segunda-feira, 27 de novembro de 2017

EXPECTATIVA ESTÁVEL PARA DESEMPENHO DO PIB EM 2017
Régis Varão/¹

O boletim Focus-Relatório de Mercado divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil-BCB apresenta alteração em nove variáveis para 2017 e em dez para 2018. A seguir, uma análise sucinta dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório de 24.11.17 indica estimativa do índice para 2017 em 3,06%, de 3,08% observada há quatro semanas, enquanto estima em 4,02% para 2018. Já a pesquisa de 25.11.16 apontava 4,93% para 2017;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 24.11.17 corrige para -1,12% a projeção do índice para este ano, de -0,96% registrada há um mês, enquanto trabalha com 4,50% para 2018, pela trigésima segunda semana consecutiva. O Focus de 25.11.16 trabalhava com expectativa de 5,06% para 2017;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 24.11.17, divulgado hoje, eleva a expectativa do mercado para R$/U$3,25, ante R$/U$3,19 há trinta dias, para o final de 2017, enquanto estima em R$/U$3,30 para o final de 2018;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório de 24.11.17 mantém a estimativa da taxa de juros em 7% a.a. para o final de 2017, pela décima primeira semana consecutiva, e o mesmo valor para o final de 2018, pela décima semana consecutiva. O boletim de 25.11.16 projetava juros de 10,75% a.a. para 2017;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 24.11.17 mantém em +0,73% o crescimento do PIB para este ano, pela quinta semana consecutiva, e trabalha com a expectativa de crescimento de 2,58% para 2018. Já o boletim de 25.11.16 indicava crescimento de 0,98% para 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o relatório divulgado hoje mantém inalterado em +2% o crescimento da atividade industrial para 2017, nas últimas três semanas, enquanto estima incremento de 2,90% para 2018. A pesquisa de 25.11.16 estimava elevação de 1,21% para 2017;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 24.11.17 eleva para U$65,54 bilhões a projeção do superávit comercial para 2017, de U$65 bi divulgado há quatro semanas, e estima em U$53,60 bilhões para 2018. O relatório de 25.11.16 projetava superávit de U$44,07 bi para 2017;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o relatório divulgado hoje eleva a estimativa do IDP para U$80 bilhões em 2017, de U$75 bilhões há quatro semanas, e trabalha com a expectativa de U$75 bi para 2018. O Focus de 25.11.16 apontava estimativa de U$70 bilhões para 2017.

Portanto, a queda da inflação, do desemprego e dos juros tem contribuído para melhorar as expectativas do mercado com relação à economia brasileira para este final de ano e em especial para 2018.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O ENDIVIDAMENTO PODE AUMENTAR COM A BLACK FRIDAY
Régis Varão/¹

A Black Friday (BF) é celebrada logo após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day), um feriado muito popular na América do Norte. O feriado, que é comemorado toda 4ª quinta-feira de novembro nos EUA, foi instituído pelo presidente Abraham Lincoln. O objetivo do Dia de Ação de Graças (DAG) é celebrar a gratidão a Deus pelas coisas boas que aconteceram ao longo do ano.

No Brasil, a data foi instituída pelo presidente Gaspar Dutra em 1949 atendendo a sugestão de Joaquim Nabuco, embaixador brasileiro nos EUA, que ficou impressionado com as comemorações no período em que representou o País em Washington, DC. No Brasil, no entanto,  poucas pessoas celebram a data.

A comemoração do Black Friday tornou-se popular em 1975 nos EUA, e em 1980 foi associada ao período de maior faturamento do comércio varejista, que desde aquela época passou a anunciar descontos acima de 70% no preço da mercadoria.

No Brasil, a data é comemorada na última semana de novembro. A BF de 2017 tem início em 24/11 (sexta-feira), quando as lojas de todo o país entram com promoções e reduzem preços de alguns produtos. Alguns segmentos do varejo estendem as promoções por mais uma semana.

A expectativa do varejo é que o consumidor brasileiro vá as compras tendo em vista a melhora no cenário macroeconômico ajudado pela redução dos juros e inflação. Em todo caso, é sempre bom ficar atento as armadilhas do comércio, principalmente as vendas por internet.

Algumas dicas que podem ajudar o consumidor na hora das compras:

01. SEGURANÇA DO SITE

Verifique se a página da loja tem certificado de segurança antes de inserir seus dados e realizar uma compra. Os endereços protegidos/seguros começam com “https”, e em alguns navegadores ele aparece em verde. Pode acontecer de um site conhecido estar clonado, o que é uma encrenca. Observe que o domínio precisa conter o nome da loja, e evite fazer transações financeiras em redes públicas de internet, cafés, livrarias etc;

02. SITES DE LOJAS

Se você está cadastrado em sites de lojas que têm o produto de seu interesse é grande a chance de mandarem promoções para os clientes. Fique atento, mensagens de lojas de verdade não pedem informações pessoais. Se suspeitar de algo não informe seus dados;

03. SITES NÃO CONFIÁVEIS

O Procon/SP disponibiliza uma lista dos sites pouco recomendados ou confiáveis para compras pela internet. Fique atento e observe com atenção se os produtos que deseja adquirir estão relacionados em sites que estão na lista do Procon-SP. O site Reclame Aqui pode ser de grande ajuda na hora de reclamar de compras de bens ou serviços com problemas. Observe o que estão falando a respeito da loja onde você quer comprar;

04. PESQUISA DE PREÇOS

Muitas lojas oferecem descontos falsos, aumentando o preço uma ou duas semanas antes para no Black Friday oferecer desconto. Utilize alguns buscadores que ajudam nessa tarefa. Um muito conhecido é o Buscapé, que relaciona os preços dos últimos 12 meses e ajudam na hora das compras;

05. OFERTAS FANTÁSTICAS

Desconfie de produtos e serviços com promoções fantásticas, por exemplo, um telefone celular recém lançado pela metade do preço, computadores ou televisões de alta resolução com descontos de até 70%. É possível que você esteja adquirindo um bem usado ou até mesmo roubado;

06. BOLETO BANCÁRIO

O cartão de crédito ou plataformas como PayPal e equivalentes são mais seguras para adquirir produtos pela internet, tendo em vista que o consumidor pode pedir o estorno se for debitado uma quantia acima do combinado. Já com o boleto bancário a coisa é diferente, os bancos se eximem de responsabilidade e você fica com o prejuízo;

07. RECEBIMENTO DA MERCADORIA

Ao receber o produto em casa ou no escritório, verifique se é novo, observe o estado do equipamento e se é realmente o que foi visto no site. Registre a data da entrega do produtos no recibo ou nota fiscal, pois será, caso tenha problemas, a referência para levar ao Procon ou juizado de pequenas causas. O site do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor-IDEC explica os passos para entrar com ação no Juizado Especial Civil-JEC.

Portanto, observe as dicas acima e tenha cuidado para não comprar produtos desnecessários ou supérfluos. Não fique empolgado com as “possíveis” promoções ou descontos, muitas vezes podem ser armadilhas para elevar as vendas do comerciante. Pesquise preços, você pode encontrar boas ofertas em lojas tradicionais e sites conhecidos e seguros, mas só compre se realmente precisar do produto. Evite o endividamento, estamos na virada de ano. Despesas necessárias virão no primeiro trimestre do ano novo, assim, prepare-se para entrar com o pé direito em 2018.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL EM ALTA
Régis Varão/¹

A confiança do empresário industrial, aferida pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), continua em trajetória ascendente tanto na comparação mensal quanto anual.

Em nov/17 (56,5 pontos), o ICEI apresentou crescimento de 0,5 ponto ante out/17 e 4,8 pontos na comparação anual. O índice encontra-se acima da média histórica de 54 pontos, pelo terceiro mês consecutivo e apresenta o maior valor desde abr/13 (55,4 pontos). O resultado de nov/17 leva o índice agregado para o quarto mês consecutivo de resultados positivos.

Componentes do ICEI:

(a) Índice de Condições Atuais-ICA

O ICA subiu 1,1 ponto em nov/17 (51,5 pontos) ante o mês anterior e registrou incremento de 7,7 pontos na comparação anual. É indicação que o empresário percebe melhora das condições negociais correntes, o que não ocorria desde nov/12. O índice é o maior registrado desde abr/11.

