sexta-feira, 27 de junho de 2014

INVESTIMENTO E RISCO
Consultor Régis Varão/¹

O conceito de risco foi estabelecido por Harry Markowitz ao publicar o artigo Portfolio Selection, no Journal of Finance, em 1952, sete anos depois publicou livro com o mesmo título. Esses trabalhos deram origem à moderna teoria das carteiras, base da teoria das finanças como é estudada atualmente.

Nesse contexto podemos apresentar alguns conceitos de risco: é a incerteza quanto ao resultado futuro de um investimento/aplicação que pode ser aferido quantitativamente, é a probabilidade de que ocorra algum evento não esperado quanto ao retorno do investimento/aplicação, ou a probabilidade de ocorrer um evento diferente do esperado.

Em finanças, adota-se a premissa de que o investidor racional é avesso ao risco, isto é, diante de dois investimentos com a mesma rentabilidade, o investidor sempre escolherá aquele que apresentar o menor grau de risco. Por esse motivo, a análise de um investimento deve considerar sempre três aspectos fundamentais: rentabilidade, liquidez e segurança.

O investidor espera que a rentabilidade esperada de sua aplicação esteja muito próxima da observada, o que dá segurança ao recurso aplicado, embora isso não ocorra sempre, o que leva à discussão de que não existe segurança absoluta quando se fala de investimentos.

É nesse contexto que entra a gestão de risco, isto é, toma-se providência hoje para garantir o retorno esperado no futuro, caso se verifique um cenário diferente do planejado, mas possível, devido a constante especulação financeira, os diversos tipos de operações e ativos existentes no mercado financeiro internacional, além de decisões das autoridades monetárias dos EUA, Zona do Euro, Reino Unido, China e Japão que impactam os mercados globais.

Considerando tais aspectos, os retornos esperados dos investimentos não podem ser analisados isoladamente sem considerar-se o risco inerente a essas aplicações.

As crises no México em 1994-95, Ásia em 1998, Brasil em 1999, Argentina em 2000-01 e EUA com início em 2007, geraram a necessidade de controles mais rigorosos do risco que o setor financeiro estava correndo com os investimentos fora do país. Medidas foram adotadas inicialmente com o Acordo de Basiléia (AB) em 1988, seguindo-se outras que aprofundaram o conceito de controle de risco. No Brasil esses princípios foram introduzidos pelas Resoluções nº2.099, de 17.8.94, e nº2.554, de 24.9.98, do ConselhoMonetário Nacional (CMN), que contribuíram para o início da cultura dos controles internos no sistema bancário.

Listamos alguns tipos de risco das instituições financeiras e que podem interferir nas aplicações dos investidores:

(1) Risco de crédito: é a possibilidade do não recebimento dos recursos aplicados, ou do recebimento fora do prazo e/ou de condições acordadas, isto é, os emissores de títulos e valores imobiliários não cumprem suas obrigações de pagar nem o principal, nem os respectivos juros de suas dívidas (inadimplência);

(2) Risco de Liquidez: é a incerteza quanto à possibilidade de transformar rapidamente uma aplicação em moeda corrente, isto é, o emitente de um papel não honra os compromissos assumidos em função de desequilíbrios de caixa observado entre o descasamento de prazos de vencimentos de operações ativas e passivas;

(3) Risco de Mercado: é a incerteza quanto ao retorno de um investimento em razão das oscilações do mercado financeiro, que podem ser decorrentes da política monetária, taxa de câmbio, mercado de capitais, preço de commodities etc;

(4) Risco Operacional: está relacionado a possibilidade de ocorrência de perdas ocasionadas por falhas de sistemas e equipamentos, obsolescência tecnológica da estrutura operacional, insuficiência de equipamentos ou falhas humanas;

(5) Risco Sistêmico: decorre de dificuldades financeiras verificadas em uma ou mais instituições, e que podem provocar problemas em outras, e até mesmo no sistema financeiro como um todo;

(6) Risco Legal: é o risco decorrente de perdas por falta da observância de regras e normativos legais;

(7) Risco-país: decorre da possibilidade de perdas decorrentes da situação econômica e às vezes política do país onde se realizou o investimento;

É importante ter conhecimento da existência dos diversos tipos de risco ao tomar a decisão de investir seus recursos e mais ainda de terceiros, principalmente os gestores de fundos de investimentos, cujos montantes de recursos ultrapassam sete, oito e mais dígitos. Portanto, o tripé rentabilidade, liquidez e segurança deve estar sempre presente na decisão do investidor, independente do porte e do perfil.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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