quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SEM TRAJETÓRIA DEFINIDA
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101,2 pontos em out/17, representando elevação de 2,7% ante set/17, e queda de 3,1% na comparação anual. Por outro lado, o índice continua abaixo da média histórica de 108,3 pontos, que vem se repetindo nos últimos trinta e quatro meses.

De acordo com o relatório da CNI, o INEC vem alternando variações positivas e negativas nos últimos meses, sem trajetória definida. O crescimento observado em out/17 reverte parcialmente a queda registrada no mês anterior de 3,1%. A instabilidade mantém o INEC em patamar baixo. Apesar do incremento, o índice apresenta-se 6,6% abaixo de sua média histórica.

Dentre os componentes do INEC, a maioria apresenta variação positiva no período set-out/17. O destaque é para expectativa de desemprego, enquanto a vice-liderança está com expectativa de inflação. Os indicadores refletem um decréscimo do percentual de consumidores esperando elevação do desemprego e da inflação para os próximos meses.

Considerando os componentes do INEC, dois indicadores mostram queda na comparação mensal. O indicador de situação financeira apresenta o maior declínio, seguido por compras de bens de maior valor. Os indicadores mostram, respectivamente, a piora da situação financeira das famílias e a expectativa de declínio na demanda por produtos de maior valor.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta elevação de 7,3% em out/17 (108,4 pontos) na comparação mensal (a segunda maior alta entre os componentes do INEC), e decréscimo de 6,2% na comparação anual, quando atingiu 115,6 pontos em out/16;

(b) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta incremento de 11,5% em out/17 (117,9 pontos) ante o mês anterior, e alta de 1,5% na comparação anual. Segundo o relatório, o  índice reflete “uma redução do percentual de consumidores esperando aumento do desemprego”. O valor observado em out/17 é o maior desde out/14 (124,3 pontos);

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação positiva de 3,9% em out/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior, e caiu 5,3% frente a out/16. O valor observado em out/17 indica pequena melhora quanto à expectativa dos consumidores com relação a aumento da renda pessoal;

(d) Situação financeira: esse componente apresenta decréscimo de 2,1% em out/17 (85,7 pontos) ante set/17, e queda de 6,7% com relação a igual mês de 2016. O valor observado em out/17 foi o menor verificado nos últimos dezoito meses;

(e) Endividamento: o índice retrata elevação de 0,7% em out/17 (94,2 pontos) ante o mês anterior, e decréscimo de 4,3% na comparação anual, indicando que os consumidores esperam uma redução do endividamento nos próximos meses;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação negativa de 0,6% em out/17 (111,4 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 0,4% frente a out/16 (111 pontos). O indicador em outubro mostra a percepção de decréscimo na demanda por bens de maior valor, por parte dos consumidores.

Portanto, o comportamento do INEC tem revezado variações positivas com declínios nos últimos meses, o que impossibilita o estabelecimento de uma tendência. A manutenção do indicador nesse patamar deve-se em grande parte à instabilidade política e econômica presente nos últimos anos no Brasil.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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