ELEVAÇÃO DA TAXA DE
DESOCUPAÇÃO É PREOCUPANTE
Régis
Varão/¹
A
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD)
realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
é feita com uma amostra de domicílios e contempla todo território nacional. O
objetivo da pesquisa é buscar informações para o estudo do desenvolvimento socioeconômico
brasileiro e permitir a investigação contínua de indicadores de trabalho e
rendimento. Cada domicílio é pesquisado cinco vezes, uma vez por trimestre,
durante cinco trimestres consecutivos.
Segundo
a PNAD divulgada sexta-feira, a taxa de desocupação no trimestre
móvel ago-out/15 foi estimada em 9% para o País, acima da taxa de igual trimestre
de 2014 quando atingiu 6,6%, ultrapassando, também, a do trimestre mai-jul/15
que ficou em 8,6%.
No
trimestre finalizado em out/15, a população desocupada, cerca de 9 milhões,
cresceu 5,3%, mais 455 mil pessoas, em relação ao período mai-jul/15 e subiu cerca
de 38%, mais 2,5 milhões de pessoas, ante igual trimestre de 2014. Quanto à população
ocupada, estimada em 92,3 milhões, ficou estável nas duas comparações.
Com relação à posição na ocupação, os empregados no
setor privado com carteira assinada apresentaram declínio de 1% em seu
contingente, menos 359 mil pessoas, ante o trimestre mai-jul/15. Com relação a
igual trimestre de 2014, a redução foi mais acentuada (-3,2%), 1,2 milhão de
pessoas a menos. Já os empregadores e trabalhadores por conta própria apresentaram
elevação de 5,7% e 4,2%, respectivamente, em seus contingentes, ante igual
trimestre de 2014.
O rendimento
médio real recebido em todas as categorias de trabalho atingiu R$1.895,00,
ficando relativamente estável quando comparado ao trimestre mai-jul/15 - R$1.907,00
- em relação ao período ago-out/14 ao atingir R$1.914,00. A massa de rendimento
real normalmente recebida em todos os trabalhos para o período ago-out/15 registrou
R$169,6 bilhões, e não apresentou variação significativa nos períodos em análise.
Quanto ao trabalhador doméstico e por conta própria, ambos apresentaram queda
no rendimento, -2,4% e -5,2%, respectivamente, ante o período ago-out/14.
Segundo
o contingente de ocupados nos grupamentos de atividade, ocorreu retração de
2,6% na indústria geral (336 mil pessoas), ante mai-jul/15. Frente ao período
ago-out/ 14, construção e agricultura não apresentaram variações significativas
no total de ocupados. Na indústria geral (-5,6%), informação, comunicação e
atividades financeiras, imobiliárias profissionais e administrativas (-4,0%) e
outros serviços (-4,0%) foram observadas redução; enquanto nas atividades
comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,3%); transporte,
armazenagem e correio (4,6%); alojamento e alimentação (4,7%); administração
pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais
(2,6%) e serviços domésticos (3,3%) registraram incremento.
Portanto, segundo os dados da pesquisa PNAD, a taxa
de desocupação de 9%, no período ago-out/15, foi a mais elevada da série histórica,
reflexo do desempenho medíocre da atividade econômica do País, castigado há
meses por uma crise que não tem perspectivas de solução no curto e médio prazo.
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