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Consultor
Régis Varão/¹
Nos
anos noventa o consultor norte-americano David Bach desenvolveu a teoria denominada
“Fator Café”, que prefiro chamar poder dos pequenos números, que consiste basicamente
em mostrar que a chave para o progresso financeiro consiste em ficar atento aos pequenos valores gastos diariamente.
A
maioria das pessoas acreditam que o segredo da prosperidade consiste unicamente
em buscar novas fontes de receita, e procuram alternativas como um cargo mais
elevado na empresa, um novo emprego, alguns mudam de cidade e outros até de
profissão, como se tais mudanças resolvessem os problemas do endividamento. A
citação atribuída ao físico Albert Einstein afirma “a definição de insanidade é
fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes”, sem
alterar hábitos de consumo e postura frente ao dinheiro, não resolve problemas
financeiros.
As
pessoas que mudam de trabalho, de cidade e até de profissão continuam cometendo
os mesmos erros, logo, não prestaram atenção às palavras de Einstein, pois,
continuam desconsiderando muitas vezes por ignorância o grande potencial que o
dinheiro tem de se multiplicar (juros compostos), particularmente em nosso
País, que pratica as maiores taxas de juros do mundo.
Existem
muitos erros que costumam marcar o modo de agir das pessoas que desconhecem educação
financeira, podemos confirmar o poder dessa falta de conhecimento perguntando a
uma pessoa que teve aumento de renda no ano anterior se a sua reserva
financeira melhorou após o aumento de receita. Com certeza a resposta é não,
pois na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento de
despesas costuma ser superior ao aumento de receita.
Muitas
vezes, pessoas que têm aumento de renda o gastam antes de recebê-lo, e para
piorar a situação temos profissionais especializados criando campanhas todos os
dias de estímulo ao consumo. No final do ano a publicidade e a mídia com o
objetivo de levar as pessoas a gastarem o 13º salário ou o suado bônus
natalino, desenvolvem campanhas fantásticas que contribuem para tirar recursos que
deveriam quitar dívidas e até formar poupança.
Retornando
à discussão do “Fator Café”. Segundo David Bach, “As chamadas ninharias em que
desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de
modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade.” Sem dúvidas, um exagero essa
afirmação, mas não devemos desconsiderá-la totalmente, pois muitos consumidores
não pensam nos gastos, e quando o fazem se concentram em grandes valores, como
a prestação da casa própria, o financiamento do carro, o aluguel, o condomínio,
o salário da empregada doméstica, a previdência privada, as férias, o colégio
das crianças entre outros, sem considerar que os pequenos gastos é que minam o
que sobra após pagar as grandes despesas. Muitos se esquecem dos pequenos
valores, e o que é pior não param para pensar que poderiam acumular boa
poupança se controlassem melhor as despesas.
Todos
têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. Vamos citar
alguns exemplos:
1.
Um café expresso após o almoço por R$ 4,50: (a) no mês fica em R$ 135,00; (b)
no ano soma R$ 1.620,00; (c) no ano, com juros de 0,65% a.m. totaliza R$
1.690,10; (d) em 5 anos chega a R$ 9.931,98; (e) em 10 anos alcança R$
24.582,81; (f) em 20 anos custa R$ 78.074,35 e em 30 anos a despesa atinge R$ 194.470,48;
2.
Manicure no salão de beleza ao custo de R$ 30,00 por semana: (a) no mês soma R$
120,00; (b) no ano totaliza R$ 1.440,00; (c) com juros fica em R$ 1.502,31 no
ano; (d) em 5 anos atinge R$ 8.828,42; (e) em 10 anos soma R$ 21.851,39; (f) em
20 anos totaliza R$ 69.399,42 e em 30 anos alcança R$ 172.862,65;
3.
Um fumante que consome um maço de cigarro por dia ao preço de R$ 7,00: (a) no
mês chega a R$ 210,00; (b) no ano alcança R$ 2.520,00; (c) corrigindo esse
valor fica em R$ 2.629,05 no ano; (d) em 5 anos temos R$ 15.449,74; (e) em 10
anos totaliza R$ 38,239,93; (f) em 20 anos atinge R$ 121.448,98 e em 30 anos
sobe para R$ 302.509,64;
4.
