segunda-feira, 21 de julho de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas em 20.7.14 na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB), mostraram um cenário de estabilidade quando comparadas aos dados divulgados na semana anterior, mas desanimador quando comparadas às projeções divulgadas há doze meses, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim Focus de 18.7.14 a expectativa de crescimento do IPCA para 2014 indica elevação de 6,44% e 6,12% para 2015, com queda de 0,32 p.p. no período, enquanto no Focus de 11.7.14 o índice cai de 6,48% em 2014 para 6,10% em 2015, queda de 0,38 p.p. em doze meses. Já o Focus de 19.7.13 indica um IPCA de 5,87% para 2014, ante alta de 0,57 p.p. para o mesmo período no boletim desta semana;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no boletim de 18.7.14, a projeção de crescimento sobe de 4,49% em 2014 para 5,50% em 2015, crescimento de 1,01 p.p. no período, enquanto o Focus de 11.7.14 indica crescimento de 5,04 para este ano e 5,50% para 2015, uma variação de +0,46 p.p. O boletim de 19.7.13 aponta um IGP-DI de 5,50% para este ano, ante +4,49% observado no Focus de 18.7.14;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no Focus de 18.7.14 a expectativa para o indicador, no final de 2014 está em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50 para 2015, enquanto no boletim de 11.7.14 passa de R$/U$2,39 no final de 2014 para R$/U$2,50 no ano seguinte. O relatório de 19.7.13 indica uma taxa de câmbio de R$/U$2,30 para o final de 2014, ante R$/U$2,35 para aquele ano no boletim desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o Focus de 18.7.14 para o final de 2014 está em 11% a.a. e 12% no final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta os mesmos valores para os dois períodos. Já o boletim de 19.7.13 aponta para uma taxa de 9,38% a.a. para 2014, ante incremento de 11% para este ano no último relatório;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): no Focus desta semana a projeção para o crescimento do PIB continua se deteriorando para 2014 ao indicar elevação de 0,97% e alta de 1,50% para 2015, enquanto no boletim de 11.7.14 a expectativa de crescimento está em 1,05% para 2014, mantendo-se estável para o próximo ano. O Focus de 19.7.13 projeta crescimento de 2,60% para 2014, enquanto o relatório de 18.7.14 indica por sua vez, que o crescimento do PIB foi ajustado para baixo (+0,97%) para 2014, reforçando a expectativa de forte retração na atividade econômica no ano;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim Focus de 18.7.14 aponta para superávit de U$2 bilhões em 2014 e U$9,80 bi em 2015, enquanto o de 11.7.14 aponta para U$ 2,01 bilhões neste ano, e U$9,40 bilhões em 2015. O boletim de 19.7.13 indica superávit de U$8 bi em 2014, declinando no boletim de 18.7.14 para U$2 bilhões em 2014, registrando forte retração;

Portanto, com relação às variáveis macroeconômicas analisadas, as projeções das últimas duas semanas apresentaram comportamento estável. No entanto, houve piora na percepção do mercado quanto ao comportamento futuro desses indicadores, mais especificamente quanto aos indicadores de PIB, taxa de juros, inflação do consumidor e balança comercial, ao mesmo tempo que o fator eleições contribui para dificultar a adoção de medidas por parte do governo para tentar resgatar a economia desse desânimo generalizado.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO - MAI0 DE 2014
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitam acompanhar o desempenho do comércio varejista e seus principais segmentos. A pesquisa trabalha com uma amostra de 5.700 empresas que têm 20 ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades. As séries são ajustadas sazonalmente e consideram o efeito calendário, feriados de carnaval, páscoa e corpus christi além da identificação de outliers.

A PMC abrange dez grupos de atividades, sendo que oito têm receitas geradas basicamente na atividade de varejo, e as duas restantes (Veículos e motocicletas, partes e peças e Material de construção), abrangem atividades do varejo e atacado.

Em maio deste ano, o comércio varejista brasileiro registrou variações de +0,5% ante abr/14, com ajuste sazonal, para o volume de vendas e cresceu 1% para a receita nominal. Quanto à mai/13, os crescimentos foram de 4,8% para as vendas e 11,4% na receita nominal, enquanto no acumulado jan-mai/14 e dos últimos 12 meses, as taxas ficaram em 5,0% e 4,9% para as vendas, e em 11,2% e 11,7% para a receita nominal, respectivamente.