As condições atuais com relação ao indicador economia brasileira o indicador subiu 0,9 ponto em nov/17 (50,8 pontos) ante o mês anterior, e apresentou elevação de 8,4 na comparação anual.

Já as condições atuais com relação às empresas houve crescimento de 1,2 ponto em nov/17 (51,9 pontos) na comparação mensal, e subiu 7,4 pontos ante igual período de 2016.

(b) Índice de Expectativas-IE

O IE mostra que o empresário industrial manteve o otimismo com relação aos próximos seis meses. O índice manteve-se praticamente constante, ao passar de 58,8 pontos em out/17 para 58,9 pontos em novembro. Na comparação anual o IE registrou alta de 3,1 pontos.

Com relação às expectativas da economia brasileira, o índice chegou a 55,2 pontos em novembro deste ano, subindo 0,3 ponto e 2,1 pontos ante out/17 e nov/16, respectivamente.

Já com relação às expectativas das empresas, chegou a 61 pontos em nov/17 ante 60,8 pontos observados no mês anterior. Com relação a nov/16, o indicador apresentou crescimento de 3,8 pontos.

No segmento industrial o melhor desempenho em nov/17 ficou com a indústria extrativa (57,5 pontos) que subiu 1,9 ponto na comparação mensal. Depois temos a indústria de transformação com 56,9 pontos (+0,4 ponto ante out/17) e a indústria da construção com 54,4 pontos e crescimento de 0,6 ponto ante o mês anterior.

Com relação ao porte da empresa, o melhor desempenho em novembro deste ano ficou com grandes empresas (58,5 pontos), seguido de médias empresas com 56 pontos e pequenas empresas (52,6 pontos).

O índice de confiança do empresário industrial vem melhorando desde ago/17, devido a avaliação positiva da situação atual que melhorou e das expectativas para seis meses futuros. A análise das condições atuais e das expectativas quanto a economia brasileira e empresas, apresentaram comportamento positivo tanto na comparação mensal quanto na anual.

Portanto, é oportuno observar que temos configurado uma tendência positiva na trajetória do índice ICEI nos últimos quatro meses, o que decorre em grande parte da atuação do Banco Central-BCB na redução da taxa básica de juros e da aprovação da reforma trabalhista.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

FALTA EDUCAÇÃO FINANCEIRA AO BRASILEIRO
Régis Varão/¹

O nível de endividamento das famílias brasileiras passou de 59,8% em out/16 para 61,8% em out/17, enquanto as famílias com dívidas ou contas em atraso saiu de 24,7% para 26%, na mesma base de comparação. Esses dados são da última Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de out/17, da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A preferência das famílias endividadas está distribuída da seguinte maneira: a liderança é do cartão de crédito com 76,7%, seguido de carnês de lojas (16,7%), financiamento de carro (10,2%), crédito pessoal (9,8%), financiamento de casa (7,8%), cheque especial  (6%) e crédito consignado com 5,2%, segundo a PEIC.

O número de consumidores inadimplentes no Brasil em out/16 atingiu o recorde de 61 milhões, 4,45% acima do observado no mesmo período de 2016 quando estava em 58,4 milhões. O volume financeiro envolvido totaliza R$269,1 bilhões, de acordo com a Serasa Experian. A pesquisa mostra que a região com maior percentual de inadimplentes em out/17 é a Sudeste com 44,8% do total, seguida pelo Nordeste (25,5%) e em terceiro lugar a região Sul (12,7%). Ainda segundo a Serasa Experian, o segmento de micro e pequenas empresas contabilizava 4,8 milhões de inadimplentes em ago/17, 13,2% acima de igual período de 2016.

A seguir, algumas informações a respeito do comportamento do brasileiro no quesito educação financeira:

(a) De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais-ANBIMA, de 9.11.17, em todo o País, menos de um quarto da população economicamente ativa (23,8%) afirma fazer algum tipo de investimentos, e entre o público que se declara investidor, a maioria está na classe A (42%), com a classe C na ponta oposta  com 18%. Segundo a pesquisa, 13,84% conhece, mas não faz nenhum tipo de investimento, enquanto 62,34% não conhece nenhum tipo de investimento.

