CONSUMIDOR MENOS PESSIMISTA EM JANEIRO
Régis Varão/¹
O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) reflete o sentimento dos consumidores brasileiros com relação à
situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País. O indicador é
divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e quanto maior o seu valor mais otimista é a avaliação
dos consumidores.
O INEC atingiu 98,6 pontos em janeiro deste ano,
aumento de 2,4% ante o mês anterior, o que revela pequena melhora do pessimismo
do consumidor naquele mês. Na comparação anual, o índice apresentou variação
negativa de 5,4% em jan/16 frente à jan/15. Por outro lado, embora tenha havido
elevação no primeiro mês do ano, o resultado do índice permanece indicando
pessimismo dos consumidores, pois se mantém 10% abaixo de sua média histórica
de 109,5 pontos.
Os componentes do INEC mostram incremento na
comparação mensal, exceto à expectativa de compras de bens de maior valor, que
apresentou declínio. Embora registre a mais significativa variação positiva na análise
mensal, a mais importante desde ago/14, o índice não indica uma tendência de
redução do pessimismo dos consumidores. Desde abr/15, o índice encontra-se aparentemente
estável, ficando entre 96 e 100 pontos, logo, abaixo da média histórica. A
continuidade do pessimismo do consumidor brasileiro indica possibilidades de manutenção
de baixa demanda nos meses futuros, o que pode ser observado em pesquisas
mensais de outras instituições.
Os componentes do INEC apresentaram o seguinte comportamento:
(a) Expectativa
de desemprego: atingiu 103,7 pontos em jan/16, subindo 5,2% frente à dez/15
quando chegou a 98,6 pontos, e registrou decréscimo de 0,2% na comparação com
jan/15;
(b) Endividamento:
o índice registrou 97 pontos em jan/16, ante 92,7 pontos no mês anterior, alta
de 4,6%, e apresentou redução de 4,3% quando comparado ao mês de jan/15;
(c) Expectativa
de Renda Pessoal: apresentou variação positiva de 4,6% em jan/16 quando
atingiu 90,7 pontos, ante dez/15 (86,7 pontos), e registrou queda de 13,7% ante
jan/15 (105,1 pontos);
(d) Expectativa
de Inflação: o índice chegou a 95,9 pontos no primeiro mês deste ano,
elevação de 2,5% ante dez/15, e subiu 10,7% quando comparado a jan/15 (86,6
pontos). Entre os componentes do IPCA foi o único a registar variação positiva
na comparação anual;
(e) Situação
financeira: o índice atingiu 85,5 pontos em jan/16, apresentando elevação
de 2,4% frente ao mês anterior, enquanto registrou o maior declínio entre os
componentes do IPCA ao registrar -18,6% na comparação anual. Uma queda
significativa nas expectativas do consumidor, o que pode ser reflexo da atual crise
econômica;
(f) Compras de
Bens de Maior Valor: o indicador registrou 113,5 pontos em janeiro deste ano,
com declínio de 1,1% frente à dez/15, e apresentou decréscimo de 0,3% com
relação a jan/15 ao atingir 113,8 pontos. Entre os componentes do INEC foi o
único indicador a registrar declínio na comparação mensal.
Portanto, embora o INEC
tenha apresentado crescimento no período dez/15-jan/16, o indicador Compras de
Bens de Maior Valor foi o único a registrar decréscimo. Na comparação anual, o
INEC registrou queda de 5,4%, tendo Expectativas de Inflação como o único a registrar
elevação (+10,7) nessa base de comparação.
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