O Comércio Varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, apresentou variação negativa em mai/14 para o volume de vendas (-0,3%) e crescimento para a receita nominal (+0,4%). Em relação à mai/14 houve acréscimo de 0,9% para as vendas e 7% na receita nominal. No ano e nos últimos 12 meses, os incrementos foram de 1,4% e 2,2%, para o volume de vendas, e de 6,9% e 7,8% para a receita nominal, respectivamente.

Em mai/14, oito das dez atividades pesquisadas apresentaram variações positivas para as vendas, na relação com o mês anterior com ajuste sazonal. O segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação registrou elevação de 2,4%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%); Livros, jornais, revistas e papelaria (1,9%); Móveis e eletrodomésticos (1,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%); Tecidos, vestuário e calçados (0,5%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,1%); Combustíveis e lubrificantes (0,1%); Material de construção (-0,3%); e Veículos e motos, partes e peças com -1,09%.

Na comparação de mai/14 ante mai/13, seis das oito atividades do varejo apresentaram aumento nas vendas, segundo a relação: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo subiu 3,1%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico 12,4%; Móveis e eletrodomésticos 8,3%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos 10%; Combustíveis e lubrificantes 1,9%; e Tecidos, vestuário e calçados 1,9%. Os decréscimos foram para Livros, jornais, revistas e papelaria com -3,2%; e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação com -2,8%.

Comparando mai/14 a igual período de 2013, todas as Unidades da Federação apresentaram desempenho positivo, sendo que as principais elevações ficaram com os estados do Acre (16,5%); Tocantins (14,4%); Rondônia (14,1%); Amapá (10,1%) e Ceará (9,3%). Considerando os pesos dos estados e suas taxas, temos: São Paulo (3,4%); Rio de Janeiro (5,2%); Rio Grande do Sul (5,7%); Bahia (7,9%) e Minas Gerais com 3,7%.

No Varejo Ampliado (dez grupos), no volume de vendas, vinte e cinco das vinte e sete Unidades da Federação apresentaram incrementos, segundo a ordem: Acre (15,8%); Rondônia (14,8%); Paraíba (14,3%); Tocantins (10,5%) e Amazonas (9,3%), e os estados de São Paulo (-4,0%) e Paraná (-2,3%) registraram declínio.

Portanto, embora tenha havido elevação generalizada do varejo restrito, vale registrar que parte do desempenho mais forte em abr/14 é devido à base de comparação mais elevada, já que a Páscoa ocorreu em abr/14 e em mar/13. O desempenho do varejo nos primeiros cinco meses deste ano apresenta pequeno declínio quando comparado a igual período do ano anterior, o que pode, no médio prazo afetar a empregabilidade no setor, com reflexos negativos na economia como um todo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JULHO/14
Consultor Régis Varão/¹

O endividamento das famílias brasileiras continua elevado, e apesar de apresentar crescimento em jul/14, ante o mês anterior, mantém-se abaixo do registrado em jun/13, devido, em parte, a uma postura de maior cautela das famílias quanto ao endividamento, segundo informa a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A PEIC de julho, informa que o percentual de famílias endividadas atingiu 63% em jul/14, ante 62,5% no mês anterior, próximo ao registrado em mai/14 (62,7%), mas distante do observado em jul/13 (65,2%). Embora tenha apresentado incremento de 0,5 p.p. entre jun/14 e jul/14, o nível de endividamento das famílias manteve-se em patamar elevado, acima de 62%.

Com relação à proporção de famílias endividadas, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso declinou para 18,9% em jul/14, de 19,8% observado em jun/14, e de 22,4% em jul/13. Embora com declínio de 0,9 p.p. entre junho e jul/14, um percentual próximo de 20% é relativamente elevado, explicado possivelmente pelo pouco conhecimento das famílias no que ser refere a pagamentos de juros, multas e outros, pagos sobre os saldos de dívidas não quitadas. A pesquisa aponta que o percentual de famílias que declararam que não terão condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que permaneceram inadimplentes apresentou estabilidade na comparação mensal e reduziu-se na relação anual, atingindo 6,6% em jul/14, ante 6,6% em jun/14 e 7,4% em julho do ano anterior.

Com relação a análise por faixa de renda do percentual das famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso, os dados da PEIC apresentaram comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda mais elevada, acima de 10 salários mínimos (SM), o indicador atingiu 2,7% em jul/14, ante 2,3% em jun/14 e 1,8% em jul/13. Para o de renda mais baixa, até 10 SM, o percentual dessas famílias manteve-se praticamente estável ao recuar de 7,8% em jun/14 para 7,6% em jul/14.

