terça-feira, 25 de novembro de 2014

MERCADO CONTINUA PESSIMISTA
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para os principais indicadores macroeconômicos divulgados ontem no Boletim Focus de 21.11.14, do Banco Central, foram corrigidas frente ao boletim da semana anterior, com destaque para índices de preços, taxa de câmbio, PIB e balança comercial. A pesquisa foi realizada com cerca de 100 instituições entre bancos e consultorias:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 21.11.14 corrigiu para 6,43% a expectativa do mercado para 2014 frente a 6,40% da pesquisa anterior, e 6,45% divulgada há quatro semanas, enquanto o boletim de 22.11.13 indicava 5,92%. A pesquisa desta semana elevou para 6,45% a projeção do IPCA para o 2015;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana elevou a projeção do índice para 3,76% neste ano, alta de 0,32 p.p. frente à pesquisa anterior, e 3% observado há quatro semanas, enquanto há um ano a projeção estava em 6%. Para 2015, o Focus divulgado nesta semana elevou a projeção para 5,60%, de 5,57% da pesquisa anterior e 5,52% divulgada há um mês;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): no Focus de 21.11.14, o mercado elevou para R$/U$2,55 a estimativa do câmbio para 2014 frente a R$/U$2,53 do boletim anterior, e R$/U$2,40 registrada há um mês, enquanto em igual período do ano anterior indicava R$/U$2,40. Com relação a 2015, a expectativa publicada ontem subiu para R$/U$2,65, ante R$/U$2,61 da semana anterior e R$/U$2,50 apresentada há quatro semanas;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): a pesquisa manteve a taxa Selic estável em 11,50% a.a. quando comparada à da semana anterior, e 11% a.a. há um mês. A correção das expectativas nas três últimas pesquisas deve-se, em parte, à elevação dos juros decidida na última reunião do Copom, associada ao crescimento do nível de preços. O boletim de 22.11.13 elevou a Selic para 10,50% a.a. em 2014 frente a 10,25% a.a. das pesquisas anteriores. Para 2015, o mercado manteve a projeção em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a estimativa de crescimento do PIB para 2014 caiu para +0,20%, de +0,21% do boletim anterior, e +0,27% divulgada há quatro semanas, enquanto o Focus de 22.11.13 apontava elevação de 2,10%. Com relação a 2015, a última estimativa manteve inalterado o crescimento do PIB em +0,80% frente à alta de 1% apresentada há um mês;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 21.11.14 manteve a estimativa de crescimento da indústria em -2,30% para 2014 frente ao declínio de 2,24% observado há um mês, enquanto no boletim de 22.11.13 apontava elevação de 2,50%. Quanto ao próximo ano, a pesquisa desta semana indica incremento de 1,30% frente à elevação de 1,42% verificada há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa desta semana reduziu o superávit de 2014 para U$0,10 bilhão, de U$0,40 bi da pesquisa anterior, e U$2,10 bilhões observados há quatro semanas, enquanto o Focus de 22.11.13 estimava em U$8,10 bilhões. Para 2015, a pesquisa manteve o mesmo valor da semana anterior em U$6,5 bilhões, ante U$7,21 divulgado há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o Focus de 21.11.14 manteve estável em U$60 bilhões a expectativa de crescimento do IED para 2014, enquanto o mesmo valor já estava na projeção de 22.11.13. Para 2015, o boletim divulgado manteve a projeção em U$58 bilhões, ante U$60 bi há quatro semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista quanto ao comportamento das principais variáveis macroeconômicas em 2014 e no próximo, e aguardando a indicação da equipe econômica que tomará posse em janeiro, que pouco poderá fazer para alterar o cenário atual, embora possa sinalizar a respeito de decisões a serem tomadas no início do próximo ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Veja o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