Segundo Aquiles Mosca da ANBIMA, “Os brasileiros ainda têm pouca consciência de seu protagonismo em relação às próprias finanças. O hábito de priorizar o consumo, ao invés de poupar, é uma questão cultural por aqui”. Continua, “Na América Latina, somos o país com a menor taxa de poupança, atrás até de nações cuja renda per capta é menor". O percentual da população que já começou a investir, a caderneta de poupança lidera com 16,41%, os fundos de investimentos (renda fixa) vêm em segundo lugar com 2%, seguido por plano de previdência privada (1,85%), compra e venda de imóveis (1,45%), títulos públicos (tesouro direto) com 1,39% e os fundos como ativos de renda variável (ações e multimercados) com 1,24%.

(b) A pesquisa Brasil Econômico, de 30.1.17, “mostra  que 58% dos poupadores não sabem quais os investimentos com as melhores taxas de retorno - percentual que aumenta para 66% entre as mulheres e 63% entre os pertencentes às classes C, D e E. Em contrapartida, 42% garantem saber os rendimentos de suas aplicações”. A caderneta de poupança, “mesmo sendo a aplicação menos indicada e rentável, é a com maior procura entre os brasileiros tendo sido citada na pesquisa por 61% dos respondentes. O tempo médio que o brasileiro deixa o dinheiro na poupança é de três anos tendo como valor médio acumulado no período de R$ 2.152. Para 38% dos que investem na poupança, a escolha desse investimento deve-se ao fato da flexibilidade para o uso do dinheiro guardado quando necessário”.

(c) Segundo a publicação Você S/A, Especial Previdência, de ago/14, 54% dos pesquisados não pouparam nenhum centavo no mês anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no vermelho; 82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69% financiam compras pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% das pessoas pesquisadas admitem comprar por impulso;

As informações acima são motivos de preocupação tendo em vista o desconhecimento das famílias a respeito de educação financeira, o que observamos pelas estatísticas mostrando o elevado percentual de pessoas que não faz poupança, atrasam contas, não sabem calcular juros, miram no valor da parcela e não se preocupam com o consumo consciente. Essa desinformação pode, a longo prazo, contribuir para elevar o endividamento, o que vem acontecendo, contribuindo para reduzir a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da saúde pública para atender os problemas decorrentes desses descontroles financeiros.

Considerando o elevado nível de inadimplência, o crescente endividamento das famílias e a opção por dívidas mais caras (cartão de crédito), vamos apresentar algumas dicas que possam contribuir para que os consumidores saiam do vermelho, e até mesmo criem mecanismos para evitar o endividamento:

01. O inadimplente não deve adquirir mais bens ou serviços, evite fazer novas dívidas;

02. Liquide dívidas que cobram taxas de juros muito elevadas (cartão de crédito, cheque especial etc), e não as mais caras ou com vencimento mais próximo;

03. Liquide a fatura do cartão de crédito mensalmente, use o débito automático. Mesmo com as mudanças realizadas pelo Banco Central em abr/17, quanto ao pagamento do rotativo do cartão de crédito, os juros cobrados continuam elevadíssimos;

04. Faça planejamento financeiro, elabore uma lista de prioridades, compre apenas o necessário e não esqueça que as despesas precisam estar de acordo com o orçamento. Fuja de   parcelamentos;

05. Pense nas despesas de início de ano, como matrícula de colégios, faculdades, material escolar dos filhos, IPTU, IPVA, seguros e outros;

06. Muitas famílias têm tirado os filhos das escolas particulares, logo, se puder mantê-los nesses colégios é a hora para negociar descontos, algumas escolas reduzem as mensalidades em até 50%;

07. Se a família estiver endividada transfira os filhos para uma escola pública;

08. Não antecipe a parcela do 13º junto a bancos, os juros cobrados continuam elevados. Caso precise de um empréstimo, compare antes o custo de antecipar o 13º com o de outras linhas de crédito como o consignado;

09. Se o dinheiro não está sendo suficiente para quitar as dívidas, negocie com a empresa uma antecipação de férias ou a venda de alguns dias de trabalho;

