sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO - JUNHO DE 2014
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitem acompanhar o desempenho do comércio varejista e seus principais segmentos no mês. A pesquisa trabalha com uma amostra de 5.700 empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades.

Em jun/14, o comércio varejista apresentou declínios de 0,7% para o volume de vendas e 0,2% para a receita nominal, ante o mês anterior, com ajuste sazonal. Na série referente ao volume de vendas, o resultado volta a ser negativo após incremento observado em mai/14. Quanto à receita de vendas temos registrado o primeiro mês negativo desde mai/12.

Nas demais comparações, tiradas das séries originais, sem ajuste sazonal, o setor varejista obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos de aproximadamente 0,8% sobre jun/13, e de 4,2% e 4,9% no acumulado do período jan-jun/14 e dos últimos 12 meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas registrou variações positivas de 7,4%, 10,5% e de 11,4%, respectivamente.

Com relação ao comércio varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, pelo segundo mês consecutivo, variação negativa tanto para o volume de vendas com -3,6%, quanto para a receita nominal com -3,4%, ambas as taxas em relação a mai/14, com ajuste sazonal. Comparando com jun/13, apresentou declínios de 6,1% para o volume de vendas e de 0,1% na receita nominal de vendas. Quanto às taxas acumuladas, as altas foram de 0,1% no período jan-jun/14 e de 1,9% nos últimos 12 meses, para o volume de vendas, e de 5,7% e 7,4% para a receita nominal, respectivamente.

Comparando o segundo trimestre de 2014 (2ºTri14) com o 1ºTri, observa-se redução no setor varejista, com a taxa passando de 4,5% para 4,0% e queda no varejo ampliado, de 2,1% para -1,8%. Das dez atividades, duas apresentaram resultado superior ao do trimestre anterior: Outros artigos de uso pessoal e doméstico passaram de 7,5% para 11,7% e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo de 2,6% para 4,4%. As outras atividades registraram variações inferiores ao trimestre anterior: Material de construção de 7,2% para -2,9%; Veículos, motos, partes, peças de -3,7% para -11,7%; Combustíveis, lubrificantes de 8,1% para 0,3%; Livros, jornais, revistas e papelaria de -3,7% para -8,7%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria passou de 12,6% para 7,8%; Equipamentos, material para escritório, informática e comunicação de -0,7% para -5,0%; Móveis e eletrodomésticos de 6,5% para 3,8% e Tecidos, vestuário e calçados de 0,4% para -1,7%.

O primeiro semestre de 2014 (1ºSem14) apresentou um crescimento de 4,2% em relação ao 1ºSem13, mas inferior ao do 2ºSem13, que atingiu +5,4%. Parte desse desempenho deve-se à redução no ritmo de crédito e as alíquotas de IPI mais elevadas incidentes em alguns produtos.

Em Jun/14, nove entre as dez atividades pesquisadas apresentaram decréscimos para o volume de vendas, com ajuste sazonal. Em ordem de relevância de taxas: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo +0,6%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico -0,5%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos -0,9%; Tecidos, vestuário e calçados -1,0%; Móveis e eletrodomésticos -2,0%; Combustíveis e lubrificantes -2,3%; Material de construção -3,9%; Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação -4,2%; Livros, jornais, revistas e papelaria -5,3%; e Veículos e motos, partes e peças com -12,9%.

Comparando jun/14 contra igual período de 2013, na série sem ajuste sazonal, quatro das oito atividades do setor varejista apresentaram crescimentos. Os resultados, por ordem de relevância foram: +7,9% para Outros artigos de uso pessoal e doméstico; +7,7% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; +0,5% para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; +0,1% para Móveis e eletrodomésticos; -12,1% para Livros, jornais, revistas e papelaria; -7,0% para Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; -2,5% para Tecidos, vestuário e calçados; e -3,0% para Combustíveis e lubrificantes.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico exerceram o maior impacto na formação da taxa do varejo, com variação de 7,9% no volume de vendas em relação a jun/13. Em termos acumulados, a taxa para o 1ºSem14 foi da ordem de 9,6% e para os últimos 12 meses, de 10,2%. Esta atividade, por englobar os segmentos de lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc, foi menos impactada pela redução da carga horária decorrente da Copa do Mundo. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, ficou com a segunda maior participação na taxa geral do varejo, cresceu 7,7% ante jun/13, e taxas acumuladas de 10,1% no semestre e de 10,8% nos últimos 12 meses. O comportamento dos preços dos produtos farmacêuticos, que em 12 meses subiu 4,1% contra 6,5% do índice geral, segundo IPCA, são um dos principais fatores explicativos do desempenho positivo do segmento.

