quarta-feira, 4 de novembro de 2015

HÁBITOS QUE AJUDAM NO SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Grande parte das dificuldades financeiras das pessoas decorre da gestão inadequada de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver constantemente endividado, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar tudo a prestação, são algumas das razões que contribuem para que as pessoas tenham uma qualidade de vida financeira ruim.

Nosso mau desempenho financeiro decorre de atitudes e hábitos inadequados e persistentes na gestão de nossos rendimentos, e que interferem negativamente no sucesso de nossa vida financeira presente e futura. Maus hábitos no trato com o dinheiro pode levar ao endividamento, com efeitos paralelos, pois está constatado que indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, discutem mais com colegas e familiares, estão mais sujeitos a perderem o emprego, reduzem o nível de concentração e diminuem a produtividade e se divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas financeiros.

A seguir, listamos alguns hábitos que ajudam as pessoas a terem um desempenho positivo na gestão de seu dinheiro/renda:

1. Economize sempre:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeira tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma poupança ou reserva. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias:29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança. Você pode começar economizando 10% de sua renda líquida mensal e gradualmente elevar esse percentual até 20% ou 30%. Considere as peculiaridades de cada um, muitas famílias têm pais, filhos, netos e avós morando juntos, nesse caso, esses percentuais funcionam apenas como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão - pais e filhos, no entanto, um assalariado de alta renda pode guardar até 50% de seus recebimentos mensais sem afetar seu padrão de vida. A única regra é: economize sempre. Muita atenção com os supérfluos. Não precisa ser “pão duro,” um “Tio Patinhas,” guardar por guardar, tenha um objetivo em mente, estabeleça metas, discuta esses assuntos com sua família. Faça da poupança um hábito saudável. Transmita aos seus filhos tais hábitos, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha é um hábito saudável, é simplesmente uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia-a-dia.

2. Utilize o Planejamento Financeiro:

Praticar o planejamento financeiro, fazer orçamento pessoal e gastar menos do que ganha é questão de bom senso e até de sobrevivência financeira. Faça orçamento pessoal, liste todas as receitas recebidas - aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bônus e outras - e todas as despesas realizadas no mês, inclusive as de pequenos valores. Se preferir relacione as despesas por grupos, como alimentação, saúde, moradia, transporte, lazer etc, e as fontes de receitas, que podem ser classificadas como fixas ou eventuais. Isso servirá de indicativo para mostrar para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios, é como se fosse um grande ralo embaixo do chuveiro ligado. Ao listar as despesas, observe com muita atenção todos os valores, sem exceção, o que ajudará a tomar conhecimento e a decidir qual a melhor estratégia para realizar o planejamento financeiro.

3. Faça uma Reserva:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem sua importância. Deve-se reservar um percentual mensal da renda líquida para formá-la. Pode-se começar com 5% e subir gradualmente até atingir 20%. Todos estão sujeitos a surpresas desagradáveis como acidentes, doenças em família, gravidez inesperada, desemprego etc. O ideal é ter uma reserva que seja suficiente para cobrir gastos entre 6 e 12 meses. No entanto, se conseguir formar reserva que cubra os gastos equivalentes às despesas realizadas em 6 meses, já está muito bom. Exemplo: se você gasta mensalmente em média R$ 5.000,00, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$ 60.000,00 (6 x R$ 5.000,00) em reserva financeira depositada no sistema bancário. Por outro lado, se puder formar o equivalente a um ano de despesas, totalizaria R$ 120.000,00 (12 x R$ 5.000,00). A finalidade da reserva financeira é atender a eventos inesperados.

4. Observe os Pequenos Valores:

Muitas pessoas cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura de despesas. Um simples café expresso custa R$ 4,50, tomado cinco por semana fica em R$ 22,50, que chega a R$ 90,00 no mês, e atinge R$ 1.080,00 no ano. Um lanche diário fica em R$ 9,00, R$ 45,00 por semana, R$ 180,00 por mês e no ano R$ 2.160,00. Junte-se a eles o cigarro (R$ 6,50) e a cerveja com os amigos (R$ 12,00), e temos um valor razoável. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia-a-dia, a despesa anual totaliza R$ 7.680,00, um valor relativamente elevado que pode reduzir a qualidade de vida da família e não contribui para uma saúde melhor. Produtos necessários para a família, como alimento, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores.” Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Por outro lado, se você “precisa” de fazer esses gastos, porque não os reduz pela metade, o que daria R$ 3.840,00, uma grande quantia que poderia ajudar nas férias, na compra de equipamentos para casa etc. Não desconsidere o poder dos pequenos números.

5. Evite Compras Parceladas:

Evite compras a prazo, pois muitas vezes várias prestações podem levar ao endividamento quando somadas. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio-CNC, o carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras, perde apenas para o cartão de crédito. Se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, até mesmo para o próximo ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso?; Tenho dinheiro?; Tem que ser agora? Com uma resposta negativa não compre. Se as respostas forem positivas, antes de comprar peça desconto. Portanto, não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira apenas o necessário e planeje-se ao adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele e até em muitos casos pode já ter um parecido.

6. Não confie na Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o péssimo hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote tudo guarde todos os recibos para não ter surpresas desagradáveis no final do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores nos gastos do dia-a-dia podem ajudar a evitar as armadilhas preparadas pela memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal (Cupom Fiscal) de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas pode contribuir para reduzir o IPVA e o IPTU.

7. Tire Proveito ou abandone o Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Dados do Banco Central informam que o crédito rotativo do Cartão de Crédito (a taxa para quem paga o valor mínimo da fatura do cartão e financia o restante) atingiu em setembro deste ano 413,3% a.a., mantendo-se no maior patamar da série histórica. Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente entre outros benefícios. Não leve na sua carteira o cartão de crédito e talão de cheques, pois os dois podem estimular o consumo desnecessário, coloque apenas um na carteira. Só saia com o cartão de crédito quando estiver realmente precisando de adquirir um produto essencial, como comida etc.

O segredo da prosperidade está em saber planejar, assim, evite compras por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, não compre a prazo, evite pagar juros e mantenha-se atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos grandes valores. Bons hábitos ajudam a reduzir o estresse, contribui para melhorar a qualidade e a expectativa de vida, e ajuda a aumentar a produtividade das pessoas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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