sábado, 30 de janeiro de 2016

HÁBITOS FINANCEIROS SAUDÁVEIS
Régis Varão/¹

A grande maioria das pessoas com problemas financeiros decorre da inadequada gestão de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver constantemente no vermelho, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar sempre a prestação, são alguns dos motivos que contribuem para que as pessoas tenham uma qualidade de vida financeira ruim.

A má gestão dos recursos financeiros diários decorre, em grande parte, de atitudes e hábitos inadequados e repetitivos na administração das receitas provenientes de salário, pró-labore, bónus, premiações, comissões e outros, e que interferem negativamente no sucesso de nossa vida financeira. Maus hábitos no trato com o dinheiro podem levar ao endividamento, com danos paralelos, pois pesquisas demonstram que indivíduos endividados ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, discutem mais com colegas e familiares, estão mais sujeitos a perderam o emprego, reduzem o nível de concentração, diminuem a produtividade e se separam/divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas financeiros.

Hábitos que ajudam as pessoas a terem um desempenho positivo na gestão de suas receitas mensais:

1. Economizar sempre:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeira tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma reserva financeira. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias 29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança e tranquilidade.

Para atingir a prosperidade, você pode iniciar economizando 5% da renda líquida mensal e gradualmente - elevar esse percentual até atingir 30%, em um prazo de até seis meses. Considere as peculiaridades de cada um, muitas famílias têm avós, pais, filhos e netos morando juntos, nesse caso, esses percentuais servem como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão - marido, mulher e filhos -, no entanto, um assalariado de alta renda pode guardar entre 25% e 50% de seus recebimentos mensais líquidos sem afetar seu padrão de vida. A regra básica universal: economize sempre. Muita atenção com os supérfluos. Não precisa ser um “Tio Patinhas,” guardar dinheiro por guardar, tenha um ou mais objetivos bem definidos, estabeleça metas e as discuta com sua mulher e filhos, afinal de contas trata-se da sua família. Transmita aos seus filhos hábitos saudáveis, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha é um hábito saudável, é simplesmente uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia-a-dia e de sua família.

2. Fazer Planejamento Financeiro:

Fazer orçamento pessoal/familiar e gastar menos do que se ganha é questão de bom senso e até de sobrevivência financeira. Faça mensalmente um orçamento pessoal, liste as receitas provenientes de aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bónus, premiações, comissões etc. Relacione os recibos com as despesas realizadas no mês, inclusive os pequenos valores, crie grupos de despesas como alimentação, educação, lazer, moradia, saúde e transporte, isso ajuda nos controles e no planejamento financeiro.

Com receitas e despesas relacionadas já se tem um indicativo para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios, é como um grande ralo embaixo de um chuveiro ligado. Ao listar as despesas, observe com muita atenção todos os valores, sem exceção, o que ajudará a tomar conhecimento e a decidir qual a melhor estratégia para realizar o planejamento financeiro e locar melhor o dinheiro recebido periodicamente.

3. Fazer Reserva Financeira:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem e até não compreenderem sua importância. Deve-se reservar um percentual da renda líquida mensal para formá-la, comece com 5% e gradualmente chegue a 30% ou até mais (ver Economize sempre). Todos estão sujeitos a surpresas: agradáveis (formatura do filho, casamento da filha, MBA dos filhos, pós-graduação em boa universidade etc); e desagradáveis como perda do emprego, acidentes diversos, doenças em família, gravidez inesperada, desemprego etc.

O ideal é ter uma reserva que seja suficiente para cobrir gastos entre 6 e 12 meses (alguns educadores financeiros falam em mais meses). No entanto, se conseguir formar uma reserva que cubra os gastos equivalentes às despesas totais realizadas em 6 meses, já está bom. Exemplo: se você gasta em média R$ 4.000,00 por mês, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$24.000,00 (6 x R$4.000,00) depositado no sistema financeiro. Por outro lado, se puder manter em banco o equivalente a um ano de despesas, total de R$48.000,00 (12 x R$4.000,00), seria bem melhor. Os valores acima podem servir como colchão financeiro em casos de desemprego e dívidas inesperadas, mas também podem ajudar nas despesas com o  casamento da filha etc. O objetivo da reserva financeira é atender a demandas inesperadas, sem endividar a família. Ela pode ter destinos diversos, desde que atenda as necessidades e não leve a pessoa a tomar crédito no sistema bancário. Mantenha muita distância das carteiras de crédito do setor bancário.

