quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CONSUMIDOR REDUZ PESSIMISMO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 97,9 pontos em julho deste ano frente a 96,2 observados no mês anterior e 109,2 registrados em dez/14.

O INEC subiu 1,8% em jul/15, ante o mês anterior (96,2%) e registra queda de 10,4% na comparação com dez/14 (109,2 pontos). Na comparação anual, o INEC caiu 10,6% ante jul/14 (109,5) e -11% quando comparado a jul/13 (110,0 pontos).

O índice vem declinando desde jan/15 (104,2), sendo o segundo menor valor observado no ano, e se mantém abaixo da média histórica de 110,2 pontos. O resultado pode ser entendido apenas como declínio do pessimismo, já que o índice de jul/15 é o segundo menor da série iniciada em jun/01.

Entre os componentes do índice, o desempenho mais significativo no último bimestre foi observado no indicador que afere a expectativa da renda pessoal. De acordo com os dados do INEC de jul/15, os brasileiros estão com uma perspectiva mais positiva para a renda dos próximos seis meses do que estavam no mês anterior. Retirando o indicador que mede a expectativa de consumo de bens de maior valor, todos os demais índices que compõem o INEC apresentaram crescimento entre junho e julho de 2015.

Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jul/15:

(a) Expectativa de Inflação: em jul/15 atingiu 93,5 pontos, ante 91,9 observados no mês anterior, crescimento de 1,7%. O indicador em jul/15 registrou queda de 2,8% quando comparado a dez/14 (96,2) e caiu 10,3% quando comparado a jul/14 com 104,2 pontos;

(b) Expectativa de Desemprego: registrou 104,1 pontos em jul/15, ante 101,0 verificados no mês anterior, incremento de 3,1%, e registrou queda de 10,7% quando comparado a jul/14 (116,6);

(c) Expectativa da renda pessoal: o desempenho mais significativo foi observado nesse indicador que subiu para 92,1 pontos em jul/15, de 87,3 do mês anterior, alta de 5,5%. Comparando jul/15 (92,1) com jul/14 houve redução de 16,8%, a segunda maior queda nesse tipo de comparação;

(d) Situação Financeira: atingiu 87,0 pontos em jul/15, de 83,4 observado no mês anterior, crescimento 4,3%, mostrando elevação das expectativas positivas quanto ao indicador nos próximos meses. Comparando julho deste ano com jul/14 o indicador apresentou o maior declínio (-20,8%) nessa base de comparação. O desempenho do indicador no bimestre jun-jul/15, sinaliza melhora nas finanças dos consumidores segundo a própria avaliação deles;

(e) Endividamento: subiu 1,3% em jul/15, ante o mês anterior, e apresentou declínio de 7,8% frente a dez/14 (100,9). Com relação a jul/14 o indicador de julho deste ano decresceu 11,5%. O resultado do bimestre jun-jul/15 mostra que mais pessoas afirmaram menor nível de endividamento;

(f) Compras de bens de maior valor: entre os demais componentes do INEC, as compras de bens de maior valor apresentaram declínio de 2,1% em jul/15, ante o mês anterior, mas cresceu 1,8% na comparação com julho de 2014.

Portanto, embora os indicadores tenham apresentado desempenho positivo no bimestre jun-jul/15, os valores ainda estão muito abaixo do nível registrado em dez/14 (109,2) e jul/14 (109,5). O desempenho mostra, no geral, que os consumidores estão nos últimos meses menos satisfeitos do que estavam há um ano e enxergam os próximos seis meses com menor grau de confiança do que viam em julho de 2014.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 1 de agosto de 2015

A CRISE BATE NA PORTA DOS BRASILEIROS
Régis Varão/¹

O orçamento do brasileiro tem sofrido com a combinação perversa de desemprego, endividamento, inflação, juros crescentes e restrição de crédito. A crise se instalou na casa dos brasileiros e tudo indica que teremos um longo período de “vacas magras.” As poucas conquistas dos últimos anos estão com os dias contados e deverão impactar negativamente a qualidade de vida e nos hábitos de consumo da população em geral.