Em jun/14, o comércio varejista ampliado registrou em relação a mai/14 variação de -3,6% para o volume de vendas ajustados sazonalmente e de -6,1% ante jun/13. Este desempenho reflete, sobretudo, o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, que apresentou redução de -12,9% ante mai/14 com ajuste sazonal, e -18,7% ante jun/13. A taxas acumuladas da atividade foram de -7,9% no período jan-jun/14 e -4,3% nos últimos 12 meses. Além da redução do número de dias úteis, o desempenho da atividade também foi influenciado pelo menor ritmo do crédito e pelo comprometimento da renda das famílias, provocando desaceleração do consumo.

Entre as 27 Unidades da Federação 17 apresentaram resultados positivos ante jun/13. Os destaques em variações positivas do volume de vendas: Acre +15,0%; Rondônia +9,9%; Roraima +9,1%; Paraíba +7,4%; e Ceará +7,2%. Quanto à participação na taxa geral do Comércio Varejista, destacaram-se: Rio de Janeiro +4,4%; Ceará +7,2%; Bahia +2,7%; Paraíba +7,4% e Maranhão com +6,2%.

Quanto ao varejo ampliado, entre as 27 Unidades da Federação 6 registraram desempenho positivos. As maiores variações no volume de vendas foram: Acre +5,1%, Paraíba +4,9%, Rondônia +4,2%; Minas Gerais +3,4% e Ceará com +2,8%. Em termos de impacto no resultado do setor, os destaques foram: Minas Gerais +3,4%; Ceará +2,8%; Paraíba +4,9%; Rondônia +4,2% e Acre com +5,1%. Ainda por estado, os resultados com ajuste sazonal para o volume de vendas indicam cinco estados com incrementos, na comparação mês/mês anterior: Paraíba +3,9%; Maranhão +1,6%; Rio de Janeiro +0,5%; Rondônia +0,2% e Roraima com +0,1%.

Portanto, o setor varejista caiu 0,7% em jun/14 nas vendas e 0,2% na receita ante o mês anterior, e apresentou o primeiro mês negativo desde mai/12, enquanto o varejo ampliado registrou declínios de 3,6% e 3,4% para vendas e receitas, na mesma base de comparação. Segmentos como Veículos, motos, partes e peças e Material de construção foram importantes para o desempenho negativo do varejo em jun/14, o que pode estar associado à elevação da taxa de juros e aumento da inadimplência nos últimos meses. O comportamento do varejo pode estar refletindo o desempenho da economia brasileira, o que pode ser observado nas consecutivas reduções semanais das expectativas de crescimento do PIB por parte do mercado, Boletim Focus do BCB, para 2014 e com projeção de fraco desempenho do indicador para o próximo ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central (BCB) em 11.8.14, referentes a 8.8.14, apresentaram alterações quando comparadas às projeções do mercado divulgadas na semana anterior e em igual período de 2013, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no Focus de 8.8.14 a expectativa de elevação do IPCA para 2014 é 6,26%, ante 6,39% do boletim da semana anterior, e de 5,85% divulgado em 9.8.13. Para 2015, a expectativa sobe de 6,24% em 1.8.14 para 6,25% no último boletim;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no boletim de 1.8.14, a projeção do índice para 2014 atinge 4,33%, enquanto no Focus desta semana registra variação positiva de 3,98%. No Focus de 8.8.14, a projeção para 2015 aponta variação positiva de 5,50%, ante 5,53% observado na boletim de 1.8.14;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no Focus desta semana, ante os dados do boletim divulgado na semana anterior, a expectativa para a taxa de câmbio mantém-se inalterada, em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50, respectivamente, para o final de 2014 e 2015, enquanto em 9.8.13 está em R$/U$2,30 para 2014, não constando projeção do indicador para 2015;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Taxa Selic, em fim de período, de acordo com o Focus de 8.8.14 para o final de 2014, está em 11% a.a. e 12% a.a. para o final de 2015, enquanto o boletim de 1.8.14 apresenta as mesmas taxas para os dois períodos. O Boletim Focus de 9.8.13 aponta para uma taxa de 9,25% a.a. para 2014, ante 11% observado para este ano no relatório de 8.8.14;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): a expectativa do mercado para o crescimento do PIB para 2014 continua se deteriorando ao longo das últimas semanas, tendo o Focus de 8.8.14 apontado variação positiva de 0,81%, ante crescimento de 0,86% verificado no Focus da semana anterior. Com relação às expectativas do mercado para o crescimento do PIB em 2015, o Focus de 1.8.14 registra alta de 1,50%, declinando para +1,20% no boletim de 8.8.14, após várias semanas inalterado em 1,50%. No Focus de 9.8.13 a projeção de crescimento do PIB para 2014 está em 2,50%, caindo 1,69 p.p. no último boletim, para aquele período;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções do Focus de 9.8.14 comparadas às da semana anterior, apontam estabilidade com superávit de U$2 bilhões para 2014, enquanto para o ano seguinte passa de U$8,50 bi no Focus de 1.8.14 para U$9 bi no último Focus, com alta de U$0,50 bi. No boletim de 9.8.13, a projeção de superávit está em U$8 bi para 2014, não constando projeção para o ano seguinte;

