sábado, 6 de fevereiro de 2016

CONSUMIDOR MENOS PESSIMISTA EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) reflete o sentimento dos consumidores brasileiros com relação à situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País. O indicador é divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e quanto maior o seu valor mais otimista é a avaliação dos consumidores.

O INEC atingiu 98,6 pontos em janeiro deste ano, aumento de 2,4% ante o mês anterior, o que revela pequena melhora do pessimismo do consumidor naquele mês. Na comparação anual, o índice apresentou variação negativa de 5,4% em jan/16 frente à jan/15. Por outro lado, embora tenha havido elevação no primeiro mês do ano, o resultado do índice permanece indicando pessimismo dos consumidores, pois se mantém 10% abaixo de sua média histórica de 109,5 pontos.

Os componentes do INEC mostram incremento na comparação mensal, exceto à expectativa de compras de bens de maior valor, que apresentou declínio. Embora registre a mais significativa variação positiva na análise mensal, a mais importante desde ago/14, o índice não indica uma tendência de redução do pessimismo dos consumidores. Desde abr/15, o índice encontra-se aparentemente estável, ficando entre 96 e 100 pontos, logo, abaixo da média histórica. A continuidade do pessimismo do consumidor brasileiro indica possibilidades de manutenção de baixa demanda nos meses futuros, o que pode ser observado em pesquisas mensais de outras instituições.

Os componentes do INEC apresentaram o seguinte comportamento:

(a) Expectativa de desemprego: atingiu 103,7 pontos em jan/16, subindo 5,2% frente à dez/15 quando chegou a 98,6 pontos, e registrou decréscimo de 0,2% na comparação com jan/15;

(b) Endividamento: o índice registrou 97 pontos em jan/16, ante 92,7 pontos no mês anterior, alta de 4,6%, e apresentou redução de 4,3% quando comparado ao mês de jan/15;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: apresentou variação positiva de 4,6% em jan/16 quando atingiu 90,7 pontos, ante dez/15 (86,7 pontos), e registrou queda de 13,7% ante jan/15 (105,1 pontos);

(d) Expectativa de Inflação: o índice chegou a 95,9 pontos no primeiro mês deste ano, elevação de 2,5% ante dez/15, e subiu 10,7% quando comparado a jan/15 (86,6 pontos). Entre os componentes do IPCA foi o único a registar variação positiva na comparação anual;

(e) Situação financeira: o índice atingiu 85,5 pontos em jan/16, apresentando elevação de 2,4% frente ao mês anterior, enquanto registrou o maior declínio entre os componentes do IPCA ao registrar -18,6% na comparação anual. Uma queda significativa nas expectativas do consumidor, o que pode ser reflexo da atual crise econômica;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: o indicador registrou 113,5 pontos em janeiro deste ano, com declínio de 1,1% frente à dez/15, e apresentou decréscimo de 0,3% com relação a jan/15 ao atingir 113,8 pontos. Entre os componentes do INEC foi o único indicador a registrar declínio na comparação mensal.

Portanto, embora o INEC tenha apresentado crescimento no período dez/15-jan/16, o indicador Compras de Bens de Maior Valor foi o único a registrar decréscimo. Na comparação anual, o INEC registrou queda de 5,4%, tendo Expectativas de Inflação como o único a registrar elevação (+10,7) nessa base de comparação.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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