MERCADO CONTINUA
PESSIMISTA
Régis
Varão/¹
O Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgado hoje, apresenta
poucas correções nas variáveis macroeconômicas para 2015,
e exceto juros e investimentos estrangeiros diretos, altera os demais
indicadores para o próximo ano. A pesquisa é divulgada pelo BCB, e realizada
com cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, contemplando
15 variáveis. A presente análise discute oito indicadores:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 27.11.15 corrigiu para 10,38% a estimativa do índice
para 2015, décima primeira semana a registrar elevação, ante 10,33% observada na
semana anterior, e 9,91% há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a
pesquisa de 28.11.14 elevou a projeção do IPCA para 6,49%, ante
6,45% verificada na semana anterior, e 6,32% observada há trinta dias. Para 2016,
o Focus de 27.11.15 manteve a expectativa em 6,64%,
ante 6,29% há trinta dias;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 27.11.15 elevou a projeção do índice para 10,91%, de 10,90% na pesquisa anterior,
e de 10,14% no boletim divulgado há quatro semanas. O Focus de 28.11.14 corrigiu
para 5,69% a projeção do IGP-DI para este ano, ante 5,60% registrada há sete
dias, e 5,52% há um mês. Para 2016, o boletim de 27.11.15 elevou a expectativa
do índice para 6,15%, ante 6,11% verificado na semana anterior, e 6% observado
há um mês;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
27.11.15 manteve o
câmbio estável em R$/U$3,95, nas três últimas semanas, para o final deste ano,
ante R$/U$4 observado há quatro semanas. A pesquisa de 28.11.14 elevou para
R$/U$2,67 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,65 divulgada na semana
anterior, e R$/U$2,55 há trinta dias. Para 2016, o boletim divulgado hoje manteve
em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela quinta semana consecutiva;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o último
dado disponível foi divulgado na semana anterior e manteve os juros em 14,25%
a.a. para o final deste ano. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje elevou a
estimativa dos juros para 14,13% a.a., ante 13,75% a.a. verificado na pesquisa
anterior, e 13% a.a. observado há um mês;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 27.11.15 corrigiu
para -3,19% o decréscimo do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,15% do
relatório anterior, e -3,05% há um mês. A pesquisa de 28.11.14 corrigiu
para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2015 (+0,77%), frete à
variação positiva de 0,80% apresentado há uma semana, e +1% há trinta dias. Com
relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu o declínio do PIB para -2,04% para aquele ano, frente
à queda de 2,01% observado há sete dias, e -1,51% há quatro semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado
hoje manteve estável a estimativa de declínio da indústria em -7,50% para 2015,
ante a variação negativa de 7% estimada há um mês, enquanto a pesquisa de 28.11.14 reduziu o
crescimento da indústria para +1,13% para 2015, de +1,30% verificado na
pesquisa anterior, e +1,42% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 27.11.15 corrigiu a
queda da atividade industrial para -2,30%, de -2% divulgado nas três semanas
anteriores;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 27.11.15 elevou a
estimativa do superávit comercial para U$15 bilhões para 2015, ante U$14,95 bi apresentados
no Focus anterior, e U$14 bi há quatro semanas. Já a pesquisa de 28.11.14 corrigiu
para baixo o superávit comercial para U$6,31 bilhões para 2015, de U$6,50 bi observados
há sete dias, e U$7,24 bi verificado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta
semana reduziu para U$31,68 bilhões a estimativa do superávit comercial para aquele
ano, ante U$31,78 bi verificados na semana anterior, e U$26,30 registrados há um
mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 27.11.15 manteve a projeção
de crescimento do IED em U$62,80 bilhões para 2015, ante U$64,65 bi da pesquisa
divulgada há trinta dias, enquanto o relatório de 28.11.14 manteve em U$58
bilhões para este ano, ante U$60 bi há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa
divulgada hoje corrigiu para baixo a estimativa do IED, U$58 bi, de U$59 bilhões
observados há sete dias, e U$60 bi há quatro semanas.
Portanto, o aumento dos preços de bens e serviços, a
queda do poder de compra do contribuinte, o forte aumento do desemprego, a manutenção
dos juros no atual patamar e o menor volume de crédito na economia têm contribuído
para manter o pessimismo dos agentes econômicos quanto a uma solução de curto
prazo para os atuais problemas nacionais.
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