Embora o tema finanças pessoais tenha chegado ao Brasil no início da década passada, exemplo do livro Pai Rico Pai Pobre (2000) de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter, como literatura de autoajuda, apenas após alguns anos o tema educação financeira se firmou como relevante tendo em vista as diversas mudanças registradas no sistema financeiro nacional, com suas diversificadas linhas de crédito, diferenciadas opções de pagamentos por meios eletrônicos etc, o que levou as decisões dos consumidores a ficarem mais complexas.

Pode-se afirmar que é grande a quantidade de pessoas que desconhecem educação financeira, basta verificar o nível e a forma de endividamento do brasileiro nos últimos anos. Vamos ilustrar com algumas estatísticas do livro Seu bolso, de Nuccio & Dana: 8 em cada 10 brasileiros não têm controle de suas despesas pessoais; 57% não sabem informar, com precisão, quanto gastam em extras mensalmente; 56% chegam ao último dia do mês sem poupar um centavo; 45% declararam que viveriam bem sem o cartão de crédito e fazendo compras à vista; 12% só conseguem comprar tudo que precisam com empréstimos e parcelamentos; 35% dos estudantes do ensino médio não pesquisam o mesmo produto em outras lojas antes de comprar e 53% dos brasileiros fazem compras por impulso.

Pesquisas demonstram que os indivíduos tendem a superestimar seus conhecimentos de finanças, elevando o risco de decisões equivocadas. Assim, quanto maior o nível de desconhecimento de educação financeira, maior o risco de tomarem decisões erradas, pagar juros mais elevados, contrair dívidas, aumentar o endividamento, comprar por impulso e fazer más escolhas quanto a seus investimentos.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 24.7.15, a estimativa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano está em 9,23%, e em 25.7.14 indicava 6,21%, incremento de 3,02 p.p. em doze meses. O IPCA, índice oficial que mede a inflação, apresentou forte incremento (+3,02 p.p.), segundo previsões do mercado, no espaço de doze meses, ampliando a redução do poder aquisitivo das famílias.

O Focus de 24.7.15 indica declínio de 1,76% do Produto Interno Bruto - PIB em 2015, enquanto a pesquisa de 25.7.14 estimava crescimento de +1,50% para aquele ano. Quanto a 2016, o boletim de 24/7/15 projeta +0,20% de crescimento do PIB, enquanto em igual período de 2014 estimava variação positiva de 1,50%, uma deterioração das expectativas do mercado em apenas doze meses.

Pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento-ACREFI , de julho deste ano, indica que 84% dos consumidores não pretendem tomar mais crédito e estão dispostos a não fazerem mais dívidas, enquanto 86% acreditam que o desemprego vai aumentar nos próximos meses.

Segundo a ACREFI houve crescimento no número de pessoas que acreditam que o consumo das famílias vai piorar assim como a oferta de crédito. Em jul/15 para 71% dos entrevistados, a situação do País é ruim ou péssima, enquanto ótima ou boa está em apenas 4%. Em abr/15, 66% dos pesquisados considerava a situação ruim ou péssima, enquanto ótima ou boa representava 34%. Com relação à situação pessoal, 84% dos consumidores pretendem mudar o padrão de consumo economizando mais em 2015.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contempla mai/15, afirma que o total do pessoal ocupado assalariado na indústria caiu 1%, ante o mês anterior, sem ajuste sazonal, quinta taxa negativa consecutiva, acumulando no período perda de 3,1%. O decréscimo em mai/15 foi o maior desde fev/09 (-1,3%). Na comparação com mai/14, o emprego industrial decresceu 5,8% em mai/15, o mais forte decréscimo desde set/09 (-6,1%). No período jan-mai/15, o total do pessoal ocupado caiu 5%. Preocupante a quantidade de trabalhadores que perdeu o emprego nos últimos meses, e em especial em mai/15 (-1%), que apresentou o maior declínio desde fev/09 (-1,3%). Um quadro desanimador se instalou na indústria nacional, que também reduziu a quantidade de horas trabalhadas e o valor da folha de pagamento no quinto mês deste ano. O desempenho da indústria ao desempregar grande contingente de trabalhadores, contribui para pressionar a inadimplência.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a participação percentual de famílias endividadas em jul/15 registrou declínio tanto na comparação mensal como em relação a igual mês do ano anterior. Apesar do declínio do endividamento, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 21,5% em jul/15, de 18,9% em jul/14. O percentual de famílias que continuavam inadimplentes, isto é, sem condições de pagar suas contas, passou de 6,6% em jul/14, para 8,1% em julho deste ano. O percentual das famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) atingiu 63,3% em jul/15, de 64,3% em jul/14. Já com renda superior a 10 SM o percentual de endividamento decresceu de 57% em jul/14, para 55,4% em jul/15.