10. As compras natalinas devem ser observadas pelo ângulo da necessidade e não do desejo. Pergunte-se qual a necessidade de cada presente, pesquise, compre em com antecedência os presentes de Natal, busque alternativas mais baratas, seja criativo, faça amigo oculto;

11. Sempre na última sexta-feira de novembro temos o Black Friday, considerado o maior evento de e-commerce do Brasil. Pode ser um bom momento para adquirir bens ou serviços que estão no orçamento doméstico e principalmente para o Natal. Atenção com a maquiagem de preços, compras por internet e cuidado com o valor do frete, este, foi um grande vilão em anos anteriores;

12. Por último, guarde uma parcela da gratificação de Natal para reforçar a reserva financeira. No entanto, se estiver endividado a prioridade é a quitação de dívidas.

Portanto, quanto mais cedo começar a poupar e formar uma reserva financeira mais certeza terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro. Não espere chegar aos 50 ou 55 anos para iniciar uma poupança, o esforço será muito grande. Lembre-se que as regras de aposentadoria estão se alterando, e nem sempre nos satisfazem. Quanto mais cedo pensar em uma poupança para a aposentadoria, maior será a renda gerada por essa reserva financeira. Após décadas de trabalho, você merece a tão sonhada liberdade financeira, mas ela depende de atitudes que você adota ao longo de sua vida como nunca gastar mais do que ganha, ser parcimonioso e evitar gastos desnecessários no dia a dia.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SEM TRAJETÓRIA DEFINIDA
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101,2 pontos em out/17, representando elevação de 2,7% ante set/17, e queda de 3,1% na comparação anual. Por outro lado, o índice continua abaixo da média histórica de 108,3 pontos, que vem se repetindo nos últimos trinta e quatro meses.

De acordo com o relatório da CNI, o INEC vem alternando variações positivas e negativas nos últimos meses, sem trajetória definida. O crescimento observado em out/17 reverte parcialmente a queda registrada no mês anterior de 3,1%. A instabilidade mantém o INEC em patamar baixo. Apesar do incremento, o índice apresenta-se 6,6% abaixo de sua média histórica.

Dentre os componentes do INEC, a maioria apresenta variação positiva no período set-out/17. O destaque é para expectativa de desemprego, enquanto a vice-liderança está com expectativa de inflação. Os indicadores refletem um decréscimo do percentual de consumidores esperando elevação do desemprego e da inflação para os próximos meses.

Considerando os componentes do INEC, dois indicadores mostram queda na comparação mensal. O indicador de situação financeira apresenta o maior declínio, seguido por compras de bens de maior valor. Os indicadores mostram, respectivamente, a piora da situação financeira das famílias e a expectativa de declínio na demanda por produtos de maior valor.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta elevação de 7,3% em out/17 (108,4 pontos) na comparação mensal (a segunda maior alta entre os componentes do INEC), e decréscimo de 6,2% na comparação anual, quando atingiu 115,6 pontos em out/16;

(b) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta incremento de 11,5% em out/17 (117,9 pontos) ante o mês anterior, e alta de 1,5% na comparação anual. Segundo o relatório, o  índice reflete “uma redução do percentual de consumidores esperando aumento do desemprego”. O valor observado em out/17 é o maior desde out/14 (124,3 pontos);

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação positiva de 3,9% em out/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior, e caiu 5,3% frente a out/16. O valor observado em out/17 indica pequena melhora quanto à expectativa dos consumidores com relação a aumento da renda pessoal;

(d) Situação financeira: esse componente apresenta decréscimo de 2,1% em out/17 (85,7 pontos) ante set/17, e queda de 6,7% com relação a igual mês de 2016. O valor observado em out/17 foi o menor verificado nos últimos dezoito meses;

(e) Endividamento: o índice retrata elevação de 0,7% em out/17 (94,2 pontos) ante o mês anterior, e decréscimo de 4,3% na comparação anual, indicando que os consumidores esperam uma redução do endividamento nos próximos meses;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação negativa de 0,6% em out/17 (111,4 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 0,4% frente a out/16 (111 pontos). O indicador em outubro mostra a percepção de decréscimo na demanda por bens de maior valor, por parte dos consumidores.

