em ago/14, enquanto decresceu 5% no período jan-ago/15 quando comparado a igual período de 2014. Com relação ao rendimento médio real, o resultado de ago/15, deve estar associado ao crescimento dos gastos realizados pelas empresas nas rescisões contratuais de trabalho. Embora tenha subido em agosto deste ano, o indicador está 0,2% abaixo do apurado em ago/14.

Portanto, o quadro recessivo por que passa a economia brasileira tem refletido negativamente nos indicadores da atividade industrial, conforme divulgado pela CNI. Esse cenário desanimador (Relatório Focus), com atividade econômica em declínio, tem impactado negativamente o faturamento real do setor, a utilização da capacidade instalada, a manutenção dos postos de trabalho e as horas trabalhadas na indústria, não havendo, no curto prazo, possibilidade de reversão desse quadro nos próximos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário