sexta-feira, 21 de agosto de 2015

PESSIMISMO DO CONSUMIDOR CAI SEGUNDO A CNI
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 97,9 pontos em jul/15, ante 96,2 observados no mês anterior e 109,2 em dez/14.

O INEC subiu 1,8% em julho na comparação com o mês anterior, o que revela melhora na confiança do consumidor. O resultado também pode ser entendido como declínio do pessimismo, tendo em vista que o índice de jul/15 é o segundo menor da série histórica iniciada em jun/01.

Uma melhora relevante foi verificada no índice que mede a expectativa da renda pessoal, com alta de 5,5%, ao passar de 87,3 pontos em jun/15 para 92,1 no mês seguinte. A variação positiva mostra que em julho deste ano os brasileiros estão com perspectiva mais positiva para a renda dos próximos seis meses do que estavam no mês anterior.

O índice que mede a expectativa de desemprego, o segundo melhor desempenho, subiu 4,3% entre junho e jul/15, o que sinaliza melhora nas finanças dos consumidores de acordo com a própria avaliação deles. O terceiro melhor desempenho ficou com o índice de expectativa de desemprego que apresentou crescimento de 3,1% no período jun-jul/15, indicando que no período mais pessoas passaram a acreditar na redução futura da taxa de desemprego.

O quarto melhor desempenho ficou com o índice que mede a expectativa de inflação, que passou de 91,9 pontos para 93,5 no período jun-jul/15. O quinto índice a apresentar variação positiva foi o endividamento do consumidor, que passou de 91,8 pontos em jun/15 para 93 pontos no mês seguinte.

Com exceção da expectativa de consumo de bens de maior valor, que decresceu de 114,6 pontos em jun/15 para 112,2 em julho, queda de 2,1%, todos os índices que compõem o INEC avançaram no período jun-jul/15.

Segundo relatório da CNI/INEC, “Vale lembrar que os índices que cresceram na passagem de junho para julho ainda estão bastante abaixo do nível registrado em julho de 2014. Tal comportamento revela que, de forma geral, os consumidores estão atualmente menos satisfeitos do que estavam há 12 meses e também enxergam o futuro próximo – horizonte de seis meses – com menos confiança do que enxergavam em julho do ano passado.”

Portanto, embora os indicadores tenham apresentado desempenhos positivos no bimestre jun-jul/15 (+1,8%), os valores ainda estão abaixo do nível registrado em dez/14 (109,2) e jul/14 (109,5). O desempenho do INEC no bimestre mostra que os consumidores estão mais insatisfeitos do que estavam em igual período do ano anterior e enxergam os próximos seis meses com menor grau de confiança do que viam há um ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

AS EXPECTATIVAS DO MERCADO PIORAM
Régis Varão/¹

As expectativas do mercado divulgadas no Boletim Focus de 14.8.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para o IPCA, os juros e IED em 2015, e para o IGP-DI, IPC-Fipe, Dívida Líquida do Setor Público e IED em 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento do BCB. A análise aborda oito entre treze variáveis pesquisadas pelo Boletim Focus:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 14.8.15 manteve estável para 2015, a projeção do índice em 9,32% nas duas últimas semanas, ante estimativa de 9,15% observada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 15.8.14 manteve estável em 6,25% para aquele ano. Em doze meses a variação nas estimativas, para 2015, ficou inalterada em +3,07 p.p. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana manteve a expectativa praticamente estável em 5,44%, de 5,43% do boletim anterior, e de 5,40% há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 14.8.15 manteve praticamente estável em 7,67% a estimativa do índice para 2015, de 7,66% da semana anterior e 7,64% há trinta dias, enquanto o Focus de 15.8.14 mantém em 5,50%, valor observado nas últimas quatro semanas. Em doze meses a variação nas estimativas do IGP-DI ficou em +2,17 p.p., abaixo do observado no IPCA (+3,07 p.p.) no período. O boletim de 14.8.15 manteve a estimativa do IGP-DI para 2016 em 5,50%, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 14.8.15 corrige a projeção do câmbio para R$/U$3,48, de R$/U$3,40 verificada na pesquisa anterior para o final de 2015, enquanto o boletim de 15.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para 2016, a última pesquisa Focus corrigiu o câmbio para R$/U$3,60, ante R$/U$3,50 da semana anterior e R$/U$3,40 há trinta dias. O câmbio vem apresentando fortes correções altistas nos últimos meses, devido a instabilidade da economia brasileira;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 14.8.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas semanas, ante 14,50% a.a. divulgado há quatro semanas, enquanto o boletim de 15.8.14 reduz para 11,75% a.a., de 12% a.a. registrado nas últimas semanas. Para 2016, o Focus desta semana reduz a projeção do mercado para 11,88% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 14.8.15 corrige novamente para baixo (-2,01%), o desempenho do PIB para 2015, ante -1,97% do boletim anterior e -1,70% há quatro semanas, enquanto o Focus de 15.8.14 manteve estável a projeção de crescimento do PIB em +1,20% para este ano. Com relação a 2016, pela primeira vez a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para valor negativo (-0,15%), ante desempenho nulo observado no Focus anterior, e +0,33% há quatro semanas. A queda nas vendas do comércio e na produção industrial, o aumento do desemprego, da inflação e dos juros, entre outros, contaminam a atividade econômica, elevando o pessimismo do mercado;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima em -5% o declínio da atividade industrial para este ano, ante -5,21% do boletim anterior, enquanto a pesquisa de 15.8.14 mantém inalterada a estimativa de crescimento da indústria em +1,70% para 2015. Para 2016, a pesquisa de 14.8.15 reduz o crescimento da indústria para +1%, de +1,15% da semana anterior e +1,50% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 14.8.15 apresentou elevação do superávit da balança comercial para U$8 bilhões para 2015, ante U$7,70 bi registrados há uma semana e U$6,40 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 15.8.14 redua a  projeção do superávit para U$8 bilhões, de U$9 bi do boletim anterior, e U$9,80 bilhões há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana eleva o superávit para U$15,19 bilhões, ante U$ 15 bi da semana anterior e U$ 14 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 14.8.15 manteve a estimativa do IED em U$65 bilhões para 2015, de U$66,25 bi há trinta dias, enquanto o Focus de 15.8.14 projeta U$56 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas doze semanas.

Portanto, o aumento dos juros, a restrição do crédito, a elevação da inflação e do desemprego, a queda das vendas do comércio e da produção industrial, associados à falta de criatividade do governo para resolver os problemas centrais da economia brasileira, têm contribuído para elevar o pessimismo dos principais agentes econômicos do País, aumentando a desconfiança de investidores nacionais e estrangeiros.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

AUMENTA O PESSIMISTA DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 7.8.15, divulgadas pelo Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para juros em 2015, e índices gerais de preços, juros e IED no próximo ano. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento da Autoridade Monetária:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 7.8.15 elevou para 9,32%, de 9,25% na semana anterior, a expectativa do índice para 2015, ante 9,12% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 8.8.14 elevou de 6,24% para 6,25%, na mesma base de comparação. Em doze meses, um incremento de 3,07 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado segunda-feira corrige a expectativa de 5,40% do boletim anterior para 5,43% no boletim desta semana;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 7.8.15 manteve praticamente estável a expectativa para o IGP-DI em 2015, passando de 7,67% na semana anterior para 7,66% no boletim desta semana, ante 7,51% há trinta dias, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz de 5,53% para 5,50% em uma semana. Assim como o IPCA (+3,07 p.p.), o IGP-DI (+2,16 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas realizadas nos últimos doze meses para 2015. O Focus de 7.8.15 manteve em 5,50% a estimativa do índice para 2016, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 7.8.15 eleva a projeção do câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,35 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto o boletim de 8.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada nesta semana manteve praticamente estável a projeção do câmbio para 2016, passando de R$/U$3,49 na semana anterior, para R$/U$3,50 na última pesquisa;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 7.8.15 mantém em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final deste ano, ante 14,50% a.a. verificada há quatro semanas, enquanto o boletim de 8.8.14 continua com 12% a.a. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 7.8.15 corrige fortemente para baixo (-1,97%), o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,80% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz a projeção de crescimento para +1,20% para 2015, de +1,50% observado nas semanas anteriores. Com relação a 2016, o boletim desta semana estima em 0,0% o desempenho do PIB para aquele ano, ante +0,20% da semana anterior, e +0,50% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrige para baixo (-5,21%) o declínio da atividade industrial para 2015, ante -5% observado nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 8.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 7.8.15 reduz o crescimento da indústria para +1,15%, de +1,30% na pesquisa anterior e +1,40% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 7.8.15 apresentou elevação do superávit da balança comercial para U$7,70 bilhões para 2015, ante U$6,40 bi registrados há uma semana e U$5,50 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 8.8.14 eleva a projeção do superávit para U$9 bilhões, de U$8,50 bi do boletim anterior. Para 2016, o último Focus eleva o superávit para U$15 bilhões, ante U$ 14,79 bi da semana anterior e U$ 13 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus de 7.8.15 reduz a estimativa do IED para U$65 bilhões em 2015, de U$66 bi nas semanas anteriores, enquanto a de 8.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa divulgada nesta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas onze semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro político e econômico nacional. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da economia, com juros, inflação, taxa de câmbio, inadimplência e desemprego crescendo, entre outros, têm contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro da economia brasileira, com riscos para a governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas divulgadas no Boletim Focus de 31.7.15, do Banco Central (BCB), para os principais indicadores macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 na maioria das variáveis, exceto para juros, produção industrial e saldo da balança comercial. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 31.7.15 elevou de 9,23% para 9,25%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 9,04% observada há quatro semanas, enquanto o de 1.8.14 elevou de 6,21% para 6,24%, na mesma base de comparação, a estimativa para este ano. Um incremento de 3,01 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015, em apenas doze meses. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a projeção em 5,40%, ante 5,45% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 31.7.15 corrigiu para 7,67% a projeção do índice para 2015, de 7,69% da semana anterior e 7,42% há um mês, enquanto o Focus de 1.8.14 eleva para 5,53% a expectativa para este ano. Assim como o IPCA (+3,01 p.p.), o IGP-DI (+2,14 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses, embora tenha reduzido a taxa de crescimento quando comparada ao boletim anterior. O Focus de 31.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nas últimas 52 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 31.7.15 eleva a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,35, de R$/U$3,25 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 1.8.14 mantém o câmbio em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada no início desta semana, eleva a taxa de câmbio para R$/U$3,49, de R$/U$3,40 observado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 31.7.15 mantém em 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, ante 14,50% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 1.8.14 continua estimando em 12% a.a. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 31.7.15 reduz para -1,80%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,76% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 1.8.14 continua apostando em crescimento de +1,50% para este ano. Com relação ao próximo ano, o boletim divulgado nesta semana mantém em +0,20% o crescimento do PIB, ante +0,50% divulgado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o declínio da atividade industrial para 2015, ante igual projeção observada na semana anterior e -4,72% há trinta dias, enquanto o boletim de 1.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 31.7.15 mantém o crescimento da indústria em +1,30%, de +1,35% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 31.7.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$6,40 bilhões para 2015, ante U$5 bi registrados há um mês, enquanto o boletim de 1.8.14 reduz a projeção do superávit para U$8,50 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana reduz o superávit para U$14,79 bilhões, ante U$ 14,89 bi da semana anterior e U$ 12,40 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira eleva a estimativa do IED para U$66 bilhões em 2015, de U$65,70 bi há uma semana e U$67 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 1.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas dez semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro econômico e político brasileiro. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da atividade econômica, à pressão do câmbio e aos juros em alta têm contribuído para elevar o pessimismo dos principais agentes econômicos, pondo em risco a própria governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CONSUMIDOR REDUZ PESSIMISMO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 97,9 pontos em julho deste ano frente a 96,2 observados no mês anterior e 109,2 registrados em dez/14.