O mercado tem feito semanalmente as correções nas expectativas de crescimento do PIB, demonstrando que as medidas adotadas pelo governo pouco têm contribuído. O desempenho do PIB tem sido contaminado pelas expectativas negativas dos agentes econômicos quanto à possibilidade do governo em dar estímulos efetivos e duradouros na economia, revertendo o quadro pessimista que reina no atual cenário econômico nacional.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 1.8.14, apresentaram algumas alterações quando comparadas às projeções da semana anterior, bem como quando comparadas a de igual período de 2013, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim de 1.8.14 a expectativa de elevação do IPCA para 2014 é de 6,39%, ante 6,41% divulgada na semana anterior, e sobe de 6,21% em 25.7.14 para 6,24% no último Focus, para o próximo ano. Quando compara as projeções desta semana (6,39%) com as de 2.8.13 (5,87%) para 2014, temos uma variação de +0,52 p.p.;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 1.8.14, a projeção do índice para 2014 apresenta variação positiva de 4,33%, enquanto na semana anterior registra elevação de 4,34%. No Focus desta semana, a projeção para 2015 aponta variação positiva de 5,53%, ante 5,52% observado na semana anterior. Quanto ao Focus de 2.8.13, a projeção do IGP-DI para 2014 está em 5,50%, enquanto no último Focus vai para 5,53%;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no boletim desta semana, ante a semana anterior, a expectativa para a taxa de câmbio mantém-se inalterada, em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50, para o final de 2014 e 2015, respectivamente, enquanto em 2.8.13 está em R$/U$2,30 para 2014, não constando projeção do indicador para 2015;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o boletim Focus de 1.8.14 para o final de 2014, está em 11% a.a. e 12% para o final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta as mesmas taxas para os dois períodos. O boletim de 2.8.13 aponta para uma taxa de 9,25% a.a. para 2014, ante 11% observado para este ano no relatório de 1.8.14;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): a projeção de crescimento do PIB para 2014 continua se deteriorando ao longo das últimas semanas, tendo o Focus de 1.8.14 registrado crescimento de 0,86% ante 0,90% observado no relatório da semana anterior, mas mantendo inalterada a elevação de 1,50% para 2015. No Focus de 2.8.13 a projeção de crescimento do PIB para 2014 está em 2,60%, caindo 1,74 p.p. no último boletim, reforçando a expectativa de que a retração no indicador está pressionada pelo desempenho apresentado na indústria nos últimos meses;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções do Focus de 1.8.14 comparadas às da semana anterior, apontam estabilidade com superávit de U$2 bilhões para 2014, enquanto para o ano seguinte passa de U$9,40 bi no Focus de 25.7.14 para U$8,50 bi no último Focus, com declínio de U$0,90 bi. O boletim de 2.8.13 a projeção de superávit está em U$8 bi para 2014, não constando projeção para 2015;

Portanto, as medidas adotadas pelo governo são insuficientes para alterar o desempenho declinante do PIB em 2014 e as expectativas de baixo crescimento para 2015. O declínio do PIB está sendo contaminado pelo decréscimo observado na produção industrial ao longo dos últimos meses, e as medidas adotadas não têm apresentado resultados satisfatórios.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

domingo, 3 de agosto de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE JUNHO
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial em jun/14 recuou 1,4% ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, configurando o quarto mês consecutivo de queda, acumulando perda de 3,4% no período. Na série sem ajuste sazonal a produção caiu 6,9% quando comparada a igual período de 2013, a quarta taxa consecutiva e a mais elevada desde set/09, quando registrou queda de 7,4%. Os indicadores da indústria foram negativos tanto para o período abr-jun/14 (-5,4%), como para o acumulado no semestre jan-jun/14 (-2,6%), quando comparadas a igual período do ano anterior, respectivamente, segundo pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio de 1,4% da atividade industrial no bimestre mai-jun/14 teve predomínio de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e 18 dos 24 ramos pesquisados. Os principais impactos negativos foram observados em veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,1%), apresentando o quarto recuo consecutivo com queda acumulada de 22,6% e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%), com a maior queda desde o início da série histórica, e perda acumulada de 36,7% no bimestre. Esses dois setores fora pressionados nesse mês por paralisações em diversas unidades produtivas, tendo em vista as reduções de jornadas de trabalho e concessão de férias coletivas.