O número de famílias que se declararam muito endividadas manteve-se estável em 11,9% entre junho e jul/14, mas abaixo do observado em jul/13 (13,3%). O percentual de famílias que se declararam mais ou menos endividadas subiu para 24,5% em jul/14, de 23,4% do mês anterior, e igual ao observado em jul/13 (24,5%). A proporção de famílias que se declararam pouco endividada caiu para 26,6% em jul/14, ante 27,3% verificado em jun/14, e manteve-se estável em 27,3% em jul/13.

O cartão de crédito continua liderando por tipo de dívida, se posicionado como um dos principais fatores de endividamento das famílias, atingindo 76,6% das famílias em jul/14, ante 76,1% observado no mês anterior, mantendo-se há alguns meses nesse patamar. Para famílias com renda até 10 SM, o percentual sobe para 77,7% em jul/14, e para as de renda acima de 10 SM atinge 71,7% naquele mês, que é percentual elevado para qualquer nível de renda.

O endividamento com cartão de crédito tem custo elevado, comprometendo a qualidade de vida das famílias, pois os encargos cobrados por atraso devido ao pagamento mínimo da fatura levam a cobranças de juros de dois dígitos mensais, ultrapassando com folga três dígitos ao ano.

Os carnês, o segundo principal tipo de dívida, apresentaram estabilidade no período jun-jul/14, atingindo 16,3% em jul/14, ante 16,4% em jun/14. Em julho, nas famílias com renda até 10 SM, as dívidas com carnês participam com 17,3%, enquanto acima de 10 SM atingem 11,7%, o que pode retratar a preferência das famílias de menor padrão de renda por essa modalidade de endividamento.

No terceiro tipo de dívida está o financiamento de carro com 13,2% em jul/14, frente a 13,4% verificado no mês anterior. Nessa modalidade, para as famílias com mais de 10 SM o percentual atinge 26,8% em jul/14, enquanto para famílias até 10 SM chega a 10,3%.

O crédito pessoal é o quarto colocado por tipo de dívida, mantendo-se estável em junho e jul/14 com 9,8%, respectivamente. Na sequência, temos o Financiamento de casa com 7,6% em jul/14, ante 7,7% observado no mês anterior, contribuindo para a manutenção nesse patamar os estímulos governamentais dados ao segmento. Em sexto lugar, e não menos importante, o cheque especial que atinge 5,3% em jul/14, frente a 5,2% registrado no mês anterior.

Dos seis mais importantes tipos de dívida apresentados na PEIC, considerando o período jun-jul/14, o cartão de crédito além de liderar por tipo de endividamento ainda apresentou elevação de 0,5 p.p. no período, atingindo 76,6% em jul/14, carnês apresentou declínio (-0,1 p.p.), financiamento de carro (-0,2 p.p.), crédito pessoal mante-se estável com 9,8% e financiamento de casa (-0,1 p.p.) e cheque especial subiu 0,1 p.p.

O endividamento das famílias está diretamente associado aos poucos conhecimentos de educação financeira, podendo ser trabalhado se houver engajamento do setor público nos três níveis - federal, estadual e municipal - e de empresas públicas e privadas com campanhas educativas tratando do assunto.

Todos ganham com uma sociedade consciente de seus direitos e deveres, e o conhecimento das ferramentas de educação financeira contribui diretamente para elevar a produtividade dos trabalhadores dos diversos setores da economia e também dos lucros corporativos.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar http://www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014
Consultor Régis Varão/¹