O INEC subiu 1,8% em jul/15, ante o mês anterior (96,2%) e registra queda de 10,4% na comparação com dez/14 (109,2 pontos). Na comparação anual, o INEC caiu 10,6% ante jul/14 (109,5) e -11% quando comparado a jul/13 (110,0 pontos).

O índice vem declinando desde jan/15 (104,2), sendo o segundo menor valor observado no ano, e se mantém abaixo da média histórica de 110,2 pontos. O resultado pode ser entendido apenas como declínio do pessimismo, já que o índice de jul/15 é o segundo menor da série iniciada em jun/01.

Entre os componentes do índice, o desempenho mais significativo no último bimestre foi observado no indicador que afere a expectativa da renda pessoal. De acordo com os dados do INEC de jul/15, os brasileiros estão com uma perspectiva mais positiva para a renda dos próximos seis meses do que estavam no mês anterior. Retirando o indicador que mede a expectativa de consumo de bens de maior valor, todos os demais índices que compõem o INEC apresentaram crescimento entre junho e julho de 2015.

Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jul/15:

(a) Expectativa de Inflação: em jul/15 atingiu 93,5 pontos, ante 91,9 observados no mês anterior, crescimento de 1,7%. O indicador em jul/15 registrou queda de 2,8% quando comparado a dez/14 (96,2) e caiu 10,3% quando comparado a jul/14 com 104,2 pontos;

(b) Expectativa de Desemprego: registrou 104,1 pontos em jul/15, ante 101,0 verificados no mês anterior, incremento de 3,1%, e registrou queda de 10,7% quando comparado a jul/14 (116,6);

(c) Expectativa da renda pessoal: o desempenho mais significativo foi observado nesse indicador que subiu para 92,1 pontos em jul/15, de 87,3 do mês anterior, alta de 5,5%. Comparando jul/15 (92,1) com jul/14 houve redução de 16,8%, a segunda maior queda nesse tipo de comparação;

(d) Situação Financeira: atingiu 87,0 pontos em jul/15, de 83,4 observado no mês anterior, crescimento 4,3%, mostrando elevação das expectativas positivas quanto ao indicador nos próximos meses. Comparando julho deste ano com jul/14 o indicador apresentou o maior declínio (-20,8%) nessa base de comparação. O desempenho do indicador no bimestre jun-jul/15, sinaliza melhora nas finanças dos consumidores segundo a própria avaliação deles;

(e) Endividamento: subiu 1,3% em jul/15, ante o mês anterior, e apresentou declínio de 7,8% frente a dez/14 (100,9). Com relação a jul/14 o indicador de julho deste ano decresceu 11,5%. O resultado do bimestre jun-jul/15 mostra que mais pessoas afirmaram menor nível de endividamento;

(f) Compras de bens de maior valor: entre os demais componentes do INEC, as compras de bens de maior valor apresentaram declínio de 2,1% em jul/15, ante o mês anterior, mas cresceu 1,8% na comparação com julho de 2014.

Portanto, embora os indicadores tenham apresentado desempenho positivo no bimestre jun-jul/15, os valores ainda estão muito abaixo do nível registrado em dez/14 (109,2) e jul/14 (109,5). O desempenho mostra, no geral, que os consumidores estão nos últimos meses menos satisfeitos do que estavam há um ano e enxergam os próximos seis meses com menor grau de confiança do que viam em julho de 2014.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 1 de agosto de 2015

A CRISE BATE NA PORTA DOS BRASILEIROS
Régis Varão/¹

O orçamento do brasileiro tem sofrido com a combinação perversa de desemprego, endividamento, inflação, juros crescentes e restrição de crédito. A crise se instalou na casa dos brasileiros e tudo indica que teremos um longo período de “vacas magras.” As poucas conquistas dos últimos anos estão com os dias contados e deverão impactar negativamente a qualidade de vida e nos hábitos de consumo da população em geral.

Embora o tema finanças pessoais tenha chegado ao Brasil no início da década passada, exemplo do livro Pai Rico Pai Pobre (2000) de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter, como literatura de autoajuda, apenas após alguns anos o tema educação financeira se firmou como relevante tendo em vista as diversas mudanças registradas no sistema financeiro nacional, com suas diversificadas linhas de crédito, diferenciadas opções de pagamentos por meios eletrônicos etc, o que levou as decisões dos consumidores a ficarem mais complexas.