4. Observar o Poder dos Pequenos Valores:

Muita gente comete equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura global de despesas das famílias. Um simples café expresso de R$5,00, tomado sete vezes por semana fica em R$35,00, que chega a R$140,00 no mês, e atinge R$1.680,00 no ano, em 10 anos temos R$16.800,00, sem considerar os juros incidentes. Um lanche diário de R$9,00, custa R$63,00 por semana, R$252,00 por mês e no ano R$3.024,00. Junte-se a eles o cigarro (R$7,00) e a cerveja com os amigos (R$12,00), e temos um valor razoável. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia-a-dia, a despesa anual atinge R$11.088,00, um valor elevado que pode reduzir a qualidade de vida da família e nada contribui para uma saúde melhor.

Produtos necessários para a família, como alimentos, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores” se economizados. Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Reduza essas despesas pela metade e temos uma sobra de R$5.544,00 (R$11.088,00/2), que pode ajudar na reforma da casa, na troca da velha máquina de lavar roupas e até mesmo nas férias da família. Logo, fique atento ao Poder dos Pequenos Valores.

5. Evitar Compras Parceladas:

Evite comprar a prazo, pois muitas vezes várias pequenas prestações podem levar ao endividamento quando agregadas. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio-CNC, de dez/15, o carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras com 16,8%, perdendo apenas para o cartão de crédito com 78,6% das preferências, na sequência temos o terceiro lugar com financiamento de carro (12,5%). O segredo do sucesso financeiro é: se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou ano.

- Antes de abrir a carteira pergunte-se:
(a) Eu preciso? (b) Tenho dinheiro? (c) Tem que ser agora?

Com apenas uma resposta negativa a qualquer das perguntas, não compre. Se as respostas forem positivas, antes de comprar peça desconto, proteja seu dinheiro. Portanto, não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira “apenas” o necessário e planeje-se para adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele e até em muitos casos pode ter um parecido.

6. Desconfiar da Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o mau hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote toda e qualquer despesa, solicite recibos/notas fiscais - o vendedor é obrigado por lei a fornecer os comprovantes - para não ter surpresas desagradáveis no final do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores nos gastos do dia-a-dia podem ajudar a evitar as armadilhas preparadas pela memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas pode contribuir para reduzir o IPVA e o IPTU em cidades como Brasília (nota legal) e São Paulo (nota paulista), e até mesmo receber valores em espécie como devolução.

7. Tirar Proveito do Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, não pague o valor mínimo em hipótese alguma, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Segundo dados divulgados pelo Banco Central a taxa média do crédito rotativo do Cartão de Crédito (taxa para quem paga o valor mínimo da fatura e financia o restante) atingiu 431,4% a.a. em dez/15, mantendo-se no maior patamar da série histórica (o segundo mais caro foi o cheque especial com 287% a.a. em dez/15, maior taxa dos últimos 21 anos).

Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente, obter descontos em bens e serviços entre outros benefícios. Não leve na carteira cartão de crédito e talão de cheques, os dois juntos podem estimular o consumo desnecessário, coloque apenas um na carteira. Só saia com o cartão de crédito quando estiver realmente precisando de adquirir um produto essencial, como comida, remédio etc. Siga a regra dos 3 SIM’s e pergunte-se: Eu preciso ? Tenho dinheiro ? Tem que ser agora ?

