quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CONSUMIDOR REDUZ PESSIMISMO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 97,9 pontos em julho deste ano frente a 96,2 observados no mês anterior e 109,2 registrados em dez/14.

O INEC subiu 1,8% em jul/15, ante o mês anterior (96,2%) e registra queda de 10,4% na comparação com dez/14 (109,2 pontos). Na comparação anual, o INEC caiu 10,6% ante jul/14 (109,5) e -11% quando comparado a jul/13 (110,0 pontos).

O índice vem declinando desde jan/15 (104,2), sendo o segundo menor valor observado no ano, e se mantém abaixo da média histórica de 110,2 pontos. O resultado pode ser entendido apenas como declínio do pessimismo, já que o índice de jul/15 é o segundo menor da série iniciada em jun/01.

Entre os componentes do índice, o desempenho mais significativo no último bimestre foi observado no indicador que afere a expectativa da renda pessoal. De acordo com os dados do INEC de jul/15, os brasileiros estão com uma perspectiva mais positiva para a renda dos próximos seis meses do que estavam no mês anterior. Retirando o indicador que mede a expectativa de consumo de bens de maior valor, todos os demais índices que compõem o INEC apresentaram crescimento entre junho e julho de 2015.

Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jul/15:

(a) Expectativa de Inflação: em jul/15 atingiu 93,5 pontos, ante 91,9 observados no mês anterior, crescimento de 1,7%. O indicador em jul/15 registrou queda de 2,8% quando comparado a dez/14 (96,2) e caiu 10,3% quando comparado a jul/14 com 104,2 pontos;

(b) Expectativa de Desemprego: registrou 104,1 pontos em jul/15, ante 101,0 verificados no mês anterior, incremento de 3,1%, e registrou queda de 10,7% quando comparado a jul/14 (116,6);

(c) Expectativa da renda pessoal: o desempenho mais significativo foi observado nesse indicador que subiu para 92,1 pontos em jul/15, de 87,3 do mês anterior, alta de 5,5%. Comparando jul/15 (92,1) com jul/14 houve redução de 16,8%, a segunda maior queda nesse tipo de comparação;

(d) Situação Financeira: atingiu 87,0 pontos em jul/15, de 83,4 observado no mês anterior, crescimento 4,3%, mostrando elevação das expectativas positivas quanto ao indicador nos próximos meses. Comparando julho deste ano com jul/14 o indicador apresentou o maior declínio (-20,8%) nessa base de comparação. O desempenho do indicador no bimestre jun-jul/15, sinaliza melhora nas finanças dos consumidores segundo a própria avaliação deles;

(e) Endividamento: subiu 1,3% em jul/15, ante o mês anterior, e apresentou declínio de 7,8% frente a dez/14 (100,9). Com relação a jul/14 o indicador de julho deste ano decresceu 11,5%. O resultado do bimestre jun-jul/15 mostra que mais pessoas afirmaram menor nível de endividamento;

(f) Compras de bens de maior valor: entre os demais componentes do INEC, as compras de bens de maior valor apresentaram declínio de 2,1% em jul/15, ante o mês anterior, mas cresceu 1,8% na comparação com julho de 2014.

Portanto, embora os indicadores tenham apresentado desempenho positivo no bimestre jun-jul/15, os valores ainda estão muito abaixo do nível registrado em dez/14 (109,2) e jul/14 (109,5). O desempenho mostra, no geral, que os consumidores estão nos últimos meses menos satisfeitos do que estavam há um ano e enxergam os próximos seis meses com menor grau de confiança do que viam em julho de 2014.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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