PESSIMISMO DO MERCADO CONTINUA ELEVADO
Consultor Régis Varão/¹

As projeções realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas no Boletim Focus de 14.11.14, foram ajustadas, destacando-se o IGP-DI, a taxa de câmbio, a produção industrial e o saldo da balança comercial, mantendo-se praticamente estável as estimativas do PIB. Os dados da pesquisa, que é realizada com cerca de 100 instituições entre bancos e consultorias, foram divulgados hoje pelo Banco Central:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 14.11.14 manteve praticamente estável em 6,40% a expectativa do mercado para o IPCA de 2014 frente a 6,39% observada na pesquisa anterior, enquanto o boletim de 14.11.13 indicava 5,91%. A pesquisa divulgada nesta semana manteve em 6,40% a projeção do índice para o próximo ano;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim desta semana estima o índice em 3,44% para 2014, alta de 0,06 p.p. frente ao valor da pesquisa anterior, e 3% observado há quatro semanas, enquanto há um ano a projeção estava em 6,01%. Para 2015, o Focus divulgado ontem elevou a projeção para 5,57%, de 5,54% da pesquisa anterior e 5,52% há um mês;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): no Focus de 14.11.14, o mercado corrigiu a estimativa da taxa de câmbio em 2014 para R$/U$2,53, ante R$/U$2,50 da semana anterior, e R$/U$2,40 registrada há um mês, enquanto a pesquisa de 14.11.13 indicava R$/U$2,40. Com relação a 2015, a expectativa do mercado publicada ontem subiu para R$/U$2,61, praticamente a mesma da semana anterior (R$/U$2,60), mas R$/U$0,11 acima da divulgada há quatro semanas;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): a pesquisa desta semana manteve a taxa Selic estável em 11,50% a.a. frente a 11% a.a. verificada há quatro semanas. A correção das expectativas nas duas últimas pesquisas deve-se basicamente à elevação dos juros decidida na última reunião do Copom, enquanto o boletim de 14.11.13 apontava para 10,25% a.a. no final deste ano. Para 2015, o mercado manteve a projeção em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a estimativa de crescimento do PIB para 2014, após meses de declínio, apresentou elevação, tendo a pesquisa desta semana registrado alta de 0,21% frente ao crescimento de 0,20% do Focus anterior, e +0,27% há um mês. Já a pesquisa de 14.11.13 apontava incremento de 2,10% para este ano. Com relação a 2015, a estimativa do mercado divulgada ontem, manteve inalterado o crescimento do PIB em +0,80% frente contra +1% observado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 14.11.14 corrigiu para baixo a projeção da indústria para 2014 ao indicar -2,30% frente ao declínio de 2,21% da pesquisa anterior, enquanto no boletim de 14.11.13 estava em +2,50%. Com relação a 2015, a pesquisa desta semana apresenta incremento de 1,31% na indústria frente ao crescimento de 1,46% observado nas últimas semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a projeção divulgada em 14.11.14 reduziu o superávit de 2014 para U$0,40 bi, de U$1 bilhão da pesquisa anterior, e U$2,29 bi observado há quatro semanas, enquanto o Focus de 14.11.13 estimava em U$8 bilhões para este ano. Para 2015, a pesquisa divulgada ontem estima superávit de U$6,5 bilhões, ante U$7 bi do boletim anterior, e U$7,65 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o Focus desta semana mantém estável em U$60 bilhões a expectativa do mercado para 2014, enquanto o mesmo valor já estava presente na projeção divulgada em 14.11.13. Para 2015, o boletim divulgado ontem estima em U$58 bilhões, ante U$60 bi há quatro semanas.

Portanto, o governo deveria adotar medidas para garantir melhor desempenho da economia em 2015, com maior controle sobre a inflação e o déficit público, tendo em vista que o crescimento econômico para este ano já está comprometido.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Veja o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 15 de novembro de 2014

VALORIZE OS PEQUENOS NÚMEROS
Consultor Régis Varão/¹

Nos anos noventa o consultor norte-americano David Bach desenvolveu a teoria denominada “Fator Café”, que prefiro chamar poder dos pequenos números, que consiste basicamente em mostrar que a chave para o progresso financeiro consiste em ficar atento aos  pequenos valores gastos diariamente.

A maioria das pessoas acreditam que o segredo da prosperidade consiste unicamente em buscar novas fontes de receita, e procuram alternativas como um cargo mais elevado na empresa, um novo emprego, alguns mudam de cidade e outros até de profissão, como se tais mudanças resolvessem os problemas do endividamento. A citação atribuída ao físico Albert Einstein afirma “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes”, sem alterar hábitos de consumo e postura frente ao dinheiro, não resolve problemas financeiros.

As pessoas que mudam de trabalho, de cidade e até de profissão continuam cometendo os mesmos erros, logo, não prestaram atenção às palavras de Einstein, pois, continuam desconsiderando muitas vezes por ignorância o grande potencial que o dinheiro tem de se multiplicar (juros compostos), particularmente em nosso País, que pratica as maiores taxas de juros do mundo.

Existem muitos erros que costumam marcar o modo de agir das pessoas que desconhecem educação financeira, podemos confirmar o poder dessa falta de conhecimento perguntando a uma pessoa que teve aumento de renda no ano anterior se a sua reserva financeira melhorou após o aumento de receita. Com certeza a resposta é não, pois na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento de despesas costuma ser superior ao aumento de receita.

