ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS LEVAM A PROSPERIDADE
Régis Varão/¹
Os efeitos negativos da crise econômica, o pouco
conhecimento dos instrumentos de finanças pessoais e os maus hábitos
financeiros contribuem fortemente para elevar a inadimplência e o endividamento
das famílias brasileiras, conforme indica a Pesquisa de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor-PEIC, de dez/17, da
Confederação Nacional do Comércio-CNC.
O percentual de famílias endividadas com cartão de
crédito, carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro, cheque
especial, cheque pré-datado, crédito consignado, financiamento de casa, entre
outros passou de 59% em dez/16 para 62,2% em dez/17. De acordo com O perfil do
endividamento das famílias brasileira em 2017-PEFB, o percentual médio de
famílias endividadas com esses tipos de dívida, passou de 60,2% em 2016 para
60,8% em 2017.
Os indicadores de inadimplência apresentaram
crescimento entre dez/16 e dez/17, de acordo com a PEIC. O percentual de
famílias com dívidas em atraso passou de 24% para 25,7%, naquela base de comparação.
A média anual do percentual de famílias com dívidas em atraso saiu de 24,2% em
2016 para 25,4% em 2017, segundo a PEFB. Já o percentual de famílias que declararam sem
condições de pagar suas dívidas e que permanecem inadimplentes, subiu de 9,1% em
dez/16 para 9,7% em dez/17. A média anual nessa modalidade passou de 9,2% em
2016 para 10,2% no ano seguinte.
O endividamento decorre, na maioria das vezes, de
atitudes e hábitos financeiros inadequados dos indivíduos e das famílias, pelo
consumismo exagerado, pelo desconhecimento de princípios básicos de economia,
contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão
das finanças pessoais no dia a dia.
As pesquisas mostram que pessoas com problemas
financeiros vão ao médico e a hospitais com mais frequência, faltam mais ao
trabalho, usam mais atestados médicos, se desentendem mais facilmente com
colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração,
a produtividade do trabalho é afetada, se separam ou divorciam mais que os
indivíduos financeiramente estáveis.
Atitudes que podem contribuir para a prosperidade
financeira:
1. FAZER PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
Antes de abrir a carteira, passar o cartão de
crédito ou utilizar o talão de cheques é necessário avaliar se temos dinheiro
suficiente no banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou
pagar as prestações ou financiamentos sem ficar devendo. É muito importante
fazer orçamento financeiro e acompanhá-lo periodicamente. Relacione as receitas
e todas as despesas, inclusive as de pequenos valores, como o café espresso, o
lanche etc. Liste as despesas em tópicos como: moradia, educação, saúde,
transporte, lazer etc. Ao elaborar o orçamento, você conhecerá a estrutura de
despesas e como está gastando mensalmente. A grande vantagem é que você descobrirá
os ralos por onde o dinheiro some e poderá tomar as devidas providências.
2. ECONOMIZAR NO DIA A DIA:
Prospera aquele que economiza no dia a dia. Assim,
feito o orçamento pessoal, está na hora de guardar a diferença entre a receita
(R) e a despesa (D), observando a relação R>D (superávit). A reserva
financeira é importante para ajudar nos imprevistos, para garantir a educação
dos filhos, a qualidade de vida presente e aposentadoria confortável.
É um compromisso que deve ser levado a sério e
envolve todos os membros da família. Estabeleça objetivos possíveis realizáveis
e faça tudo para atingi-los. É a oportunidade para que os filhos entendam que a
liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho.
Dinheiro é fácil de perder e mais difícil ainda é mantê-lo. Oriente seus filhos
desde a infância e serão adultos financeiramente responsáveis. Bons hábitos financeiros
começam na infância.
3. PLANEJAR SUA APOSENTADORIA:
Muitos acreditam que o benefício pago pelo
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não será suficiente para manter boa qualidade de vida na
aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos,
dentistas, remédios etc. Se não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será
insuficiente para pagar as despesas na aposentadoria. Nesse caso devemos ficar
atento e reservar um percentual do salário todos os meses para depositar no
banco e fazer uma reserva financeira.
