FALTA
EDUCAÇÃO FINANCEIRA AO BRASILEIRO
Régis
Varão/¹
O
nível de endividamento das famílias brasileiras passou de 59,8% em out/16 para 61,8%
em out/17, enquanto as famílias com dívidas ou contas em atraso saiu de 24,7%
para 26%, na mesma base de comparação. Esses dados são da última Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de out/17, da Confederação Nacional do Comércio
(CNC).
A
preferência das famílias endividadas está distribuída da seguinte maneira: a
liderança é do cartão de crédito com 76,7%, seguido de carnês de lojas (16,7%),
financiamento de carro (10,2%), crédito pessoal (9,8%), financiamento de casa (7,8%),
cheque especial (6%) e crédito
consignado com 5,2%, segundo a PEIC.
O
número de consumidores inadimplentes no Brasil em out/16 atingiu o recorde de
61 milhões, 4,45% acima do observado no mesmo período de 2016 quando estava em 58,4
milhões. O volume financeiro envolvido totaliza R$269,1 bilhões, de acordo com
a Serasa
Experian. A pesquisa mostra que a região com maior percentual de inadimplentes em
out/17 é a Sudeste com 44,8% do total, seguida pelo Nordeste (25,5%) e em
terceiro lugar a região Sul (12,7%). Ainda segundo a Serasa
Experian, o segmento de micro e
pequenas empresas contabilizava 4,8 milhões de inadimplentes em ago/17, 13,2%
acima de igual período de 2016.
A
seguir, algumas informações a respeito do comportamento do brasileiro no
quesito educação financeira:
(a) De acordo com a Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de Capitais-ANBIMA,
de 9.11.17, em todo o País, menos de um quarto da população economicamente
ativa (23,8%) afirma fazer algum tipo de investimentos, e entre o público que
se declara investidor, a maioria está na classe A (42%), com a classe C na
ponta oposta com 18%. Segundo a
pesquisa, 13,84% conhece, mas não faz nenhum tipo de investimento, enquanto
62,34% não conhece nenhum tipo de investimento.
Segundo
Aquiles Mosca da ANBIMA, “Os brasileiros ainda têm pouca consciência de seu
protagonismo em relação às próprias finanças. O hábito de priorizar o consumo,
ao invés de poupar, é uma questão cultural por aqui”. Continua, “Na América
Latina, somos o país com a menor taxa de poupança, atrás até de nações cuja
renda per capta é menor". O percentual da população que já começou a
investir, a caderneta de poupança lidera com 16,41%, os fundos de investimentos
(renda fixa) vêm em segundo lugar com 2%, seguido por plano de previdência
privada (1,85%), compra e venda de imóveis (1,45%), títulos públicos (tesouro
direto) com 1,39% e os fundos como ativos de renda variável (ações e
multimercados) com 1,24%.
(b)
A pesquisa Brasil
Econômico, de 30.1.17, “mostra que
58% dos poupadores não sabem quais os investimentos com as melhores taxas de
retorno - percentual que aumenta para 66% entre as mulheres e 63% entre os
pertencentes às classes C, D e E. Em contrapartida, 42% garantem saber os
rendimentos de suas aplicações”. A caderneta de poupança, “mesmo sendo a aplicação menos indicada e
rentável, é a com maior procura entre os brasileiros tendo sido citada na
pesquisa por 61% dos respondentes. O tempo médio que o brasileiro deixa o
dinheiro na poupança é de três anos tendo como valor médio acumulado no período
de R$ 2.152. Para 38% dos que investem na poupança, a escolha desse
investimento deve-se ao fato da flexibilidade para o uso do dinheiro guardado
quando necessário”.
