DÉCIMO TERCEIRO, UM
SANTO REMÉDIO
Consultor
Régis Varão/¹
O nível de endividamento das famílias brasileiras vem
se mantendo elevado ao longo dos últimos meses, embora com pequeno declínio
em ago/14 (64%), caindo em setembro para 63%, e atingindo 60% em out/14, com
a média do período em 62%, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
As pesquisas da CNC apontam a preferência das
famílias endividadas pelos seguintes tipos de dívida: cartão de crédito
(75,2%), seguido por carnês de lojas (17,2%) e financiamento de carro (13,9%), médias
dos valores do período ago-out/14. Considerando o elevado endividamento, e a preferência
das famílias pelo cartão de crédito, vamos apresentar informações que possam ajudar
os consumidores a saírem do vermelho, e até mesmo buscar fontes alternativas para
uma reserva financeira.
Segundo pesquisa divulgada na Você S/A, Especial
Previdência, de ago/14, alguns dados são estarrecedores quanto à desinformação
do brasileiro com suas finanças pessoais: 54% não pouparam nenhum centavo no
mês anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no
vermelho; 82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor
exato das contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63%
tem algum tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69%
financiam compras pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem
que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% admitem comprar por impulso.
Os dados das pesquisas da CNA e da Você S/A, são
motivos de preocupação tendo em vista a falta de conhecimentos básicos de
economia e finanças pessoais, o que pode levar no longo prazo, se o estado não
criar mecanismos para resolver esses problemas, a uma sociedade com elevado
endividamento, contribuindo para reduzir a produtividade da economia como um
todo e aumentar os custos da saúde pública para atender os diversos problemas
gerados pela falta de controle financeiro da população.
Assim, a Gratificação Natalina, popularmente
conhecida como décimo terceiro salário (13º), poderá fazer o papel de um “Santo
Remédio”, curando, pelo menos temporariamente, os sintomas do endividamento e evitando
que outros se contaminem, atuando de forma preventiva.
O endividamento quando tratado a tempo pode ter solução,
e a intenção é apresentar sugestões que possam contribuir para que esse
dinheiro extra retire essa carga negativa que afeta o dia-a-dia daqueles que
estão no vermelho há algum tempo.
A primeira parcela do 13º deverá ser paga até
30/11/14, e a segunda até 20/12/14, embora muitas empresas tenham pago a
primeira parcela há alguns meses. O montante de recursos que será injetado na
economia totaliza cerca de R$ 158 bilhões, beneficiando aproximadamente 85
milhões de trabalhadores, incluindo os empregados domésticos, os aposentados e
pensionistas.
Sugestões que podem ajudar a melhorar o destino do 13º
e de outros ganhos extras:
01. Quem está inadimplente deve evitar consumir
mais e fazer novas dívidas;
02. Se estiver endividado, não invista o dinheiro
extra, pois dificilmente o valor aplicado vai gerar rentabilidade superior aos
juros pagos nas dívidas;
03. Priorize as dívidas que cobram as maiores taxas
de juros (rotativo do cartão de crédito, por exemplo), e não as mais caras ou
com vencimento mais próximo. Liquide a fatura integral do cartão
de crédito;
04. Programe-se financeiramente antes de fazer uma
compra, e nunca esqueça que os gastos realizados precisam estar de acordo com o
orçamento
doméstico, assim, fuja dos
parcelamentos e gaste menos do que ganha;
05. Pense nas despesas próprias de início de ano,
como matrícula e material escolar dos filhos, IPTU, IPVA e outros;
06. Com o dinheiro extra, é preciso saber quais os
impostos e débitos deverão ser pagos integralmente no início do ano e quais
poderão ser parcelados ao longo dos próximos meses;
07. Quite as dívidas cujos pagamentos antecipados
ofereçam descontos, como a parcela única do IPTU, se o vencimento for no início
do ano, caso seja no segundo semestre, reserve o valor para quitação do débito;
08. Negocie descontos das matrículas e mensalidades
escolares pagando de uma só vez, pois algumas escolas concedem descontos de até
50%;
09. Não antecipe o 13º, os juros cobrados vai além
de 4% a.m., e atinge 60 a.a. Caso faça esse empréstimo, compare antes o custo
de antecipar o décimo terceiro com o de outras linhas de crédito, como o
crédito consignado, pois a diferença pode ser grande;
10. Se o dinheiro extra não for suficiente para
quitar as dívidas, solicite ao setor de recursos humanos da empresa uma
antecipação das férias ou a venda de alguns dias para a empresa, pois além da
não incidência do imposto de renda sobre esse valor ajuda a equilibrar as
finanças da família;
11. As compras natalinas devem ser verificadas pelo
ângulo da necessidade, pergunte-se qual a necessidade de cada presente, pesquise,
barganhe, discuta com sua família, busque alternativas mais baratas como amigo
oculto;
12. A gratificação de natal ou outras rendas de fim
de ano devem ser vistas como uma renda extra, que poderá após resolvido o
problema de endividamento, ser utilizada para formar uma reserva financeira;
Portanto, quanto mais cedo iniciar a formação de
uma poupança mais certeza terá de uma aposentadoria
com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro, e não espere
chegar aos 50 ou 60 anos, pois nesse caso, o esforço será dolorido para o
bolso.
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