De acordo com a CNC, o cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida por 77,4% dos endividados. Em segundo lugar temos carnês de lojas com 16,3%, seguido por financiamento de carro (13,5%), crédito pessoal (8,6%), financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,9%), crédito consignado (4,6%) e cheque pré-datado com 1,7%. Nas duas faixas de renda, até 10 SM (77,9%) e acima de 10 SM (74,7%) a liderança está com o cartão de crédito.

Segundo a PEIC, em jul/15, “mais uma vez houve alta do percentual de famílias que relataram endividamento elevado na comparação anual. As condições menos favoráveis de contratação de novos empréstimos e de renegociação de dívida, somadas ao recuo dos rendimentos dos trabalhadores, têm levado a uma piora na percepção das famílias em relação ao endividamento.”

A Pesquisa Nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, que contempla emprego atual (-13,5%), perspectiva profissional (-12%), renda atual (-23,1%), compra a prazo (-34,4%), nível de consumo atual (-32,5%), perspectiva de consumo (-39,7%) e momento para duráveis (-43,4%), apresentou declínios em todos os indicadores na comparação de jul/15, ante jul/14. A ICF, agregado, registrou quedas de 5,3% em jul/15, com 86,9 pontos, na comparação com o mês anterior, e caiu 27,9% frente a jul/14.

Quem não sabe quanto gasta e desconhece quanto ganha, com certeza terá dificuldades para atingir o equilíbrio financeiro e problemas para formar poupança. O planejamento financeiro não foca apenas no sucesso material, ele trabalha com o sucesso pessoal e profissional e busca o sucesso da família com qualidade de vida. O planejamento financeiro propicia as pessoas a fazerem reservas financeira, que será útil para atender situações que surgem ao longo da vida. A educação financeira é necessária para a família ou indivíduo que deseja ter suas contas em ordem, e nesse aspecto precisa de um bom orçamento, que é a projeção de receitas e despesas para determinado período de tempo.

Alguns passos para elaborar um orçamento:

(a): relacione  as despesas feita no período de uma semana, mês etc; guarde todos os comprovantes de despesas se possível como: café, cigarro, cerveja etc; (b): liste as receitas (salários ou comissões); (c): relaciona as despesas: alimento: açougue, padaria, supermercado etc; moradia: aluguel, prestação da casa, condomínio, iptu, seguro, água, luz etc; saúde: plano de saúde, consultas, fisioterapia, remédios etc; vestuário: roupas, calçados etc; transporte: prestação de carro, gasolina, manutenção, ipva, seguro etc; educação: mensalidades de colégio/faculdade, matrícula, material escolar etc; lazer: cinema, teatro, passagens aéreas, restaurantes, TV a cabo etc; pessoais: salão de beleza, manicure etc; outras: presentes, doações etc; financeiras: juros de empréstimos e do cheque especial, anuidade do cartão de crédito, tarifas bancárias etc.

