domingo, 1 de novembro de 2015

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro diminuiu em outubro deste ano ante o mês anterior, mas apresentou alta na comparação com igual período de 2014, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com cerca de 18 mil consumidores, em todas as capitais do País mais o Distrito Federal.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou estável no período set-out/15, após sete meses consecutivos de elevação. Por outro lado, o percentual que relatou sem condições de pagar suas contas em atraso declinou na análise mensal, enquanto na comparação anual houve alta nos dois indicadores de inadimplência.

O percentual de famílias endividadas caiu de 63,5% em set/15 para 62,1% no mês seguinte, decréscimo de 1,4 p.p. Já na comparação anual, o indicador de out/15 apresentou elevação de 1,9 p.p. quando comparada a out/14. Após sete meses de alta, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso ficou estável em 23,1% nos meses de set/15 e outubro, respectivamente, embora na comparação anual tenha apresentado elevação de 5,3 p.p. entre out/14 (17,8%) e outubro deste ano.

Com relação às famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas, e que permaneceram inadimplentes, houve pequena queda na comparação mensal, passando de 8.6% em set/15 para 8,5% no mês seguinte. Na comparação anual, o indicador de out/15 apresentou elevação de 3,1 p.p. quando comparado a out/14 com 5,4%.

Segundo o relatório da CNC, a redução do número de famílias endividadas em outubro deste ano, ante set/15 foi observada em ambas as faixas de renda - até 10 Salários Mínimos (SM) e acima de 10 SM. Na comparação anual, ambas as faixas registraram elevação. Entre as famílias com até 10 SM, o percentual do endividamento chegou a 63,8% em out/15, ante 65,1% em set/15 e 61,9% em out/14. Para as famílias com renda acima de 10 SM, o percentual de endividamento caiu de 55,6%, em set/15, para 54,1% em out/15. Em out/14 o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era de 52,4%.

O indicador de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências diversas entre os dois grupos de renda. Na análise mensal, houve alta do índice na faixa >10 SM, enquanto na faixa <10 SM houve declínio. Na variação anual observou-se incremento nas duas faixas de renda. No grupo <10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 26,1%, em set/15, para 26,0% em out/15, e em out/14, 19,7% das famílias nessa faixa de renda declararam ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu aproximadamente 11% em out/15, ante 10,2% em set/15 e 9,4% em out/14.

Com relação às famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso também mostrou comportamento distinto nas duas faixas de renda na análise mensal. Na faixa >10 SM o indicador alcançou 2,8% em out/15, ante 2,7% no mês anterior e 2,5% em out/14. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos recuou de 10,2%, em set/15, para 10,1% em out/15, enquanto em relação à out/14 subiu 4 p.p.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas ficou estável em 13,9% no período set-out/15, ante 11% observado em out/14, com alta de 2,9 p.p. na variação anual. Entre as famílias que se declararam mais ou menos endividadas houve queda entre set/15 (24,2%) e out/15 com 22,6%, enquanto na comparação com out/14 (23%), declínio de 0,4 p.p. Já com relação a proporção de famílias com pouco endividamento passou de 25,3% em set/15 para 25,6% no mês seguinte, tendo na variação anual (26,3% em out/14) apresentado decréscimo de 0,7 p.p.

Quanto ao endividamento das famílias com o cartão de crédito, que há muitos meses é apontado como o principal tipo de dívida das famílias brasileiras pesquisadas pela CNC, atingiu 78,5% em outubro de 2015, enquanto estava em 74,7% em out/14, alta de 3,8 p.p. em doze meses. O segundo tipo de dívida mais preferido pelas famílias são os carnês de lojas com 16,6%, seguido por financiamento de carro (13,4%), crédito pessoal com 9,2%, financiamento de casa (8,4%), cheque especial com 6,3%, crédito consignado (5,1%), outras dívidas com 2,8% e cheque pré-datado (1,6%).

Com relação ao endividamento por faixa de renda mensal temos: endividamento com cartão de crédito, 79,6% na faixa de renda de até 10 SM e 73,7% acima de 10 SM; carnês de loja, 18,1% na faixa de renda até 10 SM e 9,9% acima de 10 SM; financiamento de carro, 10,8% e 25,9% naquela base de comparação; crédito pessoal, 9,1% e 9,7%, respectivamente para famílias com renda inferior a 10 SM e acima desse valor; e financiamento de casa, o quinto tipo mais procurado, 6,6% e 17% para famílias até 10 SM e acima de 10 SM, respectivamente.

