domingo, 17 de janeiro de 2016

ELEVAÇÃO DA TAXA DE DESOCUPAÇÃO É PREOCUPANTE
Régis Varão/¹

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é feita com uma amostra de domicílios e contempla todo território nacional. O objetivo da pesquisa é buscar informações para o estudo do desenvolvimento socioeconômico brasileiro e permitir a investigação contínua de indicadores de trabalho e rendimento. Cada domicílio é pesquisado cinco vezes, uma vez por trimestre, durante cinco trimestres consecutivos.

Segundo a PNAD divulgada sexta-feira, a taxa de desocupação no trimestre móvel ago-out/15 foi estimada em 9% para o País, acima da taxa de igual trimestre de 2014 quando atingiu 6,6%, ultrapassando, também, a do trimestre mai-jul/15 que ficou em 8,6%.

No trimestre finalizado em out/15, a população desocupada, cerca de 9 milhões, cresceu 5,3%, mais 455 mil pessoas, em relação ao período mai-jul/15 e subiu cerca de 38%, mais 2,5 milhões de pessoas, ante igual trimestre de 2014. Quanto à população ocupada, estimada em 92,3 milhões, ficou estável nas duas comparações.

Com relação à posição na ocupação, os empregados no setor privado com carteira assinada apresentaram declínio de 1% em seu contingente, menos 359 mil pessoas, ante o trimestre mai-jul/15. Com relação a igual trimestre de 2014, a redução foi mais acentuada (-3,2%), 1,2 milhão de pessoas a menos. Já os empregadores e trabalhadores por conta própria apresentaram elevação de 5,7% e 4,2%, respectivamente, em seus contingentes, ante igual trimestre de 2014.

O rendimento médio real recebido em todas as categorias de trabalho atingiu R$1.895,00, ficando relativamente estável quando comparado ao trimestre mai-jul/15 - R$1.907,00 - em relação ao período ago-out/14 ao atingir R$1.914,00. A massa de rendimento real normalmente recebida em todos os trabalhos para o período ago-out/15 registrou R$169,6 bilhões, e não apresentou variação significativa nos períodos em análise. Quanto ao trabalhador doméstico e por conta própria, ambos apresentaram queda no rendimento, -2,4% e -5,2%, respectivamente, ante o período ago-out/14.

Segundo o contingente de ocupados nos grupamentos de atividade, ocorreu retração de 2,6% na indústria geral (336 mil pessoas), ante mai-jul/15. Frente ao período ago-out/ 14, construção e agricultura não apresentaram variações significativas no total de ocupados. Na indústria geral (-5,6%), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias profissionais e administrativas (-4,0%) e outros serviços (-4,0%) foram observadas redução; enquanto nas atividades comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,3%); transporte, armazenagem e correio (4,6%); alojamento e alimentação (4,7%); administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,6%) e serviços domésticos (3,3%) registraram incremento.

Portanto, segundo os dados da pesquisa PNAD, a taxa de desocupação de 9%, no período ago-out/15, foi a mais elevada da série histórica, reflexo do desempenho medíocre da atividade econômica do País, castigado há meses por uma crise que não tem perspectivas de solução no curto e médio prazo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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