quinta-feira, 3 de julho de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM QUEDA
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial recuou 0,6% em mai/14 ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, acumulando nos últimos três meses perda de 1,6%. O declínio de 0,6% da atividade industrial no período abr-mai/14 teve predomínio de fatores negativos, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas e quinze entre os vinte e quatro ramos pesquisados, segundo pesquisa mensal de produção industrial realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As influências negativas ficaram por conta de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-5%), móveis (-4,4%), metalurgia (-4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,9%), coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-3,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,1%) e produtos de borracha e de material plástico (-1,4%).

Entre os oito ramos que ampliaram a produção em mai/14, os melhores desempenhos ficaram com produtos do fumo (18,5%), indústria extrativa (1,4%) e produtos alimentícios (1,0%). A exceção da indústria extrativa que ficou estável em abr/14 (0%), os demais apresentaram expansão naquele mês, com produtos de fumo expandindo 10% e alimentos com 2,5%.

Quanto as grandes categorias econômicas, na comparação com abr/14, bens de consumo duráveis recuaram 3,6%, registrando o declínio mais acentuado em mai/14 e a terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando no período queda de 9,5%. Os bens de capital (-2,6%), que mostraram queda mais forte que o verificado na indústria (-0,6%), apontou o terceiro mês seguido de declínio, com perda acumulada de 7,5% no período. Os bens intermediários, com decréscimo de 0,9%, abrandou o ritmo de queda ante o resultado de abr/14 (-0,2%). Os bens de consumo semi e não-duráveis (1,0%) foram os únicos que registraram avanço na produção em mai/14 mantendo comportamento positivo neste ano.

Com relação ao mês de mai/13, a atividade industrial registrou queda de 3,2% em mai/14, com predomínio de resultados negativos, tendo em vista que três das quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (18) dos 26 ramos apontaram declínio na produção. Veículos automotores, reboques e carrocerias, registraram queda de 20,1%, a maior pressão negativa na formação da média da indústria, pressionada em grande parte pela queda na produção de automóveis, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de caminhões, de autopeças e de veículos para transporte de mercadorias. Outros que tiveram grande impacto negativo na produção da indústria foram: metalurgia (-10,5%), produtos de metal (-9,5%), produtos químicos (-5,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,4%), máquinas e equipamentos (-3,1%), impressão e reprodução de gravações (-13,4%), borracha e material plástico (-3,6%).

Ainda na comparação com mai/13, entre as oito atividades que aumentaram a produção, os principais impactos positivos foram observados em indústrias extrativas (7,6%), produtos alimentícios (2,1%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (7,8%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,1%).

Ainda na comparação com mai/13, bens de consumo duráveis (-11,2%) e bens de capital (-9,7%) apresentaram, em mai/14, os recuos mais acentuados entre as grandes categorias econômicas. Em mai/14, os bens de consumo duráveis apontou o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, tendo sido pressionado particularmente pela queda na fabricação de automóveis (-21,1%), móveis (-9,1%), eletrodomésticos (-8,1%) e motocicletas (-5,2%). Já o setor de bens de capital registrou o terceiro mês consecutivo de resultado negativo nesse tipo de comparação. Os bens intermediários (-2,8%) registraram variação negativa nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-3,2%), enquanto o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, com expansão de 0,8%, apontou o único resultado positivo.

No acumulado jan-mai/14, ante igual período de 2013, a atividade industrial mostrou queda de 1,6%, com três das quatro grandes categorias econômicas e dezessete dos vinte e seis ramos investigados apontando decréscimo na produção. O mais importante impacto negativo foi observado na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,5%), pressionado, em grande parte, pela queda na fabricação de cerca de 86% dos produtos do setor, com destaque para as quedas observadas por automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, veículos para transporte de mercadorias e autopeças.

Portanto, o desempenho negativo na atividade industrial brasileira nesses primeiros meses do ano, deverá condicionar fortemente o crescimento do Produto Interno Bruto do País em 2014, com impactos negativos na atividade econômica em geral e no nível de desemprego da economia.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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