Portanto, inflação em alta, juros elevados, aumento do desemprego, escassez de crédito e falta de conhecimentos básicos de finanças pessoais têm pressionado negativamente as expectativas do mercado e o desempenho dos indicadores de inadimplência, sem a possibilidade de uma solução favorável no curto prazo.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CONSUMIDOR CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, atingiu 75,7 pontos em outubro deste ano, o menor valor da série histórica pelo quarto mês consecutivo, registrando declínio de 0,8% sobre o mês anterior (76,3 pontos).

Na comparação com igual período de 2014, quando atingiu 101,5 pontos, o ICC de out/15 apresentou forte retração (-25,4%). Com relação à dez/14, quando atingiu 96,2 pontos, o índice de out/15 registrou queda de 21,3%, o maior declínio observado ao longo do ano. Nos últimos cinco anos, o ICC atingiu o valor médio de 109,4 pontos, enquanto nos dez primeiros meses de 2015 a média ficou em 82,7 pontos. O índice verificado em out/15 ficou 30,8% abaixo da média dos últimos cinco anos e apresentou declínio de 8,5% com relação à média de 2015.

De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV, “A falta de sinalizações positivas no front  econômico associada às incertezas políticas mantêm a confiança no mínimo histórico. Os consumidores continuam bastante insatisfeitos com o presente e pessimistas em relação ao futuro. Houve estabilidade do índice que mede as expectativas mas, após recuo de 5,4% no mês anterior, este movimento é ainda insuficiente para sugerir a possibilidade de uma mudança de tendência.”

Em out/15, o Índice da Situação Atual (ISA) atingiu 65,7 pontos, ante 67,1 pontos observados no mês anterior, uma queda de 2,1% no período. Quando comparado ao índice registrado em out/14 (101,8 pontos), a queda foi mais forte (-35,8%).

Já o Índice de Expectativas (IE) manteve-se estável no menor nível da série com 81,1 pontos em setembro e out/15, respectivamente. Na comparação anual, o IE caiu de 101,6 pontos em out/14 para 81,1 pontos em out/15, apresentando decréscimo de 20,2%.

Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumido, o item que afere o grau de satisfação com a situação econômica foi o que mais pressionou para o declínio do ICC em out/15. Em outubro deste ano, apenas 2,7% dos consumidores avaliam a situação econômica local como boa, enquanto 86,3% a consideram ruim.

Com relação aos meses futuros, houve aumento de 1,3% do indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis. Essa melhora não é suficiente para indicar uma nova tendência para o indicador que, com 63,6 pontos mantém-se próximo ao mínimo histórico de 62,8 pontos registrado em set/15. Por outro lado, a parcela dos consumidores que desejam comprar mais nos próximos seis meses caiu de 9,3% para 8,9% (-0,4 p.p.), enquanto dos que projetam compras menores saiu de 46,5% para 45,3% (-1,2 p.p.).

Ao analisar o Índice de Confiança do Consumidor por faixa de renda temos: queda de 2,9% em set/15 entre consumidores que recebem até R$2.100,00 por mês, enquanto no mês seguinte subiu 0,1%; na faixa de renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00, caiu 8,4% em set/15 e subiu 2,8% em out/15; consumidores com renda entre R$4.800,01 e R$9.600,00, decresceu 1% e 1,3%, respectivamente em set/15 e outubro; e na faixa de renda acima de R$9.600,00 foi observado declínio de 7,4% em set/15 e 2,9% em out/15.

De acordo com o relatório do IBRE-FGV, ao analisar o resultado por faixas de renda, nota-se um crescimento de 2,8% na confiança dos consumidores com renda familiar mensal entre R$2.100,01 e R$4.800,00, o segmento que registrou o maior decréscimo no mês anterior (-8,4%). No outro extremo, nova queda (2,9%) da confiança dos consumidores de renda mais elevada, acima de R$9.600,00, após recuar 7,4% no mês anterior.