O resultado das projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgado em 14.7.14 na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB), e realizada com cerca de 100 instituições entre bancos e consultorias, mostra um cenário desanimador quando comparadas com as expectativas divulgadas em 12.7.13, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim Focus de 12.7.13 a expectativa de crescimento do IPCA para 2014 indica elevação de 5,90%, enquanto no Focus de 11.7.14 o índice sobe para 6,48%, caindo para 6,10% em 2015, registrando elevação de 0,58 p.p. para 2014 em doze meses;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no boletim de 12.7.13, a expectativa de crescimento para 2014 indica 5,50%, e em 11.7.14 cai para 5,04% em 2014 e sobe para 5,50% no ano seguinte;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no Focus de 12.7.13 a expectativa para a taxa de câmbio, no final de 2014 está em R$/U$2,30, e segundo o boletim de 11.7.14 sobe para R$/U$2,39 para o final de 2014, e R$/U$2,50 para o final do próximo ano;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a expectativa para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o Focus de 12.7.13 para 2014 está em 9,50% a.a., enquanto o boletim de 11.7.14 indica 11% a.a. para o final de 2014, e 12% a.a. para o final de 2015;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): no Focus de 12.7.13 a expectativa de crescimento do PIB para 2014 aponta 2,80%, e no boletim de 11.7.14 a expectativa de crescimento cai para 1,05% em 2014 e atinge 1,50% no ano seguinte;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim Focus de 12.7.13 aponta para superávit de U$6 bilhões em 2014, enquanto o Focus de 11.7.14 aponta para U$ 2,01 bilhões neste ano, e sobe para U$9,40 bilhões em 2015.

Com relação a algumas das variáveis macroeconômicas analisadas semanalmente na pesquisa do boletim Focus, do BCB, nos últimos doze meses houve piora significativa dos indicadores de PIB, taxa de juros, inflação do consumidor, balança comercial, e em menor grau da taxa de câmbio.

Portanto um cenário pouco animador sob alguns aspectos, mas não desesperador, desde que o governo adote medidas para tentar resolver esses problemas, e evite dentro do possível adotar medidas para resolver problemas setoriais.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

domingo, 6 de julho de 2014

IMÓVEIS PARA MORAR OU INVESTIR !
Consultor Régis Varão/¹

Todo investimento tem um fator de risco quanto ao resultado futuro, porém, sempre há incerteza quanto ao retorno esperado, o que pode levar o investidor a perder dinheiro. Cada indivíduo tem seu nível de risco, isto é, se sente mais confortável, por exemplo, quando investe seu dinheiro em renda fixa, em imóveis e outros, o mercado o chama de conservador, mas neste perfil se encontra a maioria dos brasileiros.

A casa própria é considerada o grande sonho da maioria da população, mas às vezes a realização desse sonho quando não planejado adequadamente, pode se transformar em problema, afetando o equilíbrio financeiro e emocional dos envolvidos. O desejo da casa própria é tão emblemático, que Theodore Roosevelt afirmou: “Todo homem que investe em um imóvel bem selecionado, em uma comunidade próspera, adota o método mais seguro de se tornar independente. Imóvel é a base da riqueza.” Nem todos concordam com essa afirmação, embora muitos acreditem nela.

O mercado imobiliário brasileiro apresentou ritmo elevado de crescimento até há pouco tempo, quando pressionado pelo aumento de renda da população, por programas governamentais de incentivo à construção e maior oferta de crédito. No entanto, a atual conjuntura econômica com aumento da taxa de juros e inflação em alta, tem levado as famílias a postergarem o sonho da casa própria.

Por outro lado, existe um déficit habitacional, decorrente de baixas taxas de crescimento da economia ao longo de décadas, o que indica a necessidade de reposição de imóveis não apenas para atender uma demanda potencial decorrente do crescimento da população, mas também pelo aumento populacional observado nas médias e grandes cidades.

Embora a taxa de crescimento da população brasileira tenha passando de 2,3% em 1980, para 1,7% em 1990, caindo para 1,4% em 2000, e mantendo-se inalterada em 0,9% entre 2008 e 2012, indicando redução no ritmo de crescimento da população, persiste um déficit habitacional elevado.

O livro Investir em Imóveis afirma que em 1990, cerca de 75% dos brasileiros viviam em áreas urbanas, enquanto o censo de 2010 do IBGE, indica que a população urbana passou de 81% em 2000 para 84% em 2010, elevando esse percentual nas próxima década, o que agravará mais o problema da falta de moradia nas médias e grandes cidades.

Mesmo crescendo a taxas menores não podemos desconsiderar que, em seis anos a população atingirá mais de 210 milhões de habitantes, podendo atingir mais de 220 milhões em 2020, e a demanda por novos imóveis que já é grande ficará maior. Segundo o livro Investir em Imóveis, 20% dos brasileiros residem em domicílios improvisados, como favelas, cortiços, e coabitam numa mesma residência com outras famílias. No entanto, para que as pessoas nessas localidades tenham condições de pressionar efetivamente a demanda por imóveis, elas necessitam de renda e estrutura de financiamento, o que passa obrigatoriamente por maior eficácia na política habitacional. O livro afirma: “Em termos absolutos, a carência de moradias assume maior dimensão nos dois principais centros urbanos do país, São Paulo e Rio de Janeiro, seguidos pelos estados do Maranhão, Minas Gerais, Bahia e Pará.”