Pode-se afirmar que é grande a quantidade de pessoas que desconhecem educação financeira, basta verificar o nível e a forma de endividamento do brasileiro nos últimos anos. Vamos ilustrar com algumas estatísticas do livro Seu bolso, de Nuccio & Dana: 8 em cada 10 brasileiros não têm controle de suas despesas pessoais; 57% não sabem informar, com precisão, quanto gastam em extras mensalmente; 56% chegam ao último dia do mês sem poupar um centavo; 45% declararam que viveriam bem sem o cartão de crédito e fazendo compras à vista; 12% só conseguem comprar tudo que precisam com empréstimos e parcelamentos; 35% dos estudantes do ensino médio não pesquisam o mesmo produto em outras lojas antes de comprar e 53% dos brasileiros fazem compras por impulso.

Pesquisas demonstram que os indivíduos tendem a superestimar seus conhecimentos de finanças, elevando o risco de decisões equivocadas. Assim, quanto maior o nível de desconhecimento de educação financeira, maior o risco de tomarem decisões erradas, pagar juros mais elevados, contrair dívidas, aumentar o endividamento, comprar por impulso e fazer más escolhas quanto a seus investimentos.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 24.7.15, a estimativa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano está em 9,23%, e em 25.7.14 indicava 6,21%, incremento de 3,02 p.p. em doze meses. O IPCA, índice oficial que mede a inflação, apresentou forte incremento (+3,02 p.p.), segundo previsões do mercado, no espaço de doze meses, ampliando a redução do poder aquisitivo das famílias.

O Focus de 24.7.15 indica declínio de 1,76% do Produto Interno Bruto - PIB em 2015, enquanto a pesquisa de 25.7.14 estimava crescimento de +1,50% para aquele ano. Quanto a 2016, o boletim de 24/7/15 projeta +0,20% de crescimento do PIB, enquanto em igual período de 2014 estimava variação positiva de 1,50%, uma deterioração das expectativas do mercado em apenas doze meses.

Pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento-ACREFI , de julho deste ano, indica que 84% dos consumidores não pretendem tomar mais crédito e estão dispostos a não fazerem mais dívidas, enquanto 86% acreditam que o desemprego vai aumentar nos próximos meses.

Segundo a ACREFI houve crescimento no número de pessoas que acreditam que o consumo das famílias vai piorar assim como a oferta de crédito. Em jul/15 para 71% dos entrevistados, a situação do País é ruim ou péssima, enquanto ótima ou boa está em apenas 4%. Em abr/15, 66% dos pesquisados considerava a situação ruim ou péssima, enquanto ótima ou boa representava 34%. Com relação à situação pessoal, 84% dos consumidores pretendem mudar o padrão de consumo economizando mais em 2015.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contempla mai/15, afirma que o total do pessoal ocupado assalariado na indústria caiu 1%, ante o mês anterior, sem ajuste sazonal, quinta taxa negativa consecutiva, acumulando no período perda de 3,1%. O decréscimo em mai/15 foi o maior desde fev/09 (-1,3%). Na comparação com mai/14, o emprego industrial decresceu 5,8% em mai/15, o mais forte decréscimo desde set/09 (-6,1%). No período jan-mai/15, o total do pessoal ocupado caiu 5%. Preocupante a quantidade de trabalhadores que perdeu o emprego nos últimos meses, e em especial em mai/15 (-1%), que apresentou o maior declínio desde fev/09 (-1,3%). Um quadro desanimador se instalou na indústria nacional, que também reduziu a quantidade de horas trabalhadas e o valor da folha de pagamento no quinto mês deste ano. O desempenho da indústria ao desempregar grande contingente de trabalhadores, contribui para pressionar a inadimplência.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a participação percentual de famílias endividadas em jul/15 registrou declínio tanto na comparação mensal como em relação a igual mês do ano anterior. Apesar do declínio do endividamento, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 21,5% em jul/15, de 18,9% em jul/14. O percentual de famílias que continuavam inadimplentes, isto é, sem condições de pagar suas contas, passou de 6,6% em jul/14, para 8,1% em julho deste ano. O percentual das famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) atingiu 63,3% em jul/15, de 64,3% em jul/14. Já com renda superior a 10 SM o percentual de endividamento decresceu de 57% em jul/14, para 55,4% em jul/15.