Faça o somatório das despesas e receitas e compare-as para verificar se tem superávit ou déficit. Veja os ralos, muitas vezes são pequenos valores gastos com cafezinho, cerveja etc. Conhecendo o orçamento e contornado os maus hábitos, devemos definir o que queremos. Defina e reveja as prioridades. Se deficitário, temos que cortar despesas, estabelecer metas e definir um percentual de 10 ou 20% da renda líquida para reserva financeira (emergência).

Portanto, o orçamento tem que ser colocado em prática. O endividado tem que rever seus conceitos, adotar novas atitudes e práticas na gestão de seus recursos e procurar entender a importância do planejamento para sua vida presente e futura. Aprenda a renegociar suas dívidas, fuja do cheque especial e de compras parceladas, pesquise preços, e faça reserva financeira.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

POEMA EM LINHA RETA
Régis Varão/¹

O atual momento econômico e político brasileiro tem deixado a população e todos os que pagam tributos em dia preocupados e até aterrorizados, e a maioria envergonhados com tamanha incompetência e irresponsabilidade daqueles que deveriam proteger e tratar com respeito o bem público e não utilizá-lo como barganha para fins privados.

Os meios de comunicação, jornais, revistas, blogues e afins, tem-nos brindado vinte quatro horas por dia com uma quantidade imensa de relatos tenebrosos, crimes diversos e a maioria incursos no Código Penal e/ou Código Civil, corrupção desenfreada em todas as esferas públicas, saindo dos municípios, passando pelos estados e chegando a esfera federal, e tudo parece ser normal, seguindo um padrão já esperado e até aceito por uma pequena parte da sociedade.

Pensando nisso e acompanhando o desempenho magnífico pela TV e jornais, dos malfeitores de colarinho branco, injustiçados ou perseguidos, lembrei-me de presentear meus leitores com o interessante, atualíssimo e oportuno Poema em Linha Reta, do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), nascido em Lisboa. Se Pessoa estivesse vivo, assim diria: o Brasil está cheio de “príncipes,” que nunca tiveram um ato ridículo, e que nunca foram senão “príncipes.”

Poema em linha reta
Fernando Pessoa

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os ter amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

Portanto, o poema de Fernando Pessoa, representa muito bem parte dos gestores públicos, e mais ainda, nas entre linhas deixa explícito ao bom entendedor, o descalabro porque passam os brasileiros honestos e bem intencionados, que pagam suas obrigações de tributos a carnês de lojas em dia e acreditam em um Brasil melhor, mais justo, mais limpo e menos hipócrita.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 28 de julho de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 24.7.15, para os principais indicadores macroeconômicos apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisados, exceção para a produção industrial e saldo da balança comercial. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 24.7.15 elevou de 9,15% para 9,23%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 9% observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 elevou de 6,12% para 6,21%, na mesma base de comparação, a estimativa do índice para este ano. Em doze meses um incremento de 3,02 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado ontem mantém a projeção do índice em 5,40%, frente a 5,50% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim de 24.7.15 corrigiu para 7,69% a projeção do índice para 2015, de 7,64% da semana anterior e 7,37% há quatro semanas, enquanto o de 25.7.14 eleva para 5,52% a expectativa para este ano. Assim como o IPCA (+3,02 p.p.), o IGP-DI (+2,17 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses. O Focus de 24.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nas últimas 51 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 24.7.15 eleva a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,25, de R$/U$3,23 verificada na semana anterior, para o final deste ano, enquanto a pesquisa de 25.7.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada ontem pelo BCB, mantém o câmbio em R$/U$3,40, valor observado nas últimas três semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 24.7.15 reduz para 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, ante 14,50% a.a. observada nas últimas três semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 mantém em 12% a.a., nas últimas nove semanas. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 24.7.15 reduz para -1,76%, o crescimento do PIB para 2015, ante -1,70% registrado no boletim anterior e -1,49% há quatro semanas, enquanto o Focus de 25.7.14 estima variação positiva de 1,50%. Com relação a 2016, o boletim divulgado ontem reduz para +0,20% o crescimento do PIB, ante +0,33% divulgado na semana anterior e +0,50 há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o decréscimo da indústria para 2015, frente igual valor observado há sete dias e -4% há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para o próximo ano, a pesquisa de 24.7.15 reduz o crescimento da indústria para +1,30%, de +1,50% observado no boletim anterior;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 24.7.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$6,40 bilhões para este ano, ante U$4 bi registrados há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 reduz a projeção do superávit para U$9,40 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado ontem eleva o superávit para U$14,89 bilhões, ante U$ 14 bi da semana anterior e U$ 12 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira reduz a estimativa do IED para U$65,70 bilhões em 2015, de U$66,25 bi da semana anterior e U$65,70 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 25.7.14 projeta U$55 bi. O boletim desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas nove semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas estimativas, tendo em vista o pessimismo quanto ao comportamento da economia brasileira para os próximos doze meses, associado às dificuldades na aprovação do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 25 de julho de 2015

