quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

AUMENTA A DESCRENÇA NA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA
Régis Varão/¹

As estimativas do Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgadas nesta semana, corrigem praticamente todas as projeções das principais variáveis macroeconômicas para 2016, exceto Investimentos Diretos no País-IDP que permanecem estáveis, enquanto para 2017 a metade dos indicadores apesentou alteração. A pesquisa Focus abrange cerca de 100 instituições - financeiras e consultorias nacionais - totalizando 15 variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 29.1.16 corrigiu para 7,26% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,23% observado na semana anterior e 6,87% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 30.1.15 mantém a projeção do índice em 5,60%, de 5,70% há quatro semanas. Para 2017, o boletim Focus desta semana eleva a expectativa para 5,80%, ante 5,65% apresentado na semana anterior e 5,20% há um mês. As expectativas do IPCA para 2016, dos últimos Focus, mostram rápida elevação do pessimismo quanto ao comportamento do IPCA;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 29.1.16 elevou a projeção do índice para 7% em 2016, ante 6,96% observada na semana anterior e 6,14% há trinta dias, enquanto o Focus de 30.1.15 mantém estável a expectativa em 5,50%, nas últimas vinte e seis semanas para aquele ano. Para 2017, o último boletim Focus mantém inalterada a expectativa do IGP-DI em 5,50%, de 5,30% há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado no início da semana corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,35 em 2016, de R$/U$4,30 divulgado na semana anterior e R$/U$4,21 há quatro semanas. Já o Focus de 30.1.15 mantém estável o câmbio em R$/U$2,90 para 2016, de R$/U$2,80 divulgado há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana mantém inalterado o câmbio em R$/U$4,40, ante R$/U$4,20 observado há trinta dias;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 29.1.16 reduziu os juros, final de período, para 14,25% a.a. em 2016, ante 14,64% a.a. divulgado há sete dias e 15,25% a.a. há quatro semanas, enquanto o boletim de 30.1.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O Focus desta semana mantém estável a expectativa dos juros em 12,75% a.a. em 2017, de 12,50% a.a. observado na pesquisa divulgada há um mês;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 29.1.16 corrige para -3,01% o declínio do PIB para 2016, frente ao decréscimo de 3% do relatório anterior e -2,95% da pesquisa divulgada há trinta dias. A pesquisa de 30.1.15 reduz para +1,50% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,54% apresentado há sete dias e +1,80% há quatro semanas. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,70%, frente ao incremento de 0,80% observado na semana anterior e +1% há um mês. O pessimismo do mercado com o comportamento da atividade econômica em 2016 e 2017 tem sido observado nas expectativas dos boletins Focus;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,80% em 2016, ante uma queda de 3,57% estimada no Focus anterior e -3,50% há um mês, enquanto a pesquisa de 30.1.15 mantém o crescimento em 2,50% naquele ano, de +2,68% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 29.1.16 mantém estável o crescimento da atividade industrial em +1,50%, de +2% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 29.1.16 eleva a estimativa do superávit comercial para U$37,90 bilhões para 2016, de U$37,45 bi divulgados na semana anterior e U$35 bi há trinta dias. A pesquisa de 30.1.15 eleva a projeção do superávit comercial para U$10,51 bilhões para 2016, de U$10,02 bi observados há sete dias e U$10 há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém inalterado em U$40 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$35 bi verificados há um mês;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 29.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IDP em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas sete semanas, enquanto o relatório de 30.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela vigésima semana consecutiva. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana mantém estável a estimativa do IDP em U$60 bi, pela décima sexta semana consecutiva.

Portanto, a gradual perda do poder aquisitivo da população, o crescimento do endividamento das famílias, o aumento da inadimplência, o desemprego elevado, a atividade econômica em declínio, os juros elevados, a inflação em alta e câmbio pressionado são fatores que desestimulam os negócios em geral. Falta de criatividade do governo em buscar uma solução de curto prazo sem elevar a carga tributária têm contribuído para elevar o pessimismo do mercado e deixar dúvidas na capacidade de recuperação da economia brasileira nos próximos quinze meses.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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