sexta-feira, 10 de novembro de 2017

ENDIVIDAMENTO ALTO E ESTÁVEL NO PERÍODO SET-OUT/17
Régis Varão/¹

O percentual de famílias endividadas apresentou pequena elevação em out/17 ante o mês anterior, e subiu frente a igual período de 2016. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso decresceu no período set-out/17, assim como o percentual dos que afirmaram não ter condições de pagar suas contas. Na comparação anual, houve elevação nos dois indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias que afirmaram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,8% em out/17, o que representa uma pequena elevação em relação aos 61,7% observados no mês anterior. Em relação a out/16, foi observado elevação, quando o indicador registrou 59,8% do total de famílias.

Embora o endividamento das famílias tenha ficado praticamente estável entre set/17 (61,7%) e out/17 (61,8%), o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso declinou 0,5 p.p. em out/17 (26%) na comparação mensal, enquanto na comparação anual cresceu 1,3 p.p. O percentual de famílias que afirmaram sem condições de pagar suas dívidas/contas em atraso e permaneceram inadimplentes apresentou redução na comparação mensal, chegando a 10,1% em out/17, ante 10,9% observado no mês anterior, o maior valor da série histórica, e 9,8% em outubro de 2016.

O crescimento do endividamento, na comparação mensal, foi verificada apenas na faixa de renda acima de dez salários mínimos (>10 SM). Na comparação anual, ambas as faixas de renda (<10 SM e >10 SM) apresentaram incremento. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas ficou estável em 63,2% em out/17, ante o mês anterior, e acima dos 61,4% de out/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas passou de 54,1% em set/17 para 54,6% no mês seguinte. Já em out/16, o total de famílias com dívidas nesse grupo de renda era 51,6%.

O percentual de famílias com dívidas/contas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os dois grupos de renda. Houve queda do indicador nas duas faixas de renda, na comparação mensal. Já na comparação anual, ocorreu incremento. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas/contas em atraso caiu de 29,5% em set/17 para 29,3% no mês seguinte. Em out/16, 28% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu 11,5% em out/17, ante 12,7% em set/17 e 10,6% em out/16.

Por faixa de renda, o percentual de famílias que afirmaram sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou igual comportamento entre os grupos pesquisados nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,7% em out/17, ante 5,3% em set/17 e 3,4% em out/16. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos recuou de 12%, em set/17, para 11,8% no mês seguinte, mas subiu 0,3 p.p. em relação a out/16.

O percentual de famílias que afirmaram estar muito endividadas diminuiu no período set-out/17, de 15% para 14,6% do total de famílias, enquanto na comparação anual, apresentou estabilidade. Na comparação entre out/16 e out/17, a proporção das famílias que se  declararam mais ou menos endividada subiu de 21,4% para 22,7%, e a parte pouco endividada passou de 23,8% para 24,5% do total de famílias.

Com relação ao tempo médio de atraso, entre as famílias endividadas ou com contas em atraso, foi 63,8 dias em out/17, enquanto em out/16 foi 62,9 dias. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as endividadas foi 7,2 meses, sendo que 23,7% estão comprometidas com dívidas até três meses, e 32,8%, por mais de doze meses. Entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu de 29,9% em out/16 para 30,8% em out/17, e 24% delas afirmaram que mais da metade de sua renda mensal está comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua como um dos principais tipos de dívida na preferência de 76,7% das famílias, seguido por carnês de loja com 16,7%, financiamento de carro (10,2%), crédito pessoal com 9,8%, financiamento de casa (7,8%), cheque especial com 6%, crédito consignado (5,8%) e cheque pré-datado com 1,2%. O percentual médio da participação do cartão de crédito por tipo de dívida no período jan-out/17 está em 76,7%, tendo registrado o menor valor em jan/10 (67,7%) e o pico em jan/16 ao atingir 78,6%, na preferência das famílias.

Para as famílias com renda <10 SM, cartão de crédito (77%), carnês de loja (18%), crédito pessoal (9,3%), financiamento de carro (8,1%) e financiamento de casa (6,1%) lideram a preferência das famílias nessa faixa de renda. Quanto às famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida apontados em out/17 são: cartão de crédito (75,2%), financiamento de carro (20,4%), financiamento de casa (15,5%), crédito pessoal (11,7%) e carnês de loja (10,6%).

O cartão de crédito lidera a preferência das famílias em ambas as faixas de renda, enquanto carnês de loja (18%) e crédito pessoal (9,3%) ficam em segunda e terceira posição para faixa de renda <10 SM. Já na faixa de renda >10 SM o financiamento de carro (20,4%) e financiamento de casa (15,5%) ficam em segundo e terceiro lugares.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas apresentou certa estabilidade no período set-out/17, embora tenha subido na comparação anual. Cabe observar que a ausência de educação financeira explica, em grande parte, a preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito em ambas as faixas de renda, uma modalidade em que são praticados os mais elevados juros do sistema financeiro nacional. A modalidade crédito consignado, com juros muito baixos quando comparado a outras linhas de crédito, não tem a preferência das famílias, que optam por opções que praticam juros mais elevados, caso do cartão de crédito. A escolha adequada do tipo de endividamento pode ajudar o indivíduo a chegar à prosperidade.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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