domingo, 1 de novembro de 2015

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro diminuiu em outubro deste ano ante o mês anterior, mas apresentou alta na comparação com igual período de 2014, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com cerca de 18 mil consumidores, em todas as capitais do País mais o Distrito Federal.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou estável no período set-out/15, após sete meses consecutivos de elevação. Por outro lado, o percentual que relatou sem condições de pagar suas contas em atraso declinou na análise mensal, enquanto na comparação anual houve alta nos dois indicadores de inadimplência.

O percentual de famílias endividadas caiu de 63,5% em set/15 para 62,1% no mês seguinte, decréscimo de 1,4 p.p. Já na comparação anual, o indicador de out/15 apresentou elevação de 1,9 p.p. quando comparada a out/14. Após sete meses de alta, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso ficou estável em 23,1% nos meses de set/15 e outubro, respectivamente, embora na comparação anual tenha apresentado elevação de 5,3 p.p. entre out/14 (17,8%) e outubro deste ano.

Com relação às famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas, e que permaneceram inadimplentes, houve pequena queda na comparação mensal, passando de 8.6% em set/15 para 8,5% no mês seguinte. Na comparação anual, o indicador de out/15 apresentou elevação de 3,1 p.p. quando comparado a out/14 com 5,4%.

Segundo o relatório da CNC, a redução do número de famílias endividadas em outubro deste ano, ante set/15 foi observada em ambas as faixas de renda - até 10 Salários Mínimos (SM) e acima de 10 SM. Na comparação anual, ambas as faixas registraram elevação. Entre as famílias com até 10 SM, o percentual do endividamento chegou a 63,8% em out/15, ante 65,1% em set/15 e 61,9% em out/14. Para as famílias com renda acima de 10 SM, o percentual de endividamento caiu de 55,6%, em set/15, para 54,1% em out/15. Em out/14 o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era de 52,4%.

O indicador de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências diversas entre os dois grupos de renda. Na análise mensal, houve alta do índice na faixa >10 SM, enquanto na faixa <10 SM houve declínio. Na variação anual observou-se incremento nas duas faixas de renda. No grupo <10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 26,1%, em set/15, para 26,0% em out/15, e em out/14, 19,7% das famílias nessa faixa de renda declararam ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu aproximadamente 11% em out/15, ante 10,2% em set/15 e 9,4% em out/14.

Com relação às famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso também mostrou comportamento distinto nas duas faixas de renda na análise mensal. Na faixa >10 SM o indicador alcançou 2,8% em out/15, ante 2,7% no mês anterior e 2,5% em out/14. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos recuou de 10,2%, em set/15, para 10,1% em out/15, enquanto em relação à out/14 subiu 4 p.p.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas ficou estável em 13,9% no período set-out/15, ante 11% observado em out/14, com alta de 2,9 p.p. na variação anual. Entre as famílias que se declararam mais ou menos endividadas houve queda entre set/15 (24,2%) e out/15 com 22,6%, enquanto na comparação com out/14 (23%), declínio de 0,4 p.p. Já com relação a proporção de famílias com pouco endividamento passou de 25,3% em set/15 para 25,6% no mês seguinte, tendo na variação anual (26,3% em out/14) apresentado decréscimo de 0,7 p.p.

Quanto ao endividamento das famílias com o cartão de crédito, que há muitos meses é apontado como o principal tipo de dívida das famílias brasileiras pesquisadas pela CNC, atingiu 78,5% em outubro de 2015, enquanto estava em 74,7% em out/14, alta de 3,8 p.p. em doze meses. O segundo tipo de dívida mais preferido pelas famílias são os carnês de lojas com 16,6%, seguido por financiamento de carro (13,4%), crédito pessoal com 9,2%, financiamento de casa (8,4%), cheque especial com 6,3%, crédito consignado (5,1%), outras dívidas com 2,8% e cheque pré-datado (1,6%).

Com relação ao endividamento por faixa de renda mensal temos: endividamento com cartão de crédito, 79,6% na faixa de renda de até 10 SM e 73,7% acima de 10 SM; carnês de loja, 18,1% na faixa de renda até 10 SM e 9,9% acima de 10 SM; financiamento de carro, 10,8% e 25,9% naquela base de comparação; crédito pessoal, 9,1% e 9,7%, respectivamente para famílias com renda inferior a 10 SM e acima desse valor; e financiamento de casa, o quinto tipo mais procurado, 6,6% e 17% para famílias até 10 SM e acima de 10 SM, respectivamente.

Portanto, inflação em alta, juros elevados, aumento do desemprego, escassez de crédito e falta de conhecimentos básicos de finanças pessoais têm pressionado negativamente as expectativas do mercado e o desempenho dos indicadores de inadimplência, sem a possibilidade de uma solução favorável no curto prazo.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário