domingo, 17 de janeiro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTOU EM DEZ/15
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas apresentou elevação em dez/15, ante o mês anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada e publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). É realizada com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais o Distrito Federal, e são apurados os indicadores: percentual de consumidores endividados, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,1% em dez/15, ficando praticamente estável em relação aos 61% observados em nov/15 e aumentando em relação aos 59,3% observados em dez/14.

Famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na análise mensal, passando de 22,7% para 23,2% do total. Também houve elevação no percentual de famílias inadimplentes ante dez/14, quando esse indicador chegou a 18,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou com dívidas em atraso, logo, continuam inadimplentes, aumentou entre nov/15 e dez/15, passando de 8,5% para 8,7%, mas ficando acima dos 5,8% observados em dez/14.

A elevação no total de famílias endividadas em dez/15 frente a novembro foi verificada apenas no grupo de famílias com renda acima de 10 Salários Mínimos (SM). Na comparação anual, em ambas as faixas de renda - até 10 SM e acima de 10 SM - apresentaram crescimento. Entre as famílias que ganham até 10 SM, o percentual das endividadas foi de 62,2% em dez/15, ante 62,3% no mês anterior e 60,6% em dez/14. Já no grupo com renda acima de 10 SM, o percentual de endividadas passou de 54,6%, no penúltimo mês de 2015, para 56,0% em dez/15. No último mês de 2014 o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era cerca de 52%.

Segundo o relatório da CNC, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os dois grupos de renda, tanto na análise mensal quanto na comparação anual. Na faixa até 10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 25,2%, em nov/15, para 25,4% no mês seguinte. Em dez/14, 20,6% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM o percentual de inadimplentes atingiu 12,8% em dez/15, ante 11,8% no mês anterior e 9,0% em dez/14.

Quanto à análise por faixa de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso mostrou comportamento distinto entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,7% em dez/15, ante 2,9% no mês anterior e 1,9% em dez/14. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus atrasos caiu de 10,1% em nov/15, para 9,9% no mês seguinte, e com relação a dez/14 houve acréscimo de 3 p.p.

Com relação à proporção das famílias muito endividadas ficou praticamente estável entre novembro (13,4%) e dez/15 (13,5%) do total. Na comparação anual houve incremento de 2,7 p.p. Na comparação entre dez/14 e dez/15, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a parcela pouco endividada passou de 26,1% para 25,3% do total de famílias.

O tempo médio de atraso entre as famílias com contas ou dívidas em atraso foi 62,5 dias no último mês de 2015, ante 60 dias observados em dez/14. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 6,9 meses, com 28,6% comprometidas com dívidas até três meses, e 33,6%, por mais de um ano. A parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 30,6% para 31,9%, e 26,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas.

Quanto ao endividamento por tipo de dívida, o cartão de crédito continua liderando a preferência das famílias, sendo apontado como o principal tipo de dívida por 78,3%, seguido de carnês de lojas com 16,7%, financiamento de carro (12,9%), crédito pessoal com 9,9%, financiamento de casa (8,2%), cheque especial com 6,6% e crédito consignado com 5,3%. Entre as famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito também lidera (79,8%), carnês de lojas, por 17,7%, e financiamento de carro, por 9,9%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já entre as famílias com renda superior a 10 SM, os principais tipos de dívida apontados em dez/15 foram: cartão de crédito (71,4%), financiamento de carro (26,9%) e financiamento de casa (18,4%).

Portanto, inflação em alta, juros elevados, desemprego crescente e desconhecimento do poder dos juros compostos - preferência das famílias pela modalidade cartão de crédito - têm contribuído para levar muitas famílias ao endividamento.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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