Outras contribuições negativas importantes vieram de: outros equipamentos de transporte (-12,3%), confecção de artigos de vestuário e acessórios (-10,0%), máquinas e equipamentos (-9,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,4%), produtos têxteis (-6,7%), produtos de borracha e de material plástico (-5,6%), produtos de minerais não-metálicos (-3,4%) e perfumaria, sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,1%). Dos seis ramos que aumentaram a produção em junho, os de melhores desempenhos foram: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (2,5%).

Quanto às grandes categorias econômicas, ante mai/14, bens de consumo duráveis, ao cair 24,9%, assinalou a maior queda desde o início da série e apresentou o quarto declínio consecutivo nessa base de comparação, acumulando queda de 33,3% no período. Os bens de capital (-9,7%), também mostraram forte declínio, e apontou o quarto mês de queda na produção, com perda de 17,9% no acumulado do período. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis declinou 1,3%, e anulou o incremento de 1,1% acumulada no período abr-mai/14. Os bens intermediários (-0,1%) registraram o terceiro mês consecutivo de declínio na produção, acumulando queda de 1,2% no período.

Em jun/14 na comparação com igual período de 2013, o setor industrial mostrou queda de 6,9%. Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-36,3%), com a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada em parte pela redução na fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias. Outras contribuições negativas relevantes vieram da redução na produção de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-12,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-25,1%), de produtos de metal (-15,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,4%), de outros produtos químicos (-6,3%) e de outros equipamentos de transporte (-21,2%). Por outro lado, ante jun/13, entre as cinco atividades que elevaram a produção, os principais impactos vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%), indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).

Ainda na comparação com jun/13, bens de consumo duráveis (-34,3%) e bens de capital (-21,1%) apresentaram as maiores quedas em jun/14, os maiores recuos entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%) também registraram resultados negativos nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-6,9%).

Os bens de capital, ao recuarem 21,1% em jun/14, registraram o quarto resultado negativo consecutivo no índice mensal, mostrando a queda mais fonte desde ago/09, quando caiu 22,4%. A produção industrial em junho foi influenciada pela redução observada na maior parte dos seus grupamentos, com destaque para o declínio de 31,6% em bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado basicamente pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias, reboques e semirreboques e vagões de passageiros. As outras taxas negativas vieram de bens de capital para fins industriais (-11,8%), agrícola (-15,5%), de uso misto (-8,5%) e para construção (-16,3%), enquanto bens de capital para energia elétrica (8,4%) apontou o único resultado positivo em jun/14.

Na análise trimestral, a indústria recuou 5,4% no segundo trimestre (2T) de 2014, registrando a queda mais forte desde o 3T de 2009 (-8,1%) e reverteu o resultado positivo assinalado no 1T do ano (0,4%), todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis, que passou de 3,5% no período jan-mar/14 para -19,3% no trimestre seguinte, e bens de capital (de -1,0% para -15,0%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos e os resultados negativos mais intensos no 2T de 2014. Já com relação ao primeiro semestre (1S) de 2014, frente a igual período de 2013, o setor industrial apresentou queda de 2,6%. O principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (-16,9%).

Portanto, o desempenho negativo na atividade industrial brasileira ao longo dos últimos meses de 2014, deverá contribuir negativamente para o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Por outro lado, a preocupação é que o fraco desempenho do setor industrial não contamine o comércio e o setor agrícola, o que poderia comprometer ainda mais o desempenho do PIB.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

sábado, 2 de agosto de 2014

AS FINANÇAS EM CADA FASE DA VIDA
Consultor Régis Varão/¹

Em cada fase da vida, nossas necessidades mudam, podendo ficar mais dispendiosas com o passar dos anos. Quando se é jovem tempo não é problema, não falta energia e disposição para erros e acertos, mas com o passar dos anos o tempo vira produto escasso, e as decisões sabiamente tomadas há vinte, trinta, quarenta anos renderão bons frutos na maturidade.

O tempo passa e as necessidades de cada fase da vida começam a pressionar, mas normalmente é a partir da adolescência que começamos a nos preocupar com os projetos que envolvem atitudes financeiras e que ajudam a transformar sonhos em projetos reais, levando as pessoas, por suas escolhas e atitudes a um futuro com prosperidade ou não.

Segundo Pedro Carrilho (2013), a maioria das pessoas mede sua situação financeira em função de fatores externos, como o imóvel em que vive, o carro ou o emprego que tem, e se esquece que deveria medir sua situação financeira em função da fase financeira em que se encontra e de seus objetivos pessoais.