Portanto, o comportamento do INEC tem revezado variações positivas com declínios nos últimos meses, o que impossibilita o estabelecimento de uma tendência. A manutenção do indicador nesse patamar deve-se em grande parte à instabilidade política e econômica presente nos últimos anos no Brasil.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

SESSENTA E UM MILHÕES DE INADIMPLENTES NO PAÍS!
Régis Varão/¹

A crise econômica que aflige o País é perceptível, não apenas pelo alto desemprego (ver estatísticas do IBGE), mas pelos indicadores divulgados pela Pesquisa  de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/CNC) que aponta 61,8% de endividamento e 26% de dívidas ou contas em atraso das famílias em out/17, e também pelos indicadores de inadimplência e cheques sem fundo analisados a seguir.

De acordo com a Serasa Experian, o número de consumidores inadimplentes no Brasil em out/16 atingiu o recorde de 61 milhões, 4,45% acima do observado em out/16 quando chegou a 58,4 milhões. O volume de recursos financeiros envolvido é muito elevado, pode ser considerado extravagante, e soma R$269,1 bilhões, segundo a Serasa “com média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$4.411,00 por pessoa”.

Segundo o relatório o aumento da inadimplência no mês de out/17 é reflexo da data Dia Das Crianças, pois, “normalmente em meses de datas comemorativas fortes, exceto Natal, porque tem o 13º salário, a inadimplência sobe. A maior concentração dos negativados tem entre 41 e 50 anos (19,6% do total). Em segundo no ranking de participação entre os inadimplentes estão os jovens de 18 a 25 anos, que respondem por 14,5% do total”, segundo os economistas da Serasa.

A pesquisa mostra que a região com maior percentual de inadimplentes em out/17 é a Sudeste com 44,8% do total, seguida pelo Nordeste com 25,5% e em terceiro lugar a região Sul com 12,7%.

A situação da inadimplência também pode ser vista no segmento das micro e pequenas empresas, como efeito da crise econômica por que passa o País nos últimos anos. Segundo a Serasa Experian, em ago/17, o total de 4,8 milhões de micro e pequenas empresas brasileiras estavam inadimplentes, 13,2% acima do verificado em ago/16. É a maior quantidade já observada desde mar/16, base da série, afirma o relatório.

Segundo os economistas da Serasa: “a perda do poder de compra do consumidor, decorrente do desemprego e da situação instável da economia, impactam fortemente as micro e pequenas empresas. As MPEs respondem por 27% do PIB”.

O recorde de inadimplência tem deixado intranquilo o setor. Continuam os economistas da Serasa, o caminho adequado para esses empresários passa obrigatoriamente pela renegociação das contas atrasadas e consequente reinserção no mercado de crédito.

Já com relação ao indicador cheque sem fundo, o percentual de devoluções pela segunda vez por insuficiência de fundos em set/17 foi de 1,78% em relação ao total de cheques compensados, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos. O percentual caiu em relação a set/16, quando verificou-se 2,19% de devoluções e é o menor já registrado neste ano. Para o mês de setembro, é o menor percentual desde 2010, quando o número foi 1,59%.

No período jan-set/17, o percentual de cheques devolvidos, em relação aos compensados, foi 2,03%, abaixo da devolução de 2,34% registrada no período jan-set/16. É o menor número para o período desde 2013, quando o percentual chegou a 2,02%. Em set/17, foram devolvidos 693,1 mil cheques e compensados cerca de 39 milhões, enquanto em set/16 foram devolvidos cerca de 1 milhão de cheques e compensados 48 milhões. No período jan-set/17, foram devolvidos 7,6 milhões de cheques e compensados 372,5 milhões.

Os economistas da Serasa Experian afirmam que: “a retomada do emprego formal juntamente com a recuperação da renda real dos consumidores, determinada pelas reduções da inflação e das taxas de juros, estão produzindo recuo na inadimplência com cheques”.

Portanto, embora o desemprego, o endividamento e a inadimplência estejam elevados, o aumento do emprego formal, a queda dos juros, a redução da inflação e a melhora das expectativas do mercado (Relatório Focus) podem impactar positivamente o desempenho dos principais indicadores macroeconômicos para os próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.