Portanto, ao longo dos últimos catorze meses o ICC, o ISA e o IE têm apresentado resultados negativos, com piora nas expectativas quanto ao comportamento da economia, refletindo a falta de perspectivas positivas para os próximos seis meses. O comportamento desses indicadores apresenta resultados semelhantes a outros índices que medem o comportamento dos consumidores, reforçando a expectativa do mercado de um cenário desanimador para os próximos meses, o que pode ser visto no Relatório Focus do Banco Central divulgado toda semana.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

DESEMPREGO ESTÁVEL EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego-PME de setembro deste ano, divulgada na semana anterior pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, o número de pessoas com idade igual ou acima de 10 anos (idade ativa), para o grupo das seis regiões metropolitanas brasileiras, foi estimado em 43,9 milhões, não apresentando variação quando comparada a mês anterior. Já com relação à set/14, houve elevação de 1%.

A população economicamente ativa (PEA) foi estimada em set/15, para as seis regiões pesquisadas - Porto Alegre (PA); São Paulo (SP); Rio de Janeiro (RJ); Belo Horizonte (BH); Salvador e Recife -, em 24,5 milhões de pessoas, ficando estável ante o mês anterior e à set/14.

O total de ocupados foi estimado em 22,7 milhões para as seis regiões metropolitanas em set/15, refletindo estabilidade na variação mensal. Quando comparada com set/14, esse contingente registrou queda de 1,8%, menos 420 mil pessoas.

O nível da ocupação foi estimado em set/15 em 51,7% para o total das seis regiões pesquisadas. Na comparação com set/14 foi registrada decréscimo de 1,5 p.p. Com relação à análise regional, na variação mensal, foi registrada queda em BH, -0,9 p.p. e estabilidade nas demais regiões. Com relação a set/14, houve retração em quatro regiões: Salvador (-3,1 p.p.); BH (2,1 p.p.); SP (-1,7 p.p.) e PA (-1,3 p.p.), enquanto em Recife e RJ não apresentou variação significativa.

Com relação ao número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em setembro deste ano, a estimativa ficou em 11,3 milhões no agregado das seis regiões analisadas. Este resultado não apresentou variação na comparação mensal. Já com relação a igual período de setembro do ano passado houve redução de 409 mil pessoas com carteira assinada (-3,5%). Na comparação mensal, em termos regionais, houve estabilidade em todas as regiões analisadas. Ante set/14 as metropolitanas de BH com -5,6% e SP com -3,5% registraram queda.

O total estimado de desocupados, em set/15, foi de 1,9 milhão de pessoas no total das regiões pesquisadas, não apresentando variação com relação a agosto. Na comparação com set/14, ocorreu acréscimo de 56,6% (+ 670 mil pessoas procurando trabalho). Na análise regional o contingente de desocupados em relação a ago/15, cresceu 25,7% no RJ, caiu 10,4% em SP e ficou estável nas demais regiões. Na comparação com set/14, a desocupação aumentou em todas as regiões, sendo o maior aumento no RJ (86,5%) e o menor em Salvador (25,1%).

A taxa de desocupação foi estimada em set/15, para as seis metropolitanas pesquisadas, em 7,6%, mesmo resultado de ago/15. Com relação a set/14 a taxa registrou incremento de 2,7 p.p., passou de 4,9% para 7,6%.

A variação mensal mostrou que a taxa de desocupação no RJ frente a ago/15, aumentou de 5,1% para 6,3% e em SP caiu de 8,1% para 7,3%, enquanto nas outras regiões ficou estável. Com relação à set/14 houve variações representativas em todas as regiões: em Recife, passou de 6,7% para 10,4 (+3,7 p.p.); no RJ, de 3,4% para 6,3% (+2,9 p.p.); em SP, de 4,5% para 7,3% (+2,8 p.p.); em Salvador, de 10,3% para 13,0% (+2,7 p.p.); em BH, de 3,8% para 5,9% (+2,1 p.p.); e em PA, de 4,9% para 6,3% (+1,4 p.p.).