Portanto, o segredo da prosperidade está em fazer planejamento financeiro, economizar sempre, evitar compras por impulso, fazer reserva financeira, não comprar a prazo, evitar muitas prestações, não pagar juros e manter-se atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos grandes valores. Bons hábitos reduzem o estresse, aumenta o humor, melhora a pressão sanguínea, eleva a produtividade e ajuda a manter a qualidade e a expectativa de vida das pessoas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR AVANÇA EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor-ICC calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE, da Fundação Getulio Vargas-FGV, avançou 2,5 pontos em jan/16 atingindo 67,9 pontos. De acordo com Viviane Bittencourt, da FGV, “A boa notícia é que a confiança do consumidor parou de cair em setembro passado e vem ensaiando alguma melhora, embora com oscilações e na dependência de um quadro político e econômico instável. Com avaliações ainda muito desfavoráveis sobre a situação presente da economia e expectativas bastante pessimistas em relação aos próximos meses, ainda é cedo para se falar em reversão consistente de tendência.“ A pesquisa de janeiro deste ano coletou informações de 2090 domicílios entre os dias 4 e 22 de jan/16.

O desempenho do indicador no primeiro mês de 2016 foi determinado tanto pela elevação do grau de satisfação com o presente, quanto pelo declínio do pessimismo em relação aos próximos meses (meses futuros).

O Índice da Situação Atual-ISA subiu 1,1 p.p., após recuar por oito meses consecutivos e atingir o valor mínimo da série histórica em dez/15 quando chegou a 66,4 pontos. Já o Índice de Expectativas-IE avançou 3,4 p.p., atingindo 70 pontos, o maior nível observado desde ago/15.

Segundo informações coletadas pela Sondagem do Consumidor-FGV, aproximadamente 96% da elevação do ICC em jan/16 foi determinada pelo desempenho positivo dos indicadores que medem o grau de satisfação dos consumidores com a situação financeira da família e o impulso de compra de bens duráveis, também foram responsáveis por influenciarem negativamente o desempenho do índice no último mês de 2015.

O indicador que mede o grau de satisfação da família com a situação financeira no momento atual apresentou crescimento de 3,4 p.p., de 60,7 para 64,1  pontos, após oito meses de quedas sucessivas e chegar ao menor nível da série em dez/15. Com relação às perspectivas para os próximos meses, o indicador que afere o ímpeto de compras avançou 7,7 p.p., compensando o decréscimo observado nos dois últimos meses do ano (-6,8 p.p).

Com relação à análise por classes de renda temos a seguinte distribuição:
- Até R$ 2.100,00 (praticamente estável): dez/15 com -4 p.p. e jan/16 com -0,1 p.p.;
- Entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00: dez/15 com 0,5 p.p. e jan/16 com 9,4 p.p.;
- Entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00: dez/15 com -2,9 p.p. e jan/16 com 4,3 p.p.;
- Acima de R$ 9.600,01: dez/15 com -3,4 p.p. e jan/16 com 5,5 p.p.

No que se refere a faixa de renda, a melhora ocorreu principalmente nas faixas de renda mais elevada, ao passo que o indicador permaneceu praticamente estável nas faixas de renda mensal até R$ 2.100,00. Por outro lado, segundo o relatório da Sondagem do Consumidor, “A manutenção da confiança do consumidor em baixo patamar ainda deve se traduzir em retração do consumo neste início de ano.”

Portanto, o desempenho positivo observado no ICC no primeiro mês de 2016 e nas faixas de renda mais elevadas (acima de R$ 2.100,00), não configura mudança de tendência.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