Tendo em vista que muitas pessoas têm me perguntado a respeito de fases para iniciar projetos que serão realizados em vinte, trinta, quarenta anos depois, resolvi falar a respeito dessas fases da vida financeira. Alguns podem não se enquadrar, entretanto, podem tomar atitudes financeiras adequadas, na época oportuna, e com certeza aproveitarão os benefícios da decisão.

Um percentual elevado de pessoas inicia sua vida financeira próxima aos vinte anos, alguns mais cedo, mas a maioria ainda não terminou o ensino médio ou está iniciando o curso superior. Vamos trabalhar com a seguinte faixa etária:

(a) Até os 20 anos: algumas crianças entre os 7 e 8 anos já demonstram interesse pelo dinheiro,  buscam informações a respeito de preços e até guardam dinheiro para comprar objetos. A infância é a fase propícia para que pais e responsáveis trabalhem conceitos de orçamento e poupança. A importância que os pais atribuem ao dinheiro provavelmente levarão seus filhos a terem as mesmas atitudes no futuro. José dos Santos (2013) apresenta algumas recomendações aos pais: jamais ceder às chantagens, somente dar brinquedos novos em datas importantes, não comprar itens de vestuário de tamanho justo e em grande quantidade, não dar celular na fase inicial da infância, incentivar a criança a participar das reuniões do orçamento familiar, estimular a criança a praticar atividade física e alimentação saudável entre outros. Na adolescência os gastos tendem a aumentar, são mais suscetíveis aos fatores externos, principalmente os ligados à moda e aos do grupo que se inserem. É natural que os pais banquem despesas com educação, alimentação, vestuário, lazer etc. Segundo Cherobim e Espejo (2010), o que não é natural e, infelizmente, acontece muito é um jovem de 14 anos precisar trabalhar para auxiliar a família. A adolescência é uma fase de muita despesa na família, pois o jovem precisa alimentar-se bem, são elevados os gastos com educação, precisa praticar esportes, divertir-se etc. Santos (2013) apresenta as seguintes recomendações aos pais: incentivar o adolescente nas discussões mensais do resultado do orçamento familiar, incentivá-lo a fazer cursos de aprimoramento profissional (informática, língua estrangeira etc), convencê-lo a fazer cursos de finanças pessoais, ajudá-lo na definição da escolha do curso superior etc. De acordo com Murilo Carneiro (2014) ”Isso vai permitir a formação de uma pessoa equilibrada, que conhece a vida e vai ter a opção de escolher o caminho a seguir.” Um curso técnico ou superior que leve a oportunidades de crescimento, com rendimentos dignos é fruto do investimento realizado na vida pessoal, logo, um desses cursos é o mínimo do ponto de vista de investimento pessoal;

(b) Dos 20 aos 30 anos: para muitas pessoas, a vida adulta se inicia com casamento, mas não vamos discutir essa opção, até porque há controvérsia. De acordo com Santos (2013), ”Nessa fase, mais precisamente a partir dos vinte anos, espera-se que o jovem bem orientado na adolescência já esteja estudando em uma faculdade, trabalhando e, no mínimo, conseguindo arcar com suas despesas pessoais.” É a fase em que a pessoa tem rendimentos próprios e é autossustentável. Pedro Carrilho (2013) afirma que essa etapa inicial da vida financeira é uma das mais importantes, pois são cometidos os maiores erros financeiros, e muitas vezes acabam por tirar alguns anos para consertá-los. Nessa fase os ganhos são menores, e aqueles que ainda moram com os pais aumentam a capacidade de poupar. Também pode pensar no próprio negócio, nesse caso, deve consultar o Sebrae. Assim, o foco das finanças deve ser investimento em educação, cursos de idiomas, pós-graduação e outros, é a hora da capacitação. Caso a pessoa não tenha filhos pode correr riscos financeiros, como apostar em aplicações de renda variável e até outras alternativas mais arriscadas. No entanto, o ideal é iniciar o processo de acumulação, guardando parte do que ganha, de preferência o equivalente a um salário bruto mensal por ano;

(c) Dos 30 aos 40 anos: essa é a fase em que começa a construção do patrimônio propriamente dito. É a fase dos grandes projetos financeiros, como a casa própria, o casamento e filhos. Faça reserva financeira de um percentual do salário mensal para essa finalidade. Ao comprar a casa própria, caso tenha alguma reserva dê entrada reduzindo a prestação. Comprometa menos que 30% do orçamento familiar com as prestações da casa própria, em hipótese alguma mais que 30%. Crie o hábito de poupar bônus, prêmios e 13º salário, mantendo uma reserva financeira para emergências. Não exceda a soma de 36 salários mensais brutos da família, reduzindo o esforço na hora de pagar a prestação. Você S/A (edição 189) lembra que nessa fase em que os ciclos de carreira estão mais curtos, a pessoa deve investir em cursos de atualização, e que as reservas financeiras ajudarão. Os projetos de curto prazo ou de menor custo demandam aplicações de baixo risco e menor rendimento como caderneta de poupança ou títulos públicos, estes, uma boa escolha. No entanto, para projetos de 5 anos, as opções mudam, e o mercado de capitais poderia ser uma opção, e após exaustiva pesquisa, fundos multimercados. As Letras de Crédito Agrícolas (LCA) e os títulos do tesouro (Tesouro Direto-STN) vêm apresentando boa rentabilidade, além da liquidez e grande segurança. É interessante um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), uma modalidade de plano de previdência privada, que possibilita a dedução das contribuições no cálculo do imposto de renda, até um limite de 12% da renda total tributável;