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado para as seis regiões, em R$ 2.179,80, para set/15. O resultado ficou 0,8% menor que o observado em agosto (2.196,54) e 4,3% abaixo do verificado em set/14 (R$ 2.278,58). Em termos regionais, em relação à ago/15, o rendimento subiu em BH (5,7%); em Recife (1,9%) e em SP (0,8%).  Caiu no RJ (-5,1%); em Salvador (-3,2%) e PA (-1,7%). Com relação a setembro do ano anterior o rendimento declinou em cinco regiões: PA (-7,7%); Recife (-7,1%); RJ (-5,5%); SP (-4,4%); Salvador (-1,3%), enquanto em BH o rendimento ficou estável.

A massa de rendimento médio real dos ocupados foi projetada em 50,1 bilhões em set/15 e ficou 0,6% menor que a estimativa de agosto, enquanto na comparação anual recuou 6,1%.

Portanto, embora a taxa de desocupação das seis metropolitanas pesquisadas tenha apresentado estabilidade em setembro deste ano frente a agosto de 2015, no entanto, quando comparada a igual período do ano anterior apresentou decréscimo de 1,8%, o que representa declínio de 420 mil pessoas no período.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MERCADO CONTINUA DESESPERANÇADO
Régis Varão/¹

O Focus - Relatório de Mercado do Banco Central (BCB) divulgado hoje apresenta correções em poucas projeções do mercado para este ano e 2016. O Focus é uma publicação semanal disponibilizada às segundas-feiras no site do BCB. É realizada com cerca de 100 instituições bancárias e consultorias nacionais, abordando 15 variáveis. No entanto, a análise a seguir contempla 8 variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 23.10.15 corrigiu para 9,85% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,75% observada na semana anterior, e 9,46% apresentada há quatro semanas. Já a pesquisa de 24.10.14 manteve estável em 6,30% nas quatro últimas semanas a projeção do índice para 2015, ante 6,30% registrada há trinta dias. Para 2016, o Focus de 23.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,22%, valor observado nas últimas doze semanas, ante 6,12% apresentado na semana anterior, e 5,87% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 23.10.15 elevou a projeção do índice para 10,11% em 2015, ante 9,46% verificado no boletim anterior, e 8,26% há trinta dias. O Focus de 24.10.14 manteve em 5,52% a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% registrada há quatro semanas. Para 2016, o boletim divulgado hoje elevou a expectativa do índice para 6%, ante 5,89% da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 23.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, valor observado nas últimas três semanas, de R$/U$3,95 divulgado há quatro semanas. O Focus de 24.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para este ano, de R$/U$2,45 observada há um mês. Para 2016, o boletim desta semana elevou para R$/U$4,20 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,13 da semana anterior, e R$/U$4 da pesquisa divulgada há trinta dias. O valor da moeda norte-americana continua pressionando os índices de preços, dificultando a atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 23.10.15 manteve em 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, valor registrado nas últimas treze semanas. O boletim de 24.10.14 reduziu a projeção da taxa Selic para 11,50% a.a., de 11,88% a.a. divulgado na semana anterior, e de 11,38% a.a. observado há trinta dias. Já para 2016, o Focus divulgado hoje elevou a estimativa dos juros para 13% a.a., ante 12,75% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,50% a.a. há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 23.10.15 corrigiu para baixo, -3,02%, o declínio do PIB para 2015, décima quinta semana de correção negativa do indicador, ante -3% apresentado no Focus anterior, e -2,80% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 24.10.14 manteve a projeção de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,43%, ante -1,22% divulgado na semana anterior, e -1% estimado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à variação negativa de 6,55% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 24.10.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,42% naquele ano, ante +1,46% na pesquisa anterior, e +1,50% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 23.10.15 corrigiu para baixo o declínio da indústria (-1,50%), de -1% divulgado há sete dias, e -0,60% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 23.