sábado, 25 de julho de 2015

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS CAI EM JULHO
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e afere, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem dos aspectos: capacidade de consumo atual e de curto prazo, nível de renda doméstico, condições de crédito, segurança no emprego e qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. É uma análise mensal feita com 18 mil questionários, e mostra os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para duráveis. Um ICF abaixo de 100 pontos indica percepção de insatisfação, enquanto acima, com limite de 200 pontos, indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF apresentou decréscimo de 5,3% (86,9 pontos) em julho deste ano e -27,9% ante jul/14, e permanece abaixo de 100 pontos, isto é, continua inferior à zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a atual situação econômica do País. O nível de confiança das famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos (SM) mostrou queda de 5,1% na comparação mensal, enquanto as com renda acima de 10 SM também apresentaram declínio de 6,5%. O índice das famílias mais ricas está em 85,1 pontos, e o das demais, em 87,4 pontos.

Na mesma base de comparação, os dados regionais mostraram que a maior redução ocorreu no Centro-Oeste (7,9%), em que o índice permanece inferior a 100 pontos, em conjunto com todas as regiões, com exceção da Nordeste, que atingiu 104,5 pontos. A avaliação menos desfavorável ocorreu na Norte, com alta de 0,2%.

Quanto ao mercado de trabalho, em jul/15, o componente Emprego Atual (EA) apresentou decréscimos de 2,9% em relação a junho e 13,5% na comparação com jul/14. O percentual de famílias que se sentem mais segura em relação ao EA, quesito vem caindo a cada mês e no mês anterior registrava 36,4%, é de 35,2%. As regiões Centro-Oeste com 131,7 pontos, Nordeste com 119,5 e Norte com 117,9 têm as famílias mais confiantes em relação ao EA, com variações mensais de -3,9%, -1,1% e 0,2%, na ordem respectiva. Por outro lado, as regiões Sul (115,9) e Sudeste (101,8) registraram menor nível de confiança. O índice geral e os regionais ainda estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

Com relação ao Nível de Consumo Atual foram registrados declínios de 4,4% em relação a jun/15 e 32,5% frente a jul/14. A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o de 2014. O índice está em 67,2 pontos, abaixo do nível de indiferença.

O alto custo do crédito e o elevado nível de endividamento permanecem como os principais fatores do enfraquecimento na intenção de compras a prazo. O item Acesso ao Crédito registrou quedas mensais e anuais, de 7% e 34,4%, respectivamente, atingindo 85 pontos, o menor nível da série.

O item Momento para Duráveis apresentou declínio de 8,4% em jul/15, ante o mês anterior. Em relação a 2014 o componente recuou 43,4%. A taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas e divulgada pelo Banco Central, está em um patamar elevado. A taxa estava em 56,13% a.a. na divulgação referente a abril, e em mai/15 registrou 57,27%, maior valor da série. A maior parte das famílias em jul/15 (66%), ante 62,9% em junho considera o momento atual desfavorável para aquisição de bens duráveis.

Por corte de renda, as famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) declinaram 8,7% no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda acima de 10 SM, apresentaram também queda de 7,1%. Regionalmente, esse indicador variou de 80,5 pontos na região Sul a 48,5 pontos no Norte.

As famílias mostraram piora nas perspectivas em relação ao mercado de trabalho na comparação mensal, queda de 3,6%. Em relação a jul/14 o componente registrou recuo de 12%. A maior parte das famílias (48% ante 49,3% em junho) ainda considera positivo o cenário para os próximos seis meses, mas esse indicador vem caindo a cada mês. O índice ficou em 103,7, um nível ainda favorável de satisfação.

O item Perspectiva de Consumo apresentou queda de 8,5% em relação a jun/15. Na comparação anual o índice apresentou recuo de 39,7%, com 75,9 pontos. Na comparação mensal, as famílias com renda até 10 SM mostraram queda de 7,8%, e aquelas com renda acima de 10 SM, redução de 12,3%.

As regiões Nordeste (104,1 pontos) e Norte com 98,1 lideram o ranking regional de otimismo em relação ao consumo. Analisando as condições atuais e as perspectivas futuras da economia doméstica, a expectativa da CNC é que o volume de vendas do varejo apresente caia 1,1% em 2015.

Portanto, as famílias têm optado pelo cartão de crédito, o que é uma escolha ruim, tendo em vista os elevados encargos pagos por atrasos etc. A desinformação e a falta de conhecimento de fundamentos de economia e de finanças pessoais, tem levado o brasileiro a escolher as piores opções para endividarem-se, caindo sempre nas mesmas armadilhas financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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