(d) Dos 40 aos 50 anos: você já deve ter fontes de rendimento estáveis e provenientes de investimentos realizados anteriormente. O alicerce financeiro está forte e seguro, ainda deve manter um percentual dos ganhos mensais para uma reserva financeira, nesse caso, de três a cinco salários brutos mensais por ano, um valor confortável e que permite alavancar as fontes de rendimentos e continuar a investir. Como provavelmente você está ganhando mais, caso disponha de imóvel financiado, procure antecipar prestações. Os gastos com filhos, principalmente com educação, tendem a aumentar, e tendo reserva financeira utilize-a com cautela. No caso de desemprego, você precisa de uma reserva equivalente a pelo menos seis meses de despesas mensais. Caso se depare com essa situação, enxugue ao máximo as despesas para não sacrificar a faculdade dos filhos. Quanto à previdência privada nunca mexa nela, pois poderá comprometer o planejamento da aposentadoria feito ao longo dos anos;

(e) Dos 50 aos 60 anos: tente reduzir seus gastos e investir um pouco mais já focado na vida pós-aposentadoria. Reserve de 10 a 30% dos ganhos para a previdência privada e continue buscando investimentos seguros como títulos do tesouro e alguns fundos de renda fixa. Você está em uma situação em que já deve ter atingido razoável padrão de renda e conforto para ter qualidade de vida. Você já deverá ter rendimentos de investimentos que correspondam a pelo menos 50% de suas despesas mensais. É importante que nessa fase você faça as coisas que mais lhe dão prazer, sem buscar remuneração. Você S/A afirma que a expectativa de vida é de mais de 74 anos, mas os consultores sugerem fazer um planejamento como fosse viver 90 anos, e lembre-se que nessa fase as despesas médicas subirão, portanto, invista em um bom plano de saúde;

(f) Acima dos 60 anos: segundo José dos Santos (2013), “espera-se que o individuo bem orientado em todas as etapas anteriores da vida tenha construído um patrimônio financeiro que financie, no mínimo, suas necessidades básicas para desfrutar de uma aposentadoria saudável.” Nessa fase, o esforço na formação de patrimônio feito ao longo dos anos deve ser recompensado com uma aposentadoria tranquila, com viagens e mais qualidade de vida. É quando você pode realizar alguns sonhos, conhecer novos lugares, estudar um novo idioma etc. Mesmo aposentado é importante continuar aplicando as regras de poupança e investimento, buscando aplicações com baixo risco. Adote uma segunda carreira numa área que lhe dê prazer, pois além de espantar o tédio ajuda a preservar a poupança. Um novo negócio nessa fase é arriscado, pois são reduzidas as chances de recuperação.

Portanto, infelizmente para muitas pessoas, quando a aposentadoria chega não estão preparadas emocional e financeiramente para esse dia, pois ao longo de suas vidas não pensaram em fazer poupança. Pesquisa indica que 64% dos brasileiros entrevistados nunca pouparam para a aposentadoria, e um terço não tem a intenção de fazê-lo, o que explica a quantidade de pessoas acima de 60 anos ainda na ativa, que não se aposentam por não estarem financeiramente preparadas para essa nova fase. O futuro depende de atitudes que você adota no presente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar o site http://www.ravecofinancas.com/.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

EXPECTATIVA DO CONSUMIDOR MELHOR EM JULHO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de jul/14, atingiu 109,5 pontos, ante 106,3 pontos observados em jun/14, próximo ao de jul/13 (110 pontos), mas ainda inferior ao registrado em janeiro deste ano (113,9 pontos). No período jun-jul/14, o indicador INEC registrou crescimento de 3%, enquanto jul/14 comparado a jan/14 declinou 3,9%.

O incremento apresentado no indicador de julho, ante junho, reverteu em parte, o declínio observado ao longo de 2014, embora ainda inferior aos patamares registrados em anos anteriores. De acordo com o relatório da CNI, “Excluindo os valores dos primeiros seis meses de 2014, o INEC é o menor desde março de 2009.

