sexta-feira, 14 de agosto de 2015

AUMENTA O PESSIMISTA DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 7.8.15, divulgadas pelo Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para juros em 2015, e índices gerais de preços, juros e IED no próximo ano. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento da Autoridade Monetária:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 7.8.15 elevou para 9,32%, de 9,25% na semana anterior, a expectativa do índice para 2015, ante 9,12% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 8.8.14 elevou de 6,24% para 6,25%, na mesma base de comparação. Em doze meses, um incremento de 3,07 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado segunda-feira corrige a expectativa de 5,40% do boletim anterior para 5,43% no boletim desta semana;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 7.8.15 manteve praticamente estável a expectativa para o IGP-DI em 2015, passando de 7,67% na semana anterior para 7,66% no boletim desta semana, ante 7,51% há trinta dias, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz de 5,53% para 5,50% em uma semana. Assim como o IPCA (+3,07 p.p.), o IGP-DI (+2,16 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas realizadas nos últimos doze meses para 2015. O Focus de 7.8.15 manteve em 5,50% a estimativa do índice para 2016, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 7.8.15 eleva a projeção do câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,35 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto o boletim de 8.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada nesta semana manteve praticamente estável a projeção do câmbio para 2016, passando de R$/U$3,49 na semana anterior, para R$/U$3,50 na última pesquisa;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 7.8.15 mantém em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final deste ano, ante 14,50% a.a. verificada há quatro semanas, enquanto o boletim de 8.8.14 continua com 12% a.a. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 7.8.15 corrige fortemente para baixo (-1,97%), o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,80% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz a projeção de crescimento para +1,20% para 2015, de +1,50% observado nas semanas anteriores. Com relação a 2016, o boletim desta semana estima em 0,0% o desempenho do PIB para aquele ano, ante +0,20% da semana anterior, e +0,50% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrige para baixo (-5,21%) o declínio da atividade industrial para 2015, ante -5% observado nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 8.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 7.8.15 reduz o crescimento da indústria para +1,15%, de +1,30% na pesquisa anterior e +1,40% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 7.8.15 apresentou elevação do superávit da balança comercial para U$7,70 bilhões para 2015, ante U$6,40 bi registrados há uma semana e U$5,50 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 8.8.14 eleva a projeção do superávit para U$9 bilhões, de U$8,50 bi do boletim anterior. Para 2016, o último Focus eleva o superávit para U$15 bilhões, ante U$ 14,79 bi da semana anterior e U$ 13 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus de 7.8.15 reduz a estimativa do IED para U$65 bilhões em 2015, de U$66 bi nas semanas anteriores, enquanto a de 8.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa divulgada nesta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas onze semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro político e econômico nacional. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da economia, com juros, inflação, taxa de câmbio, inadimplência e desemprego crescendo, entre outros, têm contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro da economia brasileira, com riscos para a governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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