Grande parte da população sonha com a casa própria, o desejo de sair da casa dos pais, deixar de dividir a casa com parentes, amigos, colegas e, principalmente não pagar aluguel. Para o sonho se tornar realidade devemos considerar os fatores: planejamento financeiro, poupança para a aquisição do imóvel; e paciência para formar essa poupança, o que evita contrair empréstimos.

É relevante considerar informações a respeito da variação do preço médio do metro quadrado de imóveis na região em que o comprador deseja morar ou investir, tendo em vista que nos últimos doze meses, finalizado em maio, o metro quadrado dos imóveis no País apresentou desaceleração. Ao escolher o imóvel avalie o potencial de valorização do m² da região que você pretende comprar, tendo em vista que o preço médio do metro quadrado dos imóveis tem aumentado menos que o aumento do nível de preços.

Especificamente em Brasília, temos casos que confirmam essa grande variação de preços, levando a perdas. O Setor Noroeste quando lançado há alguns anos o preço médio do metro quadrado em alguns casos foi negociado próximo a R$ 13 mil, e hoje pode ser adquirido com até 30% de desconto, sem considerar os problemas de infraestrutura. Um exercício: o potencial de valorização de um imóvel com m² entre R$10 mil e R$13 mil, no médio prazo, é próximo de zero, enquanto o potencial de valorização de um imóvel com m² entre R$5 mil e R$6 mil, pode chegar a R$6,5 mil e R$7 mil, respectivamente, no médio prazo.

Cabe observar que a aquisição de imóveis pode ter duas destinações, para moradia pessoal/família ou como investimento. É comum em grandes centros urbanos, pessoas comprarem inicialmente um imóvel como investimento, mesmo morando de aluguel, mas visando usá-lo no futuro como entrada na casa própria ou até mesmo para servir de permuta por um imóvel que seja adequado para morar ou investir, nesse caso um bom planejamento financeiro pode ajudar.

Alguns tipos mais comuns de imóveis e principais características:

(a) Apartamentos: quem pretende comprar esse tipo de imóvel, visando renda, deve optar por unidades menores, considerando que o retorno do aluguel deve ficar próximo a 1% do valor do bem, um percentual aceitável pelo mercado. Por oportuno, cabe ressaltar que imóveis com valores acima de R$ 700 mil/R$ 1 milhão, o retorno do aluguel tende a ficar entre 0,3% e 0,5%, assim mesmo dependendo da localização, da infraestrutura de transporte público, hospitais, supermercados etc. Se no entanto, o destino do imóvel é para uso próprio, outros fatores devem ser considerados, inclusive uma boa pesquisa junto ao sistema bancário, comparando as taxas de juros cobradas para o financiamento, taxas de abertura de conta/cadastro, que tendem a variar muito entre as instituições;

(b) Casas: parte substancial das famílias procura esse tipo de imóvel, e nos últimos anos por questões de segurança preferem condomínios fechados, o que eleva o valor das unidades. O potencial de valorização é mais elevado que casas em ruas movimentadas de grandes centros urbanos, embora deva observar que condomínios com poucas casas elevam o custo de manutenção mensal, muitas vezes se transformando em dor de cabeça. As pessoas têm o desejo de morar em casas pois pensam em quintal, jardim, piscina, churrasqueira, além de desejarem liberdade e privacidade, embora a manutenção desse tipo de imóvel seja superior a de um apartamento;

(c) Terrenos: muitos comprar terrenos em condomínios fechados e próximos dos grandes centros urbanos, para depois construírem suas casas. Em cidades acima de 100 mil habitantes, é possível obter boa rentabilidade com terrenos localizados em bairros que estejam se expandindo, podendo, no médio ou longo prazos, serem negociados com incorporadoras para construção de prédios ou até permutá-los por unidades a serem construídas;

(d) Imóveis na planta: geralmente esse tipo de imóvel possui melhor condição de investimento e potencial de valorização entre a compra e o recebimento, além da facilidade de pagamento, com prazos mais elásticos, não precisando por esse motivo de entradas elevadas. Por outro lado compensa a aquisição na planta se houver pelo menos entre dois e três anos entre a assinatura do contrato de compra e o recebimento do imóvel;