Muitas vezes, pessoas que têm aumento de renda o gastam antes de recebê-lo, e para piorar a situação temos profissionais especializados criando campanhas todos os dias de estímulo ao consumo. No final do ano a publicidade e a mídia com o objetivo de levar as pessoas a gastarem o 13º salário ou o suado bônus natalino, desenvolvem campanhas fantásticas que contribuem para tirar recursos que deveriam quitar dívidas e até formar poupança.

Retornando à discussão do “Fator Café”. Segundo David Bach, “As chamadas ninharias em que desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade.” Sem dúvidas, um exagero essa afirmação, mas não devemos desconsiderá-la totalmente, pois muitos consumidores não pensam nos gastos, e quando o fazem se concentram em grandes valores, como a prestação da casa própria, o financiamento do carro, o aluguel, o condomínio, o salário da empregada doméstica, a previdência privada, as férias, o colégio das crianças entre outros, sem considerar que os pequenos gastos é que minam o que sobra após pagar as grandes despesas. Muitos se esquecem dos pequenos valores, e o que é pior não param para pensar que poderiam acumular boa poupança se controlassem melhor as despesas.

Todos têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. Vamos citar alguns exemplos:

1. Um café expresso após o almoço por R$ 4,50: (a) no mês fica em R$ 135,00; (b) no ano soma R$ 1.620,00; (c) no ano, com juros de 0,65% a.m. totaliza R$ 1.690,10; (d) em 5 anos chega a R$ 9.931,98; (e) em 10 anos alcança R$ 24.582,81; (f) em 20 anos custa R$ 78.074,35 e em 30 anos a despesa atinge  R$ 194.470,48;

2. Manicure no salão de beleza ao custo de R$ 30,00 por semana: (a) no mês soma R$ 120,00; (b) no ano totaliza R$ 1.440,00; (c) com juros fica em R$ 1.502,31 no ano; (d) em 5 anos atinge R$ 8.828,42; (e) em 10 anos soma R$ 21.851,39; (f) em 20 anos totaliza R$ 69.399,42 e em 30 anos alcança R$ 172.862,65;

3. Um fumante que consome um maço de cigarro por dia ao preço de R$ 7,00: (a) no mês chega a R$ 210,00; (b) no ano alcança R$ 2.520,00; (c) corrigindo esse valor fica em R$ 2.629,05 no ano; (d) em 5 anos temos R$ 15.449,74; (e) em 10 anos totaliza R$ 38,239,93; (f) em 20 anos atinge R$ 121.448,98 e em 30 anos sobe para R$ 302.509,64;

4. Um café com leite grande e um misto quente pela manhã ao custo de R$ 7,75: (a) no mês soma R$ 232,50; (b) no ano totaliza R$ 2.790,00; (c) corrigindo esse valor atinge R$ 2.910,73 no ano; (d) em 5 anos fica em R$ 17.105,07; (e) em 10 anos alcança R$ 42.337,06; (f) em 20 anos soma R$ 134.461,37 e em 30 anos chega a  R$ 334.921,39;

5. Um filme no fim de semana por R$ 26,00: (a) no mês fica em R$ 104,00; (b) no ano totaliza R$ 1.248,00; (c) com correção mensal atinge R$ 1.302,01 no ano; (d) em 5 anos alcança R$ 7.651,30; (e) em 10 anos soma R$ 18.937,87; (f) em 20 anos chega a R$ 60.146,16 e em 30 anos sobe para R$ 149.814,30.

Todavia, vamos analisar alguns desses hábitos: café expresso, cigarro, lanches e cinema, temos um gasto mensal de R$ 681,50, que corrigido sobe para R$ 8.531,89 no ano, em 10 anos chega a R$ 124.097,67, em 20 anos alcança R$ 394.130,87 e em 30 anos atinge a quantia de R$ 981.715,81. É o poder dos pequenos números se manifestando, sem nós percebermos. Se cortarmos a metade dessas despesas, nossa qualidade de vida ficaria inalterada e se colocasse esse valor em uma aplicação, até mesmo na poupança ao longo de três décadas somaria cerca de R$ 490 mil. Até mesmo uma aplicação medíocre como a poupança renderia uma quantia satisfatória, aliás, qualquer quantia é melhor que nenhuma.