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL EM QUEDA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é uma pesquisa mensal divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice é elaborado a partir de uma amostra de 2.951 empresas: 1.159 pequenas, 1.116 médias e 676 grandes. O ICEI e seus componentes variam no intervalo 0 a 100 pontos, enquanto os valores superiores a 50 indicam expectativa otimista, os inferiores a 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

Após três meses sem apresentar declínio, a confiança do empresário industrial voltou a cair. O ICEI de jul/15 atingiu 37,2 pontos, 1,7 pontos menor que o registrado no mês anterior. Com a queda, o índice voltou ao menor patamar da série histórica, 0,3 pontos abaixo do registrado em mar/15 (37,5 pontos), o recorde anterior. O índice encontra-se 9,2 pontos abaixo do registrado em julho de 2014 (46,4) e 18,7 pontos abaixo de sua média histórica.

Componentes do ICEI:

(a) Índice de Condições Atuais (ICA): o ICA caiu 2 pontos no período jun-jul/15, para 27,6 pontos (julho), o mais baixo da série. As avaliações das condições atuais tanto da empresa como da economia brasileira continuam negativas. O índice referente à economia brasileira voltou a situar-se abaixo de 20 pontos, enquanto o relativo à própria empresa recuou para o novo piso da série histórica;

(b) Índice de Expectativas (IE): o IE recuou 1,6 ponto em jul/15, ficando em 42,0 pontos, o que demonstra pessimismo quanto aos próximos seis meses. O pessimismo cresceu tanto com relação à economia brasileira como em relação à própria empresa, cujo índice atingiu o menor valor da série.

Os empresários por porte de empresa, região geográfica, segmento e setor industrial, iniciam o segundo semestre deste ano com queda do nível de confiança, o que é confirmado em parte, pelas estimativas que vem sendo realizadas pelo mercado (Boletim Focus).

Nos últimos dois meses finalizados em jul/15, houve queda na confiança para a maioria dos cortes da pesquisa, com poucas exceções. Quanto ao porte as empresas, enquanto empresários de pequenas e médias empresas mostraram elevação da falta de confiança, esta se manteve estável entre os empresários das grandes empresas. Com relação à região geográfica, houve queda na confiança em todas as regiões, exceto na região Norte do País, cujo índice oscilou dentro da margem de erro (queda de 0,7 ponto). Por outro lado, o maior decréscimo foi observado na região Sul com -2,8 pontos.

Portanto, o nível de confiança do empresariado industrial brasileiro vem caindo ao longo dos últimos meses, e essa percepção vem se disseminando pelo ambiente industrial no primeiro semestre de 2015.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS CAI EM JULHO
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e afere, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem dos aspectos: capacidade de consumo atual e de curto prazo, nível de renda doméstico, condições de crédito, segurança no emprego e qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. É uma análise mensal feita com 18 mil questionários, e mostra os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para duráveis. Um ICF abaixo de 100 pontos indica percepção de insatisfação, enquanto acima, com limite de 200 pontos, indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF apresentou decréscimo de 5,3% (86,9 pontos) em julho deste ano e -27,9% ante jul/14, e permanece abaixo de 100 pontos, isto é, continua inferior à zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a atual situação econômica do País. O nível de confiança das famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos (SM) mostrou queda de 5,1% na comparação mensal, enquanto as com renda acima de 10 SM também apresentaram declínio de 6,5%. O índice das famílias mais ricas está em 85,1 pontos, e o das demais, em 87,4 pontos.

