terça-feira, 30 de maio de 2017

EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO BRASIL E NO MUNDO
Régis Varão/¹

A Educação Financeira (EF) ajuda pessoas e instituições a compreender a necessidade do planejamento financeiro e seus benefícios ao país, aos setores produtivos, às famílias e à sociedade em geral. Vários segmentos dos setores financeiro e produtivo, além do governo brasileiro, estão direcionando algumas ações voltadas para a prática da EF, como uma possibilidade de ajudar a evitar possíveis descontroles futuros, endividamento por parte das empresas e famílias, com reflexos em toda sociedade.

Enquanto uma parte dos brasileiros declara saber cuidar de seu dinheiro, outra afirma utilizar algum tipo de controle mensal de receitas e despesas, mas na prática, apenas uma pequena minoria retira parte de sua renda ou um percentual para formar uma reserve financeira e até mesmo fazer aplicações financeiras. Pesquisas apontam que aproximadamente 90% das famílias brasileiras não têm controle de orçamento pessoal ou familiar, e de R$ 3,00 em cada R$ 10,00 que ganham vão direto para o pagamento de dívidas e consumo.

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em abr/17, ante o mês anterior, a terceira elevação consecutiva, embora tenha caído frente a abr/16. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou elevação em abr/17 na comparação mensal e anual. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso apresentou pequeno decréscimo em abr/17, ante o mês anterior, mas registrou incremento na comparação annual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,9% em abr/17, com alta de 1 p.p. em relação a mar/17, mas ficando abaixo do observado em abr/16 (59,6%), segundo a PEIC.

Ainda segundo a PEIC, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 23,7% em mar/17 para 24,1% no mês seguinte, e registrou crescimento de 0,9 p.p. frente a abr/16. Quanto ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas, e continuam inadimplentes, caiu para 9,7% em abr/17, ante 9,9% do mês anterior, e cresceu 1,5 p.p. ante abr/16 (8,2%).

Pesquisa do IBOPE e Serasa realizada em 142 cidades, com maiores de 16 anos e de diversas classes sociais, descobriu que 7 em cada 10 brasileiros não têm o hábito de poupar. Afirma, ainda, que metade da população desconhece as vantagens de se fazer poupança. Contudo, a pesquisa “aponta que 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar rapidamente do que poupar”.

O nível de endividamento das famílias brasileiras tem aumentando nos últimos meses, segundo informa a pesquisa PEIC-CNC. Logo, não sobra dinheiro para o lazer, educação, poupança, e muito menos para aplicações no mercado financeiro. Quando sobra algum dinheiro, as pessoas não sabem o que fazer, onde e em que aplicar, e tais dificuldades naturalmente as direcionam para o consumo. Pesquisa do Ibope descobriu que só 2% da população declara ter plano de previdência.

Nas últimas décadas a Educação Financeira vem ganhando espaço e já é tema relevante na maioria dos países, mesmo antes da crise financeira internacional de 2008. Os prejuízos que governos, empresas e famílias sofrem com essas crises, fazem da EF uma prioridade para governos, organismos internacionais, empresas, instituições financeiras e famílias. Há décadas, a EF já vem sendo praticada em países como os EUA, o Reino Unido, a Espanha, o México entre outros, chegando finalmente ao Brasil na década passada.

Portanto, está comprovado que indivíduos com elevado endividamento são mais descuidados, faltam mais ao trabalho, vão mais a médicos e hospitais, se utilizam mais de atestados médicos, se irritam facilmente, se desentendem com mais frequência com familiares e colegas de trabalho, o que reduz substancialmente a produtividade no trabalho com reflexos negativos na produtividade das empresas.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário