quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR AVANÇA EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor-ICC calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE, da Fundação Getulio Vargas-FGV, avançou 2,5 pontos em jan/16 atingindo 67,9 pontos. De acordo com Viviane Bittencourt, da FGV, “A boa notícia é que a confiança do consumidor parou de cair em setembro passado e vem ensaiando alguma melhora, embora com oscilações e na dependência de um quadro político e econômico instável. Com avaliações ainda muito desfavoráveis sobre a situação presente da economia e expectativas bastante pessimistas em relação aos próximos meses, ainda é cedo para se falar em reversão consistente de tendência.“ A pesquisa de janeiro deste ano coletou informações de 2090 domicílios entre os dias 4 e 22 de jan/16.

O desempenho do indicador no primeiro mês de 2016 foi determinado tanto pela elevação do grau de satisfação com o presente, quanto pelo declínio do pessimismo em relação aos próximos meses (meses futuros).

O Índice da Situação Atual-ISA subiu 1,1 p.p., após recuar por oito meses consecutivos e atingir o valor mínimo da série histórica em dez/15 quando chegou a 66,4 pontos. Já o Índice de Expectativas-IE avançou 3,4 p.p., atingindo 70 pontos, o maior nível observado desde ago/15.

Segundo informações coletadas pela Sondagem do Consumidor-FGV, aproximadamente 96% da elevação do ICC em jan/16 foi determinada pelo desempenho positivo dos indicadores que medem o grau de satisfação dos consumidores com a situação financeira da família e o impulso de compra de bens duráveis, também foram responsáveis por influenciarem negativamente o desempenho do índice no último mês de 2015.

O indicador que mede o grau de satisfação da família com a situação financeira no momento atual apresentou crescimento de 3,4 p.p., de 60,7 para 64,1  pontos, após oito meses de quedas sucessivas e chegar ao menor nível da série em dez/15. Com relação às perspectivas para os próximos meses, o indicador que afere o ímpeto de compras avançou 7,7 p.p., compensando o decréscimo observado nos dois últimos meses do ano (-6,8 p.p).

Com relação à análise por classes de renda temos a seguinte distribuição:
- Até R$ 2.100,00 (praticamente estável): dez/15 com -4 p.p. e jan/16 com -0,1 p.p.;
- Entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00: dez/15 com 0,5 p.p. e jan/16 com 9,4 p.p.;
- Entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00: dez/15 com -2,9 p.p. e jan/16 com 4,3 p.p.;
- Acima de R$ 9.600,01: dez/15 com -3,4 p.p. e jan/16 com 5,5 p.p.

No que se refere a faixa de renda, a melhora ocorreu principalmente nas faixas de renda mais elevada, ao passo que o indicador permaneceu praticamente estável nas faixas de renda mensal até R$ 2.100,00. Por outro lado, segundo o relatório da Sondagem do Consumidor, “A manutenção da confiança do consumidor em baixo patamar ainda deve se traduzir em retração do consumo neste início de ano.”

Portanto, o desempenho positivo observado no ICC no primeiro mês de 2016 e nas faixas de renda mais elevadas (acima de R$ 2.100,00), não configura mudança de tendência.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

AUMENTAM AS EXPECATTIVAS NEGATIVAS
Régis Varão/¹

As estimativas do Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), divulgadas hoje, corrige praticamente todas as projeções das principais variáveis macroeconômicas para 2016 e 2017, exceto para Investimentos Diretos no País que ficaram estáveis. A pesquisa é realizada com cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, contemplando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.1.16 corrigiu para 7,23% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7% observado na semana anterior e 6,86% verificado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do índice para 5,60%, de 5,70% nas últimas oito semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana eleva a expectativa para 5,65%, ante 5,40% apresentado na semana anterior e 5,17% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 22.1.16 elevou a projeção do índice para 6,96% em 2016, ante 6,48% observada na semana anterior e 6,14% há quatro semanas, enquanto o Focus de 23.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e cinco últimas semanas para aquele ano. Para 2017, o boletim de 22.1.16 elevou a expectativa do índice para 5,50%, de 5,30% há sete dias, valor observado nas últimas semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,30 em 2016, de R$/U$4,25 divulgado na semana anterior e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 23.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,90 em 2016, de R$/U$2,85 divulgado na pesquisa anterior e R$/U$2,78 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,40, ante R$/U$4,30 observado na semana anterior e R$/U$4,20 há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 22.1.16 reduziu os juros, final de período, para 14,64% a.a. para 2016, ante 15,25% a.a. divulgados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 23.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje reduz a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,88% a.a. observado na pesquisa anterior e 12,25% a.a. há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 22.1.16 corrige para -3% o declínio do PIB para 2016, frente ao decréscimo de 2,99% do relatório da semana anterior, e -2,81% da pesquisa divulgada há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz para +1,54% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,80% apresentado nas últimas semanas. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,80%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,57% em 2016, ante uma queda de 3,47% estimado no Focus anterior e -3,50% há um mês, enquanto a pesquisa de 23.1.15 reduziu o crescimento para 2,65% naquele ano, de +2,50% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 22.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,50%, de +1,80% divulgado na pesquisa anterior e +1,98% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 22.1.16 eleva a estimativa do superávit comercial para U$37,45 bilhões para 2016, de U$35,50 bilhões divulgados na semana anterior e U$33 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do superávit comercial para U$10,02 bilhões para 2016, de U$13 bi observados há sete dias e U$15 há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana corrige para U$40 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$38,80 bi verificados há sete dias e U$34,16 há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas seis semanas, enquanto o relatório de 23.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima nona semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima quinta semana consecutiva.

Portanto, a perda do poder aquisitivo da população, a elevação do endividamento e da inadimplência, o desemprego crescente, a perda de mais de 1,5 milhão de empregos formais em 2015, atividade econômica em declínio, juros em alta e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário pessimista em 2016 e 2017.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 17 de janeiro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTOU EM DEZ/15
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas apresentou elevação em dez/15, ante o mês anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada e publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). É realizada com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais o Distrito Federal, e são apurados os indicadores: percentual de consumidores endividados, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,1% em dez/15, ficando praticamente estável em relação aos 61% observados em nov/15 e aumentando em relação aos 59,3% observados em dez/14.

Famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na análise mensal, passando de 22,7% para 23,2% do total. Também houve elevação no percentual de famílias inadimplentes ante dez/14, quando esse indicador chegou a 18,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou com dívidas em atraso, logo, continuam inadimplentes, aumentou entre nov/15 e dez/15, passando de 8,5% para 8,7%, mas ficando acima dos 5,8% observados em dez/14.

A elevação no total de famílias endividadas em dez/15 frente a novembro foi verificada apenas no grupo de famílias com renda acima de 10 Salários Mínimos (SM). Na comparação anual, em ambas as faixas de renda - até 10 SM e acima de 10 SM - apresentaram crescimento. Entre as famílias que ganham até 10 SM, o percentual das endividadas foi de 62,2% em dez/15, ante 62,3% no mês anterior e 60,6% em dez/14. Já no grupo com renda acima de 10 SM, o percentual de endividadas passou de 54,6%, no penúltimo mês de 2015, para 56,0% em dez/15. No último mês de 2014 o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era cerca de 52%.

Segundo o relatório da CNC, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os dois grupos de renda, tanto na análise mensal quanto na comparação anual. Na faixa até 10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 25,2%, em nov/15, para 25,4% no mês seguinte. Em dez/14, 20,6% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM o percentual de inadimplentes atingiu 12,8% em dez/15, ante 11,8% no mês anterior e 9,0% em dez/14.

Quanto à análise por faixa de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso mostrou comportamento distinto entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,7% em dez/15, ante 2,9% no mês anterior e 1,9% em dez/14. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus atrasos caiu de 10,1% em nov/15, para 9,9% no mês seguinte, e com relação a dez/14 houve acréscimo de 3 p.p.

Com relação à proporção das famílias muito endividadas ficou praticamente estável entre novembro (13,4%) e dez/15 (13,5%) do total. Na comparação anual houve incremento de 2,7 p.p. Na comparação entre dez/14 e dez/15, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a parcela pouco endividada passou de 26,1% para 25,3% do total de famílias.

O tempo médio de atraso entre as famílias com contas ou dívidas em atraso foi 62,5 dias no último mês de 2015, ante 60 dias observados em dez/14. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 6,9 meses, com 28,6% comprometidas com dívidas até três meses, e 33,6%, por mais de um ano. A parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 30,6% para 31,9%, e 26,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas.

Quanto ao endividamento por tipo de dívida, o cartão de crédito continua liderando a preferência das famílias, sendo apontado como o principal tipo de dívida por 78,3%, seguido de carnês de lojas com 16,7%, financiamento de carro (12,9%), crédito pessoal com 9,9%, financiamento de casa (8,2%), cheque especial com 6,6% e crédito consignado com 5,3%. Entre as famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito também lidera (79,8%), carnês de lojas, por 17,7%, e financiamento de carro, por 9,9%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já entre as famílias com renda superior a 10 SM, os principais tipos de dívida apontados em dez/15 foram: cartão de crédito (71,4%), financiamento de carro (26,9%) e financiamento de casa (18,4%).

Portanto, inflação em alta, juros elevados, desemprego crescente e desconhecimento do poder dos juros compostos - preferência das famílias pela modalidade cartão de crédito - têm contribuído para levar muitas famílias ao endividamento.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
ELEVAÇÃO DA TAXA DE DESOCUPAÇÃO É PREOCUPANTE
Régis Varão/¹

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é feita com uma amostra de domicílios e contempla todo território nacional. O objetivo da pesquisa é buscar informações para o estudo do desenvolvimento socioeconômico brasileiro e permitir a investigação contínua de indicadores de trabalho e rendimento. Cada domicílio é pesquisado cinco vezes, uma vez por trimestre, durante cinco trimestres consecutivos.

Segundo a PNAD divulgada sexta-feira, a taxa de desocupação no trimestre móvel ago-out/15 foi estimada em 9% para o País, acima da taxa de igual trimestre de 2014 quando atingiu 6,6%, ultrapassando, também, a do trimestre mai-jul/15 que ficou em 8,6%.

No trimestre finalizado em out/15, a população desocupada, cerca de 9 milhões, cresceu 5,3%, mais 455 mil pessoas, em relação ao período mai-jul/15 e subiu cerca de 38%, mais 2,5 milhões de pessoas, ante igual trimestre de 2014. Quanto à população ocupada, estimada em 92,3 milhões, ficou estável nas duas comparações.

Com relação à posição na ocupação, os empregados no setor privado com carteira assinada apresentaram declínio de 1% em seu contingente, menos 359 mil pessoas, ante o trimestre mai-jul/15. Com relação a igual trimestre de 2014, a redução foi mais acentuada (-3,2%), 1,2 milhão de pessoas a menos. Já os empregadores e trabalhadores por conta própria apresentaram elevação de 5,7% e 4,2%, respectivamente, em seus contingentes, ante igual trimestre de 2014.

O rendimento médio real recebido em todas as categorias de trabalho atingiu R$1.895,00, ficando relativamente estável quando comparado ao trimestre mai-jul/15 - R$1.907,00 - em relação ao período ago-out/14 ao atingir R$1.914,00. A massa de rendimento real normalmente recebida em todos os trabalhos para o período ago-out/15 registrou R$169,6 bilhões, e não apresentou variação significativa nos períodos em análise. Quanto ao trabalhador doméstico e por conta própria, ambos apresentaram queda no rendimento, -2,4% e -5,2%, respectivamente, ante o período ago-out/14.

Segundo o contingente de ocupados nos grupamentos de atividade, ocorreu retração de 2,6% na indústria geral (336 mil pessoas), ante mai-jul/15. Frente ao período ago-out/ 14, construção e agricultura não apresentaram variações significativas no total de ocupados. Na indústria geral (-5,6%), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias profissionais e administrativas (-4,0%) e outros serviços (-4,0%) foram observadas redução; enquanto nas atividades comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,3%); transporte, armazenagem e correio (4,6%); alojamento e alimentação (4,7%); administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,6%) e serviços domésticos (3,3%) registraram incremento.

Portanto, segundo os dados da pesquisa PNAD, a taxa de desocupação de 9%, no período ago-out/15, foi a mais elevada da série histórica, reflexo do desempenho medíocre da atividade econômica do País, castigado há meses por uma crise que não tem perspectivas de solução no curto e médio prazo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES DE 2016
Régis Varão/¹

As primeiras projeções realizadas em 2016 pelo mercado e divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), de 8.1.16, corrige praticamente todas as estimativas das principais variáveis macroeconômicas para este ano, exceto juros, saldo da balança comercial e Investimentos Diretos no País. Quanto às expectativas do mercado para 2017, o Focus desta semana divulga pela primeira vez essas projeções. A pesquisa contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute apenas oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 8.1.16 corrigiu para 6,93% a estimativa do IPCA para 2016, ante 6,87% observado na semana anterior, e 6,80% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,70% nas últimas sete semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana mantém a expectativa inalterada pela segunda semana consecutiva em 5,20%, ante 5,10% apresentado há um mês. Cabe observar que o IPCA atingiu 10,67% em 2015, a maior variação registrada nos últimos 13 anos, superando o teto da meta de inflação fixado em lei para aquele ano (6,5%);

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 8.1.16 elevou a projeção do índice para 6,18% em 2016, ante 6,14% observada nas três semanas anteriores, enquanto a pesquisa de 9.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e três últimas semanas para aquele ano. Para o próximo ano, o boletim de 8.1.16 manteve a expectativa do índice em 5,30% nas últimas quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,25 em 2016, de R$/U$4,21 divulgado na semana anterior, e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,83 em 2016, de R$/U$2,80 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$2,75 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,23, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 8.1.16 mantém os juros, final de período, em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,63% a.a. divulgados há um mês, enquanto o boletim de 9.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje eleva a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,50% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12% a.a. apresentado há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 8.1.16 corrigiu para -2,99% o declínio do PIB para 2016, frente ao declínio de 2,95% do relatório da semana anterior, e -2,67% do Focus divulgado há trinta dias. A pesquisa de 9.1.15 mantém em +1,80% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,90% apresentado há um mês. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,86%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,45% em 2016, ante uma queda de 3,50% estimado no Focus anterior, e -3,45% há um mês, enquanto a pesquisa de 9.1.15 estima crescimento de 2,65 para aquele ano, de +3% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 8.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,98%, de +2% divulgado na pesquisa anterior, e +1,75% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 8.1.16 mantém a estimativa do superávit comercial em U$35 bilhões para 2016, de U$31,44 bilhões divulgados há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016, de U$15 bi observados há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$34,09 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 8.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas quatro semanas, enquanto o relatório de 9.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima sétima semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima terceira semana consecutiva.

Um IPCA de 10,67% em 2015, perda continuada do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento e da inadimplência, desemprego crescente, perda de aproximadamente 1,5 milhão de empregos formais no ano passado, atividade econômica em declínio, juros em alta com possibilidade de subir mais e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário mais pessimista em 2016, podendo se estender em 2017.

Portanto, os problemas não ficaram restritos a 2015, e deverão se repetir em 2016, com queda nas vendas do comércio, indústria desativando produção, câmbio e juros em alta entre outros. Além disso, o retorno das férias pode trazer surpresas desagradáveis para os empregados que poderão ser demitidos em decorrência do desempenho medíocre do comércio e da indústria, e da falta de uma política econômica consistente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ANO QUE NÃO ACABOU
Régis Varão/¹

O último Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), datado de 31.12.15, divulgado nesta semana, apresenta correções nas projeções de algumas variáveis pesquisadas para 2015, e corrige mais indicadores para 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve em 10,72% a estimativa do índice para 2015, ante 10,44% observada há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 2.1.15 elevou a projeção do IPCA para 6,56%, ante 6,53% verificada na semana anterior e 6,50% há trinta dias. Para 2016, o último Focus de 2015 elevou a expectativa para 6,87%, ante 6,86% da semana anterior, e 6,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 31.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,79%, de 10,80% na pesquisa anterior, e 11,04% no boletim divulgado há trinta dias. O Focus de 2.1.15 manteve estável nas três últimas semanas em 5,67% a projeção do IGP-DI para 2015, ante 5,70% registrada há um mês. Para 2016, o boletim de 31.12.15 manteve a expectativa do índice em 6,14%, ante 6,17% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o indicador cambial não foi divulgado no boletim de 31.12.15. A pesquisa de 2.1.15 indica câmbio de R$/U$2,80, de R$/U$2,70 divulgado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana elevou para R$/U$4,21 a projeção do câmbio, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 31.12.15 mantém os juros em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,25% a.a. verificados há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 31.12.15 corrige para -3,71% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do relatório divulgado há trinta dias. A pesquisa de 2.1.15 reduz para +0,50% a projeção de crescimento do PIB para aquele ano, frente à variação positiva de 0,73% apresentado há um mês. Com relação a 2016, o último Relatório Focus de 2015 corrigiu a queda do PIB para -2,95% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,81% observado há sete dias, e -2,31% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado nesta semana corrigiu o declínio da indústria para -7,80% em 2015, ante a variação negativa de 7,69% estimada no Focus anterior, e -7,60% há um mês, enquanto a pesquisa de 2.1.15 trabalhava com +1,04 para 2015, de +1,23% verificado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 31.12.15 manteve inalterada a queda da atividade industrial em -3,50%, de -3,40% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, pela quinta semana consecutiva, enquanto a pesquisa de 2.1.15 também manteve inalterada a estimativa do superávit comercial em U$5 bilhões para 2015, de U$6,31 bi observados há quatro semanas. Para este ano, o Focus desta semana elevou para U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$33 bi verificados na semana anterior, e U$31,44 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 31.12.15 corrigiu para cima a estimativa de crescimento do IED, U$63,37 bilhões para 2015, ante U$63 bi da pesquisa divulgada há uma semana, e U$62,60 bi há trinta dias, enquanto o relatório de 2.1.15 manteve em U$60 bilhões a projeção para 2015. Para este ano, a pesquisa divulgada nesta semana manteve estável a estimativa do IED em U$55 bi, de U$57 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, inflação descontrolada, queda do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento das famílias, atividade econômica em declínio, desemprego batendo recordes, juros em alta, mudança da equipe econômica, rebaixamento da nota do Brasil por agências de classificação de risco e a possibilidade de um impeachment da presidente da república tem elevado o clima de instabilidade no País. Os problemas parecem não ficarem restritos a 2015, e o governo continua a depender das negociações políticas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.