sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EMPREGO INDUSTRIAL RECUA EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹

O total do pessoal ocupado assalariado na indústria apresentou queda de 0,7% em set/14, ante o mês anterior, na série dessazonalizada, registrando a sexta taxa negativa consecutiva, acumulando no período redução de 3,5%. Ainda na série com ajuste sazonal, trimestre contra trimestre anterior, o emprego na indústria caiu 1,8% no período jul-set/14, sétima taxa negativa consecutiva nesta base de comparação, e mostrou ritmo de queda mais intenso do que o observado no primeiro (-0,3%) e segundo (-1,0%) trimestres de 2014, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Salário, do IBGE.

Na comparação com set/13, o emprego industrial decresceu 3,9% em set/14, trigésimo sexto resultado negativo consecutivo nessa base de comparação e o mais forte desde out/09 (-5,4%). Com isso, o total do pessoal ocupado recuou no fechamento do 1º trimestre de 2014 (-3,7%), e no índice acumulado do período jan-set/14 (-2,8%), ambas as comparações contra iguais períodos de 2013. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses (out/13 a set/14), ao recuar 2,6% em set/14, manteve a trajetória descendente iniciada em set/13 (-1,0%).

O recuo de 3,9% em set/14 frente a igual período do ano anterior, deveu-se à redução em 13 dos 14 locais pesquisados. O principal impacto negativo foi observado em São Paulo (-4,7%), pressionado em grande parte pela redução no total do pessoal ocupado em 16 das 18 atividades, com destaque para as indústrias de meios de transporte (-7,0%), máquinas e equipamentos (-6,1%), produtos de metal (-9,0%), alimentos e bebidas (-2,7%), outros produtos da indústria de transformação (-11,1%), calçados e couro (-15,5%), produtos têxteis (-8,3%), borracha e plástico (-3,7%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-3,5%).

Ainda na comparação set/14 frente a set/13, vale citar os declínios observados nos estados do Paraná (-5,2%), Minas Gerais (-3,9%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Região Norte e Centro-Oeste (-3,2%) e Região Nordeste (-2,2%). O PR sofreu influência negativa de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-28,4%), outros produtos da indústria de transformação (-14,8%), vestuário (-12,9%), meios de transporte (-8,4%) e produtos de metal (-7,9%); MG sofreu pressão dos ramos de meios de transporte (-11,1%), calçados e couro (-17,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-8,4%), outros produtos da indústria de transformação (-7,7%), metalurgia básica (-4,3%), produtos químicos (-7,1%) e papel e gráfica (-11,1%); RS apresentou retração nos setores de máquinas e equipamentos (-11,8%), meios de transporte (-10,5%), metalurgia básica (-28,0%), calçados e couro (-5,0%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-10,0%); Região Norte e Centro-Oeste apresentaram quedas em produtos de metal (-18,6%), alimentos e bebidas (-1,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,2%) e madeira (-7,7%); e Nordeste foi pressionado negativamente por quedas verificadas em alimentos e bebidas (-2,6%), calçados e couro (-5,1%), máquinas e equipamentos (-11,1%), produtos de metal (-8,4%) e outros produtos da indústria de transformação (-8,0%). Por outro lado, Pernambuco foi o único a apresentar crescimento (+0,4%), impulsionado em grande parte, por vestuário (21,0%), alimentos e bebidas (2,2%), produtos químicos (7,6%) e têxteis (9,9%).

Com relação à análise setorial, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 14 dos 18 ramos pesquisados em set/14, com destaque para as pressões negativas vindas de meios de transporte (-7,8%), máquinas e equipamentos (-6,9%), produtos de metal (-8,4%), calçados e couro (-8,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,2%), outros produtos da indústria de transformação (-6,5%), vestuário (-4,2%), alimentos e bebidas (-1,0%) e metalurgia básica (-5,8%). Por outro lado, os principais impactos positivos foram observados nos setores minerais não-metálicos (1,1%) e produtos químicos com +1,0%.

No acumulado do período jan-set/14, o emprego industrial registrou declínio (-2,8%), com taxas negativas em 13 dos 14 locais e em 15 dos 18 setores investigados. São Paulo apontou o principal impacto negativo no total da indústria com -4%, seguido pelo RS com -4,2%, PR com -4,2%, MG com -2,2%, Região Nordeste com -1,4% e RJ com -2,3%. Por outro lado, Pernambuco avançou +0,9%, a única pressão positiva. Setorialmente, ainda no acumulado do ano, as pressões negativas mais relevantes vieram de produtos de metal (-7,0%), máquinas e equipamentos (-5,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,9%), calçados e couro (-8,0%), meios de transporte (-4,6%), produtos têxteis (-4,7%), vestuário (-3,0%), outros produtos da indústria de transformação (-3,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-8,0%). Já os impactos positivos foram dos produtos químicos (1,6%), minerais não-metálicos (1,0%) e alimentos e bebidas (0,2%).

Portanto, o emprego industrial apresentou decréscimo em setembro deste ano frente a set/13, o trigésimo sexto mês consecutivo de queda nessa base de comparação, confirmando as expectativas do mercado quanto ao declínio da produção industrial e do PIB em 2014, conforme divulgado semanalmente no Boletim Focus do Banco Central do Brasil.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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