CONSUMIDOR CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, atingiu
75,7 pontos em outubro deste ano, o menor valor da série histórica pelo quarto
mês consecutivo, registrando declínio de 0,8% sobre o mês anterior (76,3
pontos).
Na comparação com igual período de 2014, quando
atingiu 101,5 pontos, o ICC de out/15 apresentou forte retração (-25,4%). Com
relação à dez/14, quando atingiu 96,2 pontos, o índice de out/15 registrou
queda de 21,3%, o maior declínio observado ao longo do ano. Nos últimos cinco
anos, o ICC atingiu o valor médio de 109,4 pontos, enquanto nos dez primeiros
meses de 2015 a média ficou em 82,7 pontos. O índice verificado em out/15 ficou
30,8% abaixo da média dos últimos cinco anos e apresentou declínio de 8,5% com
relação à média de 2015.
De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor
da FGV, “A falta de sinalizações
positivas no front econômico associada
às incertezas políticas mantêm a confiança no mínimo histórico. Os consumidores
continuam bastante insatisfeitos com o presente e pessimistas em relação ao
futuro. Houve estabilidade do índice que mede as expectativas mas, após recuo
de 5,4% no mês anterior, este movimento é ainda insuficiente para sugerir a
possibilidade de uma mudança de tendência.”
Em out/15, o Índice da
Situação Atual (ISA) atingiu 65,7 pontos, ante 67,1 pontos observados no mês
anterior, uma queda de 2,1% no período. Quando comparado ao índice registrado
em out/14 (101,8 pontos), a queda foi mais forte (-35,8%).
Já o Índice de Expectativas
(IE) manteve-se estável no menor nível da série com 81,1 pontos em setembro e
out/15, respectivamente. Na comparação anual, o IE caiu de 101,6 pontos em
out/14 para 81,1 pontos em out/15, apresentando decréscimo de 20,2%.
Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumido, o item que afere o grau de satisfação com
a situação econômica foi o que mais pressionou para o declínio do ICC em out/15.
Em outubro deste ano, apenas 2,7% dos consumidores avaliam a situação econômica
local como boa, enquanto 86,3% a consideram ruim.
Com relação aos meses
futuros, houve aumento de 1,3% do indicador que mede a intenção de compras de bens
duráveis. Essa melhora não é suficiente para indicar uma nova tendência para o
indicador que, com 63,6 pontos mantém-se próximo ao mínimo histórico de 62,8
pontos registrado em set/15. Por outro lado, a parcela dos consumidores que desejam
comprar mais nos próximos seis meses caiu de 9,3% para 8,9% (-0,4 p.p.), enquanto
dos que projetam compras menores saiu de 46,5% para 45,3% (-1,2 p.p.).
Ao analisar o Índice de Confiança do Consumidor por
faixa de renda temos: queda de 2,9% em set/15 entre consumidores que recebem até
R$2.100,00 por mês, enquanto no mês seguinte subiu 0,1%; na faixa de renda entre
R$2.100,01 e R$4.800,00, caiu 8,4% em set/15 e subiu 2,8% em out/15; consumidores
com renda entre R$4.800,01 e R$9.600,00, decresceu 1% e 1,3%, respectivamente
em set/15 e outubro; e na faixa de renda acima de R$9.600,00 foi observado declínio
de 7,4% em set/15 e 2,9% em out/15.
De acordo com o relatório do IBRE-FGV, ao analisar
o resultado por faixas de renda, nota-se um crescimento de 2,8% na confiança
dos consumidores com renda familiar mensal entre R$2.100,01 e R$4.800,00, o
segmento que registrou o maior decréscimo no mês anterior (-8,4%). No outro extremo,
nova queda (2,9%) da confiança dos consumidores de renda mais elevada, acima de
R$9.600,00, após recuar 7,4% no mês anterior.
Portanto, ao longo dos últimos catorze meses o ICC,
o ISA e o IE têm apresentado resultados negativos, com piora nas expectativas quanto
ao comportamento da economia, refletindo a falta de perspectivas positivas para
os próximos seis meses. O comportamento desses indicadores apresenta resultados
semelhantes a outros índices que medem o comportamento dos consumidores, reforçando a expectativa do mercado de um cenário
desanimador para os próximos meses, o que pode ser visto
no Relatório
Focus do Banco
Central divulgado toda semana.