Um café com leite grande e um misto quente pela manhã ao custo de R$ 7,75: (a)
no mês soma R$ 232,50; (b) no ano totaliza R$ 2.790,00; (c) corrigindo esse
valor atinge R$ 2.910,73 no ano; (d) em 5 anos fica em R$ 17.105,07; (e) em 10
anos alcança R$ 42.337,06; (f) em 20 anos soma R$ 134.461,37 e em 30 anos chega
a R$ 334.921,39;
5.
Um filme no fim de semana por R$ 26,00: (a) no mês fica em R$ 104,00; (b) no
ano totaliza R$ 1.248,00; (c) com correção mensal atinge R$ 1.302,01 no ano;
(d) em 5 anos alcança R$ 7.651,30; (e) em 10 anos soma R$ 18.937,87; (f) em 20
anos chega a R$ 60.146,16 e em 30 anos sobe para R$ 149.814,30.
Todavia,
vamos analisar alguns desses hábitos: café expresso, cigarro, lanches e cinema,
temos um gasto mensal de R$ 681,50, que corrigido sobe para R$ 8.531,89 no ano,
em 10 anos chega a R$ 124.097,67, em 20 anos alcança R$ 394.130,87 e em 30 anos
atinge a quantia de R$ 981.715,81. É o poder dos pequenos números se
manifestando, sem nós percebermos. Se cortarmos a metade dessas despesas, nossa
qualidade de vida ficaria inalterada e se colocasse esse valor em uma
aplicação, até mesmo na poupança ao longo de três décadas somaria cerca de R$ 490
mil. Até mesmo uma aplicação medíocre como a poupança renderia uma quantia
satisfatória, aliás, qualquer quantia é melhor que nenhuma.
Cada
indivíduo desenvolve o seu “Fator Café”, que pode ser o simples hábito de tomar
um ou dois expressos por dia, a dose diária de veneno - cigarro - para a saúde
e para o bolso, o cineminha semanal, a manicure aos sábados, o café com leite toda
manhã, o lanche da tarde, as saídas com os amigos, a sobremesa após o almoço, a
engraxada nos sapatos, os presentes para familiares fora de hora, as revistas, os
jornais, as gorjetas, o estacionamento, os almoços e jantares em restaurantes
caros e muitos outros que fazem desaparecer o salário.
Segundo
Mauro Calil, “A partir do momento em que compromete a renda ao ponto de
precisar cancelar um pacote de TV por assinatura, ou fazer empréstimo para
quitar dívidas, o cidadão deve se reeducar”. Logo, reduzir alguns gastos sem reduzir
a qualidade de vida é a maneira adequada para se atingir a prosperidade.
Para
evitar problemas, a sugestão é estabelecer metas de gastos no dia-a-dia para não
ter surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa faz questão de um
expresso após o almoço, tudo bem, evite um segundo à tarde ou até um terceiro
após o jantar. O lanche feito próximo ao trabalho poderia ser tomado em casa.
Alugar filmes sai mais barato que ir ao cinema, pois ao custo do ingresso vem o
deslocamento, a pipoca e às vezes um sorvete e até mesmo um jantar. As mulheres
poderiam economizar com manicures indo uma vez por mês ao salão. As saídas com
os (as) amigos (as) podem ser reduzidas pela metade, inclusive o consumo de
cerveja ou vinho, o que no final do mês faz grande diferença. O fumante poderia
tentar reduzir o consumo de cigarros, economizando saúde e dinheiro.
Como
verificamos, existem muitos gastos pequenos feitos diariamente e que não damos
importância, mas quando somados representam grandes valores. O desperdício está
nos detalhes, e nesse caso alerto para pequenas outras despesas que ajudam a
minar qualquer orçamento, como o banho demorado, a torneira aberta ao escovar
os dentes, luzes acesas sem pessoas no ambiente, o pouco caso com os centavos,
as sobras do almoço que poderiam ser aproveitadas no dia seguinte, isso tudo
pode levar ao que chamo de poder dos pequenos números.
Portanto,
embora controles pareçam chatos, tomar cuidado com os pequenos valores podem
fazer grande diferença ao longo dos anos. Não vamos perder qualidade de vida ou
deixar de fazer o que gostamos, nem virar pão duro, apenas prestar atenção às pequenas
despesas que em princípio parecem inofensivas vistas isoladamente, mas se
tornam perigosas na contabilidade mensal.
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