CONFIANÇA
DO CONSUMIDOR SEM TRAJETÓRIA DEFINIDA
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC)
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101,2 pontos em out/17, representando
elevação de 2,7% ante set/17, e queda de 3,1% na comparação anual. Por outro
lado, o índice continua abaixo da média histórica de 108,3 pontos, que vem se
repetindo nos últimos trinta e quatro meses.
De
acordo com o relatório da CNI, o INEC vem alternando variações positivas e
negativas nos últimos meses, sem trajetória definida. O crescimento observado
em out/17 reverte parcialmente a queda registrada no mês anterior de 3,1%. A
instabilidade mantém o INEC em patamar baixo. Apesar do incremento, o índice apresenta-se
6,6% abaixo de sua média histórica.
Dentre
os componentes do INEC,
a maioria apresenta variação positiva no período set-out/17. O destaque é para expectativa
de desemprego, enquanto a vice-liderança está com expectativa de inflação. Os indicadores
refletem um decréscimo do percentual de consumidores esperando elevação do
desemprego e da inflação para os próximos meses.
Considerando
os componentes do INEC, dois indicadores mostram queda na comparação mensal. O indicador
de situação financeira apresenta o maior declínio, seguido por compras de bens
de maior valor. Os indicadores mostram, respectivamente, a piora da situação
financeira das famílias e a expectativa de declínio na demanda por produtos de
maior valor.
(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta
elevação de 7,3% em out/17 (108,4 pontos) na comparação mensal (a segunda maior
alta entre os componentes do INEC), e decréscimo de 6,2% na comparação anual,
quando atingiu 115,6 pontos em out/16;
(b) Expectativa de desemprego: a
expectativa de desemprego apresenta incremento de 11,5% em out/17 (117,9
pontos) ante o mês anterior, e alta de 1,5% na comparação anual. Segundo o
relatório, o índice reflete “uma redução
do percentual de consumidores esperando aumento do desemprego”. O valor
observado em out/17 é o maior desde out/14 (124,3 pontos);
(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice
registra variação positiva de 3,9% em out/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior,
e caiu 5,3% frente a out/16. O valor observado em out/17 indica pequena melhora
quanto à expectativa dos consumidores com relação a aumento da renda pessoal;
(d) Situação financeira: esse componente apresenta
decréscimo de 2,1% em out/17 (85,7 pontos) ante set/17, e queda de 6,7% com relação
a igual mês de 2016. O valor observado em out/17 foi o menor verificado nos
últimos dezoito meses;
(e) Endividamento: o índice retrata elevação
de 0,7% em out/17 (94,2 pontos) ante o mês anterior, e decréscimo de 4,3% na
comparação anual, indicando que os consumidores esperam uma redução do
endividamento nos próximos meses;
(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação
negativa de 0,6% em out/17 (111,4 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento
de 0,4% frente a out/16 (111 pontos). O indicador em outubro mostra a percepção
de decréscimo na demanda por bens de maior valor, por parte dos consumidores.
Portanto,
o comportamento do INEC
tem revezado variações positivas com declínios nos últimos meses, o que impossibilita
o estabelecimento de uma tendência. A manutenção do indicador nesse patamar
deve-se em grande parte à instabilidade política e econômica presente nos
últimos anos no Brasil.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e
conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também
bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos.
Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco
Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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