(e) Flats: são apartamentos com serviços de hotelaria, lavanderia, camareiras, recepção, manobristas e outros benefícios, e que se submetem a um sistema de locação do edifício ou locação direta com o proprietário. Normalmente esse tipo de imóvel é destinado a um público em trânsito na cidade, em férias, em negócios e mesmo divorciados e solteiros convictos;

(f) Salas comerciais: quando de pequeno tamanho (entre 30 m² e 35 m²) e boa localização se transformam em bons negócios, pois há cada vez mais pessoas abrindo seu próprio negócio, conforme atesta o Sebrae. Esse tipo de imóvel próximo a centros comerciais, lojas varejistas, estação de metrô, supermercados, farmácias e hospitais são mais procuradas, portanto são mais valorizadas.

Os imóveis acima listados não esgotam o universo de tipos existentes, mas mostram algumas características dos mais conhecidos.

A aquisição de um imóvel, seja para moradia da família ou para investimento, requer cuidados básicos para evitar problemas futuros. Antes da aquisição, é importante a participação da família na discussão para decidir qual o melhor tipo de imóvel, tamanho, localização, disponibilidade de serviços públicos etc, o que facilita a encontrar o imóvel que atenda aos interesse da família. Deve-se buscar informações a respeito da idoneidade do vendedor, visitar o imóvel várias vezes em períodos diferentes do dia/noite, examinar a localização, infraestrutura de transporte público, proximidade de hospitais, supermercados, colégios, padarias, segurança na região, verificar as formas de financiamento, comparar as taxas de juros cobradas em pelos menos três instituições sendo pelo menos uma pública, e somente após essas pesquisas tomar a decisão de adquirir o imóvel seja para residência ou para investimento, não esquecendo nunca de pedir desconto e até mesmo alongamento de prazos, o que ajuda nos desembolsos mensais, podendo reduzir o preço final do imóvel.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM QUEDA
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial recuou 0,6% em mai/14 ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, acumulando nos últimos três meses perda de 1,6%. O declínio de 0,6% da atividade industrial no período abr-mai/14 teve predomínio de fatores negativos, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas e quinze entre os vinte e quatro ramos pesquisados, segundo pesquisa mensal de produção industrial realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As influências negativas ficaram por conta de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-5%), móveis (-4,4%), metalurgia (-4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,9%), coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-3,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,1%) e produtos de borracha e de material plástico (-1,4%).

Entre os oito ramos que ampliaram a produção em mai/14, os melhores desempenhos ficaram com produtos do fumo (18,5%), indústria extrativa (1,4%) e produtos alimentícios (1,0%). A exceção da indústria extrativa que ficou estável em abr/14 (0%), os demais apresentaram expansão naquele mês, com produtos de fumo expandindo 10% e alimentos com 2,5%.

Quanto as grandes categorias econômicas, na comparação com abr/14, bens de consumo duráveis recuaram 3,6%, registrando o declínio mais acentuado em mai/14 e a terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando no período queda de 9,5%. Os bens de capital (-2,6%), que mostraram queda mais forte que o verificado na indústria (-0,6%), apontou o terceiro mês seguido de declínio, com perda acumulada de 7,5% no período. Os bens intermediários, com decréscimo de 0,9%, abrandou o ritmo de queda ante o resultado de abr/14 (-0,2%). Os bens de consumo semi e não-duráveis (1,0%) foram os únicos que registraram avanço na produção em mai/14 mantendo comportamento positivo neste ano.

Com relação ao mês de mai/13, a atividade industrial registrou queda de 3,2% em mai/14, com predomínio de resultados negativos, tendo em vista que três das quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (18) dos 26 ramos apontaram declínio na produção. Veículos automotores, reboques e carrocerias, registraram queda de 20,1%, a maior pressão negativa na formação da média da indústria, pressionada em grande parte pela queda na produção de automóveis, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de caminhões, de autopeças e de veículos para transporte de mercadorias. Outros que tiveram grande impacto negativo na produção da indústria foram: metalurgia (-10,5%), produtos de metal (-9,5%), produtos químicos (-5,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,4%), máquinas e equipamentos (-3,1%), impressão e reprodução de gravações (-13,4%), borracha e material plástico (-3,6%).

Ainda na comparação com mai/13, entre as oito atividades que aumentaram a produção, os principais impactos positivos foram observados em indústrias extrativas (7,6%), produtos alimentícios (2,1%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (7,8%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,1%).

