terça-feira, 14 de novembro de 2017

SESSENTA E UM MILHÕES DE INADIMPLENTES NO PAÍS!
Régis Varão/¹

A crise econômica que aflige o País é perceptível, não apenas pelo alto desemprego (ver estatísticas do IBGE), mas pelos indicadores divulgados pela Pesquisa  de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/CNC) que aponta 61,8% de endividamento e 26% de dívidas ou contas em atraso das famílias em out/17, e também pelos indicadores de inadimplência e cheques sem fundo analisados a seguir.

De acordo com a Serasa Experian, o número de consumidores inadimplentes no Brasil em out/16 atingiu o recorde de 61 milhões, 4,45% acima do observado em out/16 quando chegou a 58,4 milhões. O volume de recursos financeiros envolvido é muito elevado, pode ser considerado extravagante, e soma R$269,1 bilhões, segundo a Serasa “com média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$4.411,00 por pessoa”.

Segundo o relatório o aumento da inadimplência no mês de out/17 é reflexo da data Dia Das Crianças, pois, “normalmente em meses de datas comemorativas fortes, exceto Natal, porque tem o 13º salário, a inadimplência sobe. A maior concentração dos negativados tem entre 41 e 50 anos (19,6% do total). Em segundo no ranking de participação entre os inadimplentes estão os jovens de 18 a 25 anos, que respondem por 14,5% do total”, segundo os economistas da Serasa.

A pesquisa mostra que a região com maior percentual de inadimplentes em out/17 é a Sudeste com 44,8% do total, seguida pelo Nordeste com 25,5% e em terceiro lugar a região Sul com 12,7%.

A situação da inadimplência também pode ser vista no segmento das micro e pequenas empresas, como efeito da crise econômica por que passa o País nos últimos anos. Segundo a Serasa Experian, em ago/17, o total de 4,8 milhões de micro e pequenas empresas brasileiras estavam inadimplentes, 13,2% acima do verificado em ago/16. É a maior quantidade já observada desde mar/16, base da série, afirma o relatório.

Segundo os economistas da Serasa: “a perda do poder de compra do consumidor, decorrente do desemprego e da situação instável da economia, impactam fortemente as micro e pequenas empresas. As MPEs respondem por 27% do PIB”.

O recorde de inadimplência tem deixado intranquilo o setor. Continuam os economistas da Serasa, o caminho adequado para esses empresários passa obrigatoriamente pela renegociação das contas atrasadas e consequente reinserção no mercado de crédito.

Já com relação ao indicador cheque sem fundo, o percentual de devoluções pela segunda vez por insuficiência de fundos em set/17 foi de 1,78% em relação ao total de cheques compensados, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos. O percentual caiu em relação a set/16, quando verificou-se 2,19% de devoluções e é o menor já registrado neste ano. Para o mês de setembro, é o menor percentual desde 2010, quando o número foi 1,59%.

No período jan-set/17, o percentual de cheques devolvidos, em relação aos compensados, foi 2,03%, abaixo da devolução de 2,34% registrada no período jan-set/16. É o menor número para o período desde 2013, quando o percentual chegou a 2,02%. Em set/17, foram devolvidos 693,1 mil cheques e compensados cerca de 39 milhões, enquanto em set/16 foram devolvidos cerca de 1 milhão de cheques e compensados 48 milhões. No período jan-set/17, foram devolvidos 7,6 milhões de cheques e compensados 372,5 milhões.

Os economistas da Serasa Experian afirmam que: “a retomada do emprego formal juntamente com a recuperação da renda real dos consumidores, determinada pelas reduções da inflação e das taxas de juros, estão produzindo recuo na inadimplência com cheques”.

Portanto, embora o desemprego, o endividamento e a inadimplência estejam elevados, o aumento do emprego formal, a queda dos juros, a redução da inflação e a melhora das expectativas do mercado (Relatório Focus) podem impactar positivamente o desempenho dos principais indicadores macroeconômicos para os próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário