ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JULHO/14
Consultor Régis Varão/¹
O endividamento das famílias brasileiras continua elevado,
e apesar de apresentar crescimento em jul/14, ante o mês anterior, mantém-se
abaixo do registrado em jun/13, devido, em parte, a uma postura de maior cautela
das famílias quanto ao endividamento, segundo informa a Pesquisa de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC),
da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A PEIC de julho, informa que o percentual de
famílias endividadas atingiu 63% em jul/14, ante 62,5% no mês anterior, próximo
ao registrado em mai/14 (62,7%), mas distante do observado em jul/13 (65,2%).
Embora tenha apresentado incremento de 0,5 p.p. entre jun/14 e jul/14, o nível
de endividamento das famílias manteve-se em patamar elevado, acima de 62%.
Com relação à proporção de famílias endividadas, o
percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso declinou para 18,9% em
jul/14, de 19,8% observado em jun/14, e de 22,4% em jul/13. Embora com declínio
de 0,9 p.p. entre junho e jul/14, um percentual próximo de 20% é relativamente elevado,
explicado possivelmente pelo pouco conhecimento das famílias no que ser refere
a pagamentos de juros, multas e outros, pagos sobre os saldos de dívidas não quitadas.
A pesquisa aponta que o percentual de famílias que declararam que não terão
condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que permaneceram
inadimplentes apresentou estabilidade na comparação mensal e reduziu-se na
relação anual, atingindo 6,6% em jul/14, ante 6,6% em jun/14 e 7,4% em julho do
ano anterior.
Com relação a análise por faixa de renda do
percentual das famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas
em atraso, os dados da PEIC apresentaram comportamento distinto entre os grupos
pesquisados. Na faixa de renda mais elevada, acima de 10 salários mínimos (SM),
o indicador atingiu 2,7% em jul/14, ante 2,3% em jun/14 e 1,8% em jul/13. Para
o de renda mais baixa, até 10 SM, o percentual dessas famílias manteve-se
praticamente estável ao recuar de 7,8% em jun/14 para 7,6% em jul/14.
O número de famílias que se declararam muito
endividadas manteve-se estável em 11,9% entre junho e jul/14, mas abaixo do
observado em jul/13 (13,3%). O percentual de famílias que se declararam mais ou
menos endividadas subiu para 24,5% em jul/14, de 23,4% do mês anterior, e igual
ao observado em jul/13 (24,5%). A proporção de famílias que se declararam pouco
endividada caiu para 26,6% em jul/14, ante 27,3% verificado em jun/14, e
manteve-se estável em 27,3% em jul/13.
O cartão de crédito continua liderando por tipo de
dívida, se posicionado como um dos principais fatores de endividamento das
famílias, atingindo 76,6% das famílias em jul/14, ante 76,1% observado no mês
anterior, mantendo-se há alguns meses nesse patamar. Para famílias com renda
até 10 SM, o percentual sobe para 77,7% em jul/14, e para as de renda acima de
10 SM atinge 71,7% naquele mês, que é percentual elevado para qualquer nível de
renda.
O endividamento com cartão de crédito tem custo
elevado, comprometendo a qualidade de vida das famílias, pois os encargos
cobrados por atraso devido ao pagamento mínimo da fatura levam a cobranças de
juros de dois dígitos mensais, ultrapassando com folga três dígitos ao ano.
Os carnês, o segundo principal tipo de dívida,
apresentaram estabilidade no período jun-jul/14, atingindo 16,3% em jul/14,
ante 16,4% em jun/14. Em julho, nas famílias com renda até 10 SM, as dívidas
com carnês participam com 17,3%, enquanto acima de 10 SM atingem 11,7%, o que pode
retratar a preferência das famílias de menor padrão de renda por essa
modalidade de endividamento.
No terceiro tipo de dívida está o financiamento de
carro com 13,2% em jul/14, frente a 13,4% verificado no mês anterior. Nessa
modalidade, para as famílias com mais de 10 SM o percentual atinge 26,8% em jul/14,
enquanto para famílias até 10 SM chega a 10,3%.
O crédito pessoal é o quarto colocado por tipo de
dívida, mantendo-se estável em junho e jul/14 com 9,8%, respectivamente. Na
sequência, temos o Financiamento de casa com 7,6% em jul/14, ante 7,7%
observado no mês anterior, contribuindo para a manutenção nesse patamar os
estímulos governamentais dados ao segmento. Em sexto lugar, e não menos importante,
o cheque especial que atinge 5,3% em jul/14, frente a 5,2% registrado no mês
anterior.
Dos seis mais importantes tipos de dívida
apresentados na PEIC, considerando o período jun-jul/14, o cartão de crédito
além de liderar por tipo de endividamento ainda apresentou elevação de 0,5 p.p.
no período, atingindo 76,6% em jul/14, carnês apresentou declínio (-0,1 p.p.),
financiamento de carro (-0,2 p.p.), crédito pessoal mante-se estável com 9,8% e
financiamento de casa (-0,1 p.p.) e cheque especial subiu 0,1 p.p.
O endividamento das famílias está diretamente
associado aos poucos conhecimentos de educação financeira, podendo ser trabalhado
se houver engajamento do setor público nos três níveis - federal, estadual e
municipal - e de empresas públicas e privadas com campanhas educativas tratando
do assunto.
Todos ganham com uma sociedade consciente de seus
direitos e deveres, e o conhecimento das ferramentas de educação financeira contribui
diretamente para elevar a produtividade dos trabalhadores dos diversos setores
da economia e também dos lucros corporativos.
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