Os resultados observados no primeiro semestre deste ano mostram declínio na percepção do comportamento do consumidor brasileiro com relação aos indicadores de inflação, desemprego, renda pessoal e endividamento, enquanto a melhora do INEC em jul/14 é explicada, principalmente, pelas expectativas de inflação, desemprego e na evolução da renda pessoal. As expectativas quanto ao endividamento mantiveram-se estáveis no bimestre jun-jul/14, enquanto compras de bens de maior valor apresenta declínio de 3,3% nas expectativas.

Os fatores que mais contribuíram para a avaliação positiva da população em julho são:

(a) Expectativa de Renda Pessoal: chegou a 110,7 pontos em jul/14, ante 102,8 pontos verificados em jun/14, um aumento de 7,7%, embora tenha atingido 115,8 pontos em jan/14, com queda de 4,4% no período. Esse componente do INEC apresentou o melhor desempenho em jul/14;

(b) Expectativa de Inflação: em jul/14 atingiu 104,2 pontos, ante 97,3 observados no mês anterior, uma elevação de 7,1% no bimestre, com melhora na percepção dos consumidores quanto à esse indicador nos próximos seis meses ante seis meses anteriores;

(c) Expectativa de Desemprego: atingiu 116,6 pontos em jul/14, ante 108,9 registrados no mês anterior, uma alta de 7,1% no período, mas apresentando declínio de 11,6% quando comparada a jan/14 (131,9 pontos), e atingindo o mesmo nível de abr/14 (116,5 pontos);

(d) Situação Financeira: o indicador atingiu 109,9 pontos em jul/14, de 104,4 pontos observados em jun/14 (+5,3%), mostrando elevação das expectativas positivas para os próximos três meses ante os três meses anteriores. As expectativas para a situação financeira do consumidor está mais favorável em jul/14 do que no mês anterior, mas abaixo do índice registrado em jan/14 (113,4), quando apresentou declínio de 3,1%. Segundo a pesquisa a maior avaliação desse indicador também contribuiu para a melhora do INEC em julho, refletindo um menor número de consumidores que perceberam piora na sua situação financeira nos últimos três meses;

(e) Endividamento: esse indicador manteve-se estável no bimestre jun-jul/14, quando atinge 105,1 pontos, e apresenta declínio de 2,3% ante jan/14 (107,6 pontos). O resultado indica que um maior número de pessoas afirmou estar menos endividada em julho do que nos últimos três meses;

(f) Compras de bens de maior valor: diferentemente dos demais componentes do INEC esse indicador atinge 110,2 pontos em jul/14,  ante 114 pontos em jun/14, e apresenta declínio de 3,3% no bimestre, o que aponta redução na expectativa de consumo desses bens para os próximos seis meses com relação aos seis meses anteriores.

Devemos ficar atentos às avaliações quanto ao comportamento futuro dos componentes do INEC, principalmente dos indicadores de compras de bens de maior valor e de endividamento das famílias. Por outro lado, o mês de julho ajudou a reverter temporariamente queda do INEC nos primeiros seis meses do ano, embora não possa configurar mudança de tendência.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 25.7.14, apresentaram poucas alterações quando comparadas às projeções da semana anterior, registrando ajustes nas expectativas para o IPCA em 2014 e em 2015, e para o PIB deste ano. O quadro é pouco animador quando as projeções são comparadas às divulgadas há doze meses, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim de 25.7.14 a expectativa de elevação do IPCA para 2014 é de 6,41%, ante 6,44% divulgada na semana anterior, e sobe de 6,12% para 6,21% para 2015, no período. Quando se compara as projeções desta semana (6,41%) às de 26.7.13 (5,88%) para 2014, temos uma variação de +0,53 p.p.;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 25.7.14, a projeção do índice para 2014 apresenta recuo na semana, atingindo 4,34%, enquanto o boletim da semana anterior registra elevação de 4,49%. No Focus desta semana, a projeção para 2015 aponta variação positiva de 5,52%, ante 5,50% observado no boletim da semana anterior. Quanto ao Focus de 26.7.13, a projeção do IGP-DI para 2014 está em 5,50%, enquanto no Focus um ano depois fica em 4,34%;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no relatório Focus desta semana, ante a semana anterior, a expectativa para a taxa de câmbio mantém-se inalterada, em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50, para o final de 2014 e 2015, respectivamente, enquanto no boletim de 26.7.13 está em R$/U$2,30 para 2014. Nesse boletim não existe projeções da variável para 2015;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o boletim Focus de 25.7.14 para o final de 2014, está em 11% a.a. e 12% para o final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta os mesmos valores para os dois períodos. Já o boletim de 26.7.13 aponta para uma taxa de 9,25% a.a. para 2014, ante 11% observado para este ano no último relatório;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): no boletim Focus desta semana a projeção de crescimento do PIB para 2014 continua se deteriorando, ante a semana anterior, declinando de 0,97% no Focus de 18.7.14, para 0,90% em 25.7.14, retração de 0,07 p.p., enquanto para 2015 o crescimento manteve-se inalterado em 1,50% no período. Por outro lado, em apenas doze meses, Focus de 26.7.13, a projeção de crescimento do PIB para este ano cai de 2,60% para 1,50%, reforçando a expectativa de que a retração na atividade econômica pode piorar;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções do Focus de 25.7.14 comparadas às da semana anterior, apontam estabilidade com superávit de U$2 bilhões para 2014 e U$9,80 bi para 2015, enquanto no boletim de 26.7.13 a projeção de superávit está em U$8,92 bi para 2014, não existindo nesse boletim projeção para 2015;