AUMENTAM AS EXPECATTIVAS NEGATIVAS
Régis Varão/¹

As estimativas do Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), divulgadas hoje, corrige praticamente todas as projeções das principais variáveis macroeconômicas para 2016 e 2017, exceto para Investimentos Diretos no País que ficaram estáveis. A pesquisa é realizada com cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, contemplando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.1.16 corrigiu para 7,23% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7% observado na semana anterior e 6,86% verificado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do índice para 5,60%, de 5,70% nas últimas oito semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana eleva a expectativa para 5,65%, ante 5,40% apresentado na semana anterior e 5,17% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 22.1.16 elevou a projeção do índice para 6,96% em 2016, ante 6,48% observada na semana anterior e 6,14% há quatro semanas, enquanto o Focus de 23.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e cinco últimas semanas para aquele ano. Para 2017, o boletim de 22.1.16 elevou a expectativa do índice para 5,50%, de 5,30% há sete dias, valor observado nas últimas semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,30 em 2016, de R$/U$4,25 divulgado na semana anterior e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 23.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,90 em 2016, de R$/U$2,85 divulgado na pesquisa anterior e R$/U$2,78 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,40, ante R$/U$4,30 observado na semana anterior e R$/U$4,20 há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 22.1.16 reduziu os juros, final de período, para 14,64% a.a. para 2016, ante 15,25% a.a. divulgados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 23.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje reduz a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,88% a.a. observado na pesquisa anterior e 12,25% a.a. há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 22.1.16 corrige para -3% o declínio do PIB para 2016, frente ao decréscimo de 2,99% do relatório da semana anterior, e -2,81% da pesquisa divulgada há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz para +1,54% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,80% apresentado nas últimas semanas. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,80%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,57% em 2016, ante uma queda de 3,47% estimado no Focus anterior e -3,50% há um mês, enquanto a pesquisa de 23.1.15 reduziu o crescimento para 2,65% naquele ano, de +2,50% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 22.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,50%, de +1,80% divulgado na pesquisa anterior e +1,98% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 22.1.16 eleva a estimativa do superávit comercial para U$37,45 bilhões para 2016, de U$35,50 bilhões divulgados na semana anterior e U$33 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 23.1.15 reduz a projeção do superávit comercial para U$10,02 bilhões para 2016, de U$13 bi observados há sete dias e U$15 há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana corrige para U$40 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$38,80 bi verificados há sete dias e U$34,16 há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas seis semanas, enquanto o relatório de 23.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima nona semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima quinta semana consecutiva.

Portanto, a perda do poder aquisitivo da população, a elevação do endividamento e da inadimplência, o desemprego crescente, a perda de mais de 1,5 milhão de empregos formais em 2015, atividade econômica em declínio, juros em alta e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário pessimista em 2016 e 2017.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 17 de janeiro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTOU EM DEZ/15
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas apresentou elevação em dez/15, ante o mês anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada e publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). É realizada com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais o Distrito Federal, e são apurados os indicadores: percentual de consumidores endividados, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,1% em dez/15, ficando praticamente estável em relação aos 61% observados em nov/15 e aumentando em relação aos 59,3% observados em dez/14.

Famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na análise mensal, passando de 22,7% para 23,2% do total. Também houve elevação no percentual de famílias inadimplentes ante dez/14, quando esse indicador chegou a 18,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou com dívidas em atraso, logo, continuam inadimplentes, aumentou entre nov/15 e dez/15, passando de 8,5% para 8,7%, mas ficando acima dos 5,8% observados em dez/14.

A elevação no total de famílias endividadas em dez/15 frente a novembro foi verificada apenas no grupo de famílias com renda acima de 10 Salários Mínimos (SM). Na comparação anual, em ambas as faixas de renda - até 10 SM e acima de 10 SM - apresentaram crescimento. Entre as famílias que ganham até 10 SM, o percentual das endividadas foi de 62,2% em dez/15, ante 62,3% no mês anterior e 60,6% em dez/14. Já no grupo com renda acima de 10 SM, o percentual de endividadas passou de 54,6%, no penúltimo mês de 2015, para 56,0% em dez/15. No último mês de 2014 o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era cerca de 52%.

Segundo o relatório da CNC, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os dois grupos de renda, tanto na análise mensal quanto na comparação anual. Na faixa até 10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 25,2%, em nov/15, para 25,4% no mês seguinte. Em dez/14, 20,6% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM o percentual de inadimplentes atingiu 12,8% em dez/15, ante 11,8% no mês anterior e 9,0% em dez/14.