Ainda na comparação com mai/13, bens de consumo duráveis (-11,2%) e bens de capital (-9,7%) apresentaram, em mai/14, os recuos mais acentuados entre as grandes categorias econômicas. Em mai/14, os bens de consumo duráveis apontou o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, tendo sido pressionado particularmente pela queda na fabricação de automóveis (-21,1%), móveis (-9,1%), eletrodomésticos (-8,1%) e motocicletas (-5,2%). Já o setor de bens de capital registrou o terceiro mês consecutivo de resultado negativo nesse tipo de comparação. Os bens intermediários (-2,8%) registraram variação negativa nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-3,2%), enquanto o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, com expansão de 0,8%, apontou o único resultado positivo.

No acumulado jan-mai/14, ante igual período de 2013, a atividade industrial mostrou queda de 1,6%, com três das quatro grandes categorias econômicas e dezessete dos vinte e seis ramos investigados apontando decréscimo na produção. O mais importante impacto negativo foi observado na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,5%), pressionado, em grande parte, pela queda na fabricação de cerca de 86% dos produtos do setor, com destaque para as quedas observadas por automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, veículos para transporte de mercadorias e autopeças.

Portanto, o desempenho negativo na atividade industrial brasileira nesses primeiros meses do ano, deverá condicionar fortemente o crescimento do Produto Interno Bruto do País em 2014, com impactos negativos na atividade econômica em geral e no nível de desemprego da economia.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 1 de julho de 2014

CONSUMIDOR MENOS CONFIANTE EM JUNHO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de jun/14, atingiu 106,3 pontos, o menor índice deste set/05, ante 107,6 pontos observados em mai/14, e 113,9 pontos registrados em jan/14. No período mai-jun/14, o indicador INEC caiu 1,2%, enquanto jun/14 comparado a jan/14 declinou 6,7%.

Os resultados observados ao longo dos últimos meses indicam que vem declinando a confiança do consumidor brasileiro a respeito da percepção do comportamento de relevantes indicadores econômicos, como inflação, desemprego, renda pessoal, endividamento etc. Por oportuno, cabe observar que o aumento do indicador reflete melhora no item avaliado, enquanto o declínio reflete piora.

Os fatores que mais contribuíram para a avaliação negativa da população em junho são:

(a) Expectativa de Desemprego: atingiu 108,9 pontos em jun/14, ante 114,6 em mai/14, uma queda de 4,9% no período, mas apresentando forte declínio de 17,4% quando comparada a jan/14 (131,9), refletindo a percepção dos consumidores de que o indicador irá aumentar nos próximos seis meses com relação aos seis meses anteriores, isto é, que o desemprego vai aumentar;

(b) Expectativa de Inflação: em jun/14 atingiu 97,3 pontos, antes 100,1 pontos observados no mês anterior, uma queda de 2,8% no período, com piora da percepção dos consumidores quanto à inflação nos próximos seis meses ante seis meses anteriores;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: chegou a 102,8 pontos em jun/14, ante 108 pontos verificados em mai/14, um decréscimo de 4,8%, embora tenha atingido 115,8 pontos em jan/14, com queda significativa de 11,2% no período, demonstrando grande pessimismo do consumidor com os próximos seis meses frente igual período anterior;

(d) Situação Financeira: atingiu 104,4 pontos em jun/14, de 106 pontos observados em mai/14 (-1,5%), mostrando elevação das expectativas negativas para os próximos três meses com relação aos três meses anteriores, isto é, a situação financeira da população é menos favorável em jun/14 do que era no mês anterior, e piorou muito com relação à jan/14 (113,4), quando apresentou declínio de cerca de 8%;

(e) Endividamento: esse indicador foi em direção oposta aos anteriores e passou de 101,7 pontos em mai/14 para 105,1 pontos em jun/14, com elevação de 3,3%. O resultado indica que um maior número de pessoas afirmou estar menos endividada em junho do que nos últimos três meses. A pesquisa INEC afirma que é um “Comportamento bastante razoável, considerando-se a crescente preocupação com a inflação e a piora na expectativa quanto à renda pessoal.”

Portanto, devemos ficar atentos às avaliações pessimistas quanto ao comportamento futuro dos indicadores de desemprego, renda pessoal, situação financeira e inflação, tendo em vista uma piora de percepção por parte da população ao longo desses últimos doze meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

INVESTIMENTO E RISCO
Consultor Régis Varão/¹

O conceito de risco foi estabelecido por Harry Markowitz ao publicar o artigo Portfolio Selection, no Journal of Finance, em 1952, sete anos depois publicou livro com o mesmo título. Esses trabalhos deram origem à moderna teoria das carteiras, base da teoria das finanças como é estudada atualmente.

