EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO
BRASIL E NO MUNDO
Régis Varão/¹
A Educação Financeira (EF) ajuda
pessoas e instituições a compreender a necessidade do planejamento financeiro e
seus benefícios ao país, aos setores produtivos, às famílias e à sociedade em
geral. Vários segmentos dos setores financeiro e produtivo, além do
governo brasileiro, estão direcionando algumas ações voltadas para a prática da
EF, como uma possibilidade de ajudar a evitar possíveis descontroles futuros,
endividamento por parte das empresas e famílias, com reflexos em toda
sociedade.
Enquanto uma parte dos brasileiros
declara saber cuidar de seu dinheiro, outra afirma utilizar algum tipo de
controle mensal de receitas e despesas, mas na prática, apenas uma pequena
minoria retira parte de sua renda ou um percentual para formar uma reserve financeira
e até mesmo fazer aplicações financeiras. Pesquisas apontam que aproximadamente
90% das famílias brasileiras não têm controle de orçamento pessoal ou familiar,
e de R$ 3,00 em cada R$ 10,00 que ganham vão direto para o pagamento de dívidas
e consumo.
O total de famílias brasileiras
endividadas subiu em abr/17, ante o mês anterior, a terceira elevação
consecutiva, embora tenha caído frente a abr/16. O total de famílias com contas
ou dívidas em atraso também registrou elevação em abr/17 na comparação mensal e
anual. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso
apresentou pequeno decréscimo em abr/17, ante o mês anterior, mas registrou
incremento na comparação annual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (PEIC),
apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O percentual de famílias que relataram
ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de
loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,9% em abr/17,
com alta de 1 p.p. em relação a mar/17, mas ficando abaixo do observado em
abr/16 (59,6%), segundo a PEIC.
Ainda segundo a PEIC,
o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 23,7%
em mar/17 para 24,1% no mês seguinte, e registrou crescimento de 0,9 p.p.
frente a abr/16. Quanto ao percentual de famílias sem condições de pagar suas
contas, e continuam inadimplentes, caiu para 9,7% em abr/17, ante 9,9% do mês
anterior, e cresceu 1,5 p.p. ante abr/16 (8,2%).
Pesquisa do IBOPE e Serasa realizada em
142 cidades, com maiores de 16 anos e de diversas classes sociais, descobriu
que 7 em cada 10 brasileiros não têm o hábito de poupar. Afirma, ainda, que
metade da população desconhece as vantagens de se fazer poupança. Contudo, a
pesquisa “aponta que 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar rapidamente
do que poupar”.
O nível de endividamento das famílias
brasileiras tem aumentando nos últimos meses, segundo informa a pesquisa PEIC-CNC.
Logo, não sobra dinheiro para o lazer, educação, poupança, e muito menos para
aplicações no mercado financeiro. Quando sobra algum dinheiro, as pessoas não
sabem o que fazer, onde e em que aplicar, e tais dificuldades naturalmente as
direcionam para o consumo. Pesquisa do Ibope descobriu que só 2% da população
declara ter plano de previdência.
Nas últimas décadas a Educação
Financeira vem ganhando espaço e já é tema relevante na maioria dos países,
mesmo antes da crise financeira internacional de 2008. Os prejuízos que
governos, empresas e famílias sofrem com essas crises, fazem da EF uma
prioridade para governos, organismos internacionais, empresas, instituições
financeiras e famílias. Há décadas, a EF já vem sendo praticada em países como
os EUA, o Reino Unido, a Espanha, o México entre outros, chegando finalmente ao
Brasil na década passada.
Portanto, está comprovado que
indivíduos com elevado endividamento são mais descuidados, faltam mais ao
trabalho, vão mais a médicos e hospitais, se utilizam mais de atestados
médicos, se irritam facilmente, se desentendem com mais frequência com
familiares e colegas de trabalho, o que reduz substancialmente a produtividade
no trabalho com reflexos negativos na produtividade das empresas.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e
desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de
finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista
pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito
pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor
do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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