segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

AUMENTAM AS EXPECATTIVAS NEGATIVAS
Régis Varão/¹

As estimativas do Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), divulgadas hoje, corrige praticamente todas as projeções das principais variáveis macroeconômicas para 2016 e 2017, exceto para Investimentos Diretos no País que ficaram estáveis. A pesquisa é realizada com cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, contemplando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.1.16 corrigiu para 7,23% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7% observado na semana anterior e 6,86% verificado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do índice para 5,60%, de 5,70% nas últimas oito semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana eleva a expectativa para 5,65%, ante 5,40% apresentado na semana anterior e 5,17% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 22.1.16 elevou a projeção do índice para 6,96% em 2016, ante 6,48% observada na semana anterior e 6,14% há quatro semanas, enquanto o Focus de 23.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e cinco últimas semanas para aquele ano. Para 2017, o boletim de 22.1.16 elevou a expectativa do índice para 5,50%, de 5,30% há sete dias, valor observado nas últimas semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,30 em 2016, de R$/U$4,25 divulgado na semana anterior e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 23.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,90 em 2016, de R$/U$2,85 divulgado na pesquisa anterior e R$/U$2,78 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,40, ante R$/U$4,30 observado na semana anterior e R$/U$4,20 há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 22.1.16 reduziu os juros, final de período, para 14,64% a.a. para 2016, ante 15,25% a.a. divulgados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 23.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje reduz a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,88% a.a. observado na pesquisa anterior e 12,25% a.a. há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 22.1.16 corrige para -3% o declínio do PIB para 2016, frente ao decréscimo de 2,99% do relatório da semana anterior, e -2,81% da pesquisa divulgada há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz para +1,54% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,80% apresentado nas últimas semanas. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,80%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,57% em 2016, ante uma queda de 3,47% estimado no Focus anterior e -3,50% há um mês, enquanto a pesquisa de 23.1.15 reduziu o crescimento para 2,65% naquele ano, de +2,50% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 22.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,50%, de +1,80% divulgado na pesquisa anterior e +1,98% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 22.1.16 eleva a estimativa do superávit comercial para U$37,45 bilhões para 2016, de U$35,50 bilhões divulgados na semana anterior e U$33 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do superávit comercial para U$10,02 bilhões para 2016, de U$13 bi observados há sete dias e U$15 há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana corrige para U$40 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$38,80 bi verificados há sete dias e U$34,16 há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas seis semanas, enquanto o relatório de 23.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima nona semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima quinta semana consecutiva.

Portanto, a perda do poder aquisitivo da população, a elevação do endividamento e da inadimplência, o desemprego crescente, a perda de mais de 1,5 milhão de empregos formais em 2015, atividade econômica em declínio, juros em alta e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário pessimista em 2016 e 2017.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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