AUMENTA A DESCRENÇA
NA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA
Régis
Varão/¹
As estimativas do Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgadas nesta
semana, corrigem praticamente todas as projeções das principais variáveis
macroeconômicas para 2016, exceto Investimentos Diretos no País-IDP que permanecem
estáveis, enquanto para 2017 a metade dos indicadores apesentou alteração. A pesquisa Focus abrange cerca de 100 instituições - financeiras e
consultorias nacionais - totalizando 15 variáveis:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 29.1.16 corrigiu para 7,26% a estimativa do IPCA
para 2016, ante 7,23% observado na semana anterior e 6,87% há quatro semanas. Ainda
com relação a 2016, a pesquisa de 30.1.15 mantém a projeção do índice em 5,60%, de
5,70% há quatro semanas. Para 2017, o boletim Focus desta semana eleva a expectativa
para 5,80%, ante 5,65% apresentado na semana anterior e 5,20% há um mês. As
expectativas do IPCA para 2016, dos últimos Focus, mostram rápida elevação do pessimismo
quanto ao comportamento do IPCA;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 29.1.16 elevou a projeção
do índice para 7% em 2016, ante 6,96% observada na semana anterior e 6,14% há trinta
dias, enquanto o Focus de 30.1.15 mantém
estável a expectativa em 5,50%, nas últimas vinte e seis semanas para aquele
ano. Para 2017, o último boletim Focus mantém inalterada a expectativa do IGP-DI
em 5,50%, de 5,30% há um mês;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado no
início da semana corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para
R$/U$4,35 em 2016, de R$/U$4,30 divulgado na semana anterior e R$/U$4,21 há
quatro semanas. Já o Focus de 30.1.15 mantém
estável o câmbio em R$/U$2,90 para 2016, de R$/U$2,80 divulgado há trinta dias.
Para 2017, o boletim desta semana mantém inalterado o câmbio em R$/U$4,40, ante
R$/U$4,20 observado há trinta dias;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 29.1.16 reduziu os
juros, final de período, para 14,25% a.a. em 2016, ante 14,64% a.a. divulgado há
sete dias e 15,25% a.a. há quatro semanas, enquanto o boletim de 30.1.15 mantém a
projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O Focus desta semana mantém
estável a expectativa dos juros em 12,75% a.a. em 2017, de 12,50% a.a.
observado na pesquisa divulgada há um mês;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 29.1.16 corrige para
-3,01% o declínio do PIB para 2016, frente ao decréscimo de 3% do relatório anterior
e -2,95% da pesquisa divulgada há trinta dias. A pesquisa de 30.1.15 reduz para +1,50%
a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,54%
apresentado há sete dias e +1,80% há quatro semanas. Com relação a 2017, a
pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,70%, frente ao
incremento de 0,80% observado na semana anterior e +1% há um mês. O pessimismo
do mercado com o comportamento da atividade econômica em 2016 e 2017 tem sido observado
nas expectativas dos boletins Focus;
(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus
desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,80% em 2016, ante uma
queda de 3,57% estimada no Focus anterior e -3,50% há um mês, enquanto a
pesquisa de 30.1.15 mantém o crescimento
em 2,50% naquele ano, de +2,68% verificado há quatro semanas. Para 2017, a
pesquisa de 29.1.16 mantém
estável o crescimento da atividade industrial em +1,50%, de +2% divulgado há
trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 29.1.16 eleva a
estimativa do superávit comercial para U$37,90 bilhões para 2016, de U$37,45 bi
divulgados na semana anterior e U$35 bi há trinta dias. A pesquisa de 30.1.15 eleva a
projeção do superávit comercial para U$10,51 bilhões para 2016, de U$10,02 bi observados
há sete dias e U$10 há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém
inalterado em U$40 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$35 bi verificados
há um mês;
(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 29.1.16 mantém a
estimativa de crescimento do IDP em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor
divulgado nas últimas sete semanas, enquanto o relatório de 30.1.15 mantém em U$60
bilhões a projeção para aquele ano, pela vigésima semana consecutiva. Para 2017,
a pesquisa divulgada nesta semana mantém estável a estimativa do IDP em U$60 bi,
pela décima sexta semana consecutiva.
Portanto, a gradual perda do poder aquisitivo da
população, o crescimento do endividamento das famílias, o aumento da
inadimplência, o desemprego elevado, a atividade econômica em declínio, os juros
elevados, a inflação em alta e câmbio pressionado são fatores que desestimulam
os negócios em geral. Falta de criatividade do governo em buscar uma solução de
curto prazo sem elevar a carga tributária têm contribuído para elevar o
pessimismo do mercado e deixar dúvidas na capacidade de recuperação da economia
brasileira nos próximos quinze meses.
¹/ Consultor de Finanças Pessoais,
Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e
corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com
mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário
e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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