Nesse contexto podemos apresentar alguns conceitos de risco: é a incerteza quanto ao resultado futuro de um investimento/aplicação que pode ser aferido quantitativamente, é a probabilidade de que ocorra algum evento não esperado quanto ao retorno do investimento/aplicação, ou a probabilidade de ocorrer um evento diferente do esperado.

Em finanças, adota-se a premissa de que o investidor racional é avesso ao risco, isto é, diante de dois investimentos com a mesma rentabilidade, o investidor sempre escolherá aquele que apresentar o menor grau de risco. Por esse motivo, a análise de um investimento deve considerar sempre três aspectos fundamentais: rentabilidade, liquidez e segurança.

O investidor espera que a rentabilidade esperada de sua aplicação esteja muito próxima da observada, o que dá segurança ao recurso aplicado, embora isso não ocorra sempre, o que leva à discussão de que não existe segurança absoluta quando se fala de investimentos.

É nesse contexto que entra a gestão de risco, isto é, toma-se providência hoje para garantir o retorno esperado no futuro, caso se verifique um cenário diferente do planejado, mas possível, devido a constante especulação financeira, os diversos tipos de operações e ativos existentes no mercado financeiro internacional, além de decisões das autoridades monetárias dos EUA, Zona do Euro, Reino Unido, China e Japão que impactam os mercados globais.

Considerando tais aspectos, os retornos esperados dos investimentos não podem ser analisados isoladamente sem considerar-se o risco inerente a essas aplicações.

As crises no México em 1994-95, Ásia em 1998, Brasil em 1999, Argentina em 2000-01 e EUA com início em 2007, geraram a necessidade de controles mais rigorosos do risco que o setor financeiro estava correndo com os investimentos fora do país. Medidas foram adotadas inicialmente com o Acordo de Basiléia (AB) em 1988, seguindo-se outras que aprofundaram o conceito de controle de risco. No Brasil esses princípios foram introduzidos pelas Resoluções nº2.099, de 17.8.94, e nº2.554, de 24.9.98, do ConselhoMonetário Nacional (CMN), que contribuíram para o início da cultura dos controles internos no sistema bancário.

Listamos alguns tipos de risco das instituições financeiras e que podem interferir nas aplicações dos investidores:

(1) Risco de crédito: é a possibilidade do não recebimento dos recursos aplicados, ou do recebimento fora do prazo e/ou de condições acordadas, isto é, os emissores de títulos e valores imobiliários não cumprem suas obrigações de pagar nem o principal, nem os respectivos juros de suas dívidas (inadimplência);

(2) Risco de Liquidez: é a incerteza quanto à possibilidade de transformar rapidamente uma aplicação em moeda corrente, isto é, o emitente de um papel não honra os compromissos assumidos em função de desequilíbrios de caixa observado entre o descasamento de prazos de vencimentos de operações ativas e passivas;

(3) Risco de Mercado: é a incerteza quanto ao retorno de um investimento em razão das oscilações do mercado financeiro, que podem ser decorrentes da política monetária, taxa de câmbio, mercado de capitais, preço de commodities etc;

(4) Risco Operacional: está relacionado a possibilidade de ocorrência de perdas ocasionadas por falhas de sistemas e equipamentos, obsolescência tecnológica da estrutura operacional, insuficiência de equipamentos ou falhas humanas;

(5) Risco Sistêmico: decorre de dificuldades financeiras verificadas em uma ou mais instituições, e que podem provocar problemas em outras, e até mesmo no sistema financeiro como um todo;

(6) Risco Legal: é o risco decorrente de perdas por falta da observância de regras e normativos legais;

(7) Risco-país: decorre da possibilidade de perdas decorrentes da situação econômica e às vezes política do país onde se realizou o investimento;

É importante ter conhecimento da existência dos diversos tipos de risco ao tomar a decisão de investir seus recursos e mais ainda de terceiros, principalmente os gestores de fundos de investimentos, cujos montantes de recursos ultrapassam sete, oito e mais dígitos. Portanto, o tripé rentabilidade, liquidez e segurança deve estar sempre presente na decisão do investidor, independente do porte e do perfil.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.