AUMENTA O
PESSIMISTA DO MERCADO
Régis
Varão/¹
As estimativas do Boletim Focus de 7.8.15, divulgadas
pelo
Banco Central (BCB), para as
principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015
e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para juros em 2015, e índices
gerais de preços, juros e IED no próximo ano. A pesquisa é semanal, considera
informações de cerca de 100
instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento
da Autoridade Monetária:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 7.8.15 elevou para 9,32%, de 9,25% na semana
anterior, a expectativa do índice para 2015, ante 9,12% há quatro semanas,
enquanto a pesquisa de 8.8.14 elevou de 6,24% para 6,25%, na mesma base
de comparação. Em doze meses, um incremento de 3,07 p.p. nas estimativas do IPCA
para 2015. Para 2016, o Focus divulgado segunda-feira corrige a expectativa de
5,40% do boletim anterior para 5,43% no boletim desta semana;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 7.8.15 manteve praticamente estável a expectativa para o IGP-DI em 2015,
passando de 7,67% na semana anterior para 7,66% no boletim desta semana, ante 7,51%
há trinta dias, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz de 5,53%
para 5,50% em uma semana. Assim como o IPCA (+3,07 p.p.), o IGP-DI (+2,16 p.p.)
apresenta deterioração nas estimativas realizadas nos últimos doze meses para
2015. O Focus de 7.8.15 manteve em 5,50% a estimativa do índice para 2016,
valor observado nos últimos doze meses;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 7.8.15 eleva a projeção
do câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,35 verificada na semana anterior, para o
final de 2015, enquanto o boletim de 8.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final
de 2016, a pesquisa divulgada nesta semana manteve praticamente estável a
projeção do câmbio para 2016, passando de R$/U$3,49 na semana anterior, para R$/U$3,50
na última pesquisa;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de
7.8.15 mantém em
14,25% a.a. a projeção dos juros para o final deste ano, ante 14,50% a.a. verificada
há quatro semanas, enquanto o boletim de 8.8.14 continua com 12% a.a. Para
2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a expectativa do mercado em 12%
a.a.;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 7.8.15 corrige
fortemente para baixo (-1,97%), o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,80% do
boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz a
projeção de crescimento para +1,20% para 2015, de +1,50% observado nas semanas
anteriores. Com relação a 2016, o boletim desta semana estima em 0,0% o
desempenho do PIB para aquele ano, ante +0,20% da semana anterior, e +0,50% há
quatro semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana corrige para baixo (-5,21%) o declínio da atividade industrial para 2015,
ante -5% observado nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 8.8.14 projeta
variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 7.8.15 reduz o
crescimento da indústria para +1,15%, de +1,30% na pesquisa anterior e +1,40% há
trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
7.8.15 apresentou
elevação do superávit da balança comercial para U$7,70 bilhões para 2015, ante U$6,40
bi registrados há uma semana e U$5,50 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 8.8.14 eleva a
projeção do superávit para U$9 bilhões, de U$8,50 bi do boletim anterior. Para 2016,
o último Focus eleva o superávit para U$15 bilhões, ante U$ 14,79 bi da semana
anterior e U$ 13 bi observados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus de 7.8.15 reduz a estimativa
do IED para U$65 bilhões em 2015, de U$66 bi nas semanas anteriores, enquanto a
de 8.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa divulgada nesta semana mantém a estimativa
de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas onze semanas.
Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente
suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro político e econômico nacional.
Os problemas políticos associados ao mau desempenho da economia, com juros,
inflação, taxa de câmbio, inadimplência e desemprego crescendo, entre outros, têm
contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto ao
comportamento futuro da economia brasileira, com riscos para a governabilidade.
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