Vamos trabalhar um exemplo: inicie retirando 10% da
renda líquida e guarde em um banco. Verifique após três meses como está sua
qualidade de vida, se não foi alterada mantenha o recolhimento por mais nove
meses. A partir daí entra no automático. Esse valor depositado mensalmente não
deve ser mexido, ele trará uma renda extra ou renda passiva no futuro,
garantindo melhor qualidade de vida na aposentadoria. Chame essa conta de
Liberdade Financeira. Após o primeiro ano descontando 10%, inicie outra depositando
5% da renda líquida, obedecendo o mesmo raciocínio, três meses e depois mais
nove e assim sucessivamente. Essa conta, dos 5%, é para atender necessidades
urgentes em geral. A mudança da aposentadoria que deverá ocorrer em breve pode
servir de estímulo para as pessoas começarem a pensar a respeito da conta
Liberdade Financeira. Comece o quanto antes.
4. NÃO PARCELAR COMPRAS:
Muita gente parcela compras, o que pode ser
demonstrado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas (17,5%),
financiamento de carro (10,9%) e financiamento de casa (8,7%), segundo a PEIC de dez/17. Se não tiver dinheiro para comprar à
vista não compre, deixe para o próximo mês ou para o próximo semestre.
Antes de abrir a carteira
pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo
uma resposta negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas,
compre, mas antes negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja dos carnês de
lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenas parcelas quando somadas,
se transformam em grandes valores. Planeje suas compras, siga seu orçamento,
seja um consumidor consciente.
5. FUGIR DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:
As promoções e a publicidade são tentadoras durante
todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia das crianças
em outubro, Black Friday em novembro, Natal em dezembro e muitos outros feriados em que o exagero
publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no Brasil em
2010. Tem tido muito sucesso e poderá mudar a data em 2018 evitando ficar
próxima ao período de Natal. Afinal de contas, vender é o foco principal do
comércio.
Em todos esses períodos comemorativos o comércio se
prepara antecipadamente para as vendas, e as promoções muitas vezes escondem maquiagem
de preços e outros deslizes que podem levar os incautos ao endividamento. As
campanhas promocionais fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a
elevar as estatísticas da inadimplência. Logo, para fugir das inúmeras e
ardilosas armadilhas atenha-se ao planejado.
6. UTILIZAR O CARTÃO DE CRÉDITO EM ÚLTIMO CASO:
Um dos fatores do endividamento decorre da má
utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. O
Banco Central divulgou em 26/1/17 as novas regras para o pagamento do rotativo que vigoram a partir de 3/4/17, limitando o parcelamento do débito e
obrigando as instituições a renegociarem as dívidas.
Segundo a PEIC de dez/17, cerca de 76,7%
das famílias brasileiras se endividam com cartão de crédito -
famílias com renda de até 10 salários mínimos o percentual está em 77,6% e as
com renda acima de 10 cai para 72,9%. Uma péssima decisão, se considerar que os
juros estão em torno de 300% a.a. no crédito rotativo. O cartão de crédito pode ser um grande aliado quando utilizado com
disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens
aéreas gratuitas e outros benefícios. Use-o com parcimônia e apenas quando
necessário, nunca com supérfluos.
7. RENEGOCIAR AS DÍVIDAS:
Troque as dívidas caras,
rotativo do cartão de crédito e cheque especial por um consignado, se um corte
de despesas não resolver inicialmente. Financiamento imobiliário ou de
automóvel, por exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na
redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os
valores das prestações/financiamento e até conseguir redução de prazos. Ao
renegociar as dívidas cria-se nova e melhor condição de pagamento mas
atenção com o endividamento. Uma dica, fique atento ao Feirão Limpa Nome 2018-SPC SERASA, um evento que pode ajudar os endividados a renegociarem dívidas.
As pessoas que
desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada
produtividade, mantém o foco o tempo todo, não descuidam da saúde física e
mental e buscam relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis. Não compre
por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, evite pagar
juros, não faça parcelamentos e nunca despreze o poder dos pequenos valores.
Portanto, as pessoas que alcançam
a prosperidade financeira são disciplinadas, têm objetivos claros e bem
definidos, trabalham com metas realizáveis, fazem poupança no dia a dia,
controlam despesas, não compram por impulso, buscam liberdade financeira o
tempo todo, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito
com parcimônia, estão atentas às mudanças na e da economia e à rentabilidade dos
principais ativos financeiros.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas e potenciais líderes, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas e potenciais líderes, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
Excelentes sugestões..
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