Quanto à análise por faixa de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso mostrou comportamento distinto entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,7% em dez/15, ante 2,9% no mês anterior e 1,9% em dez/14. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus atrasos caiu de 10,1% em nov/15, para 9,9% no mês seguinte, e com relação a dez/14 houve acréscimo de 3 p.p.

Com relação à proporção das famílias muito endividadas ficou praticamente estável entre novembro (13,4%) e dez/15 (13,5%) do total. Na comparação anual houve incremento de 2,7 p.p. Na comparação entre dez/14 e dez/15, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a parcela pouco endividada passou de 26,1% para 25,3% do total de famílias.

O tempo médio de atraso entre as famílias com contas ou dívidas em atraso foi 62,5 dias no último mês de 2015, ante 60 dias observados em dez/14. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 6,9 meses, com 28,6% comprometidas com dívidas até três meses, e 33,6%, por mais de um ano. A parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 30,6% para 31,9%, e 26,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas.

Quanto ao endividamento por tipo de dívida, o cartão de crédito continua liderando a preferência das famílias, sendo apontado como o principal tipo de dívida por 78,3%, seguido de carnês de lojas com 16,7%, financiamento de carro (12,9%), crédito pessoal com 9,9%, financiamento de casa (8,2%), cheque especial com 6,6% e crédito consignado com 5,3%. Entre as famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito também lidera (79,8%), carnês de lojas, por 17,7%, e financiamento de carro, por 9,9%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já entre as famílias com renda superior a 10 SM, os principais tipos de dívida apontados em dez/15 foram: cartão de crédito (71,4%), financiamento de carro (26,9%) e financiamento de casa (18,4%).

Portanto, inflação em alta, juros elevados, desemprego crescente e desconhecimento do poder dos juros compostos - preferência das famílias pela modalidade cartão de crédito - têm contribuído para levar muitas famílias ao endividamento.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
ELEVAÇÃO DA TAXA DE DESOCUPAÇÃO É PREOCUPANTE
Régis Varão/¹

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é feita com uma amostra de domicílios e contempla todo território nacional. O objetivo da pesquisa é buscar informações para o estudo do desenvolvimento socioeconômico brasileiro e permitir a investigação contínua de indicadores de trabalho e rendimento. Cada domicílio é pesquisado cinco vezes, uma vez por trimestre, durante cinco trimestres consecutivos.

Segundo a PNAD divulgada sexta-feira, a taxa de desocupação no trimestre móvel ago-out/15 foi estimada em 9% para o País, acima da taxa de igual trimestre de 2014 quando atingiu 6,6%, ultrapassando, também, a do trimestre mai-jul/15 que ficou em 8,6%.

No trimestre finalizado em out/15, a população desocupada, cerca de 9 milhões, cresceu 5,3%, mais 455 mil pessoas, em relação ao período mai-jul/15 e subiu cerca de 38%, mais 2,5 milhões de pessoas, ante igual trimestre de 2014. Quanto à população ocupada, estimada em 92,3 milhões, ficou estável nas duas comparações.

Com relação à posição na ocupação, os empregados no setor privado com carteira assinada apresentaram declínio de 1% em seu contingente, menos 359 mil pessoas, ante o trimestre mai-jul/15. Com relação a igual trimestre de 2014, a redução foi mais acentuada (-3,2%), 1,2 milhão de pessoas a menos. Já os empregadores e trabalhadores por conta própria apresentaram elevação de 5,7% e 4,2%, respectivamente, em seus contingentes, ante igual trimestre de 2014.

O rendimento médio real recebido em todas as categorias de trabalho atingiu R$1.895,00, ficando relativamente estável quando comparado ao trimestre mai-jul/15 - R$1.907,00 - em relação ao período ago-out/14 ao atingir R$1.914,00. A massa de rendimento real normalmente recebida em todos os trabalhos para o período ago-out/15 registrou R$169,6 bilhões, e não apresentou variação significativa nos períodos em análise. Quanto ao trabalhador doméstico e por conta própria, ambos apresentaram queda no rendimento, -2,4% e -5,2%, respectivamente, ante o período ago-out/14.