As projeções apresentadas nos últimos dois Focus/BCB para as variáveis macroeconômicas apresentam estabilidade para o câmbio, a taxa de juros e para o superávit comercial, enquanto apresentaram declínio para preços. Quanto ao PIB, a projeção do mercado para 2014 mais uma vez apresenta retração, o que vem preocupando fortemente os setores privado e público.

Portanto, apesar do declínio nas projeções do PIB para 2014, com expectativas de baixo crescimento para o ano seguinte, segundo apontam os últimos boletins Focus, as medidas adotadas pelo governo têm sido inócuas, tendo em vista que continuam contemplando segmentos específicos da sociedade. No final da semana passada o BCB autorizou a liberação de parte dos depósitos compulsórios com o objetivo de estimular o consumo, e tentar reverter expectativas declinantes para a atividade econômica. Estímulos ao consumo já vêm sendo adotadas há anos pelo governo, com poucos efeitos consistentes no médio e longo prazo, apenas resolvendo problemas momentâneos, mas podendo gerar impacto negativo nos índices de preços.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

sábado, 26 de julho de 2014

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR
Consultor Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para jul/14, publicado esta semana, avançou cerca de 3% (106,9 pontos) ante o mês de jun/14 (103,8 pontos), mas inferior 2,6% ao observado em jul/13 quando atingiu 109,7 pontos.

Segundo Viviane Seda, da FGV/IBRE, a elevação no índice de confiança do consumidor é uma boa notícia, mas parte do resultado pode ter sido influenciado pelos acontecimentos observados em torno das festividades da Copa do Mundo nas cidades pesquisadas. Ainda de acordo com Seda, “Para se confirmar uma tendência mais consistente de alta, será necessário aguardar os próximos resultados.”

A satisfação do consumidor em julho em relação à situação atual apresentou elevação significativa, enquanto as expectativas frente aos meses seguintes ficaram apenas um pouco mais otimistas. O Índice da Situação Atual (ISA) passou de 109,6 pontos em jun/14 para 113 no mês seguinte, elevando-se 3,1%, enquanto registra 110,3 pontos em jul/13. Já o Índice de Expectativas (IE), que afere as expectativas em relação aos meses seguintes, passou de 100,7 pontos em jun/14 para 101,2 em julho, um crescimento de 0,5%, enquanto atinge 107 pontos em jul/13.

De acordo com a Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV/IBRE, de Julho de 2014, “A avaliação sobre a situação econômica geral contribuiu com mais de 50% para o resultado favorável do ICC no mês. O indicador que mede o grau de satisfação dos consumidores com a economia no melhor resultado desde março passado (76,1). A proporção de consumidores que avaliam a situação como boa aumentou de 14,1% para 16,7%, enquanto a dos que a julgam ruim diminuiu de 44,5% para 41,0%.”

Quanto às expectativas para os próximos meses, as previsões dos consumidores foram menos pessimistas a respeito das finanças pessoais, e o indicador que mede o grau de otimismo em relação à situação financeira da família registrou alta de 1,6%, chegando a 129,1 pontos. A parcela de consumidores projetando melhora para os meses seguintes atingiu 35,2% em julho, apresentando elevação de 1,3 p.p. ante o mês anterior (33,9%), e a dos consumidores que preveem piora caiu 0,7 p.p. chegando a 6,1%.

Portanto, os resultados positivos relativos à confiança do consumidor em julho deste ano, provavelmente estão vinculados ao fator Copa do Mundo, que contribuiu para o resultado do ICC (+3%), embora a avaliação dos consumidores quanto às condições futuras tenham apresentado pequena variação no otimismo (+0,5%). Apesar de sondagens realizadas em outros setores não terem apresentado desempenho satisfatório, o resultado do ICC-FGV sugere pequena retomada no consumo das famílias para os próximos meses, após desaceleração observada a partir de nov/13.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.