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$14 bilhões em 2015, ante U$13,20 bi registrados na semana anterior, e U$11 bi divulgados há trinta dias. Já o Focus de 24.10.14 diminuiu o superávit para U$7,21 bilhões para 2015, de U$7,65 bi observados na pesquisa anterior, e U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje elevou a estimativa do superávit da balança comercial para U$26,30 bilhões, ante U$25 bi observados há uma semana, e U$23,50 bilhões divulgados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 23.10.15 manteve a projeção de crescimento do IED em U$62,50 bilhões para 2015, enquanto o relatório de 24.10.14 manteve mesmo valor da pesquisa anterior, U$60 bilhões. A pesquisa Focus divulgada hoje manteve a estimativa do IED em U$60 bi para 2016, de U$63,30 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista quanto ao comportamento da economia brasileira para os próximos quinze meses. Elevação generalizada dos preços, aumento do endividamento das famílias, elevação do desemprego e redução do poder aquisitivo da população, tem ajudado a elevar o nível de insatisfação das famílias e dos empresários com o governo e com a classe política.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MERCADO DESESPERANÇADO
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana alterou a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção da taxa de câmbio, dos juros e da produção industrial neste ano, e da produção industrial, balança comercial e investimentos estrangeiros diretos para o próximo ano:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 16.10.15 corrigiu para 9,75% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,70% observada na semana anterior, e 9,34% apresentada há quatro semanas. A pesquisa de 17.10.14 manteve estável em 6,30% nas três últimas semanas a projeção do índice para este ano, ante 6,28% registrada há trinta dias. Para 2016, o boletim de 16.10.15 elevou a estimativa do IPCA para 6,12%, ante 6,05% apresentado na semana anterior, e 5,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 16.10.15 elevou a projeção do índice para 9,46% em 2015, ante 9,15% verificado no boletim anterior, e 8,25% há trinta dias. Já o Focus de 17.10.14 elevou para 5,52% a expectativa do IGP-DI para este ano, ante 5,50% divulgado há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,89%, ante 5,86% da pesquisa anterior, e 5,75% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 16.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, de R$/U$3,86 divulgado na pesquisa há quatro semanas. O boletim de 17.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,45 observado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana reduziu para R$/U$4,13 a estimativa do câmbio, de R$/U$4,15 da semana anterior, e R$/U$4 do Focus divulgado há trinta dias. A moeda norte-americana continua pressionando os preços, o que pode dificultar a atuação da autoridade monetária quanto ao controle da inflação;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 16.10.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas onze semanas. O boletim de 17.10.14 manteve a projeção da taxa Selic em 11,88% a.a., de 11,25% a.a. divulgado há trinta dias. Para o próximo ano, o Focus desta semana elevou a estimativa do indicador para 12,75% a.a., ante 12,63% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12,25% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 16.10.15 corrigiu para baixo, -3%, o decréscimo do PIB para 2015, primeira pesquisa Focus a registrar esse nível de queda, ante -2,97% apresentado no Focus anterior, e -2,70% divulgado há um mês, enquanto o boletim de 17.10.14 manteve a projeção de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,01% observado há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou o decréscimo do indicador para -1,22%, ante -1,20% divulgado na semana anterior, e -0,80% estimado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana manteve a estimativa da atividade industrial em -7% para 2015, frente à variação negativa de 6,45% observada há trinta dias, enquanto a pesquisa de 17.10.14 elevou o crescimento da indústria para +1,46% naquele ano, ante +1,30% na pesquisa anterior, e +1,60% projetado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 16.10.15 manteve o decréscimo da indústria em -1%, de -0,20% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 16.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$13,20 bilhões em 2015, ante U$12,99 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgados há trinta dias. Já o boletim de 17.10.14 elevou o superávit para U$7,65 bilhões para 2015, de U$7,27 bi observados na pesquisa anterior, e U$9 bi divulgados há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana manteve a projeção do superávit em U$25 bi, ante U$21,30 bilhões observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.10.15 elevou a expectativa de crescimento do IED para U$62,50 bilhões em 2015, enquanto o relatório de 17.10.14 elevou para U$60 bilhões. A pesquisa desta semana manteve a estimativa do IED em U$60 bi para 2016, de U$63 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, o País continua paralisado a espera de uma solução a respeito da queda de braço entre executivo e legislativo. O mercado está mais pessimista, e o declínio da atividade econômica, o real depreciado frente ao dólar e os juros mantidos no atual patamar tem levado intranquilidade aos agentes econômicos. A elevação dos preços dos alimentos, dos combustíveis, das tarifas públicas, do endividamento e da perda do poder aquisitivo das famílias, tem contribuído fortemente para levar intranquilidade à população.