CARTÃO DE CRÉDITO E COMPRAS
PARCELADAS
Consultor Régis Varão/1
A invenção do dinheiro de plástico
também conhecido como cartão de crédito e débito de vez em quando deixa muita
gente sem dormir, tendo em vista que é muito fácil a aquisição de bens e serviços
com esse moderno e prático meio de pagamento, e mais ainda com a conhecida e
difundida prática dos parcelamentos oferecidos pelos cartões de crédito em até
dez vezes sem juros.
A elevação do nível de renda da
população brasileira nos últimos anos, a inclusão financeira de milhares de
famílias, as facilidades de financiamentos do comércio (parcelamentos sem
juros) e do sistema financeiro, além de outros benefícios, como programas de
milhagem etc, tem contribuído para elevar o endividamento dos desatentos,
embora dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e
Serviços-Abecs indique um percentual relativamente baixo dos que fazem o
pagamento mínimo.
Estatísticas do Banco Central
demonstram a elevação das compras parceladas com cartão de crédito nos últimos
doze meses, atingindo o montante de R$141,3 milhões. Pesquisa da Abecs
realizada pelo Instituto Data Folha, divulgada em 16.6.14, mostra que 85% dos
usuários de cartão de crédito pagaram o valor integral da fatura em mai/14, 4%
pagaram o valor mínimo, enquanto 8% optaram pelo parcelamento.
Um contingente elevado de portadores
de cartão de crédito tem feito bom uso dele (85%). No entanto, os 4% que
optaram pelo pagamento mínimo terão algum tipo de dor de cabeça no futuro, tendo
em vista que os juros incidentes sobre o saldo devedor está em dois dígitos e o
poder dos juros compostos elevam absurdamente o saldo devedor desses cartões. “O
valor da última fatura, conforme a Abecs, estava de acordo ou abaixo do
orçamento mensal de 85% dos usuários entrevistados. Além disso, a maioria (73%)
não deixou de pagar nenhuma fatura nos últimos 12 meses.”
A sociedade vem mudando e se
adaptando aos novos padrões de utilização de meios de pagamentos, ao substituir
o tradicional cheque e outras formas de pagamento, pelo cartão de crédito. No
período jan-mar/14 o movimento com cartões de crédito e débito atingiu R$ 223
bilhões, elevando-se cerca de 18% em relação a igual período do ano anterior.
Considerando apenas a modalidade cartão de crédito, o valor transacionado
atingiu R$142,4 bilhões, crescendo 15,2% ante o primeiro trimestre de 2013.
Ainda de acordo com dados da Abecs, no primeiro trimestre deste ano, “o
brasileiro gastou, em média, R$ 63,6 em cada transação com cartão de débito,
praticamente a metade do tíquete médio do cartão de crédito.”
Dados a respeito de gastos na Copa do
Mundo, na primeira semana do evento, indicam que os turistas estrangeiros gastaram
U$27 milhões nos cartões de crédito, débito e pré-pago da bandeira
internacional Visa - patrocinadora da Fifa e da Copa do Mundo - entre 12 e
15.6, representando 73% a mais que os gastos realizados em igual período de
2013, estando 43% acima do realizado nos primeiros dias da Copa das
Confederações entre 15 e 18.6.13, quando os turistas estrangeiros desembolsaram
U$ 18,5 milhões.
Portanto, quanto mais os turistas
estrangeiros gastarem em território brasileiro, na Copa do Mundo, melhor para a
atividade econômica. Por outro lado, devemos ficar atentos aos gastos
realizados por brasileiros no dia a dia, e mais ainda deve-se pagar sempre a
fatura total e evitar ao máximo pagar o mínimo da fatura do cartão, este um dos
grandes problemas do endividamento.
Para evitar descontroles orçamentários,
sugiro considerar a regra dos 3 SIM’s, em que o potencial consumidor se faz 3
perguntas: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Ocorrendo apenas um
não a qualquer dessas perguntas, não compre. Entretanto, se forem dadas três
respostas afirmativas, então compre, mas barganhe antes.
1/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e
doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e
ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.
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