SESSENTA E
UM MILHÕES DE INADIMPLENTES NO PAÍS!
Régis
Varão/¹
A crise econômica
que aflige o País é perceptível, não apenas pelo alto desemprego (ver
estatísticas do IBGE),
mas pelos indicadores divulgados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(PEIC/CNC) que aponta 61,8% de endividamento e 26% de dívidas ou contas em atraso
das famílias em out/17, e também pelos indicadores de inadimplência e cheques
sem fundo analisados a seguir.
De acordo
com a Serasa
Experian, o número de consumidores inadimplentes no Brasil em out/16
atingiu o recorde de 61 milhões, 4,45% acima do observado em out/16 quando
chegou a 58,4 milhões. O volume de recursos financeiros envolvido é muito
elevado, pode ser considerado extravagante, e soma R$269,1 bilhões, segundo a
Serasa “com média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$4.411,00 por pessoa”.
Segundo o
relatório o aumento da inadimplência no mês de out/17 é reflexo da data Dia Das
Crianças, pois, “normalmente em meses de datas comemorativas fortes, exceto
Natal, porque tem o 13º salário, a inadimplência sobe. A maior
concentração dos negativados tem entre 41 e 50 anos (19,6% do total). Em
segundo no ranking de participação entre os inadimplentes estão os jovens de 18
a 25 anos, que respondem por 14,5% do total”, segundo os economistas da Serasa.
A pesquisa
mostra que a região com maior percentual de inadimplentes em out/17 é a Sudeste
com 44,8% do total, seguida pelo Nordeste com 25,5% e em terceiro lugar a
região Sul com 12,7%.
A situação
da inadimplência também pode ser vista no segmento das micro e pequenas
empresas, como efeito da crise econômica por que passa o País nos últimos anos.
Segundo a Serasa
Experian, em ago/17, o total de 4,8 milhões de micro e pequenas
empresas brasileiras estavam inadimplentes, 13,2% acima do verificado em
ago/16. É a maior quantidade já observada desde mar/16, base da série, afirma o
relatório.
Segundo os
economistas da Serasa: “a perda do poder de compra do consumidor, decorrente do
desemprego e da situação instável da economia, impactam fortemente as micro e
pequenas empresas. As MPEs respondem por 27% do PIB”.
O recorde de
inadimplência tem deixado intranquilo o setor. Continuam os economistas da
Serasa, o caminho adequado para esses empresários passa obrigatoriamente pela renegociação
das contas atrasadas e consequente reinserção no mercado de crédito.
Já com
relação ao indicador cheque sem fundo, o percentual de devoluções pela segunda
vez por insuficiência de fundos em set/17 foi de 1,78% em relação ao total de
cheques compensados, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques
Sem Fundos. O percentual caiu em relação a set/16, quando verificou-se
2,19% de devoluções e é o menor já registrado neste ano. Para o mês de
setembro, é o menor percentual desde 2010, quando o número foi 1,59%.
No período jan-set/17,
o percentual de cheques devolvidos, em relação aos compensados, foi 2,03%, abaixo
da devolução de 2,34% registrada no período jan-set/16. É o menor número para o
período desde 2013, quando o percentual chegou a 2,02%. Em set/17, foram
devolvidos 693,1 mil cheques e compensados cerca de 39 milhões, enquanto em
set/16 foram devolvidos cerca de 1 milhão de cheques e compensados 48 milhões. No
período jan-set/17, foram devolvidos 7,6 milhões de cheques e compensados 372,5
milhões.
Os
economistas da Serasa Experian afirmam que: “a retomada do emprego formal
juntamente com a recuperação da renda real dos consumidores, determinada pelas
reduções da inflação e das taxas de juros, estão produzindo recuo na
inadimplência com cheques”.
Portanto, embora o desemprego, o endividamento e a inadimplência estejam
elevados, o aumento do emprego formal, a queda dos juros, a redução da inflação
e a melhora das expectativas do mercado (Relatório Focus) podem impactar
positivamente o desempenho dos principais indicadores macroeconômicos para os próximos meses.
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