terça-feira, 1 de julho de 2014

CONSUMIDOR MENOS CONFIANTE EM JUNHO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de jun/14, atingiu 106,3 pontos, o menor índice deste set/05, ante 107,6 pontos observados em mai/14, e 113,9 pontos registrados em jan/14. No período mai-jun/14, o indicador INEC caiu 1,2%, enquanto jun/14 comparado a jan/14 declinou 6,7%.

Os resultados observados ao longo dos últimos meses indicam que vem declinando a confiança do consumidor brasileiro a respeito da percepção do comportamento de relevantes indicadores econômicos, como inflação, desemprego, renda pessoal, endividamento etc. Por oportuno, cabe observar que o aumento do indicador reflete melhora no item avaliado, enquanto o declínio reflete piora.

Os fatores que mais contribuíram para a avaliação negativa da população em junho são:

(a) Expectativa de Desemprego: atingiu 108,9 pontos em jun/14, ante 114,6 em mai/14, uma queda de 4,9% no período, mas apresentando forte declínio de 17,4% quando comparada a jan/14 (131,9), refletindo a percepção dos consumidores de que o indicador irá aumentar nos próximos seis meses com relação aos seis meses anteriores, isto é, que o desemprego vai aumentar;

(b) Expectativa de Inflação: em jun/14 atingiu 97,3 pontos, antes 100,1 pontos observados no mês anterior, uma queda de 2,8% no período, com piora da percepção dos consumidores quanto à inflação nos próximos seis meses ante seis meses anteriores;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: chegou a 102,8 pontos em jun/14, ante 108 pontos verificados em mai/14, um decréscimo de 4,8%, embora tenha atingido 115,8 pontos em jan/14, com queda significativa de 11,2% no período, demonstrando grande pessimismo do consumidor com os próximos seis meses frente igual período anterior;

(d) Situação Financeira: atingiu 104,4 pontos em jun/14, de 106 pontos observados em mai/14 (-1,5%), mostrando elevação das expectativas negativas para os próximos três meses com relação aos três meses anteriores, isto é, a situação financeira da população é menos favorável em jun/14 do que era no mês anterior, e piorou muito com relação à jan/14 (113,4), quando apresentou declínio de cerca de 8%;

(e) Endividamento: esse indicador foi em direção oposta aos anteriores e passou de 101,7 pontos em mai/14 para 105,1 pontos em jun/14, com elevação de 3,3%. O resultado indica que um maior número de pessoas afirmou estar menos endividada em junho do que nos últimos três meses. A pesquisa INEC afirma que é um “Comportamento bastante razoável, considerando-se a crescente preocupação com a inflação e a piora na expectativa quanto à renda pessoal.”

Portanto, devemos ficar atentos às avaliações pessimistas quanto ao comportamento futuro dos indicadores de desemprego, renda pessoal, situação financeira e inflação, tendo em vista uma piora de percepção por parte da população ao longo desses últimos doze meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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