(c)
Segundo a publicação Você S/A, Especial Previdência, de ago/14, 54% dos
pesquisados não pouparam nenhum centavo no mês anterior; 51% dos que têm conta
em banco estão com o saldo zero ou no vermelho; 82% não sabem ao certo quanto
ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das contas mensais; 28% atrasam
as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum tipo de dívida no momento; 52%
não sabem calcular juros; 69% financiam compras pensando no valor da parcela, e
não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% das
pessoas pesquisadas admitem comprar por impulso;
As
informações acima são motivos de preocupação tendo em vista o desconhecimento
das famílias a respeito de educação financeira, o que observamos pelas
estatísticas mostrando o elevado percentual de pessoas que não faz poupança,
atrasam contas, não sabem calcular juros, miram no valor da parcela e não se
preocupam com o consumo consciente. Essa desinformação pode, a longo prazo,
contribuir para elevar o endividamento, o que vem acontecendo, contribuindo
para reduzir a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da
saúde pública para atender os problemas decorrentes desses descontroles
financeiros.
Considerando
o elevado nível de inadimplência, o crescente endividamento das famílias e a opção
por dívidas mais caras (cartão de crédito), vamos apresentar algumas dicas que
possam contribuir para que os consumidores saiam do vermelho, e até mesmo criem
mecanismos para evitar o endividamento:
01. O inadimplente não deve adquirir mais bens ou
serviços, evite fazer novas dívidas;
02. Liquide dívidas que cobram taxas de juros
muito elevadas (cartão de crédito, cheque especial etc), e não as mais caras ou
com vencimento mais próximo;
03. Liquide a fatura do cartão de crédito mensalmente, use o débito automático. Mesmo com
as mudanças realizadas pelo Banco Central em abr/17, quanto ao pagamento do rotativo
do cartão de crédito, os juros cobrados continuam elevadíssimos;
04. Faça planejamento financeiro, elabore uma lista
de prioridades, compre apenas o necessário e não esqueça que as despesas
precisam estar de acordo com o orçamento. Fuja de parcelamentos;
05. Pense nas despesas de início de ano, como
matrícula de colégios, faculdades, material escolar dos filhos, IPTU, IPVA,
seguros e outros;
06. Muitas famílias têm tirado os filhos das
escolas particulares, logo, se puder mantê-los nesses colégios é a hora para
negociar descontos, algumas escolas reduzem as mensalidades em até 50%;
07. Se a família estiver endividada transfira os
filhos para uma escola pública;
08. Não antecipe a parcela do 13º junto a bancos,
os juros cobrados continuam elevados. Caso precise de um empréstimo, compare
antes o custo de antecipar o 13º com o de outras linhas de crédito como o consignado;
09. Se o dinheiro não está sendo suficiente para
quitar as dívidas, negocie com a empresa uma antecipação de férias ou a venda
de alguns dias de trabalho;
10. As compras natalinas devem ser observadas
pelo ângulo da necessidade e não do desejo. Pergunte-se qual a necessidade de
cada presente, pesquise, compre em com antecedência os presentes de Natal, busque
alternativas mais baratas, seja criativo, faça amigo oculto;
11. Sempre na última sexta-feira de novembro temos
o Black
Friday, considerado o maior evento de e-commerce do Brasil. Pode
ser um bom momento para adquirir bens ou serviços que estão no orçamento
doméstico e principalmente para o Natal. Atenção com a maquiagem de preços, compras
por internet e cuidado com o valor do frete, este, foi um grande vilão em anos
anteriores;
12. Por último, guarde uma parcela da
gratificação de Natal para reforçar a reserva financeira. No entanto, se
estiver endividado a prioridade é a quitação de dívidas.
Portanto,
quanto mais cedo começar a poupar e formar uma reserva financeira mais certeza
terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de
começar a pensar no futuro. Não espere chegar aos 50 ou 55 anos para iniciar uma
poupança, o esforço será muito grande. Lembre-se que as regras de aposentadoria
estão se alterando, e nem sempre nos satisfazem. Quanto mais cedo pensar em uma
poupança para a aposentadoria, maior será a renda gerada por essa reserva financeira.
Após décadas de trabalho, você merece a tão sonhada liberdade financeira, mas
ela depende de atitudes que você adota ao longo de sua vida como nunca gastar
mais do que ganha, ser parcimonioso e evitar gastos desnecessários no dia a dia.
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