Na mesma base de comparação, os dados regionais mostraram que a maior redução ocorreu no Centro-Oeste (7,9%), em que o índice permanece inferior a 100 pontos, em conjunto com todas as regiões, com exceção da Nordeste, que atingiu 104,5 pontos. A avaliação menos desfavorável ocorreu na Norte, com alta de 0,2%.

Quanto ao mercado de trabalho, em jul/15, o componente Emprego Atual (EA) apresentou decréscimos de 2,9% em relação a junho e 13,5% na comparação com jul/14. O percentual de famílias que se sentem mais segura em relação ao EA, quesito vem caindo a cada mês e no mês anterior registrava 36,4%, é de 35,2%. As regiões Centro-Oeste com 131,7 pontos, Nordeste com 119,5 e Norte com 117,9 têm as famílias mais confiantes em relação ao EA, com variações mensais de -3,9%, -1,1% e 0,2%, na ordem respectiva. Por outro lado, as regiões Sul (115,9) e Sudeste (101,8) registraram menor nível de confiança. O índice geral e os regionais ainda estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

Com relação ao Nível de Consumo Atual foram registrados declínios de 4,4% em relação a jun/15 e 32,5% frente a jul/14. A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o de 2014. O índice está em 67,2 pontos, abaixo do nível de indiferença.

O alto custo do crédito e o elevado nível de endividamento permanecem como os principais fatores do enfraquecimento na intenção de compras a prazo. O item Acesso ao Crédito registrou quedas mensais e anuais, de 7% e 34,4%, respectivamente, atingindo 85 pontos, o menor nível da série.

O item Momento para Duráveis apresentou declínio de 8,4% em jul/15, ante o mês anterior. Em relação a 2014 o componente recuou 43,4%. A taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas e divulgada pelo Banco Central, está em um patamar elevado. A taxa estava em 56,13% a.a. na divulgação referente a abril, e em mai/15 registrou 57,27%, maior valor da série. A maior parte das famílias em jul/15 (66%), ante 62,9% em junho considera o momento atual desfavorável para aquisição de bens duráveis.

Por corte de renda, as famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) declinaram 8,7% no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda acima de 10 SM, apresentaram também queda de 7,1%. Regionalmente, esse indicador variou de 80,5 pontos na região Sul a 48,5 pontos no Norte.

As famílias mostraram piora nas perspectivas em relação ao mercado de trabalho na comparação mensal, queda de 3,6%. Em relação a jul/14 o componente registrou recuo de 12%. A maior parte das famílias (48% ante 49,3% em junho) ainda considera positivo o cenário para os próximos seis meses, mas esse indicador vem caindo a cada mês. O índice ficou em 103,7, um nível ainda favorável de satisfação.

O item Perspectiva de Consumo apresentou queda de 8,5% em relação a jun/15. Na comparação anual o índice apresentou recuo de 39,7%, com 75,9 pontos. Na comparação mensal, as famílias com renda até 10 SM mostraram queda de 7,8%, e aquelas com renda acima de 10 SM, redução de 12,3%.

As regiões Nordeste (104,1 pontos) e Norte com 98,1 lideram o ranking regional de otimismo em relação ao consumo. Analisando as condições atuais e as perspectivas futuras da economia doméstica, a expectativa da CNC é que o volume de vendas do varejo apresente caia 1,1% em 2015.

Portanto, as famílias têm optado pelo cartão de crédito, o que é uma escolha ruim, tendo em vista os elevados encargos pagos por atrasos etc. A desinformação e a falta de conhecimento de fundamentos de economia e de finanças pessoais, tem levado o brasileiro a escolher as piores opções para endividarem-se, caindo sempre nas mesmas armadilhas financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.