Cada indivíduo desenvolve o seu “Fator Café”, que pode ser o simples hábito de tomar um ou dois expressos por dia, a dose diária de veneno - cigarro - para a saúde e para o bolso, o cineminha semanal, a manicure aos sábados, o café com leite toda manhã, o lanche da tarde, as saídas com os amigos, a sobremesa após o almoço, a engraxada nos sapatos, os presentes para familiares fora de hora, as revistas, os jornais, as gorjetas, o estacionamento, os almoços e jantares em restaurantes caros e muitos outros que fazem desaparecer o salário.

Segundo Mauro Calil, “A partir do momento em que compromete a renda ao ponto de precisar cancelar um pacote de TV por assinatura, ou fazer empréstimo para quitar dívidas, o cidadão deve se reeducar”. Logo, reduzir alguns gastos sem reduzir a qualidade de vida é a maneira adequada para se atingir a prosperidade.

Para evitar problemas, a sugestão é estabelecer metas de gastos no dia-a-dia para não ter surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa faz questão de um expresso após o almoço, tudo bem, evite um segundo à tarde ou até um terceiro após o jantar. O lanche feito próximo ao trabalho poderia ser tomado em casa. Alugar filmes sai mais barato que ir ao cinema, pois ao custo do ingresso vem o deslocamento, a pipoca e às vezes um sorvete e até mesmo um jantar. As mulheres poderiam economizar com manicures indo uma vez por mês ao salão. As saídas com os (as) amigos (as) podem ser reduzidas pela metade, inclusive o consumo de cerveja ou vinho, o que no final do mês faz grande diferença. O fumante poderia tentar reduzir o consumo de cigarros, economizando saúde e dinheiro.

Como verificamos, existem muitos gastos pequenos feitos diariamente e que não damos importância, mas quando somados representam grandes valores. O desperdício está nos detalhes, e nesse caso alerto para pequenas outras despesas que ajudam a minar qualquer orçamento, como o banho demorado, a torneira aberta ao escovar os dentes, luzes acesas sem pessoas no ambiente, o pouco caso com os centavos, as sobras do almoço que poderiam ser aproveitadas no dia seguinte, isso tudo pode levar ao que chamo de poder dos pequenos números.

Portanto, embora controles pareçam chatos, tomar cuidado com os pequenos valores podem fazer grande diferença ao longo dos anos. Não vamos perder qualidade de vida ou deixar de fazer o que gostamos, nem virar pão duro, apenas prestar atenção às pequenas despesas que em princípio parecem inofensivas vistas isoladamente, mas se tornam perigosas na contabilidade mensal.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EMPREGO INDUSTRIAL RECUA EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹

O total do pessoal ocupado assalariado na indústria apresentou queda de 0,7% em set/14, ante o mês anterior, na série dessazonalizada, registrando a sexta taxa negativa consecutiva, acumulando no período redução de 3,5%. Ainda na série com ajuste sazonal, trimestre contra trimestre anterior, o emprego na indústria caiu 1,8% no período jul-set/14, sétima taxa negativa consecutiva nesta base de comparação, e mostrou ritmo de queda mais intenso do que o observado no primeiro (-0,3%) e segundo (-1,0%) trimestres de 2014, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Salário, do IBGE.

Na comparação com set/13, o emprego industrial decresceu 3,9% em set/14, trigésimo sexto resultado negativo consecutivo nessa base de comparação e o mais forte desde out/09 (-5,4%). Com isso, o total do pessoal ocupado recuou no fechamento do 1º trimestre de 2014 (-3,7%), e no índice acumulado do período jan-set/14 (-2,8%), ambas as comparações contra iguais períodos de 2013. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses (out/13 a set/14), ao recuar 2,6% em set/14, manteve a trajetória descendente iniciada em set/13 (-1,0%).

O recuo de 3,9% em set/14 frente a igual período do ano anterior, deveu-se à redução em 13 dos 14 locais pesquisados. O principal impacto negativo foi observado em São Paulo (-4,7%), pressionado em grande parte pela redução no total do pessoal ocupado em 16 das 18 atividades, com destaque para as indústrias de meios de transporte (-7,0%), máquinas e equipamentos (-6,1%), produtos de metal (-9,0%), alimentos e bebidas (-2,7%), outros produtos da indústria de transformação (-11,1%), calçados e couro (-15,5%), produtos têxteis (-8,3%), borracha e plástico (-3,7%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-3,5%).

Ainda na comparação set/14 frente a set/13, vale citar os declínios observados nos estados do Paraná (-5,2%), Minas Gerais (-3,9%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Região Norte e Centro-Oeste (-3,2%) e Região Nordeste (-2,2%). O PR sofreu influência negativa de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-28,4%), outros produtos da indústria de transformação (-14,8%), vestuário (-12,9%), meios de transporte (-8,4%) e produtos de metal (-7,9%); MG sofreu pressão dos ramos de meios de transporte (-11,1%), calçados e couro (-17,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-8,4%), outros produtos da indústria de transformação (-7,7%), metalurgia básica (-4,3%), produtos químicos (-7,1%) e papel e gráfica (-11,1%); RS apresentou retração nos setores de máquinas e equipamentos (-11,8%), meios de transporte (-10,5%), metalurgia básica (-28,0%), calçados e couro (-5,0%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-10,0%); Região Norte e Centro-Oeste apresentaram quedas em produtos de metal (-18,6%), alimentos e bebidas (-1,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,2%) e madeira (-7,7%); e Nordeste foi pressionado negativamente por quedas verificadas em alimentos e bebidas (-2,6%), calçados e couro (-5,1%), máquinas e equipamentos (-11,1%), produtos de metal (-8,4%) e outros produtos da indústria de transformação (-8,0%). Por outro lado, Pernambuco foi o único a apresentar crescimento (+0,4%), impulsionado em grande parte, por vestuário (21,0%), alimentos e bebidas (2,2%), produtos químicos (7,6%) e têxteis (9,9%).

Com relação à análise setorial, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 14 dos 18 ramos pesquisados em set/14, com destaque para as pressões negativas vindas de meios de transporte (-7,8%), máquinas e equipamentos (-6,9%), produtos de metal (-8,4%), calçados e couro (-8,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,2%), outros produtos da indústria de transformação (-6,5%), vestuário (-4,2%), alimentos e bebidas (-1,0%) e metalurgia básica (-5,8%). Por outro lado, os principais impactos positivos foram observados nos setores minerais não-metálicos (1,1%) e produtos químicos com +1,0%.

No acumulado do período jan-set/14, o emprego industrial registrou declínio (-2,8%), com taxas negativas em 13 dos 14 locais e em 15 dos 18 setores investigados. São Paulo apontou o principal impacto negativo no total da indústria com -4%, seguido pelo RS com -4,2%, PR com -4,2%, MG com -2,2%, Região Nordeste com -1,4% e RJ com -2,3%. Por outro lado, Pernambuco avançou +0,9%, a única pressão positiva. Setorialmente, ainda no acumulado do ano, as pressões negativas mais relevantes vieram de produtos de metal (-7,0%), máquinas e equipamentos (-5,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,9%), calçados e couro (-8,0%), meios de transporte (-4,6%), produtos têxteis (-4,7%), vestuário (-3,0%), outros produtos da indústria de transformação (-3,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-8,0%). Já os impactos positivos foram dos produtos químicos (1,6%), minerais não-metálicos (1,0%) e alimentos e bebidas (0,2%).

Portanto, o emprego industrial apresentou decréscimo em setembro deste ano frente a set/13, o trigésimo sexto mês consecutivo de queda nessa base de comparação, confirmando as expectativas do mercado quanto ao declínio da produção industrial e do PIB em 2014, conforme divulgado semanalmente no Boletim Focus do Banco Central do Brasil.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

AUMENTA O PESSIMISMO DO MERCADO PARA 2014 E 2015
Consultor Régis Varão/¹

As estimativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas foram revistas no Boletim Focus de 7.11.14, com destaque para a taxa de câmbio mais apreciada e a taxa de juros mais elevada, esta em resposta à subida da Selic na última reunião do Copom. Os dados da pesquisa, que é realizada com cerca de 100 instituições entre bancos e consultorias, foram divulgados ontem pelo Banco Central conforme descrito:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): após manter durante três semanas consecutivas alta de 6,45%, o Boletim Focus de 7.11.14 reduziu em 0,06 p.p. a estimativa do IPCA para 2014 (6,39%), ante 5,93% registrada em 8.11.13. A última pesquisa apresentou expectativa de 6,40% para 2015, frente a 6,32% da semana anterior;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 7.11.14, a projeção para 2014 subiu para 3,38%, de 3% no boletim anterior, e 3,19% há quatro semanas. Quanto a 2015, a última pesquisa registrou 5,54%, e 5,52% registrada nas últimas três semanas;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): na última pesquisa Focus, o mercado estimou a taxa de câmbio em R$/U$2,50 para o final de 2014, ante R$/U$2,45 da semana anterior, e R$/U$2,40 há um mês, enquanto o boletim de 8.11.13 indicou R$/U$2,40. Com relação a 2015, a expectativa da última pesquisa aponta R$/U$2,60, frente a R$/U$2,55 da semana anterior, e R$/U$2,50 divulgada há quatro semanas;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): após mais de vinte semanas com uma expectativa de 11% a.a., para o final de 2014, o último Focus apresenta alta da Selic para 11,50% a.a., pressionada pela decisão tomada na última reunião do Copom. No boletim de 8.11.13, o mercado trabalhou com uma estimativa de 10,25% a.a. para 2014, uma correção de +1,25 p.p. quando comparada a expectativa realizada pelo mercado em 7.11.14;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a estimativa de crescimento do PIB para 2014 vem sendo corrigida ao longo dos últimos meses, tendo a pesquisa de 7.11.14 registrado variação positiva de 0,20%, ante +0,24% observada no boletim anterior, e +0,28% há um mês. A pesquisa de 8.11.13 indicava crescimento de 2,11% para este ano, uma queda de 1,91 p.p. em doze meses quando comparada à projeção divulgada no último Focus. As estimativas do mercado para 2015 foram corrigidas para baixo, +0,80%, frente ao crescimento de 1% apresentado nas últimas pesquisas;

(f) Produção Industrial (Em %): o último Focus apresentou redução na projeção de crescimento para a indústria em 2014 ao indicar -2,21%, frente ao declínio de 2,17% apresentado na pesquisa anterior. Para 2015, o boletim de 7.11.14 apresenta incremento de 1,46% na produção industrial, e +1,30% observado há um mês;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a projeção divulgada em 7.11.14 reduziu o superávit de 2014 para U$1 bilhão, de U$2 bilhões da pesquisa anterior, e U$2,44 bi há quatro semanas, enquanto o Focus de 8.11.13 estimava em U$10 bi para este ano. Para 2015, a última pesquisa estima superávit de U$7 bilhões, ante U$7,24 bi do boletim anterior, e U$7,27 bi divulgado há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): as expectativas do IED para este ano têm se mantido estáveis em U$60 bilhões ao longo dos últimos meses, enquanto para 2015, o Focus de 7.11.14 indica U$58,50 bi. No boletim de 8.11.13, o mercado já trabalhava com U$60 bilhões para este ano.

Portanto, os analistas econômicos discutem as possíveis medidas macroeconômicas que deveriam ser adotadas até o final deste ano, e que poderiam ajudar a reduzir o pessimismo dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro da atividade econômica, dos juros e do câmbio.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Veja o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

DÉCIMO TERCEIRO, UM SANTO REMÉDIO
Consultor Régis Varão/¹

O nível de endividamento das famílias brasileiras vem se mantendo elevado ao longo dos últimos meses, embora com pequeno declínio em ago/14 (64%), caindo em setembro para 63%, e atingindo 60% em out/14, com a média do período em 62%, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

As pesquisas da CNC apontam a preferência das famílias endividadas pelos seguintes tipos de dívida: cartão de crédito (75,2%), seguido por carnês de lojas (17,2%) e financiamento de carro (13,9%), médias dos valores do período ago-out/14. Considerando o elevado endividamento, e a preferência das famílias pelo cartão de crédito, vamos apresentar informações que possam ajudar os consumidores a saírem do vermelho, e até mesmo buscar fontes alternativas para uma reserva financeira.

Segundo pesquisa divulgada na Você S/A, Especial Previdência, de ago/14, alguns dados são estarrecedores quanto à desinformação do brasileiro com suas finanças pessoais: 54% não pouparam nenhum centavo no mês anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no vermelho; 82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69% financiam compras pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% admitem comprar por impulso.

Os dados das pesquisas da CNA e da Você S/A, são motivos de preocupação tendo em vista a falta de conhecimentos básicos de economia e finanças pessoais, o que pode levar no longo prazo, se o estado não criar mecanismos para resolver esses problemas, a uma sociedade com elevado endividamento, contribuindo para reduzir a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da saúde pública para atender os diversos problemas gerados pela falta de controle financeiro da população.

Assim, a Gratificação Natalina, popularmente conhecida como décimo terceiro salário (13º), poderá fazer o papel de um “Santo Remédio”, curando, pelo menos temporariamente, os sintomas do endividamento e evitando que outros se contaminem, atuando de forma preventiva.

O endividamento quando tratado a tempo pode ter solução, e a intenção é apresentar sugestões que possam contribuir para que esse dinheiro extra retire essa carga negativa que afeta o dia-a-dia daqueles que estão no vermelho há algum tempo.

A primeira parcela do 13º deverá ser paga até 30/11/14, e a segunda até 20/12/14, embora muitas empresas tenham pago a primeira parcela há alguns meses. O montante de recursos que será injetado na economia totaliza cerca de R$ 158 bilhões, beneficiando aproximadamente 85 milhões de trabalhadores, incluindo os empregados domésticos, os aposentados e pensionistas.

Sugestões que podem ajudar a melhorar o destino do 13º e de outros ganhos extras:

01. Quem está inadimplente deve evitar consumir mais e fazer novas dívidas;

02. Se estiver endividado, não invista o dinheiro extra, pois dificilmente o valor aplicado vai gerar rentabilidade superior aos juros pagos nas dívidas;

03. Priorize as dívidas que cobram as maiores taxas de juros (rotativo do cartão de crédito, por exemplo), e não as mais caras ou com vencimento mais próximo. Liquide a fatura integral do cartão de crédito;

04. Programe-se financeiramente antes de fazer uma compra, e nunca esqueça que os gastos realizados precisam estar de acordo com o orçamento doméstico, assim, fuja dos parcelamentos e gaste menos do que ganha;

05. Pense nas despesas próprias de início de ano, como matrícula e material escolar dos filhos, IPTU, IPVA e outros;

06. Com o dinheiro extra, é preciso saber quais os impostos e débitos deverão ser pagos integralmente no início do ano e quais poderão ser parcelados ao longo dos próximos meses;

07. Quite as dívidas cujos pagamentos antecipados ofereçam descontos, como a parcela única do IPTU, se o vencimento for no início do ano, caso seja no segundo semestre, reserve o valor para quitação do débito;

08. Negocie descontos das matrículas e mensalidades escolares pagando de uma só vez, pois algumas escolas concedem descontos de até 50%;

09. Não antecipe o 13º, os juros cobrados vai além de 4% a.m., e atinge 60 a.a. Caso faça esse empréstimo, compare antes o custo de antecipar o décimo terceiro com o de outras linhas de crédito, como o crédito consignado, pois a diferença pode ser grande;

10. Se o dinheiro extra não for suficiente para quitar as dívidas, solicite ao setor de recursos humanos da empresa uma antecipação das férias ou a venda de alguns dias para a empresa, pois além da não incidência do imposto de renda sobre esse valor ajuda a equilibrar as finanças da família;

11. As compras natalinas devem ser verificadas pelo ângulo da necessidade, pergunte-se qual a necessidade de cada presente, pesquise, barganhe, discuta com sua família, busque alternativas mais baratas como amigo oculto;

12. A gratificação de natal ou outras rendas de fim de ano devem ser vistas como uma renda extra, que poderá após resolvido o problema de endividamento, ser utilizada para formar uma reserva financeira;

Portanto, quanto mais cedo iniciar a formação de uma poupança mais certeza terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro, e não espere chegar aos 50 ou 60 anos, pois nesse caso, o esforço será dolorido para o bolso.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

INDÚSTRIA CRESCE, MAS NÃO IMPEDE DESAQUECIMENTO
Consultor Régis Varão/¹

Os Indicadores Industriais, uma publicação mensal da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a atividade industrial operou em setembro deste ano acima do ritmo de ago/14, tendo as horas trabalhadas apresentado elevação de 1% entre agosto e setembro deste ano, enquanto o faturamento real e a utilização da capacidade instalada (UCI) apresentaram crescimentos de 0,8% e 0,8 p.p., respectivamente, naquele período, na série dessazonalizada.

O faturamento real subiu 0,8% entre agosto e set/14, ante declínio de 1,8% quando comparado set/14 a set/13. Os nove primeiros meses de 2014 ante igual período do ano anterior, o declínio é mais forte (-2,1%).

Com relação às horas trabalhadas na produção industrial o incremento foi 1% entre agosto e set/14, na série dessazonalizada, e caiu 2,6% em set/14 contra set/13. O período jan-set/14 ante igual período de 2013, o decréscimo chega a 2,9%.

O emprego entre agosto e setembro deste ano registrou declínio de 0,6%, caindo 2,8% na comparação em 12 meses, e reduzindo 0,1% quando comparado jan-set/14 a igual período de 2013.

A massa salarial real registrou queda de 0,2% em set/14, ante o mês anterior, na série dessazonalizada, e caiu 1% na comparação em doze meses, mas registrando crescimento de 2,6% em jan-set/14 frente a igual período do ano anterior.

