sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas divulgadas no Boletim Focus de 31.7.15, do Banco Central (BCB), para os principais indicadores macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 na maioria das variáveis, exceto para juros, produção industrial e saldo da balança comercial. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 31.7.15 elevou de 9,23% para 9,25%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 9,04% observada há quatro semanas, enquanto o de 1.8.14 elevou de 6,21% para 6,24%, na mesma base de comparação, a estimativa para este ano. Um incremento de 3,01 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015, em apenas doze meses. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a projeção em 5,40%, ante 5,45% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 31.7.15 corrigiu para 7,67% a projeção do índice para 2015, de 7,69% da semana anterior e 7,42% há um mês, enquanto o Focus de 1.8.14 eleva para 5,53% a expectativa para este ano. Assim como o IPCA (+3,01 p.p.), o IGP-DI (+2,14 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses, embora tenha reduzido a taxa de crescimento quando comparada ao boletim anterior. O Focus de 31.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nas últimas 52 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 31.7.15 eleva a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,35, de R$/U$3,25 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 1.8.14 mantém o câmbio em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada no início desta semana, eleva a taxa de câmbio para R$/U$3,49, de R$/U$3,40 observado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 31.7.15 mantém em 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, ante 14,50% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 1.8.14 continua estimando em 12% a.a. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 31.7.15 reduz para -1,80%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,76% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 1.8.14 continua apostando em crescimento de +1,50% para este ano. Com relação ao próximo ano, o boletim divulgado nesta semana mantém em +0,20% o crescimento do PIB, ante +0,50% divulgado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o declínio da atividade industrial para 2015, ante igual projeção observada na semana anterior e -4,72% há trinta dias, enquanto o boletim de 1.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 31.7.15 mantém o crescimento da indústria em +1,30%, de +1,35% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 31.7.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$6,40 bilhões para 2015, ante U$5 bi registrados há um mês, enquanto o boletim de 1.8.14 reduz a projeção do superávit para U$8,50 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana reduz o superávit para U$14,79 bilhões, ante U$ 14,89 bi da semana anterior e U$ 12,40 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira eleva a estimativa do IED para U$66 bilhões em 2015, de U$65,70 bi há uma semana e U$67 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 1.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas dez semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro econômico e político brasileiro. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da atividade econômica, à pressão do câmbio e aos juros em alta têm contribuído para elevar o pessimismo dos principais agentes econômicos, pondo em risco a própria governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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