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Relatório Focus do Banco Central (BCB) divulgado nesta semana corrigiu a maioria das projeções do mercado em relação à semana anterior, com exceção de juros e câmbio para 2015 e IPC-Fipe para 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, trabalha quinze variáveis macroeconômicas e não reflete posição do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 9.10.15 corrigiu para 9,70% a estimativa do IPCA para 2015, ante 9,53% observada na semana anterior, e 9,28% divulgada há trinta dias. A pesquisa de 10.10.14 manteve estável em 6,30% nas duas últimas semanas, a projeção do índice para 2015, ante 6,29% há um mês. Já para 2016, o boletim divulgado ontem elevou a estimativa do IPCA para 6,05%, ante 5,94% apresentado na semana anterior, e 5,64% há quatro semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 9.10.15 elevou a projeção do índice para 9,15% em 2015, ante 8,42% verificado no boletim anterior, e 7,77% há quatro semanas. O Focus de 10.10.14 elevou a expectativa do IGP-DI para 5,52% em 2015, de 5,50% da pesquisa anterior, e 5,52% há trinta dias. Já para 2016, o boletim desta semana elevou a expectativa do índice para 5,86%, ante 5,82% do boletim anterior, e 5,57% divulgado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 9.10.15 manteve a taxa de câmbio em R$/U$4 para o final de 2015, nas duas últimas semanas, de R$/U$3,70 divulgado há quatro semanas. O boletim de 10.10.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para o final deste ano, de R$/U$2,45 há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem elevou para R$/U$4,15 a estimativa da taxa de câmbio, de R$/U$4 da pesquisa anterior, e R$/U$3,80 há trinta dias;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório Focus de 9.10.15 manteve em 14,25% a.a., pela décima primeira semana, a projeção dos juros para o final deste ano. O boletim de 10.10.14 manteve em 11,88% a.a. a projeção da taxa Selic em 2015, de 11,50% a.a. divulgado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana elevou a estimativa dos juros para 12,63% a.a., de 12,50% a.a. observado na semana anterior, e 12% a.a. divulgada há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 9.10.15 corrigiu para -2,97%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,85% apresentado no Focus anterior, e -2,55% há um mês, enquanto o boletim de 10.10.14 manteve a expectativa de crescimento do PIB em +1% para 2015, de +1,04% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a variação negativa do PIB para -1,20%, de -1% da semana anterior, e -0,60 há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): a pesquisa divulgada nesta semana estima desempenho negativo de 7% para a atividade industrial em 2015, frente à variação negativa de 6,50% da semana anterior, e -6,20% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 10.10.14 reduziu a expectativa de crescimento da indústria para +1,30% naquele ano, ante +1,40% da pesquisa anterior e +1,50% há trinta dias. Para 2016, a pesquisa de 9.10.15 reduziu o crescimento da indústria para -1%, de -0,29% divulgado na semana anterior, e +0,50% há um mês;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 9.10.15 aumentou a estimativa do superávit da balança comercial para U$12,99 bilhões em 2015, de U$12 bi registrados na semana anterior, e U$10 bi divulgado há trinta dias. Já o boletim de 10.10.14 elevou o superávit para U$7,27 bilhões em 2015, de U$7,24 bi divulgados na pesquisa anterior, e U$9 bi há quatro semanas. Para o próximo ano, o Focus desta semana elevou a projeção do superávit para U$25 bi, de U$24 bilhões observados no boletim anterior, e U$20 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 9.10.15 reduziu a expectativa de crescimento do IED para U$61,50 bilhões em 2015, de U$64 bi da semana anterior e U$65 há quatro semanas, enquanto o relatório de 10.10.14 elevou para U$59,20 bilhões, ante U$57,70 bi observados nas três semanas anteriores. A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do IED para U$60 bi em 2016, de U$61 bilhões observados na semana anterior, e U$64,90 bi há quatro semanas.

Enquanto isso, o comércio vende menos, as vendas de veículos despencam, os preços dos combustíveis sobem, o dólar encarece, o desemprego continua em alta, o endividamento das famílias cresce e a população perde poder de compra.

Portanto, a situação da economia piora a cada dia, enquanto a política está sendo tratada para atender os interesses de políticos e do próprio governo, aumentando o pessimismo do mercado e a desconfiança da população quanto a uma solução no curto prazo.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.