Já com relação ao rendimento médio real, houve declínio de 0,3% em set/14, ante agosto, enquanto apresentou elevação de 1,9% em setembro deste ano frente a set/13. Ao comparar o período jan-set/14 com igual período de 2013, o incremento foi 2,7%.

Quanto à utilização da capacidade instalada (UCI), na série dessazonalizada, a indústria operou, em média, com 81,3% em setembro de 2014, ante 80,5% observada em agosto, e 82,1% em set/13. Apesar do crescimento de 0,8 p.p. no período ago-set/14, o indicador situa-se 0,6 p.p. inferior ao nível verificado em set/13. A média da UCI nos nove primeiros meses de 2014 frente a jan-set/13, apresentou queda de 1,4 p.p., segundo relatório da CNI.

Portanto, embora a indústria tenha apresentado pequena melhora em setembro deste ano, ante agosto, o quadro geral do setor ainda é de desaquecimento, o que é comprovado ao analisar os diversos segmentos, com o indicador do mercado de trabalho comprovando tal desempenho, ao registrar a sétima queda consecutiva.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

ESTIMATIVAS DO MERCADO PARA 2014-2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas sofreram correções para baixo, de acordo com dados divulgados no Boletim Focus de 31.10.14 do Banco Central, para 2014 e 2015:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 31.10.14 manteve variação positiva de 6,45% para este ano, ante 6,32% observada há quatro semanas, e 5,92% divulgada há um ano, segundo o boletim de 1.11.13. Para 2015, a última pesquisa manteve a projeção em 6,32%, ante 6,30% registrada há quatro semanas, enquanto no boletim de 2013 não havia projeção para 2015;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no relatório de 31.10.14, a previsão para este ano foi mantida em 3%, pela terceira semana consecutiva, ante 3,63% divulgada há um mês, enquanto o boletim de 2013 apresentava crescimento de 6% para 2014. Com relação ao próximo ano, a expectativa do mercado aponta para incremento de 5,52%, frente a 5,50% há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): as últimas pesquisas registram, para 2014, taxa de câmbio de R$/U$2,45, ante R$/U$2,40 observada há quatro semanas, enquanto o Focus de 1.11.13 indicava R$/U$2,40 para aquele ano. Quanto a 2015, o último boletim indica R$/U$2,55, ante R$/U$2,50 há um mês;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): as estimativas realizadas pelo mercado para 2014, divulgadas em 31.10.14, pela vigésima segunda semana consecutiva continuam em 11% a.a., enquanto para 2015 subiu de 11,50% a.a. para 12% a.a., na última semana. O Focus de 1.11.13 mantém inalterada a taxa divulgada há uma semana, em 10,25% a.a. para 2014, não constando projeção para o próximo ano;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (% do crescimento): as projeções de crescimento para o indicador em 2014 têm sido pressionadas para baixo ao longo de vinte semanas consecutivas, registrando alta no boletim de 24.10.14 (+0,27%), e voltando para +0,24% na última pesquisa, enquanto o boletim de 2013 apontava crescimento de 2,13% para 2014. Para 2015, os quatro últimos boletins apontam variação positiva de 1%;

(f) Produção Industrial (% do crescimento): a estimativa do último Focus indica decréscimo de 2,17% para este ano, frente à redução de 2,14% verificada há quatro semanas, enquanto o boletim de 1.11.13 registrava elevação de 2,50% para 2014. Para o próximo ano, a última pesquisa apresenta variação positiva de 1,42%;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a projeção divulgada no último relatório aponta para superávit de U$2 bilhões em 2014, ante U$2,41 bi há quatro semanas, enquanto atingia U$9,25 bilhões na pesquisa de 1.11.13. Para 2015, a última pesquisa Focus estima superávit de U$7,24 bilhões, ante igual valor observado há quatro semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o indicador tem se mantido estável, para 2014, ao longo das trinta últimas semanas, em U$60 bilhões, enquanto para 2015, a última pesquisa indicou U$60 bilhões, e o boletim de 1.11.13 registrava o mesmo valor (U$60 bi). Para o próximo ano, o Focus de 31.10.14 mantém a mesma projeção para o IED (U$60 bi).

O mercado especula a respeito da nova equipe ministerial e de medidas de política econômica que podem ser adotadas ainda este ano, o que ajudaria a reduzir o pessimismo dos agentes econômicos quanto às expectativas para o próximo ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.