PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM QUEDA
Consultor Régis Varão/¹
A
produção industrial recuou 0,6% em mai/14 ante o mês anterior, na série sem
ajuste sazonal, acumulando nos últimos três meses perda de 1,6%. O declínio de
0,6% da atividade industrial no período abr-mai/14 teve predomínio de fatores
negativos, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas e quinze
entre os vinte e quatro ramos pesquisados, segundo pesquisa mensal de produção industrial realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As
influências negativas ficaram por conta de equipamentos de informática,
produtos eletrônicos e ópticos (-5%), móveis (-4,4%), metalurgia (-4%),
veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,9%), coque, produtos derivados
de petróleo e biocombustíveis (-3,8%), máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (-2,1%) e produtos de borracha e de material plástico (-1,4%).
Entre
os oito ramos que ampliaram a produção em mai/14, os melhores desempenhos ficaram
com produtos do fumo (18,5%), indústria extrativa (1,4%) e produtos
alimentícios (1,0%). A exceção da indústria extrativa que ficou estável em
abr/14 (0%), os demais apresentaram expansão naquele mês, com produtos de fumo
expandindo 10% e alimentos com 2,5%.
Quanto
as grandes categorias econômicas, na comparação com abr/14, bens de consumo
duráveis recuaram 3,6%, registrando o declínio mais acentuado em mai/14 e a
terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando no
período queda de 9,5%. Os bens de capital (-2,6%), que mostraram queda mais
forte que o verificado na indústria (-0,6%), apontou o terceiro mês seguido de declínio,
com perda acumulada de 7,5% no período. Os bens intermediários, com decréscimo de
0,9%, abrandou o ritmo de queda ante o resultado de abr/14 (-0,2%). Os bens de
consumo semi e não-duráveis (1,0%) foram os únicos que registraram avanço na
produção em mai/14 mantendo comportamento positivo neste ano.
Com
relação ao mês de mai/13, a atividade industrial registrou queda de 3,2% em
mai/14, com predomínio de resultados negativos, tendo em vista que três das
quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (18) dos 26 ramos
apontaram declínio na produção. Veículos automotores, reboques e carrocerias, registraram
queda de 20,1%, a maior pressão negativa na formação da média da indústria,
pressionada em grande parte pela queda na produção de automóveis, de
caminhão-trator para reboques e semirreboques, de caminhões, de autopeças e de
veículos para transporte de mercadorias. Outros que tiveram grande impacto
negativo na produção da indústria foram: metalurgia (-10,5%), produtos de metal
(-9,5%), produtos químicos (-5,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis
(-2,4%), máquinas e equipamentos (-3,1%), impressão e reprodução de gravações
(-13,4%), borracha e material plástico (-3,6%).
Ainda
na comparação com mai/13, entre as oito atividades que aumentaram a produção,
os principais impactos positivos foram observados em indústrias extrativas (7,6%),
produtos alimentícios (2,1%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos
e ópticos (7,8%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,1%).
Ainda
na comparação com mai/13, bens de consumo duráveis (-11,2%) e bens de capital
(-9,7%) apresentaram, em mai/14, os recuos mais acentuados entre as grandes
categorias econômicas. Em mai/14, os bens de consumo duráveis apontou o
terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, tendo sido
pressionado particularmente pela queda na fabricação de automóveis (-21,1%),
móveis (-9,1%), eletrodomésticos (-8,1%) e motocicletas (-5,2%). Já o setor de
bens de capital registrou o terceiro mês consecutivo de resultado negativo
nesse tipo de comparação. Os bens intermediários (-2,8%) registraram variação
negativa nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-3,2%), enquanto
o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, com expansão de 0,8%,
apontou o único resultado positivo.
No
acumulado jan-mai/14, ante igual período de 2013, a atividade industrial
mostrou queda de 1,6%, com três das quatro grandes categorias econômicas e
dezessete dos vinte e seis ramos investigados apontando decréscimo na produção.
O mais importante impacto negativo foi observado na produção de veículos
automotores, reboques e carrocerias (-12,5%), pressionado, em grande parte,
pela queda na fabricação de cerca de 86% dos produtos do setor, com destaque
para as quedas observadas por automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques,
caminhões, veículos para transporte de mercadorias e autopeças.
Portanto,
o desempenho negativo na atividade industrial brasileira nesses primeiros meses
do ano, deverá condicionar fortemente o crescimento do Produto Interno Bruto do
País em 2014, com impactos negativos na atividade econômica em geral e no nível
de desemprego da economia.
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