sábado, 21 de junho de 2014



CARTÃO DE CRÉDITO E COMPRAS PARCELADAS
Consultor Régis Varão/1

A invenção do dinheiro de plástico também conhecido como cartão de crédito e débito de vez em quando deixa muita gente sem dormir, tendo em vista que é muito fácil a aquisição de bens e serviços com esse moderno e prático meio de pagamento, e mais ainda com a conhecida e difundida prática dos parcelamentos oferecidos pelos cartões de crédito em até dez vezes sem juros.

A elevação do nível de renda da população brasileira nos últimos anos, a inclusão financeira de milhares de famílias, as facilidades de financiamentos do comércio (parcelamentos sem juros) e do sistema financeiro, além de outros benefícios, como programas de milhagem etc, tem contribuído para elevar o endividamento dos desatentos, embora dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços-Abecs indique um percentual relativamente baixo dos que fazem o pagamento mínimo.

Estatísticas do Banco Central demonstram a elevação das compras parceladas com cartão de crédito nos últimos doze meses, atingindo o montante de R$141,3 milhões. Pesquisa da Abecs realizada pelo Instituto Data Folha, divulgada em 16.6.14, mostra que 85% dos usuários de cartão de crédito pagaram o valor integral da fatura em mai/14, 4% pagaram o valor mínimo, enquanto 8% optaram pelo parcelamento.

Um contingente elevado de portadores de cartão de crédito tem feito bom uso dele (85%). No entanto, os 4% que optaram pelo pagamento mínimo terão algum tipo de dor de cabeça no futuro, tendo em vista que os juros incidentes sobre o saldo devedor está em dois dígitos e o poder dos juros compostos elevam absurdamente o saldo devedor desses cartões. “O valor da última fatura, conforme a Abecs, estava de acordo ou abaixo do orçamento mensal de 85% dos usuários entrevistados. Além disso, a maioria (73%) não deixou de pagar nenhuma fatura nos últimos 12 meses.”

A sociedade vem mudando e se adaptando aos novos padrões de utilização de meios de pagamentos, ao substituir o tradicional cheque e outras formas de pagamento, pelo cartão de crédito. No período jan-mar/14 o movimento com cartões de crédito e débito atingiu R$ 223 bilhões, elevando-se cerca de 18% em relação a igual período do ano anterior. Considerando apenas a modalidade cartão de crédito, o valor transacionado atingiu R$142,4 bilhões, crescendo 15,2% ante o primeiro trimestre de 2013. Ainda de acordo com dados da Abecs, no primeiro trimestre deste ano, “o brasileiro gastou, em média, R$ 63,6 em cada transação com cartão de débito, praticamente a metade do tíquete médio do cartão de crédito.”

Dados a respeito de gastos na Copa do Mundo, na primeira semana do evento, indicam que os turistas estrangeiros gastaram U$27 milhões nos cartões de crédito, débito e pré-pago da bandeira internacional Visa - patrocinadora da Fifa e da Copa do Mundo - entre 12 e 15.6, representando 73% a mais que os gastos realizados em igual período de 2013, estando 43% acima do realizado nos primeiros dias da Copa das Confederações entre 15 e 18.6.13, quando os turistas estrangeiros desembolsaram U$ 18,5 milhões.

Portanto, quanto mais os turistas estrangeiros gastarem em território brasileiro, na Copa do Mundo, melhor para a atividade econômica. Por outro lado, devemos ficar atentos aos gastos realizados por brasileiros no dia a dia, e mais ainda deve-se pagar sempre a fatura total e evitar ao máximo pagar o mínimo da fatura do cartão, este um dos grandes problemas do endividamento.

Para evitar descontroles orçamentários, sugiro considerar a regra dos 3 SIM’s, em que o potencial consumidor se faz 3 perguntas: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Ocorrendo apenas um não a qualquer dessas perguntas, não compre. Entretanto, se forem dadas três respostas afirmativas, então compre, mas barganhe antes.

1/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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