quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CONSUMIDOR CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, atingiu 75,7 pontos em outubro deste ano, o menor valor da série histórica pelo quarto mês consecutivo, registrando declínio de 0,8% sobre o mês anterior (76,3 pontos).

Na comparação com igual período de 2014, quando atingiu 101,5 pontos, o ICC de out/15 apresentou forte retração (-25,4%). Com relação à dez/14, quando atingiu 96,2 pontos, o índice de out/15 registrou queda de 21,3%, o maior declínio observado ao longo do ano. Nos últimos cinco anos, o ICC atingiu o valor médio de 109,4 pontos, enquanto nos dez primeiros meses de 2015 a média ficou em 82,7 pontos. O índice verificado em out/15 ficou 30,8% abaixo da média dos últimos cinco anos e apresentou declínio de 8,5% com relação à média de 2015.

De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV, “A falta de sinalizações positivas no front  econômico associada às incertezas políticas mantêm a confiança no mínimo histórico. Os consumidores continuam bastante insatisfeitos com o presente e pessimistas em relação ao futuro. Houve estabilidade do índice que mede as expectativas mas, após recuo de 5,4% no mês anterior, este movimento é ainda insuficiente para sugerir a possibilidade de uma mudança de tendência.”

Em out/15, o Índice da Situação Atual (ISA) atingiu 65,7 pontos, ante 67,1 pontos observados no mês anterior, uma queda de 2,1% no período. Quando comparado ao índice registrado em out/14 (101,8 pontos), a queda foi mais forte (-35,8%).

Já o Índice de Expectativas (IE) manteve-se estável no menor nível da série com 81,1 pontos em setembro e out/15, respectivamente. Na comparação anual, o IE caiu de 101,6 pontos em out/14 para 81,1 pontos em out/15, apresentando decréscimo de 20,2%.

Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumido, o item que afere o grau de satisfação com a situação econômica foi o que mais pressionou para o declínio do ICC em out/15. Em outubro deste ano, apenas 2,7% dos consumidores avaliam a situação econômica local como boa, enquanto 86,3% a consideram ruim.

Com relação aos meses futuros, houve aumento de 1,3% do indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis. Essa melhora não é suficiente para indicar uma nova tendência para o indicador que, com 63,6 pontos mantém-se próximo ao mínimo histórico de 62,8 pontos registrado em set/15. Por outro lado, a parcela dos consumidores que desejam comprar mais nos próximos seis meses caiu de 9,3% para 8,9% (-0,4 p.p.), enquanto dos que projetam compras menores saiu de 46,5% para 45,3% (-1,2 p.p.).

Ao analisar o Índice de Confiança do Consumidor por faixa de renda temos: queda de 2,9% em set/15 entre consumidores que recebem até R$2.100,00 por mês, enquanto no mês seguinte subiu 0,1%; na faixa de renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00, caiu 8,4% em set/15 e subiu 2,8% em out/15; consumidores com renda entre R$4.800,01 e R$9.600,00, decresceu 1% e 1,3%, respectivamente em set/15 e outubro; e na faixa de renda acima de R$9.600,00 foi observado declínio de 7,4% em set/15 e 2,9% em out/15.

De acordo com o relatório do IBRE-FGV, ao analisar o resultado por faixas de renda, nota-se um crescimento de 2,8% na confiança dos consumidores com renda familiar mensal entre R$2.100,01 e R$4.800,00, o segmento que registrou o maior decréscimo no mês anterior (-8,4%). No outro extremo, nova queda (2,9%) da confiança dos consumidores de renda mais elevada, acima de R$9.600,00, após recuar 7,4% no mês anterior.

Portanto, ao longo dos últimos catorze meses o ICC, o ISA e o IE têm apresentado resultados negativos, com piora nas expectativas quanto ao comportamento da economia, refletindo a falta de perspectivas positivas para os próximos seis meses. O comportamento desses indicadores apresenta resultados semelhantes a outros índices que medem o comportamento dos consumidores, reforçando a expectativa do mercado de um cenário desanimador para os próximos meses, o que pode ser visto no Relatório Focus do Banco Central divulgado toda semana.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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