sexta-feira, 7 de novembro de 2014

DÉCIMO TERCEIRO, UM SANTO REMÉDIO
Consultor Régis Varão/¹

O nível de endividamento das famílias brasileiras vem se mantendo elevado ao longo dos últimos meses, embora com pequeno declínio em ago/14 (64%), caindo em setembro para 63%, e atingindo 60% em out/14, com a média do período em 62%, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

As pesquisas da CNC apontam a preferência das famílias endividadas pelos seguintes tipos de dívida: cartão de crédito (75,2%), seguido por carnês de lojas (17,2%) e financiamento de carro (13,9%), médias dos valores do período ago-out/14. Considerando o elevado endividamento, e a preferência das famílias pelo cartão de crédito, vamos apresentar informações que possam ajudar os consumidores a saírem do vermelho, e até mesmo buscar fontes alternativas para uma reserva financeira.

Segundo pesquisa divulgada na Você S/A, Especial Previdência, de ago/14, alguns dados são estarrecedores quanto à desinformação do brasileiro com suas finanças pessoais: 54% não pouparam nenhum centavo no mês anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no vermelho; 82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69% financiam compras pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% admitem comprar por impulso.

Os dados das pesquisas da CNA e da Você S/A, são motivos de preocupação tendo em vista a falta de conhecimentos básicos de economia e finanças pessoais, o que pode levar no longo prazo, se o estado não criar mecanismos para resolver esses problemas, a uma sociedade com elevado endividamento, contribuindo para reduzir a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da saúde pública para atender os diversos problemas gerados pela falta de controle financeiro da população.

Assim, a Gratificação Natalina, popularmente conhecida como décimo terceiro salário (13º), poderá fazer o papel de um “Santo Remédio”, curando, pelo menos temporariamente, os sintomas do endividamento e evitando que outros se contaminem, atuando de forma preventiva.

O endividamento quando tratado a tempo pode ter solução, e a intenção é apresentar sugestões que possam contribuir para que esse dinheiro extra retire essa carga negativa que afeta o dia-a-dia daqueles que estão no vermelho há algum tempo.

A primeira parcela do 13º deverá ser paga até 30/11/14, e a segunda até 20/12/14, embora muitas empresas tenham pago a primeira parcela há alguns meses. O montante de recursos que será injetado na economia totaliza cerca de R$ 158 bilhões, beneficiando aproximadamente 85 milhões de trabalhadores, incluindo os empregados domésticos, os aposentados e pensionistas.

Sugestões que podem ajudar a melhorar o destino do 13º e de outros ganhos extras:

01. Quem está inadimplente deve evitar consumir mais e fazer novas dívidas;

02. Se estiver endividado, não invista o dinheiro extra, pois dificilmente o valor aplicado vai gerar rentabilidade superior aos juros pagos nas dívidas;

03. Priorize as dívidas que cobram as maiores taxas de juros (rotativo do cartão de crédito, por exemplo), e não as mais caras ou com vencimento mais próximo. Liquide a fatura integral do cartão de crédito;

04. Programe-se financeiramente antes de fazer uma compra, e nunca esqueça que os gastos realizados precisam estar de acordo com o orçamento doméstico, assim, fuja dos parcelamentos e gaste menos do que ganha;

05. Pense nas despesas próprias de início de ano, como matrícula e material escolar dos filhos, IPTU, IPVA e outros;

06. Com o dinheiro extra, é preciso saber quais os impostos e débitos deverão ser pagos integralmente no início do ano e quais poderão ser parcelados ao longo dos próximos meses;

07. Quite as dívidas cujos pagamentos antecipados ofereçam descontos, como a parcela única do IPTU, se o vencimento for no início do ano, caso seja no segundo semestre, reserve o valor para quitação do débito;

08. Negocie descontos das matrículas e mensalidades escolares pagando de uma só vez, pois algumas escolas concedem descontos de até 50%;

09. Não antecipe o 13º, os juros cobrados vai além de 4% a.m., e atinge 60 a.a. Caso faça esse empréstimo, compare antes o custo de antecipar o décimo terceiro com o de outras linhas de crédito, como o crédito consignado, pois a diferença pode ser grande;

10. Se o dinheiro extra não for suficiente para quitar as dívidas, solicite ao setor de recursos humanos da empresa uma antecipação das férias ou a venda de alguns dias para a empresa, pois além da não incidência do imposto de renda sobre esse valor ajuda a equilibrar as finanças da família;

11. As compras natalinas devem ser verificadas pelo ângulo da necessidade, pergunte-se qual a necessidade de cada presente, pesquise, barganhe, discuta com sua família, busque alternativas mais baratas como amigo oculto;

12. A gratificação de natal ou outras rendas de fim de ano devem ser vistas como uma renda extra, que poderá após resolvido o problema de endividamento, ser utilizada para formar uma reserva financeira;

Portanto, quanto mais cedo iniciar a formação de uma poupança mais certeza terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro, e não espere chegar aos 50 ou 60 anos, pois nesse caso, o esforço será dolorido para o bolso.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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