Segundo o contingente de ocupados nos grupamentos de atividade, ocorreu retração de 2,6% na indústria geral (336 mil pessoas), ante mai-jul/15. Frente ao período ago-out/ 14, construção e agricultura não apresentaram variações significativas no total de ocupados. Na indústria geral (-5,6%), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias profissionais e administrativas (-4,0%) e outros serviços (-4,0%) foram observadas redução; enquanto nas atividades comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,3%); transporte, armazenagem e correio (4,6%); alojamento e alimentação (4,7%); administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,6%) e serviços domésticos (3,3%) registraram incremento.

Portanto, segundo os dados da pesquisa PNAD, a taxa de desocupação de 9%, no período ago-out/15, foi a mais elevada da série histórica, reflexo do desempenho medíocre da atividade econômica do País, castigado há meses por uma crise que não tem perspectivas de solução no curto e médio prazo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES DE 2016
Régis Varão/¹

As primeiras projeções realizadas em 2016 pelo mercado e divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), de 8.1.16, corrige praticamente todas as estimativas das principais variáveis macroeconômicas para este ano, exceto juros, saldo da balança comercial e Investimentos Diretos no País. Quanto às expectativas do mercado para 2017, o Focus desta semana divulga pela primeira vez essas projeções. A pesquisa contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute apenas oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 8.1.16 corrigiu para 6,93% a estimativa do IPCA para 2016, ante 6,87% observado na semana anterior, e 6,80% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,70% nas últimas sete semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana mantém a expectativa inalterada pela segunda semana consecutiva em 5,20%, ante 5,10% apresentado há um mês. Cabe observar que o IPCA atingiu 10,67% em 2015, a maior variação registrada nos últimos 13 anos, superando o teto da meta de inflação fixado em lei para aquele ano (6,5%);

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 8.1.16 elevou a projeção do índice para 6,18% em 2016, ante 6,14% observada nas três semanas anteriores, enquanto a pesquisa de 9.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e três últimas semanas para aquele ano. Para o próximo ano, o boletim de 8.1.16 manteve a expectativa do índice em 5,30% nas últimas quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,25 em 2016, de R$/U$4,21 divulgado na semana anterior, e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,83 em 2016, de R$/U$2,80 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$2,75 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,23, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 8.1.16 mantém os juros, final de período, em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,63% a.a. divulgados há um mês, enquanto o boletim de 9.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje eleva a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,50% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12% a.a. apresentado há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 8.1.16 corrigiu para -2,99% o declínio do PIB para 2016, frente ao declínio de 2,95% do relatório da semana anterior, e -2,67% do Focus divulgado há trinta dias. A pesquisa de 9.1.15 mantém em +1,80% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,90% apresentado há um mês. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,86%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,45% em 2016, ante uma queda de 3,50% estimado no Focus anterior, e -3,45% há um mês, enquanto a pesquisa de 9.1.15 estima crescimento de 2,65 para aquele ano, de +3% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 8.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,98%, de +2% divulgado na pesquisa anterior, e +1,75% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 8.1.16 mantém a estimativa do superávit comercial em U$35 bilhões para 2016, de U$31,44 bilhões divulgados há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016, de U$15 bi observados há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$34,09 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 8.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas quatro semanas, enquanto o relatório de 9.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima sétima semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima terceira semana consecutiva.

Um IPCA de 10,67% em 2015, perda continuada do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento e da inadimplência, desemprego crescente, perda de aproximadamente 1,5 milhão de empregos formais no ano passado, atividade econômica em declínio, juros em alta com possibilidade de subir mais e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário mais pessimista em 2016, podendo se estender em 2017.

Portanto, os problemas não ficaram restritos a 2015, e deverão se repetir em 2016, com queda nas vendas do comércio, indústria desativando produção, câmbio e juros em alta entre outros. Além disso, o retorno das férias pode trazer surpresas desagradáveis para os empregados que poderão ser demitidos em decorrência do desempenho medíocre do comércio e da indústria, e da falta de uma política econômica consistente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.