De acordo com a CNC, o cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida por 77,4% dos endividados. Em segundo lugar temos carnês de lojas com 16,3%, seguido por financiamento de carro (13,5%), crédito pessoal (8,6%), financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,9%), crédito consignado (4,6%) e cheque pré-datado com 1,7%. Nas duas faixas de renda, até 10 SM (77,9%) e acima de 10 SM (74,7%) a liderança está com o cartão de crédito.

Segundo a PEIC, em jul/15, “mais uma vez houve alta do percentual de famílias que relataram endividamento elevado na comparação anual. As condições menos favoráveis de contratação de novos empréstimos e de renegociação de dívida, somadas ao recuo dos rendimentos dos trabalhadores, têm levado a uma piora na percepção das famílias em relação ao endividamento.”

A Pesquisa Nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, que contempla emprego atual (-13,5%), perspectiva profissional (-12%), renda atual (-23,1%), compra a prazo (-34,4%), nível de consumo atual (-32,5%), perspectiva de consumo (-39,7%) e momento para duráveis (-43,4%), apresentou declínios em todos os indicadores na comparação de jul/15, ante jul/14. A ICF, agregado, registrou quedas de 5,3% em jul/15, com 86,9 pontos, na comparação com o mês anterior, e caiu 27,9% frente a jul/14.

Quem não sabe quanto gasta e desconhece quanto ganha, com certeza terá dificuldades para atingir o equilíbrio financeiro e problemas para formar poupança. O planejamento financeiro não foca apenas no sucesso material, ele trabalha com o sucesso pessoal e profissional e busca o sucesso da família com qualidade de vida. O planejamento financeiro propicia as pessoas a fazerem reservas financeira, que será útil para atender situações que surgem ao longo da vida. A educação financeira é necessária para a família ou indivíduo que deseja ter suas contas em ordem, e nesse aspecto precisa de um bom orçamento, que é a projeção de receitas e despesas para determinado período de tempo.

Alguns passos para elaborar um orçamento:

(a): relacione  as despesas feita no período de uma semana, mês etc; guarde todos os comprovantes de despesas se possível como: café, cigarro, cerveja etc; (b): liste as receitas (salários ou comissões); (c): relaciona as despesas: alimento: açougue, padaria, supermercado etc; moradia: aluguel, prestação da casa, condomínio, iptu, seguro, água, luz etc; saúde: plano de saúde, consultas, fisioterapia, remédios etc; vestuário: roupas, calçados etc; transporte: prestação de carro, gasolina, manutenção, ipva, seguro etc; educação: mensalidades de colégio/faculdade, matrícula, material escolar etc; lazer: cinema, teatro, passagens aéreas, restaurantes, TV a cabo etc; pessoais: salão de beleza, manicure etc; outras: presentes, doações etc; financeiras: juros de empréstimos e do cheque especial, anuidade do cartão de crédito, tarifas bancárias etc.

Faça o somatório das despesas e receitas e compare-as para verificar se tem superávit ou déficit. Veja os ralos, muitas vezes são pequenos valores gastos com cafezinho, cerveja etc. Conhecendo o orçamento e contornado os maus hábitos, devemos definir o que queremos. Defina e reveja as prioridades. Se deficitário, temos que cortar despesas, estabelecer metas e definir um percentual de 10 ou 20% da renda líquida para reserva financeira (emergência).

Portanto, o orçamento tem que ser colocado em prática. O endividado tem que rever seus conceitos, adotar novas atitudes e práticas na gestão de seus recursos e procurar entender a importância do planejamento para sua vida presente e futura. Aprenda a renegociar suas dívidas, fuja do cheque especial e de compras parceladas, pesquise preços, e faça reserva financeira.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.