MERCADO ESTIMA INFLAÇÃO
ACIMA DE 10%
Régis
Varão/¹
O Focus - Relatório de Mercado do Banco Central (BCB) apresenta correções para a maioria das projeções realizadas pelo mercado para 2015
e para 2016. O relatório é uma publicação semanal divulgada no início da semana
no site do BCB. A pesquisa é realizada com cerca de 100 consultorias nacionais
e instituições bancárias, comtemplando 15 variáveis. No entanto, esta análise discute
8 indicadores:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 13.11.15 corrigiu para 10,04% a estimativa do índice
para 2015, primeira vez que atinge essa marca, ante 9,99% observada na semana
anterior, e 9,75% há quatro semanas. A pesquisa de 14.11.14 manteve a projeção do IPCA em 6,40%, ante
6,30% verificada há trinta dias, para este ano. Para 2016, o Focus de 13.11.15 elevou
a estimativa do índice para 6,50%, ante 6,47% apresentado na pesquisa anterior,
e 6,12% há quatro semanas;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 13.11.15 elevou a projeção do índice para 10,54% em 2015, ante 10,44% verificado
no boletim anterior, e 9,46% há trinta dias. O boletim de 14.11.14 corrigiu
para 5,57% a projeção do IGP-DI para este ano, ante 5,54% registrada há sete
dias, e 5,52% há um mês. Para 2016, o boletim apresentado ontem manteve a expectativa
do índice em 6%, pela terceira semana consecutiva, ante 5,89% observado há
quatro semanas;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
13.11.15 reduziu a
projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,96 para o final deste ano, comportamento
diferente do observado desde o Focus de 2.10.15, quando atingiu pela primeira vez R$/U$4. A pesquisa de 14.11.14 elevou para
R$/U$2,61 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,60 verificada na semana
anterior, e R$/U$2,50 há um mês. Para 2016, o boletim divulgado ontem manteve
em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela terceira semana consecutiva, de R$/U$4,13
divulgado na pesquisa há trinta dias;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório
Focus de 13.11.15 manteve em 14,25%
a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, valor registrado nos últimos
quatro meses. Já a pesquisa de 14.11.14 manteve a projeção
da taxa Selic em 12% a.a., de 11,88% a.a. divulgado na semana anterior, e 11,88%
a.a. observado há trinta dias. Já para 2016, o Focus desta semana manteve a estimativa
dos juros em 13,25% a.a., ante 12,75% a.a. verificado há quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 13.11.15 manteve
estável, nas duas últimas semanas, a queda do PIB em -3,10% para 2015, alterando
a tendência de correções para baixo observada nos quatro meses anteriores. A
pesquisa de 14.11.14 manteve a projeção
de crescimento do PIB em +0,80% para 2015, ante 1% apresentado há quatro
semanas. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana elevou a variação
negativa do PIB para -2%, de -1,90% divulgado na semana anterior, e -1,22% há trinta
dias;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana manteve a estimativa de declínio do setor industrial em -7,40% para este
ano, frente à variação negativa de 7% estimada há um mês, enquanto a pesquisa de
14.11.14 reduziu o
crescimento da indústria para +1,31% para 2015, ante +1,46% verificado nas três
pesquisas anteriores. Para 2016, a pesquisa de 13.11.15 corrigiu a
queda da atividade industrial para -2,15%, de -2% divulgado há sete dias, e -1%
há quatro semanas;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 13.11.15 elevou a
estimativa do superávit comercial para U$14,95 bilhões em 2015, ante U$14,60 bi
apresentado na pesquisa anterior, e U$13,20 bi divulgado há quatro semanas. Já
o Focus de 14.11.14 reduziu o superávit
para U$6,50 bilhões para 2015, de U$7 bi observados na pesquisa anterior, e U$7,65
bi apresentados há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana elevou para U$30,55
bilhões a estimativa do superávit comercial para aquele ano, ante U$29 bi verificados
na semana anterior, e U$25 registrados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 13.11.15 elevou a projeção de crescimento do IED para U$62,80 bilhões para 2015,
ante U$62,30 da pesquisa anterior, e U$62,50 bi registrados há trinta dias, enquanto
o relatório de 14.11.14 reduziu o valor para U$58 bilhões para este ano. O boletim Focus
divulgado nesta semana reduziu a estimativa do IED para U$58 bi para o próximo
ano, de U$60 bilhões observados nas semanas anteriores.
Portanto, o aumento dos preços dos combustíveis, a
redução do poder aquisitivo da população, o aumento generalizado dos preços, a
elevação do desemprego, a manutenção dos juros no atual patamar e a falta de
criatividade do governo, que somado às dificuldades da presidente Dilma e do
presidente da Câmara Federal, têm contribuído para elevar o pessimismo da
população e do empresariado em geral com os próximos meses. Por sua vez, o mercado
mantém a descrença a respeito do ajuste fiscal proposto pelo governo e não
acredita em alterações que possam melhorar o desempenho da economia no médio
prazo, tendo em vista que grande parte dos problemas existentes na economia foram
criados pelo próprio governo.
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